O mar e suas ondas
3 Capítulo 3
Segunda-feira, às seis e cinquenta e oito, meu pai estacionou nosso carro em frente ao colégio interno.
– Te vejo daqui a cinco dias, querida. – ele se despediu, enquanto eu abria a porta do carro.
– Até lá, pai. – eu disse, e fechei a porta.
Esperei meu pai sair da vaga de estacionamento e acenei para ele enquanto dirigia. Depois, me virei lentamente e carreguei a minha mochila cheia de materiais de estudos para dentro do colégio. Enquanto subia os degraus de entrada, ouvi uma voz que eu já tinha ouvido antes:
– Samantha Money!
Olhei rapidamente na direção da voz. Era aquele garoto da biblioteca. Eu já esperava. Ele estava com os braços cruzados, o mesmo sorriso típico no rosto, escorado no corrimão dos degraus de entrada do outro lado de onde eu estava. Uma multidão de pessoas passava por meio a nós, e era difícil falar com alguém em meio àquela situação. Mas eu não dei a mínima. Queria muito saber quem era aquele garoto, afinal. E senti que aquela seria a hora que eu descobriria.
– Como sabe o meu nome? – perguntei, enquanto ajeitava a mochila jogada no ombro direito.
– Geralmente os professores costumam fazer a lista de chamadas para marcar quem faltou à aula. – ele explicou, enquanto se encaminhava em minha direção lentamente, desviando de algumas pessoas que subiam os degraus às pressas. – Tenho Física, Química, História e Geografia em horário compatível com você. Nesse caso, acho muito difícil não saber o seu nome.
– Pois eu confesso que nunca percebi você nessas aulas. – argumentei.
O garoto riu e estendeu a mão para mim, para um aperto de mãos.
– Sou Dylan Turner. – ele disse. – Acho que agora seria o momento de eu perguntar o seu nome, mas como eu já sei, acho que não tem muita necessidade.
Eu ri e apertei sua mão. Dylan Turner... O nome que eu tanto queria descobrir desde sexta-feira. Senti uma estranha felicidade ao perceber que finalmente descobri quem era aquele garoto.
– Você é o cara da biblioteca, não é mesmo? – perguntei.
“Como se eu não soubesse”, pensei.
– Eu mesmo. – ele sorriu. – O cara que gosta de Shakespeare. Afinal, as poesias dele são uma das melhores que eu já conheci.
– É verdade. – concordei.
Eu não tinha muito que falar, pois estava extremamente tímida. Eu não conhecia aquele garoto direito, mas somente o fato de eu estar conversando frente a frente com um garoto muito bonito, de olhos impressionantemente verdes, já me deixava nervosa e tímida.
O garoto continuava a me fitar. Com muita curiosidade, decidi perguntar:
– Por que você fica me olhando desse jeito?
– Que jeito?
– Da forma como você está me olhando agora.
– Porque você tem olhos muito bonitos. – ele respondeu.
“Como se ele não tivesse olhos bonitos”, pensei arrasada por dentro. Meus olhos eram castanhos. Sempre os achei muito comuns, porque olhos castanhos realmente não é raridade. Mesmo assim, não pude deixar de ficar lisonjeada. Afinal, não era sempre que eu recebia um elogio de um garoto bonito. Na verdade, eu acho que isso nunca aconteceu comigo na vida até aquele momento, muito menos com meus olhos.
– Obrigada. – agradeci. – Mas eles são tão castanhos, eu... Sempre os achei muito comuns.
– Eles não são um castanho comum. – afirmou Dylan. – São castanhos como... – ele fez uma pausa, parecendo tentar procurar as palavras corretas. – Como o mel. É um castanho muito claro, que chega a ser muito bonito.
– Como se os seus olhos não fossem mais bonitos. – essas palavras simplesmente saíram pela minha boca do nada, e eu fiquei muito envergonhada depois.
E o garoto sorriu, o que me deixou ainda mais envergonhada. Senti as minhas bochechas corar.
