Bom, o que eu devo dizer... “E aí, diário, preparado para uma dose de relatos adolescentes?”? Ah, esquece, bora logo pra história!

Vamos voltar um pouco no tempo, tipo dois anos antes de mim e Rachel começarmos a namorar. Estávamos no 8º ano, nessa época ela sequer tinha algum sentimento por mim e estudávamos em turmas separadas.

Nesse tempo, uma tal de “Mariana Moura” me adicionou no Facebook. Eu meio que já tinha ouvido falar dela, pois ela estava webnamorando um dos meus amigos, o Bruno (só pra constar, eles nunca se viram pessoalmente).

Conversei com essa garota sobre coisas banais e passamos por todo aquele ritual de amizade virtual. Certo, lembram que eu disse que sou um “comum -1” e não tenho nada que me salve? Então passei a suspeitar da Mariana, já que ela era uma gata e estava rendendo papo comigo (se bem que ela namorava com o Bruno e olha que ele não é lá grande coisa...).

Por pura curiosidade, resolvi pesquisar mais sobre a M.M. e acabei descobrindo que se tratava de um fake que utilizava as fotos de uma famosa durante sua adolescência, a qual coincidentemente era xará da falsificada.

Naquele momento eu só tinha uma coisa em mente: descobrir quem era a pessoa por trás daquele perfil e que estaria “enganando” o Bruno. Sinceramente? Eu ri litros ao saber que aquele idiota estava sendo iludido por um fake.

Não vou me fazer de bom amigo, nem vou mentir dizendo que queria desmascarar a M.M. para vingar a dignidade perdida de meu amigo, não mesmo. O motivo da minha frenética busca pela verdadeira identidade da fake era o fato de a M.M. ter me desafiado ao dizer que eu nunca conseguiria saber quem ela era.

E é aí que Rachel entra. Estava demorando, né?

Rachel tinha uma melhor amiga, a Dressa, juntas elas formavam uma dupla dinâmica que fazia maldades com quem quisessem (além de outras atrocidades) e sempre saiam impunes, afinal, quem iria desconfiar de duas garotas inofensivas com rostinhos angelicais? Só pra resumir, elas eram fodas!

Decidi unir o (in)útil ao (des)agradável, aquela era a oportunidade perfeita para pedir ajuda para a dupla, contava com elas para descobrir quem era a pessoa por trás do fake.

Vou apresentar mais uma pessoa para vocês, okay? O inspetor Rodney, o amigo em comum entre mim e as meninas. Ele sempre me dava conselhos e costumava ajudar Rachel e Dressa com seus planos malignos. Rodney era um adulto e profissional que olhava para o “politicamente correto” e ria, pois ele só queria ver o circo pegar fogo.

Coincidências do destino, a dupla estava tentando descobrir o lugar que o Rodney tinha cócegas e ele havia apenas dado a dica de que começava com “P”. Daí vai da imaginação de vocês. Elas falharam miseravelmente no jogo de adivinhação, foi quando decidi que aquela era a hora de colocar meu plano em prática.

No caminho para casa, fui puxando conversa com as meninas e elas ficaram me atazanando até eu contar a resposta da adivinhação do Rodney. A verdade? Eu não fazia a mínima ideia, mas fingi que sabia. Eu só não esperava que a Rachel fosse tão bruta...

— CONTA LOGO! – ela gritou ao me pressionar bruscamente contra uma parede de pedras pontiagudas (as quais fizeram o favor de machucar meu braço).

Gente... A menina tinha só 13 anos e já partia para a violência por causa de coisas tão fúteis... Deus é mais.

— Certo. Mas eu quero algo em troca. – franzi as sobrancelhas e dei tapinhas em minha roupa para tirar a sujeira.

— O que você quer? – Dressa cruzou os braços.

— Descubram quem é Mariana Moura. – decretei e atravessei a avenida, sumindo por entre os carros (bem cena de filme de ação).

Aquele havia sido o último dia de aula, não nos veríamos mais, todavia, queria ficar à parte da “Operação Queda de Máscara” (nome tosco, eu sei) que para começo eu havia criado (mas acabei a terceirizando sem querer).

Sendo assim, criei um grupo no Messenger, o qual nomeei de “RDE” (nossas iniciais, que fofo) e lá bolamos planos (que nunca foram colocados em prática) e teorias (difíceis de comprovar).

A operação acabou não vingando, pois não obtivemos sucesso. De qualquer modo, não foi um tempo perdido, pois comecei a me apegar a Rachel e a Dressa e assim nos tornamos amigos. Eu gostava demais daquilo, sabe, de bolar planos, bancar os “detetives” ... Eram coisas que eu não fazia com o Gabriel, meu melhor amigo, já que aquele preguiçoso filho da mãe só queria saber de dormir!

O grupo (nossa amizade, no caso) continuou até janeiro do outro ano, era difícil eu ficar sem falar com elas (até fiquei um pouco incomodado quando a conta da Rachel foi bloqueada durantes as festividades). Mas como tudo que é bom dura pouco, um desentendimento entre mim e Dressa fez com que eu saísse do grupo.

Eu ainda curtia incomodar a Rachel, zombando de sua paixão por yaoi (sabe, garotos se pegando). Ainda me lembro que ela se irritou tanto um dia que me disse: “eu ia te desejar feliz aniversário, mas agora não vou mais!”. Uau, malvada.

Gostava de conversar com ela, me sentia... Sei lá... Confortável? É... Talvez.

Fiquei mal pelo grupo ter acabado e sinto arrependimento até hoje, porém, a vida é um baile e tu tem que seguir ele.