O manto de Hécate

13 Águas Perigosas


Notas iniciais
Pessoal, desculpe-me demorar T.T Espero que gostem desse novo capítulo ^^ Qualquer errinho podem me avisar, e também se gostarem deixem um comentário o/ Aproveitem .

Agora eles estavam em uma imensidão azul, como se estivessem em mar aberto, águas totalmente calmas, e ali era realmente fundo, Hannya e seus amigos olharam para o fundo e viram uma parte nebulosa dentro da água, como algo que separasse a parte de cima e a de baixo, era para lá que eles iriam, mas antes Hannya se lembrou de algo, ela vasculhou seus bolsos e então achou o que procurava.

–-- Nico, você não se esqueceu de nada? --- Perguntou ela arqueando a sobrancelha.

Ele ficou confuso, não, ele estava com sua espada, não havia mais nada que pudesse ter se esquecido de levar, nada até que Hannya abriu sua mão, um par de tampões de ouvidos. Ele suspirou e colocou os tampões, um tanto decepcionado, era como se ele fosse o mais fracos entre os três ali, o mais vulnerável. Hannya os tirou e falou:

–-- Não se sinta como o mais vulnerável! É apenas uma precaução! --- Ela os colocou de volta.

Ele a fitou desconfiado e pensou: “Deuses, ela passou para o nível telepático?!”. Ela fez um gesto com as mãos perguntando “o que foi?”, ele negou com a cabeça. Hannya fez um gesto indicando que era para Nico entender que eles iriam descer e passar pela névoa.

Os três foram rumo á estranha névoa, ela não era apenas uma espécie de “linha” separando, ela tinha uma maior extensão, à medida que eles prosseguiam, parecia que ia ficando cada vez mais profunda. De repente Hannya não conseguia ver mais Nico e nem Lucy, ela estava perdida no meio da névoa, ela tinha até mesmo perdido seu senso de direção, não sabia se ela estaria nadando para o fundo, para a superfície, para as laterais, era como se algo bagunçasse completamente a sua mente, e ela apenas olhava para todos os lados a procura de Lucy e Nico.

–-- Lucy?! --- Gritou ela.

Ia gritar o nome de Nico, mas lembrou-se de que ele estava com os tampões, não iria escutá-la, ela continuou a gritar por Lucy, mas nada ouvia em resposta, um silêncio assustador prevalecia no local, ela então continuou a ir para qualquer direção, ficar parada e gritando provavelmente também não iria ajudar em nada. De repente ela sentiu algo puxando ela, melhor dizer: Alguém. Sua mão foi puxada com força para uma direção que nem ela mesma soube dizer qual era, por um momento tentou se livrar da mão que a puxava, ela não conseguia ver o rosto da pessoa, mas então percebeu que essa mão a puxava para fora da névoa, e assim que saiu viu quem a havia puxado: Lucy, que suspirou de alívio ao ver sua amiga a salva.

–-- Pelos poderes de Hécate! Eu achei que não ia te encontrar! --- Disse Lucy aliviada. --- Você mudava de lugar o tempo todo!

–-- Você conseguia me ver? --- Perguntou Hannya confusa.

–-- Não. --- Respondeu Lucy indiferente. --- Não se pode ver nada além de névoa lá dentro, mas felizmente eu sei de um truque, bom, eu não chamo de truque, é a solução mesmo!

Hannya ficou olhando para ela pedindo para ela prosseguir.

–-- É só você fechar os olhos e nadar na direção que você julga a certa, quanto mais confiante de que é aquela direção certa, mais fácil você vai conseguir sair, só que como você se movia demais eu fiquei um pouco confusa.

A conversa foi interrompida com Nico saindo da Névoa.

–-- Achei que nunca ia sair dali! --- Disse ele alto de mais, pois ele não escutava sua própria voz com os tampões, Hannya fez sinal para que ele abaixasse o tom da voz.

Ela então analisou a situação, Nico falou como se estivesse passado horas preso na névoa. Então pediu que Nico tirasse os tampões, assim ele fez.

–-- Algum problema? --- Perguntou ele.

–-- Não sei... --- Respondeu ela. --- Diga-me, quanto tempo exatamente você ficou lá dentro da Névoa?

–-- Fiquei desnorteado ali dentro por umas 3 horas! Não viu o tempo passar? --- Perguntou ele.

–-- O quê?! Pra mim não se passou nem ao menos meia hora. --- Respondeu Hannya surpresa.

–-- Não, não --- Interrompeu Lucy. --- Foram cerca de 1 hora.

Um pensamento horrível caiu sobre os três, ou pior, uma pergunta os assombrou.

–-- Quanto tempo nós ficamos ali? --- Disse Hannya falando compassadamente e temendo o pior.