– Ahn... Eu, quer dizer... Ahn, desculpe. – pedi.
– Por que o pedido de desculpas? – ele perguntou. – Foi um elogio. Eu tenho é que agradecer. Muito obrigado.
– Ahn, tudo bem. – eu disse. – Mas agora eu tenho que ir.
– Você tem aula de Física agora. – ele disse. – É compatível comigo. Também tenho que ir.
Senti uma pontada de nervosismo dentro de mim, enquanto caminhava ao lado de um garoto que havia acabado de conhecer pelo corredor do colégio. Fiquei me perguntando por que tinha de ser eu. Naquele colégio havia diversas garotas bonitas, com certeza muito mais bonitas do que eu, e Dylan Turner, aquele garoto tão bonito, resolveu falar comigo.
Assim que entramos na sala de aula, procurei desesperadamente por uma carteira vazia para que eu pudesse me sentar e tentar me acalmar. A sala não estava muito cheia, mas era como se tivesse uma multidão inteira sentada naquelas carteiras. Acho que aquele era o resultado de estar acompanhada de um garoto, e não sozinha. Logo, avistei uma carteira vazia bem ao fundo da sala e caminhei até ela. Porém, Dylan me seguiu.
Assim que me sentei, o garoto me encarou e franziu a testa.
– Posso?
Ele estava perguntando se podia se sentar na carteira vazia ao meu lado. Sem alternativas, confirmei com a cabeça e ele se sentou. Logo, o Sr. Houston, professora de Física, entrou na sala e disse:
– Bom dia a todos!
E iniciou a explicação da aula daquele dia. Tudo o que eu conseguia ouvi-lo falando era: “iremos iniciar uma nova tarefa sobre...” e então minha atenção era destruída pela lembrança de que Dylan Turner estava a centímetros de mim ao meu lado. E é claro que eu consegui sentir o cheiro dele, afinal quando uma pessoa senta a, tipo, uns cinco centímetros de onde você está sentado, é praticamente impossível não sentir o cheiro. Era um cheiro doce, mais ou menos como o cheiro de uma cereja. Mas um pouco diferente. Sei lá, só sei que era um cheiro muito bom de sentir. Era confortante.
Embora que eu tenho de confessar que nem todo o cheiro doce de garotos do mundo inteiro conseguiria me confortar naquele momento. Eu estava tímida, nervosa, curiosa, ansiosa, entre outros sentimentos. Era algo muito estranho, algo que nunca havia acontecido comigo antes.
Por um lado, eu queria que as horas da aula de Física acabassem logo para que eu sumisse daquela sala e fosse enviar um e-mail para Lauren na sala de informática, e contar para ela cada detalhe do que havia acontecido quando cheguei ao colégio. Por outro lado, eu queria que aquela aula continuasse infinitamente, para que eu nunca mais precisasse sair daquela posição, porque, não posso mentir, era bom ficar ao lado de Dylan, mesmo que eu o havia acabado de conhecer.
Para a minha felicidade e infelicidade, duas horas depois de uma longa explicação do Sr. Houston sobre como a gravidade da Lua é diferente da gravidade da Terra (da qual eu não consegui prestar atenção em praticamente nada e sabia que teria que estudar muito em um livro de Física sobre isso depois), a aula de Física finalmente acabou. Como todos estavam fazendo, levantei da cadeira e joguei minha mochila em meu ombro direito. Dylan fez o mesmo.
Quando saí da sala, na esperança de que pudesse ir até o meu quarto do colégio para guardar a mochila na cama e depois poder ir até a informática, ouvi a voz de Dylan me chamar:
– Aposto que você irá para a biblioteca daqui a cinco minutos. – ele disse, e eu me virei para fita-lo.
– Sim, daqui a aproximadamente cinco minutos. – concordei. – Mas antes vou até o meu quarto para guardar a minha mochila para a próxima aula.
