O melhor Hunter

3 A longa caminhada


Havia uma semana que andavam juntos, sempre com o mesmo padrão, só se movimentavam a noite, descansavam de dia, na frente o jovem Hunter, logo atrás, preso por uma linha de vara de pescar extremamente forte, um Hunter assassino, sua última tarefa dado por seu mestre para ser aprovado de vez no exaustivo exame.

Nos sete dias que se passaram nenhum dos dois trocou uma palavra, ambos sabiam que eram inimigos, mesmo o jovem não tendo nada contra ele, ambos se matariam caso fosse necessário ou fosse dada a oportunidade. Sendo assim, não havia necessidade de conversas, os dois sabiam muito bem o que se passava no coração de cada um. O único momento que um reparava no outro, pelo menos explicitamente, era enquanto descansavam durante o dia, o assassino buscava um momento de fraqueza, um cair no sono, um sinal de cansaço, porém o Hunter não dava brecha, fechava seus olhos, mas sua aura estava sempre alerta, dando a entender que realmente ele não dormira nada durante a semana inteira. Cada movimento que o assassino fazia tentando se libertar deixava o rapaz em alerta, toda vez que a linha tremulava era o suficiente para despertá-lo completamente. Estava sendo tratado como um peixe por uma criança e o Hunter assassino não gostava nada disso.

No oitavo dia tudo parecia se encaminhar para a mesmisse dos sete dias anteriores, porém o rapaz fez o primeiro movimento. Parou na frente de sua presa, olhava e estudava cada gesto, cada peça de roupa, olhou no fundo dos olhos do assassino.

– Não tenho nada contra você, mas se você tentar fugir vou quebrar uma perna sua e você irá mancar o resto do caminho.

O assassino o olhou, essa era a chance que procurava para começar o diálogo.

– Se não tem nada contra mim, por quê me prendeu, quem o contratou ? Quem é você?

– Meu nome não interessa, não fui contratado, você é apenas uma missão pra mim, e a pessoa que me deu a missão não especificou em que estado você precisa sem entregue, nem se vivo ou morto.

– Espero que saiba que se um dia eu sair dessa eu vou atrás de você.

Essa era uma jogada que fazia, queria medir a confiança de seu captor, estudava com cuidado qualquer expressão facial que ele poderia fazer ao ouvir essa noticia. Porém o jovem ao ouvir aquilo colocou um sorriso de orelha a orelha.

– Não tenho medo de você, mas espero que um dia a gente possa lutar pra valer, abertamente. Mas não agora. Agora minha missão é levar você.

Falando isso o jovem se afastou, esticou a linha presa aos pulsos de seu prisioneiro, encostou –se em uma pedra e fechou os olhos, deixando o assassino perdido em pensamentos.

Mais dois dias se passaram após a última conversa, e ambos não haviam trocado mais nenhuma palavra. Ao invés disso o assassino passou a prestar mais a atenção na aura do garoto. Sem dúvida ele era forte e rápido, mas sua aura estava longe de ser uma aura de profissional, era inconstante, fluía com rapidez de mais, logo concluiu que o garoto estava começando a aprender a usar o nem, muito provavelmente o fato de caçar alguém perigoso como ele se devia ao fato de ser um teste ou alguma prova dado por seu sensei.

– Droga, pego por um muleque – Pensou consigo mesmo. A culpa era totalmente dele, havia se descuidado, caçar pessoas que não usavam NEM o havia deixado relapso, descuidado. Não tinha estudado o lugar com calma, muito menos previu ou imaginou que um Hunter, mesmo jovem, poderia estar em seu encalço. E tinha de admitir, o garoto era bom em ZETSU. Por causa desse descuido pagaria um preço alto, mas que preço seria esse ? Seria preso ? Morto ? Seu nome teria sido escolhido aleatoriamente ou o tal mestre teria algo especifico contra ele? Precisava descobrir quem era esse cara, e uma luta contra o garoto poderia resultar em algum machucado que dificultaria uma luta contra um Hunter mais experiente. O melhor seria esperar e deixar o muleque o levar ao encontro do mandante de sua captura.

Mais três dias, estava com fome, fazia doze dias que não comia ou dormia com qualidade, o garoto deveria estar exausto a essa altura, mas não aparentava. Sempre andava no mesmo ritmo, mantinha-se atento, e o assassino sentia usar EN toda vez que fechava os olhos,seu alcance não era grande coisa, tanto que precisava se aproximar mais um pouco quando ativava sua aura.

No meio do dia, o rapaz abriu sua mochila, pegou algo que parecia carne, mordeu um pedaço, pegou outro e jogou aos pés do assassino. – Coma, não vai me facilitar em nada se eu precisar te carregar.

O prisioneiro não fez cerimônias e comeu com voracidade, a fome realmente estava limitando seus pensamentos e cansando seu corpo. A comida era pouca, mas daria pra enganar o estômago, pelo menos por enquanto.

Logo após comer o garoto se levantou e falou – Hoje vamos continuar andando, mesmo de dia. “Devemos estar próximos”, concluiu o assassino. Dizendo isso, o jovem se colocou em marcha e ao puxar seu prisioneiro pela corda o obrigou a fazer o mesmo. Algumas horas depois saíram da trilha que se seguia por um longo campo e passaram a entrar em uma floresta um pouco mais densa. Ao fundo ouvia-se o som de um riacho, e parecia que era para lá que se dirigiam. O assassino ficou tenso, seus sentidos se aguçaram ao mesmo tempo que os do garoto iam relaxando. Porém ao chegarem em uma clareira, a tensão no corpo do jovem era visível.

O que deveria ser um acampamento estava totalmente revirado, sinais de luta se mostravam por todo o lugar, árvores e pedras quebradas, marcas de impacto no chão, a luta havia sido feia, e em nenhum lugar se encontrava seu mestre.

– Droga, o que diabos aconteceu aqui – deixou escapar.

– Espero que saiba o que vai fazer a partir de agora garoto. – disse o assassino, dessa vez ele que estava com um sorriso no rosto.