Mas algo interrompeu esse os pensamentos de Hannya, uma voz em sua cabeça, a princípio ela pensou que fosse Patérnope novamente, mas a voz foi se tornando cada vez mais familiar, não era uma mulher, era a voz de Percy. “Hannya?” Perguntou ele na mente de Hannya, “Percy!” respondeu ela em pensamento, e fez sinal para que seus amigos não falassem com ela, que ela estava concentrada em algo. “Como você consegue fazer isso?!!” perguntou ela, “É que eu estou na água, esqueci de te falar, mas é uma habilidade nossa também, nos comunicar com nossos irmão quando estamos em baixo da água, mas isso não vem ao caso agora! Pelas barbas de Poseidon como você pode me deixar tão preocupado?! Onde você está?!!” “Estamos entrando nas águas onde Patérnope vive, e...” ela então se interrompeu, e percebeu que só podia ser uma incrível sorte ou uma dádiva dos deuses que ela estivesse falando com Percy naquele exato momento. “Hannya?”, “Percy, que horas são na Itália?” “Como posso saber?” “Pergunte a Annabeth, ela deve saber a diferença de horas, eu preciso saber disso urgentemente! Agora!” “Claro, aguarde um pouco, pois irei sair da água”, Hannya teve de aguardar alguns minutos, e para ela eles eram uma tortura, ela voltou-se para seus amigos que nada entendiam o que Hannya estava fazendo, ela explicou que estava conversando com Percy, quando ia falar que teve ideia de perguntar ao Percy sobre as horas, o mesmo voltou a falar com ela “Hannya?” “Sim?” “Annabeth me disse que devem ser, ops, desculpa, ela mandou de dizer que é certeza de que são 20:00 na Itália, mas espera... Você não esta na Itália?! Hannya aconteceu algo?” Hannya não respondeu nada, ficou calada e pasma tentando filtrar a informação.

–-- 12 horas... --- Murmurou ela baixo. --- Droga! --- Disse ela

“Hannya quer fazer o favor de me responder?!” “Por causa de uma névoa acabamos nos atrasando, Percy não posso falar, pensar muito, o tempo esta passando e como você sabe, nós dependemos muito dele com essa missão.”, “Você vai conseguir, eu sei que vai!” “Que assim seja! Agora tenho que me concentrar na missão, valeu Percy, você ajudou bastante, mande meus agradecimentos para Annabeth!” “Ok vou deixá-la pensar, mas não hesite que falar comigo se acontecer algo grave!” “Tudo bem, adeus”.

Nico e Lucy olhavam para Hannya ansiosos, esperando pela péssima notícia que estaria por vir, pelo que parecia.

–-- Perdemos 12 horas! --- Disse Hannya.

Nico e Lucy praguejaram baixinho, agora além de perder 12 horas da missão, haviam perdido 12 horas que Nico e Lucy poderiam respirar em baixo d’água, mas então Lucy voltou a observar o local onde se encontraram.

–-- Vejam. --- Disse ela. --- Já estamos no fundo! E nada!

Lucy apontava para baixo, realmente já havia terra e plantas submarinas.

–-- Mas, esse só podia ser o caminho certo --- Exclamou Hannya.

Nico nada falava, continuou a analisar o ambiente, por fim disse calmamente:

–-- Não, esse não é o fundo.

Lucy e Hannya olhavam para Nico esperando que ele explicasse melhor a situação.

–-- Olhem novamente --- Prosseguiu ele. --- Vocês têm de aprender a observar muito bem as coisas, a névoa pode enganar os semideuses também.

As duas olharam novamente para o fundo, com mais atenção, estreitaram seus olhos, elas viram a imagem tremular, as plantas sumiam e apareciam, a terra continuava ali, porque realmente havia terra, o que Nico quis dizer era que aquele não era o fundo, elas perceberam que aquele era o teto da provável fortaleza que eles procuravam.

–-- Ainda precisamos encontrar uma parte para entrar. --- Disse Lucy. --- O teto não pode ser infinito. Deve haver um pátio, ou algo do tipo, algum buraco por aqui tem que ter!

–-- A névoa pode estar atrapalhando. --- Opinou Hannya.

Lucy então esticou sua mão em direção ao “chão” e pediu que Nico fizesse o mesmo, afinal ele sabia o que ela iria fazer. Os dois eram semideuses á mais tempo, sabiam que a névoa também pode ser manipulada, você consegue enganar vários mortais com essa habilidade, ou usa-la a seu favor para não ser enganado como eles estavam fazendo, Hannya sabia que não deveria interromper, apenas ficou olhando esperando ansiosamente que aquilo resolvesse o problema.