– Ótimo. – ele disse. – Pelo menos poderei fazer uma boa-ação.
– Boa-ação? – eu não fazia a mínima ideia do que Dylan Turner estava falando.
– Eu percebi que você só tem gosto por livros de poesia, embora que seja uma das melhores categorias de livro, em minha opinião. Mas eu gostaria muito que você pudesse ter a oportunidade de saber que existem outras categorias muito interessantes também.
– Deixe-me palpitar... – não pude impedir um sorriso. – Heroísmo?
– É uma ótima categoria. – ele disse. – Que tal darmos uma olhada?
– Tudo bem. – concordei. – Eu só... Só vou até o meu quarto para guardar a minha mochila.
Virei-me rapidamente e caminhei a passos rápidos em direção ao corredor de quartos femininos. Fui até a terceira porta do lado direito do corredor, abri-a e fui até o meu beliche. A minha colega de quarto era uma garota baixinha e um pouco gordinha chamada Alice Wood.
Ela ficou com a parte debaixo do beliche, pois, pelo que ela disse, achava melhor essa parte da cama, pois se sentia mais segura. Eu até fiquei um pouco aliviada por isso, pois geralmente uma pessoa tem que ficar preocupada quando outra pessoa um pouco mais pesada fica na cama de cima. Não tem nada a ver com bullyng, só estou sendo realista.
Embora que Alice fosse minha colega de quarto, nunca mantive um contato muito grande com ela. A única coisa que nós duas trocávamos ao longo de todos os dias era “oi”, “tchau” e “boa noite”.
Quando eu fui até o beliche, Alice estava deitada na cama, segurando seu celular com as duas mãos e provavelmente conversando com algum amigo que não estudava no mesmo colégio que ela. Usar celular era proibido naquele colégio, mas todo mundo quebrava essa regra e nenhum dos professores, diretores nem nenhum responsável por supervisionar o colégio descobriu.
Subi a pequena escadinha que dava para a cama de cima do beliche e joguei minha mochila em cima do colchão. Rapidamente, tirei de dentro da mochila o livro de Shakespeare que eu pretendia entregar para a Srta. Lynn novamente. Em seguida, desci novamente e percebi que Alice me fitava.
– Oi, Samantha. – ela disse, e colocou o celular ao lado de seu corpo rechonchudo na cama. – Por que está com tanta pressa? Recém está começando o tempo livre.
– Ahn, oi Alice. – eu a cumprimentei. – É que eu vou à biblioteca com um, ahn... Um conhecido.
Se bem que era muito estranho chamar uma pessoa por “conhecido”, era a melhor forma de descrever Dylan Turner, pois ele ainda não era meu amigo. Porém, tenho de confessar que fiquei muito surpresa por Alice puxar assunto. Ela nunca falava comigo.
– Hum, um conhecido. – Alice sorriu. – Um garoto.
– Sim, um garoto.
– Por que não o traz um dia desses para eu o conhecer?
– Porque até onde eu saiba é proibido trazer garotos para os quartos femininos, e vice-versa. – respondi.
– Algumas regras são feitas para serem quebradas. – ela disse, e depois soltou uma risada. – Ou você acha que garotos não visitam quartos de garotas e vice-versa às escondidas por aqui? Esse ato é muito comum, Samantha.
Até onde os meus conhecimentos sobre o colégio novo me levaram, a única regra que eu sabia que era quebrada às escondidas pelos alunos era a do celular. Porém eu havia acabado de descobrir que havia uma segunda regra do colégio quebrada por praticamente todos os alunos.
Mas eu sabia que não poderia trazer Dylan para o meu quarto. Afinal, eu mal o conhecia. Tudo o que eu sabia sobre ele era que gostava de Shakespeare e de livros de heroísmo, era bonito, tinha alguns horários de aula compatíveis comigo e se chamava Dylan Turner. E eu também sabia que estava prestes a sair daquele quarto e ir até a biblioteca do colégio para que eu tivesse novas oportunidades de descobrir categorias de livros interessantes que não fossem poesias.
