O mar e suas ondas
2 Capítulo 2
Meu final de semana não foi muito divertido, exceto pela presença de Lauren e de meu melhor amigo e cachorro dela, Bryan, um poodle, no domingo. Só para constar, quando eu falei que tinha dois amigos, esses dois amigos é Lauren e Bryan, o cachorro dela.
– E então... – Lauren me fitou, após nos deitarmos em cima da cama para conversar, como sempre fazíamos. – Recebi seu último e-mail, porém não respondi por que sabia que você viria para casa no final de semana. – Bryan subiu em cima de mim na cama e começou a lamber o meu rosto, por isso soltei uma gargalhada. – Espero que você me explique em detalhes o que aconteceu de bom nessa semana.
– Bem, na verdade foi quase exatamente da mesma forma em que eu disse nos e-mails. – eu disse, em seguida coloquei Bryan no espaço ao meu lado e comecei a acariciar sua cabeça.
– Quase?
Fitei Lauren e sorri.
– É, quase. – concordei. – É que eu conheci uma pessoa.
– Mas já?! – Lauren levantou e se sentou na cama, e eu fiz o mesmo. – É apenas a primeira semana, e você já se apaixonou por um garoto?
– Ei, pare com isso! – protestei, negando com a cabeça. – Eu não me apaixonei por ninguém não. É que... Bem, desde o primeiro dia em que entrei no colégio eu achei que todas as pessoas de lá eram um tédio, por isso que sou muito antissocial por lá. – eu expliquei. – Mas nesta última sexta-feira eu conheci um garoto que eu me interessei, o que é um milagre.
– Descreva-o. – pediu Lauren, extremamente direta, como ela sempre costuma ser.
– Alto. Esbelto, porém a estrutura do corpo é bastante musculosa. Se bem que não sei muitas coisas sobre isso, porque naquele colégio os meninos usam um uniforme todo fechado e...
– Continue logo com essa descrição! – ela interrompeu, depois soltou uma risada.
– Tudo bem, tudo bem. – eu disse. – Ele tem cabelos castanhos, olhos verdes (mas tipo, não um verde comum, um verde perfeito!), nariz um pouco arrebitado, gosta de Shakespeare e de livros de heroísmo...
Fiz uma rápida descrição sobre tudo o que eu sabia sobre aquele garoto nos dois encontros rápidos de mesmo dia que eu havia tido com ele no colégio e de tudo o que eu palpitava que ele fosse ou tinha. Quando a conversa é com Lauren, todas as hipóteses a respeito de qualquer coisa têm de ser esclarecidas.
– Você acaba de descrever um garoto perfeito. – ela disse depois que terminei. – Aposto que quase todas as hipóteses que você fez a respeito dele estejam erradas e, quando o conhecer melhor, descobrirá o quanto estava errada a respeito dele.
– Nossa, que coisa estranha de se pensar. – comentei.
– Mas é verdade. Se você acertou todas essas hipóteses ele é um garoto perfeito. E, vamos combinar... Não existe garoto perfeito. Esse garoto precisa ter algum defeito, Samantha! – disse Lauren, olhando para mim com uma expressão arrasada.
– É, eu acredito que esteja errada em alguma coisa mesmo. – concordei, depois soltei um suspiro profundo. – Mas e aí, como vão as coisas no meu antigo colégio?
Dali em diante, eu e Lauren ficamos conversando sobre vários assuntos nos próximos trinta minutos. Depois, descemos para jantar espaguete ao molho de carne com meu pai e depois Lauren foi embora. O que foi uma tristeza para mim, pois eu sabia que só a veria dali a cinco ou seis dias.
Depois de me despedir de Lauren, fui até a cozinha para ajudar meu pai a lavar a louça. Peguei um pano e comecei a secar os objetos de cozinha que meu pai ia colocando em cima da pia à medida que os lavava. Ficamos em silêncio, pois eu não tinha muito que falar. Tudo o que eu queria era terminar logo de ajudar meu pai, subir para o quarto, deitar na cama, ouvir música por uma hora e ocupar as horas seguintes para ler as poesias de Shakespeare que a Sra. Lynn havia permitido que eu trouxesse para casa.
– Como vão as coisas no novo colégio? – meu pai perguntou, quebrando o silêncio.
– Estão boas. – eu disse. – Mas você sabe que eu jamais achei uma boa ideia que você me colocasse nesse colégio.
– E eu já lhe disse que foi para o seu bem. – ele fez uma pausa. – Sua mãe adoraria que eu a colocasse em um colégio como este.
Minha mãe morreu vítima de um acidente de carro quando eu completei quatro anos de idade. Dali em diante, meu pai me criou. E eu não tenho recordações de minha mãe me segurando nos braços na minha infância, ou me acariciando, porque eu só tinha quatro anos. Só sei a aparência de minha mãe através das fotos em família que meu pai me mostra. Ela era muito parecida comigo, cabelos escuros, pele clara, nem muito baixinha e nem muito alta. Ás vezes eu fico triste por perceber que a maioria dos adolescentes da minha idade tem pai e mãe e eu só tenha o meu pai, mas meu pai sempre me disse que ela deveria ser lembrada sempre, pois era uma ótima mãe e mulher. Por isso sempre procuro levar a morte dela com naturalidade.
– Eu imagino. – concordei. – Está indo tudo muito bem lá, pai. Tirando algumas coisas.
– Algumas coisas, tipo...? – meu pai perguntou.
– Não tenho amigos, não conheço ninguém, tenho de estudar muito mais porque o ensino é muito mais reforçado, não posso esquecer-me de nada porque, caso eu esqueça, vou levar um sermão e ainda ter que aguentar várias risadinhas de colegas idiotas... Entre outras coisas. – respondi.
– Hum. – meu pai fez, depois me fitou e soltou uma risada. – Realmente está sendo bastante difícil, filha. Mas logo você se acostuma.
Meneei a cabeça em confirmação, embora que eu duvidava muito que um dia ainda poderia me acostumar com aquelas coisas. Quer dizer, sobre as risadinhas de pessoas idiotas, eu já tinha de escutar todos os dias em meu colégio anterior, e com isso eu já estava acostumada. Mas com as outras coisas, era horrível. Eu tinha que me esforçar muito mais para conseguir um conceito final digno da felicidade de meu pai, tinha que lidar com o fato de não poder conversar com ninguém exceto com a Srta. Lynn, entre as outras coisas que eu odiava ter de aguentar naquele colégio.
Terminei rapidamente de secar as louças, dei um beijo de boa noite em meu pai e finalmente subi até o quarto. Peguei meu celular e conectei o fone de ouvido. Toquei uma música lenta, mas tudo o que ela conseguiu fazer foi lembrar que aquele garoto existe e lembrar de seus olhos verdes claríssimos e praticamente perfeitos me fitando. Troquei para uma música animada e consegui me concentrar, e então dali em diante passei os próximos sessenta minutos ouvindo músicas animadas.
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