Foi então que deu certo, Hannya que estava de olhos abertos viu a imagem tremer em um ponto, á alguns metros deles, como se fosse real a terra cedeu nesse ponto, mas ao invés de cair, ela subiu... Até desaparecer. Os dois abriram os olhos.

–-- Uou! --- Disse Hannya impressionada. --- Depois vocês vão ter que me ensinar isso ok?

Os três riram, e olharam em direção a onde a areia tinha desaparecido, agora viam claramente um abertura que dava para uma espécie de pátio, eles se aproximaram e puderam ver melhor, era um jardim, com várias flores que nunca haviam visto antes, mas extraordinariamente bonitas! Hannya ficou observando uma que não havia cor definida, era vermelha? Não, azul? Não, dourada?! Ela não tinha uma única cor, ela tinha várias que mudavam aleatoriamente e criavam nela um charme especial, mas ai então Hannya viu que uma seção de flores era conhecida, rosas, apenas rosas vermelhas, só que aquelas pareciam bem mais lindas e formosas do que as que encontramos na superfície, e outra coisa que Hannya percebeu foi que essa seção era diferente, ela era a única que possuía cerca, cerca de ouro e em cima delas caia um pó dourado que as deixavam ainda mais deslumbrantes.

–-- Temos que entrar sem sermos vistos... --- Disse Nico.

Finalmente Hannya focou seu pensamento na missão novamente, as flores eram tão lindas que por um momento fizeram Hannya se esquecer do que ela tinha ido fazer ali.

–-- E pegar o manto sem sermos vistos, e fugirmos sem sermos vistos. --- Continuou Hannya

–-- Se preferir podemos entrar de modo bem alarmado, tomando conta do pedaço como uma super gangue, alertar a todos de que nós estamos aqui e falharmos na tentativa, e provavelmente mortos, ou se conseguirmos fugir, só seremos amaldiçoados. --- Disse Nico cruzando os braços e se direcionando a Hannya.

–-- Pensar positivo! Ok! Já entendi! Mantenho minha boca fechada! --- Murmurou Hannya.

Lucy estava analisando o jardim e todo o local, pensando em algum plano para conseguirem entrar, e pegar o manto, e também, é claro, fugirem.

–-- Mas, --- Disse ela. --- Precisamos saber onde o manto está. Se entrarmos sem saber exatamente para onde ir, será como estar em um labirinto, onde seus inimigos sabem o caminho certo e como te encurralar.

Hannya e Nico concordaram. Isso era um tremendo problema. Os pensamentos de Hannya ficaram martelando nisso, “Aonde será que o manto está...” Cada vez mais ela se concentrava nisso, até que seu pensamento foi mudando, e começou a ser “Eu sei onde ele está!” Sua mente mudou de lugar, como se tivesse feito uma viagem, ela agora estava em uma sala enorme, com uma cúpula, mas espera, ela não estava lá, era como no seu sonho, ela apenas enxergava o lugar, no seu sonho ela tinha sido “teletransportada” para a sala de magia de Hécate, agora ali, ela havia sido teletransportada para o local onde o manto estava! Ela focou novamente na cúpula e seu coração saltou, ali estava o manto, um longo manto roxo, parecia ter sido feito do mais perfeito tecido, do mais luxuoso, macio e elegante, no manto continha algo prata, eram palavras que se moviam, provavelmente feitiços, a espécie de encaixe para prender o manto como uma capa era uma brilhante lu. Hannya podia ficar horas e horas observando cada detalhe do manto que parecia chama-la, mas sua mente resolveu voltar para o seu corpo.

–-- Eu sei onde está o manto --- Disse ela.

Seus amigos a olharem com uma expressão de ansiedade, afinal, nenhum deles iria brincar com uma coisa dessas.

–-- Olhem ali. --- Hannya apontou para um portal aberto que dava para um corredor entrando no castelo. --- Passando por aquele corredor tem mais um jardim, e da mesma forma outro portal e outro corredor, mas quando terminar esse outro corredor não terá mais um jardim, terá uma cachoeira, temos de entrar nessa cachoeira e chegaremos ao salão onde estará o manto.

–-- Quando se é semideus vemos cada coisa... Cachoeiras dentro do mar! --- Falou Lucy.

–-- Nenhum sinal de qualquer sereia pelo jardim, então que tal descermos, e tentarmos nos esconder entre as plantas. --- Opinou Nico

–-- Boa ideia. --- Disse Hannya. --- Vamos.