– Tudo bem, eu tenho que ir. – disse eu, e então me encaminhei até a porta do quarto.
Logo que entrei no corredor de salas do colégio, avistei Dylan no mesmo lugar em que estava quando eu saí escorado com os braços cruzados e as pernas cruzadas, na parede ao lado da porta da sala de aula.
– Bem, eu acho que agora vamos para a biblioteca. – ele disse, quando me aproximei.
– É, acho que era isso. – eu disse, sem conseguir impedir um sorriso.
Assim que nós dois chegamos até a biblioteca, entreguei o livro de Shakespeare para a Srta. Lynn em sua mesa. Ela, que estava olhando atentamente para mim e estranhando completamente a presença de Dylan por perto (o qual havia ido diretamente até as prateleiras da categoria de livros de heroísmo), pegou o livro e em seguida abriu um sorriso um pouco maroto.
– Esse é o mesmo garoto de sexta-feira. – ela disse, sussurrando.
– Sim, é ele Srta. Lynn. – concordei, em sussurro. – Dylan Turner. Ele quer me mostrar uns livros, por isso eu o acompanhei até aqui.
– Livros. – ela repetiu, e então sorriu ainda mais. – Categoria?
– Heroísmo, eu acho. – respondi.
– Dylan Turner está aqui há duas semanas, querida. – ela comentou, enquanto observava Dylan ver atentamente as estantes repletas de livros. – Ele veio na biblioteca todos os dias durante o tempo livre. Livros é uma grande paixão desse garoto, disso eu tenho certeza. Ele é como você.
“Ele é como você”, repeti mentalmente, enquanto me sentava em uma das mesas à espera que Dylan escolhesse os livros. Como Dylan Turner poderia ser como eu? Ele não é tímido, é muito carismático, inteligente, um garoto muito interessante, bonito... Enquanto eu era uma tímida, maníaca por livros de poesia, que tem uma grande admiração por William Shakespeare e de uma aparência não muito desejável. No que, afinal, eu poderia ser como Dylan Turner?
Dylan estava com uma pequena pilha de livros diversos sobre heroísmo nas mãos, quando se aproximou até a mesa em que me sentei. Eu nunca tinha ouvido falar em nenhum daqueles escritores, nem sabia nada sobre heroísmo, afinal, nunca tinha me interessado em pesquisar a respeito dessa categoria. Ele colocou a pilha de livros em cima da mesa e tirou o primeiro de cima. O estendeu para mim, e eu o peguei.
– A fuga das tardes de domingo. – ele comentou, e eu li o título ao mesmo tempo. – Já ouviu falar deste? Foi o grande sucesso da categoria heroísmo de 1984.
– Sério? – não pude deixar de ficar impressionada.
– Sério. – ele concordou e sorriu.
Abri o livro e dei uma olhada nas escritas. Passei rapidamente os olhos pela primeira frase do livro: “o que vem a ser um soldado, sem o seu sargento?”. Uma frase bem interessante para se refletir. Fechei o livro, e Dylan me entregou outro. Li rapidamente o título: “o nascimento das irmãs Winchester”.
– Esse aí é antigo. – disse Dylan, o que eu pude confirmar, pela capa velha e o papel escurecido. – Foi um dos grandes sucessos de 1945.
Dali em diante, eu conheci vários outros livros da categoria heroísmo. Até me interessei por alguns, principalmente A fuga das tardes de domingo. Dylan me mostrou diversos sucessos antigos e atuais, e eu acabei tendo duas categorias favoritas.
No final do meu tempo livre, assim que bateu o sinal avisando que havia acabado, percebi que havia me envolvido tanto naqueles livros e na presença de Dylan que havia me esquecido completamente de ir até a sala de informática para enviar o e-mail para Lauren. Prometi a mim mesma que no dia seguinte eu iria até a sala e explicaria a ela o motivo de ter esquecido.
