Notas iniciais
Heey galera! Essa história me veio na cabeça quando eu vi uma postagem no grupo do Nyah! do facebook falando sobre um filme sobre esse bonequinho que sempre aparece nos filmes da Dream Woroks.É uma história simples, mas... Espero que gostem ♥

Todos os dias eu via vidas passando. Via pessoas nascendo, pessoas brigando e encontrando o amor. Todos os dias alguém ria, alguém chorava, alguém incentivava o riso, alguém dizia que tudo ia ficar bem. Tinha uma coisa em comum entre essas pessoas. Elas estavam sempre perto de alguém, mesmo que não fosse um conhecido, sempre tinha alguém para fazer-lhes companhia. Essas pessoas brigavam, faziam as pazes, se casavam, se divorciavam... Mas sempre tinha um alguém para completar a história.

Todos os dias eu contemplava o vazio, encarava as luzes das estrelas que eu havia trazido e a imensidão do universo. Sentava-me na Lua como as pessoas que eu via sentavam em suas cadeiras, com as pernas balançando para fora, encostado na curva que ela fazia. Levava comigo uma vara de pescar, com o fio da vida pendurado, que a todo o momento estava em minha mão.

De vez em quando, observava uma pessoa em particular, como já havia feito com várias outras que foram pescadas. Eu não compreendia, não aceitava o fato de ser tão solitário, de ter de ver todos os dias coisas que nunca me aconteceriam.

Naquela noite, eu observava uma mulher. Ela tinha longos cabelos loiros, quase platinados, que formavam pequenas rosquinhas, enchendo-o de cachos. Eu vinha a observando há meses, e isso estava me deixando louco. A vida dela era como um fio, que me puxava em direção a ela, sem que eu pudesse interferir. A mulher saia para trabalhar bem cedo, enquanto minha suposta cadeira ainda era visível para ela. Passava horas sentada em um carro, por conta do engarrafamento, para chegar a uma pequena empresa da qual era secretária. Voltava pelo fim da tarde, quando a Lua já estava reaparecendo, e era mais fácil observá-la. De noite, brincava com sua filha, que ainda era muito pequena para compreender que ela estava cansada de tanto trabalhar para sustenta-la, e à noite, dormia ao lado de seu marido.

Sua rotina era monótona, repetitiva, constante... Poderia citar vários outros sinônimos para descrevê-la. Por isso não entendia o porquê de a vida dela me fascinar tanto, não era compreensível. A maioria das outras vidas que pesquei eram emocionantes, pessoas com ideais diferentes que pareciam querer mudar o mundo.

Ela parecia querer simplesmente levar sua vida à diante, cuidar de sua filha e evitar as brigas que raramente aconteciam com o marido. Não tinha grandes planos ou ideias, queria apenas... Ser feliz. Talvez tenha sido isso que havia me intrigado tanto naquela mulher. Talvez o fato de estar à beira da felicidade, mesmo que seus pequenos momentos fossem o que lhe proporcionava isso.

Sentia-se feliz quando dava um beijo de “até logo” no marido antes de ir trabalhar, quando olhava para filha, quando eles faziam algum programa em família. Senti-se feliz quando ia à casa dos pais para visitá-los nos fins de semana e os deixavam aproveitar um pouco da neta, quando ouvia as piadas chatas e sem sentido do tio, quando jogava vídeo-game com o irmão mais novo, que ainda era um adolescente. Ela parecia querer mais pequenos momentos, mais lembranças e sensações.

Sei que isso parece egoísta, mas não suportava vê-la feliz. Sentia um aperto no peito sempre que seu coração acelerava. Eu queria não só os momentos que ela tinha, como também, a queria comigo. Queria desfrutar de sua companhia, queria conversar com ela, como todos os outros lá em baixo pareciam fazer com tanta simplicidade. Queria ela.

Sabia onde aquilo daria, sabia que não certo, sabia que devia poupa-la. Mas eu precisava senti-la.

Era madrugada quando a pesquei. Ela dormia em um sono profundo com o marido e a filha, que havia acordado no meio da noite por conta de um pesadelo. Pesadelo este que estava prestes a acontecer. Ela abraçada a mãe enquanto dormia, como se isso pudesse fazê-la ficar.

A isca capturou meu alvo, puxando-a para mim como um véu. Observei sua alma subindo, dançando no infinito, balançando de acordo com o sopro do vento. Quando chegou à Lua, puxei-a para a minha “cadeira” envolvendo-a com os braços como se fosse minha. A mulher abriu os olhos lentamente, e eu esperei ansioso para ver aquela felicidade de perto. Mas como sempre acontecia, eu havia tirado a felicidade dela. Sua alma estava gélida, triste, longe de todos que amava. Eu me senti triste também, tentando buscar a felicidade para dar-lhe novamente. Ela ainda me encarava, sem dizer nada, como se soubesse o que eu havia acabado de fazer. Com um sussurro quase inaudível, pensei ter ouvido-a dizer “Por que?”.

Meu coração estava doendo novamente, como sempre acontecia quando eu me iludia com a ideia de ter uma alma companhia. Ela não parecia ter forças para dizer mais nada, seu espírito estava abalado, perturbado, destruído... Eu sabia que quando amanhecesse ela não daria mais o beijo no marido, não voltaria para casa para brincar com a filha, não iria mais aos almoços em família... Eu havia tirado dela seus pequenos momentos, impedindo-a de tê-los consigo.

Ela assentiu, como se aceitasse seu destino, soltando-se dos meus braços como uma criança fazendo pirraça. A mulher começou a flutuar para longe, em direção ao universo que eu contemplava à noite. Pude vê-la desaparecer, e posso jurar que a vi acenando para mim, antes de uma nova estrela surgir.

Notas finais
E ai? Gostaram? Se não, o que pode ser melhorado?
Beijos!
-L
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!