Eles nadaram até as plantas, como haviam algumas flores exóticas e maiores seria fácil se esconder ali, não havia sinal de nenhuma sereia. O corredor também estava vazio, “Estranho...” pensou Hannya. Os três seguiam cautelosamente o caminho que Hannya havia dito, logo chegaram aos segundo jardim, idêntico ao primeiro e igual ao outro, mas de repente apareceu uma sereia, Lucy se escondeu entre algumas enormes flores, Hannya ficou atrás de um dos pilares, Nico se camuflou facilmente nas sombras, sem fazer nem um movimento sequer, pois se a sereia olhasse em sua direção e ele se mexesse só iria denunciar que ele estava ali. A sereia tinha cabelos castanhos, ondulados e extremamente brilhosos, a pele parecia uma seda, olhos cor de mel, usava vários enfeites, pulseiras, colares, sua calda era da cor verde-água, ele era extremamente bonita, como todas as sereias que imaginamos, mas então algo que Hannya e Lucy temiam aconteceu, a sereia começou a cantar, Hannya sabia muito bem que Nico não havia se lembrado de recolocar os tampões. A mente de Nico começou a querer ceder a ouvir a voz, a sereia ficava andando pelo jardim e cantando, sem saber se havia alguém ali, era apenas uma medida de segurança contra intrusos, Hannya e Lucy também poderiam se encantar com a voz, mas era um efeito bem mais fraco, mas Nico seria bem mais fácil. Ele lutava com a própria mente para não ceder a bela voz suave e encantadora da sereia, mas a vontade de ir até a própria sereia era maior, ele ia começar a dar um passo na direção da sereia, mas de repente, algo o impediu, ele não conseguia sair do lugar, uma força o pressionava no lugar em que estava, era a água. Com esse choque de não conseguir andar, sua mente voltou vagamente para o lugar, meio atordoado ele olhou ao redor, a sereia ainda cantava, então ele viu algo entre os pilares, Hannya, sua mente voltou um pouco mais a realidade, ele viu que ela cerrava os punhos levemente, foi só então que Nico percebeu que era Hannya quem impulsionava a água para ele não sair do lugar. A sereia parou de cantar achando que realmente não havia ninguém, voltou para o corredor de onde veio, o que os três ainda teriam de passar. Nico voltou completamente a si, mas ainda estava sendo pressionado pela água, Hannya não queria correr o risco de soltá-lo e ele ir atrás de sereia, mas ele entrou nas sombras e reapareceu no pilar que ficava ao lado de Hannya. Ela se assustou e depois que viu que era Nico deu um suspiro de alívio, mas logo mudou para uma expressão zangada e preocupada.

–-- Se você não colocar esses tampões, creia que eu mesma vou deixá-lo surdo!

Nico entendeu, não iria discordar, ele quase estragava tudo. Ele colocou sua mão nos bolsos procurando os tampões, achou e os colocou. Hannya abriu um leve sorriso para consolar o amigo. Lucy foi ao encontro dos dois, ela conversava com Hannya a respeito de ir ao próximo corredor. Enfim as duas tiveram uma ideia, Lucy fez aparecer na água palavras soltas. “Nico, vá pelas sombras e cheque se está tudo ok, UMA OLHADA RÁPIDA!”, ele assentiu, e desapareceu em uma mancha preta.

Quando chegou ao corredor, não saiu totalmente das sombras, colocou apenas a cabeça para fora, olhou para os lados, nenhum sinal de sereia. Voltou e fez um sinal de “Ok”. Eles então seguiram para o segundo corredor. Hannya achava estranho o fato de ter piso, já que sereias nadavam e não pisavam no chão, mas logo afastou o pensamento, poderia muito bem ser apenas para o ambiente ficar mais bonito. Quando passaram em frente a uma porta, seus corações saltaram, ouviram vozes, várias sereias conversavam dentro do aposento, Lucy encostou os ouvidos na porta e escutou apenas elas falarem sobre a aparência, algumas cantarolavam, mas agora não faziam nenhum efeito em Nico. Eles seguiram o mais rápido possível pelo corredor, quando enfim terminaram de passar por ele, chegaram á cachoeira. Não se conseguia ver o começo dela, a água era tão cristalina, na verdade, sua cor era quase prata, o som da queda era extremamente baixo, relaxante.

–-- Temos que entrar por essa cachoeira? --- Perguntou Lucy á Hannya.

–-- Hm... Acho que não entrando diretamente na queda d’água...

Ela fez apenas um gesto com as mãos e a água da cachoeira se abriu ao meio, havia uma cortina branca, Hannya deu um passo á frente, mas parou. Ao passar por aquela cortina tudo podia dar certo... Ou errado. Lucy colocou o braço em volta do ombro de Hannya.


–-- Vamos lá, pegar esse manto e voltar pra casa. --- Falou Lucy.


Notas finais
Estou trabalhando bastante no próxima capítulo, terão algumas surpresas nele, *------* Estou até animada kkkk' Não sei quando vou postá-lo, mas eu já estou escrevendo ele.