Peguei o livro A fuga das tardes de domingo e o levei até a Srta. Lynn. Dylan saiu da biblioteca e foi até a sala de aula, mas antes avisou que teríamos horários compatíveis de Geografia em seguida e que guardaria a carteira ao seu lado no fundo da sala para mim. Fiquei lisonjeada, porque havia acabado de fazer um amigo naquele colégio (coisa que eu nunca tinha achado que conseguiria).
– Srta. Lynn, eu vou ficar com este livro até quarta-feira, ok? – perguntei.
– Tudo bem, querida. – ela concordou, e sorriu. – Estou surpresa por Dylan tê-la convencido de pegar um gostinho por livros de heroísmo também.
– Bem, eu nunca pensei que havia uma categoria melhor que poesias, mas acho que estava enganada... – confessei, rindo.
– Eu entendo você. – ela disse e sorriu. – E entendo este garoto também.
– Como assim?
– Este garoto é especial, Samantha. – ela respondeu. – Sei disso desde que o conheci, assim que ele entrou neste colégio. E você também é especial. – ela fez uma pausa e me fitou por alguns instantes. – Pense nisso.
Meneei a cabeça e saí, segurando o livro sobre heroísmo na mão direita. Enquanto caminhava pelo corredor, pensei profundamente no que a Srta. Lynn havia dito. Ele era especial. Acho que nisso eu poderia confirmar, afinal, não é todo dia que você vê um garoto bonito, inteligente e que gosta de livros.
Mas eu, especial? Perguntei-me muitas vezes a quê a Srta. Lynn havia se referido. O que será que eu poderia ter de especial? Se eu desse um chute, talvez o meu gosto por livros, ou a minha admiração por poesias. Mas não acho que isso possa me considerar uma pessoa definitivamente especial.
Quando estava prestes a entrar na sala de aula, avistei Dylan ao lado da porta, observando as pessoas entrar na sala rapidamente. Quando me aproximei, ele sorriu.
– Você... Você não disse que iria entrar e guardar uma carteira para mim? – perguntei.
– Iria, falou certo. – ele disse. – O fato é que eu estava passando aqui pelo corredor e quando cheguei até a porta da sala percebi que a única pessoa além de nós dois que ocupa as últimas carteiras é um garoto muito gordo, então temos cadeira de sobra para sentar.
– Este é o lado bom de sentar no fundo da sala. – comentei, e ele riu.
Nós dois entramos na sala de aula e fomos até as carteiras do fundo. A classe estava cheia, nós dois éramos os últimos a chegar. Vários garotos e garotas conversavam através de cochichos, riam, e alguns até observavam tudo o que acontecia ao redor.
Segundos depois que eu e Dylan nos sentamos, o Sr. Johnson entrou na sala com o refletor colocado dentro de uma sacola preta própria para isso. Ele levou quinze minutos para ajeitar o equipamento e direcioná-lo até o quadro-negro, mas durante esse tempo todos ali dentro ficaram em profundo silêncio. E o silêncio continuou no restante do tempo de aula.
Percebi que todos que estavam ali tinham um pouco de medo do Sr. Johnson assim como qualquer outro professor, pois a maioria deles eram furiosos quando ocorria alguma coisa errada. Perguntei-me porque as pessoas não se põem no lugar umas das outras. Se fossem elas que tivessem que receber sermões dos professores por um errinho pequeno ou algo do tipo, não ficariam soltando risadinhas idiotas e cochichando.
A mesma coisa serve para outras situações da vida, como quando sem querer você tropeça e cai no chão em público e as pessoas em volta começam a rir. Ou quando você acaba pisando em um chiclete traiçoeiro que estava no chão e ele começa a grudar nojentamente a cada passo que você dá, enquanto isso as pessoas riem e cochicham. Fico me perguntando: e se fossem elas que estivessem nessa situação? Tenho certeza absoluta de que não iriam rir.
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