O meio-sangue impossivel

2 Eu conheço meu novo professor


Pela manhã, levantei-me e saí para o café da manhã, lá encontrei minha amiga Hannah, do chalé de Hefesto. Ela me cumprimentou e foi se sentar na mesa 9, eu fui sentar na mesa 11.

Todos estavam prestando atenção na mesa principal, onde o homem que eu pensei ser uma alucinação estava sentado, com as pernas pra cima, bebendo um liquido amarelo e comendo morangos que lhe eram dadas na boca por uma mulher morena seminua com o olhar vazio. Ele usava um terno preto, com aberto, com uma camisa verde escura. Usava também um jeans preto, botas de soldado e óculos escuros, não parecia ser muito poderoso. Quando s.r. D. finalmente disse:

–- bem, Quirom. me disse que vocês já estão todos reunidos aqui, apesar de eu não ver motivo para esperar, de qualquer forma, vou responder ao que todos estão pensando, esse homem ao meu lado é o seu novo professor de magia e treinamento com monstros, vou deixar os detalhes com ele. -- e desapareceu como um holograma roxo.

–- bem-- disse o estranho homem, levantando-se e subindo na mesa-- creio que deva me apresentar.

Ele retirou os óculos e um brilho dourado cegante tomou conta do cenário e um vento quente soprou pelo meu corpo. Quando pude olhar novamente, ele estava em pé, usando uma armadura verde e dourada, uma lança e um capacete com chifres ele se apresentou a todos:

–- eu sou Loki de Asgard.

Perguntas repercutiram pelas mesas, como "oque é uma Asgard?" ou "será que esse cara é o deus das renas?”.

Ele fez um gesto com a lança e todos se calaram, ele começou a andar pela mesa e explicar-se:

–- Asgard é um reino habitado por seres mais avançados que vocês mortais estúpidos, eu sou Loki, filho de Odin, rei de Asgard. Recentemente, me envolvi em uma briga com meu irmão, Thor, e por isso meu pai me mandou aqui seguindo o exemplo de Zeus, para que eu pudesse "me tornar uma pessoa melhor”, mas quero deixar claro que eu não me importo com vocês, com os seus interesses, com suas habilidades, com seus problemas ou com seus parentes olimpianos. Eu estou aqui unicamente por que sou obrigado. Minha função nesse lugar sorridente e ensolarado que me dá nojo é ensinar a vocês, que aqueles velhos caquéticos têm a coragem de chamar de "heróis" a antiga e sagrada arte da magia. Eu sou um mestre da magia, minha magia favorita é criar ilusões para confundir as pessoas, alguns poderiam dizer que eu criei a força que vocês chamam de névoa, eu sou um especialista em ilusões, e ninguém é capaz de me enganar.

Ele estava muito perto de mim, olhando na minha direção, estava a um metro do chão, mas não estava flutuando como Dionísio fazia algumas vezes, ele estava simplesmente andando sobre o vazio. Ele bateu a base da lança contra a mesa do chalé 10, e a mesma começou a brilhar em dourado. O brilho partia da base e ia até a ponta se estendendo pelo braço de Loki. Ele fez sua declaração final.

–- aqueles que quiserem se matricular no meu curso, estejam hoje às 15h30min nos bosques.

Ele estava brilhando por inteiro, quando se transformou em uma quantidade enorme de poeira brilhante, que voou em direção á mesa principal e arrastou consigo a taça com o liquido amarelo, os morangos, e a mulher seminua. Depois assumiu a forma de um pássaro, decolou em 90º para o céu e explodiu como um fogo de artificio.

Os campistas começar a voltar a si alguns comeram o café da manha, outro foram embora. Eu comi e fui para os bosques, não para a aula de magia, mas para um lugar especial onde eu estirei algumas redes. Costumava ficar muito tempo ali, assim fugia das aulas, era bem divertido. Mas nem de longe era a melhor parte.

