Notas iniciais
Espero que gostem. E obrigada pelos comentários. Boa leitura.

Foi só eu estacionar o carro, enfrente a casa dele, para eu perceber que o nervosismo tinha voltado com força total, respiro fundo, tentando me controlar, acalme-se Morgan, vai dar tudo certo.

–Respire, apenas respire – digo para mim mesma, a tremedeira havia voltado, e a falta de ar também. E se eu estragar tudo? – Vai dar tudo certo – digo em voz alta – Só vá até lá, e seja você mesma – olho mais uma vez para a casa, respiro profundamente pela ultima vez, e resolvo descer do carro – Seja confiante.

O caminho até a porta parecia não acabar mais, cada passo fazia meu coração bater mais forte, e respirar era praticamente impossível.

Cheguei enfrente a porta, respirei fundo e toquei a campainha, seja você mesma, apenas seja você mesma.

Não demora nenhum minuto e ele abre a porta, com um belo sorriso, mas não era só o sorriso que era belo, ele estava maravilhoso.

–Olá – ele diz me observando da cabeça aos pés, eu espero que a ideia da Sara, de colocar um vestido casual, tenha sido uma boa – Você esta linda.

–Oi – digo um pouco insegura – Obrigada.

–Entra – ele diz, dando um passo para trás, então entro.

A casa dele era bem organizada, totalmente diferente do que eu imaginava, a sala era ampla, e havia um estante enorme cheia de livros sobre Las Vegas, e alguns discos de vinil.

Paro de olhar a sala e olho para ele que me observava, estava nervoso também.

–Bela sala – comento, não sou muito boa em inventar assuntos.

–Obrigado, fica a vontade – ele não estava só nervoso, estava tímido, isso é novidade.

–Obrigada – digo, tentando parecer normal – Quer ajuda com o jantar?

–Na verdade esta quase tudo pronto – colocou as mãos no bolso, ele estava lindo, uma camisa preta com as mangas dobradas, e uma calça jeans. Acho que agora entendi a teoria da Sara, aparentar naturalidade, mesmo que se tenha demorado pra ficar pronto.

–Não sabia que cozinhava – disse com um sorriso.

–Sei um pouco – comenta, vindo ate mim – Esqueci algo – ele diz passando um de seus braços pela minha cintura, me puxando levemente para ele, seu beijo era a melhor coisa que eu já havia experimentado, acho que era daquilo que eu precisava, o nervosismo passou instantaneamente, aos poucos fomos nos afastando – Acho que já deve estar pronto – ele diz me dando mais beijo de leve – Vamos jantar?

–Ok – digo.

Sigo-o para a sala de jantar, realmente ele havia pensado em tudo, a mesa estava linda, um vaso pequeno com flores no centro, velas colocadas em lugares estratégicos, dando um ar muito romântico no local, acho que nenhum restaurante faria melhor.

–Sente-se senhorita – diz com um ar brincalhão enquanto puxa uma cadeira, ele ainda estava um pouco nervoso. Caminho em sua direção e sento-me na cadeira.

–Obrigada – digo.

–Não por isso – diz com um sorriso nervoso – Já vou trazer o jantar.

–Hey relaxa – seguro o braço dele – Sou só eu, não precisa ficar nervoso – digo com um sorriso, já basta uma nervosa aqui, não precisamos de dois.

–É que tudo isso é meio novo para mim – diz ele com um sorriso – Já volto — sim Greg é tudo novo, e não é só para você.

Meu nervosismo aos poucos ia voltando, respire, apenas respire, vai dar tudo certo, é só um jantar, o mais importante da sua vida, mas ainda é só um jantar, relaxe, respire.

Ele chega com os pratos já servidos, e coloca na mesa.

–É uma receita da minha avó – diz ele se sentando também – É simples, mas espero que goste.

–A cara ta muito boa – digo pegando o garfo para começar a comer.

O prato era basicamente macarrão com vários ingredientes, alguns que não consegui identificar, mas o sabor era maravilhoso, acompanhado de vinho então, realmente o jantar estava muito bom, quem diria que o Greg sabia cozinhar.

Durante o jantar, aos poucos, nosso nervosismo foi passando, conversamos sobre os tempos do colégio e da faculdade, falamos sobre nossas famílias, e é claro do trabalho. Quem diria que depois de todo aquele meu nervosismo, eu iria me divertir tanto.

Depois do jantar, ajudei Greg a levar a louça para a cozinha, ajeitamos tudo e fomos para a sala, seguindo mais ou menos o “plano” elaborado mais cedo por mim.

–O que quer assistir? – ele pergunta.

–Qualquer coisa – digo sentando no sofá – Deis de que não haja muitas mortes – sorrio – Já basta lidarmos com isso o dia todo.

–Ok – ele mexeu em alguns DVDs – Que tal comedia?

–Por mim tudo bem – respondo.

–Tudo bem – diz, colocando um DVD e sentando-se do meu lado no sofá – Talvez você não goste muito dos meus filmes – comenta ficando nervoso novamente.

–Sem problemas, deis de que o filme seja colorido – digo brincando, tentando descontrair.

–Não se preocupe é colorido – ele diz entrando na brincadeira, parecendo um pouco mais a vontade agora.

–Ótimo – digo me aproximando mais dele.

