Notas iniciais
Foi mal, a one shot é mesmo pequena, mas foi o que deu pra fazer nessa rapidez toda. Só tive tempo agora, mas me inspirei pra fazer uma one shot pra Nádia, feliz aniversário!! Espero que goste.

"Eu já disse que isso não é uma boa ideia"

"Cala boca, Virgílio"

"Não me cha..."

"Psssh. Ei!"

Três rostos viraram ao mesmo tempo, lembrando-se só depois da inutilidade daquele ato; estava tudo escuro mesmo... Que haveriam de ver?

"Ai, não me empurra!"

"Deixa de ser fresco, Viny!"

"Viny? Mas eu não disse nada!"

"Então quem disse?"

"ME SOLTA!"

Uma gargalhada infantil, porém super familiar, tomou conta do ambiente. Ouviu-se estalos de beijo e os xingamentos costumeiros. Caimana e Viny reconheceram quem estava ali quase que na mesma hora:

— NÁDIA! — chamaram os dois, meio rindo, meio repreendendo, em uníssono.

— Oi, pessoal, tudo em paz? — Nádia respondeu, como se nada excepcional estivesse acontecendo.

— Putz, Nádia, você estragou tudo!

Viny se levantou, irritado, e bateu a cabeça na porta sem querer. Ai!, gritou. Tentou ligar o interruptor e nada. Estavam mesmo sem luz. A cidade inteira, na verdade. Tirou a varinha das vestes, mas conteve-se ao ouvir o amigo apressar-se em dizer:

— Não podemos usar a varinha nas férias, esqueceu?

— Quer ficar no escuro? Não já basta a porcaria da festa ter ido pelo cano?

Aquilo era simplesmente inacreditável! Para esse tipo de coisa, Índio enxergava no escuro, mas para saber onde pisa que é bom, nada. Viny ouviu-o dar um muxoxo:

— Aff...

— Que festa? — foi a vez da Nádia perguntar, com os olhinhos brilhando, mesmo no escuro — Vocês iam mesmo dar uma festa pra mim?

— Óbvio, né, sua maluca?

— E até o Índio concordou? — seu sorriso alargou-se mais. Se pudessem vê-la nitidamente, encontrariam uma áurea iluminadíssima.

— Bom... — Vírgilio chegou o mais próximo de um rubor nas bochechas, mas graças a Deus ninguém viu.

Antes que pudesse responder qualquer coisa, o mineiro foi interrompido por um Viny estressado.

— Mas agora você já sabe, né? Por que está aqui, afinal?

— Viny... — Caimana riu, repreendendo-o em seguida — Seja mais educado.

— Não, tudo bem... — Nádia se juntou às risadas e explicou-se — É que.. Bom, eu disse pra minha mãe que o que eu queria de aniversário era o Índio. Ela achou graça e disse que o máximo que podia fazer era me trazer aqui. E eu aceitei, obviamente. Mas... Cadê o resto da festa?

— Arranjando umas lamparinas coloridas e procurando você. A gente tinha que te afastar pelo menos até daqui a três horas. Ainda são sete da noite.

Nádia encolheu-se num canto, envergonhada. Então ela teria a melhor festa de todas e ela mesma estragara? Isso era bem típico dela! Nunca fazia nada certo... Bem que sua mãe dizia para ela ser mais esperta de vez em quando...

Ouviu-se o hesitar dos bruxos e um ruído fraquinho, quase parecendo choro. Índio, sem jeito, passou o braço ao redor da aniversariante e tentou confortá-la em silêncio. Pelo menos, o apagão tinha as suas vantagens. Ninguém nunca saberia o quanto aquele simples ato a reconfortara.

Apenas a possibilidade de ter esta oportunidade de sentir-se à vontade, principalmente em ter a colega perto de si, fazia o jovem bruxo perder a vergonha de fazer algo assim. Ninguém nada disse. Apenas havia a respiração.

— Olha, eu tive uma ideia — Caimana quebrou o silêncio.