Hannah chegou como de costume, tropeçando em uma raiz de árvore, e eu fiquei olhando pra ela com aquele sorriso estúpido costumeiro. Hannah era realmente linda, ela tinha a pele bronzeada, cabelos pretos presos em um rabo de cavalo, os olhos dela eram... Na verdade nunca reparei nesse pequeno detalhe. Ela usava sua bolsa tiracolo de inventos. Um aparelho pra corrigir os dentes tortos, uma camiseta laranja do acampamento meio-sangue, que tinha um corte na gola porque ficava apertada no busto e estava curta deixando um pedaço da barriga de fora, e um short extremamente curto. Ela não gostava de usar calças porque sempre ficavam apertadas nas coxas e largas no quadril. O que são dois excelentes motivos para eu não ficar olhando-a nos olhos.

–- e ai, baixinha?-- eu disse. "baixinha" era o apelido que eu lhe dera em função de ela ter mais ou menos 1,90 de altura. Ela se deitou na rede ao lado da minha e começou a falar:

–- e quanto a esse tal Loki? O que será que ele é?

–- alguns campistas acham que ele é genial, outros que ele é insano.

–- o que você acha?

–- eu acho que ele tem estilo.

Ela riu. Eu disse:

–- você terminou?

–- terminei, mas eu ainda acho isso uma trapaça.

–-claro que é trapaça, eu sou um trapaceiro, trapaceiros trapaceiam.

Ela me entregou um objeto que retirou de sua bolsa, semelhante a uma besta com Quatro arcos e hélices de helicóptero, que eu havia encomendado.

–- se eu calibrei isso certo-- ela disse:- — vai detectar e matar monstros automaticamente, apesar de eu não achar isso correto.

O mato se moveu atrás de nós.

–- como eu ativo isso?-- perguntei.

–- gire o botão duas vezes para o lado e solte no ar.

Eu o fiz, o objeto parou a própria queda com as hélices, voou até uma altura razoável, e disparou três flechas.

Quando notei, uma delas estava pairando sobre o meu rosto. A outra, sobre o rosto de Hannah.

O novo professor apareceu entre nós, segurando as duas para que não nos acertassem. E as quebrou com os dedos, um ato impressionante, já que eram feitas de metal.

Ele estava de volta ao seu paletó. E arrancou uma flecha de si mesmo sem expressar dificuldade ou dor. Eu perguntei:

–- o que está fazendo aqui?

Ele respondeu, admirando o próprio sangue.

–- salvando sua vida, além disso, eu estava perseguindo algumas ninfas por aqui quando ouvi a palavra "trapaça" e resolvi ver do que se tratava.

Hannah perguntou:

–- por quê?

Ele respondeu:

–- não acha que se seu pai ouvisse a palavra “forja" iria querer saber?

E desapareceu, não de forma épica como da ultima vez. Mas de um modo mais discreto, se foi junto com um assovio do vento.

–- não está pensando em entrar para as aulas de magia, certo?-- perguntou Hannah.

Eu simplesmente sorri pra ela e ela disse:

–- sou, eu também.

Ela tirou um relógio despertador da bolsa e o programou para despertar mais tarde. Dormiu feito uma pedra. Olhei para o despertador em forma de ampulheta que ela deixara no chão. Quando vi uma maçã dourada. Pensei em comer, mas aí me lembrei da historia de Paris, que teve de escolher entre as deusas do olimpo para que uma delas recebesse uma daquelas, achei melhor não. Afinal, o dono poderia me carbonizar. Fechei os olhos para dormir quando ouvi algo

–- então, -- disse uma voz que eu reconhecia. -- é aqui que os vagabundos se escondem.

Era Amy Smith, do chalé de Afrodite.

Amy era magra e loira, tinha olhos verdes e sardas no rosto. Era pequena e tinha uma voz aguda e irritante, gostava de esnobar pessoas, não possuía nenhuma habilidade a não ser humilhar pessoas verbalmente. Eu odiava aquela menina.

–- eu vou cotar sobre esse lugar pra Quirom., não, melhor, eu vou contar pro s.r. D, ele vai expulsar vocês pra sempre. Mas estou me sentindo boazinha hoje, não direi nada se você simplesmente...

Ela não terminou, seus olhos ficaram azuis e ela se virou indo embora, olhei para o chão e notei que a maçã havia sumido. Depois disso tirei um cochilo.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.