Ficamos em silêncio para em teoria assistirmos o filme, ele coloca seu braço nos meus ombros, me puxando para mais perto, encosto a cabeça no ombro dele, de repente esqueço-me do filme, sinto apenas sua respiração, seu toque, preciso fazer uma escolha, eu fico ou não aqui? Então começo a ficar nervosa novamente, se acalme Morgan, digo para mim mesma, se acalme, respire, apenas respire.

Alguns minutos se passam, não consigo prestar atenção em nenhuma cena, então tomo uma decisão, me levanto e pego controle e pauso o filme, Greg me olha confuso, mas não diz nenhuma palavra.

–Não estava entendendo a historia – digo finalmente quando me sento novamente ao seu lado.

–Eu posso te explicar – ele sugere.

–Não, na verdade eu não quero – digo com um suspiro, como eu queria a Sara aqui para me dizer o que fazer.

–Me desculpe, achei que iria gostar – ele parece um pouco inseguro. Então me lembro das palavras de Sara “diga como se sente, Morgan ele te adora, você não vai estragar as coisas sendo sincera”. Respiro fundo.

–Na verdade eu não prestei atenção no filme – explico começando a tremer, ele me pareceu um pouco confuso – Acho que tenho que ser sincera com você, eu quase não vim hoje, entrei em pânico – respiro fundo, acalme-se, diga a verdade – Eu tinha medo, na verdade, ainda estou com medo de você se arrepender de sair comigo – ele abre a boca para dizer algo – Por favor me deixe terminar – ele assente com a cabeça, respiro fundo, antes de prosseguir – Greg você é o cara mais maravilho que eu conheço, me perguntava o porque você sairia comigo, já que não tenho nada de especial, não sou perita em relacionamentos, sou totalmente insegura, e hoje percebi que fico totalmente aérea quando penso em você – ele ergue uma sobrancelha, mas não diz nada – Mas estando aqui agora, e eu percebi que sou a pessoa mais sortuda do mundo, há vários meses eu sonhava com isso, e agora esta se realisando, e eu não podia estar mais feliz – Olho dentro de seus olhos — Você é um pacote completo, é lindo, inteligente, engraçado, você é tudo que uma mulher pode pedir, e ainda sabe cozinhar – ele da um belo sorriso – Estou me apaixonando por você Greg, e a culpa é toda sua – dessa vez sou eu que sorrio, mas sinto lagrimas escorrendo pelo meu rosto – A culpa é toda sua, ninguém mandou você ser tão você, ser tão perfeito – ele chega mais perto, e enxuga minhas lagrimas.

–Minha vez de falar agora? – questiona com um sorriso, mas nem tenho tempo de responder, pois ele continua – Eu não acredito no que acabou de me dizer, você não sabe o tanto que sou louco por você, porque me arrependeria? Sou eu que estou com medo de você se arrepender, tenho medo de te machucar, te magoar, por isso, nunca disse o que sentia – minhas lagrimas não paravam de cair – Você não tem ideia de como eu sofri, as duas vezes que você foi raptada, de como me culpei, de como ainda me culpo – ele também chorava agora – Morgan, depois que te encontramos, as duas vezes, prometi te dizer o que sentia, mas não tive coragem, e se estraga-se nossa amizade? Eu preferia ser seu amigo, a me declarar e te perder, você não imagina o quanto eu fiquei feliz com nosso beijo, nunca me senti assim antes – ele sorria, e chorava ao mesmo tempo, e eu fazia o mesmo – Eu não sei o qual significado esse jantar tem para você Morgan, mas você nunca ira entender o quanto eu fiquei feliz de te ver entrar por aquela porta – ele pega minhas mão – Nunca, nunca irei fazer nada que você não queira, se esse era seu medo, pode ficar tranquila, nunca irei te obrigar há nada Morgan.

–Eu sei – digo abraçando-o – Eu sei.

–Morgan, nunca quero te machucar – ele diz quando nos afastamos, foi ai que percebi, não quero estar em outro lugar a não ser com ele, meu medo foi embora.

–Eu sei – digo acariciando seu rosto.

Então tomo coragem e beijo-o, e começa de vagar e aos poucos vai se intensificando, me deito no sofá e Greg cobre meu corpo com o seu, até que de repente ele se afasta.

–O que foi? – pergunto confusa.

–Não quero te obrigar a nada – responde se levantando do sofá.

–Você não esta me obrigando – digo me levantando também.

–Então, não quero que se arrependa.

–Não vou me arrepender – digo acariciando seu rosto.

–É serio Morgan – seu olhar era de preocupação – Não quero apressar as coisas.

–Eu sei que não quer – digo chegando mais perto – Não vou me arrepender, eu prometo – e beijo-o.

Ele retribui agora ainda mais apaixonado, me pega no colo enquanto me beija, e me leva para o quarto, me colocando delicadamente deitada na cama, e cobrindo novamente meu corpo com o seu.

–Te amo Morgan – ele diz no meu ouvido.

–Eu também te amo Greg – sussurro — Você não sabe o quanto eu esperei por esse momento.

–Eu também – diz ele entre os beijos, então finalmente fazemos amor.

Mesmo com todo o nervosismo, essa noite não poderia ser mais perfeita. Ele era meu, e eu era dele.