Fizeram sons estimulantes, como hum?, mas sem muita energia. Caimana continuou:

— Tem um lugar que nunca apaga — ela disse, calmamente — Não precisa de gerador.

— Você quer dizer que a gente devia mudar o local da festa?

— Então ainda vai ter festa?

— CALA A BOCA, NÁDIA! — todas as bocas gritaram juntas.

Os Pixies cortaram a garota, decidindo sobre o que fariam em relação à festa, como se ela nem estivesse ali. A loira riu da situação e resolveu escutar tudo quietinha, recostada em seu Virgílio.

Seguiram então, os quatro, para os jardins da frente, e deixaram a casa de Índio. Viny mandou um SMS para os convidados — sim, ele conseguira adeptos ao uso dos celulares azêmolas desde o ano anterior, com a campanha "sem celular, sem feijoada na praia", fiscalizando todos que entravam —, avisou sobre a mudança de planos e falou que havia encontrado a aniversariante.

Os Pixies deram as mãos e giraram até a entrada da Korkovado. Foram em direção ao Pé de Cachimbo e bateram na porta de madeira. Capí os atendeu alegremente e pegou uma luz a óleo. Depois disso, subiram as escadas da escola até o terraço superior; pouco antes de cruzarem a passagem, no entanto, Viny abriu os braços teatralmente:

— Bem vindos à melhor vista do Rio de Janeiro!

Assim que a luz do Cristo os iluminou, Índio e Nádia soltaram as mãos, num impulso. Os Pixies riram. Para que tanta frescura, afinal? Viny e Caimana pensaram. Viny sorriu como se fosse contar uma velha piada e disse:

— Aprenda com o mestre, uga-uga, porque nisso eu que sou o cacique!

Então ele agarrou Caimana ali mesmo, num beijo de cinema. E, com todos aqueles holofotes coloridos, era o que realmente parecia.

O que estes dois gostavam mesmo era de palco e plateia. Capí, entretanto, ficou meio desconfortável, principalmente por ser "vela". Sentou no mirante e sorriu ao ver o Rio de Janeiro todo iluminado ali de cima. Era mesmo sortudo por morar numa cidade tão bonita...

Os minutos passaram, e logo o terraço lotou de alunos da Korkovado, amigos de Nádia ou não. Deveriam ter no mínimo umas vinte pessoas na comemoração. Trouxeram bebida, salgadinhos e formou-se até uma roda de samba. Todos entraram na dança, menos a aniversariante.

— Ah, vamos, loirinha! — Erik a chamou, estendendo a mão.

Nádia balançou a cabeça, irredutível.

— Até mesmo o Capí veio sambar! — Bianca riu, apontando para ele, que ficou imediatamente sem graça.

— Não, gente, não é uma boa ideia... Tô bem aqui, tô me divertindo vendo vocês.

Nádia deu um gole no refrigerante e riu ao ver seus amigos celebrarem com ela. Lucas dançava animadamente em sua cadeira de rodas, Hugo sambava com Maria, tentando, a todo custo, conquistá-la.

De repente, Nádia se deu conta que além dela, somente Índio estava sentado. Baixou os olhos para não a verem corar. Mas, infelizmente, Viny notou. E puxou o coro:

— Com quem será? Com quem será? Com quem será que a Nádia vai casar? Vai depender, vai depender. Vai depender se o cacique vai querer!

— Vai ocê se ferrar, Y-Piranga!

— Olha só, ficou todo irritadinho. Só faço isso se "ocê" tomar uma atitude e chamar a dama pro samba!

Índio pareceu ponderar e acabou cedendo aos vivas e palmas. Os dois engataram num samba meia boca, mas para quem não ia fazer nem isso, já estava de bom tamanho. No final, Nádia agradeceu a todos, e seu sorriso só alargava a cada segundo.

No entanto, não podia negar: foi tudo mesmo muito lindo, mas... A melhor parte havia sido durante o apagão, quando estava recostada em Virgílio. Ah, se foi!

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!