Notas iniciais
Olá galera, apareci novamente com mais um capítulo para vocês. Boa leitura

– Ok, entregarei ao Ricardo Cobreloa.- Disse a recepcionista com uma expressão de tédio.

Jade se virou e caminhou para fora do local, já sorria só de imaginar a cena que aquele bilhete criaria. Tinha que fazer alguma coisa para que Cobra não achasse que ela havia dado uma trégua. Isso nunca aconteceria. Entrou no carro, ligou a música e dirigiu até em casa.

Enquanto isso, no hospital, Ricardo saía da sala de sutura, com um sua mão direita com três pontos. Assim que saiu para fora, não encontrou Jade, voltou para dentro do hospital e foi até a recepção.

– Você viu para onde foi a garota que me trouxe?

– Ricardo Cobreloa?- O rapaz assentiu e a moça lhe entregou um bilhete.

Cobra se afastou e abriu o bilhete que dizia:

“Querido irmãozinho, tenho mais coisas para fazer do que te esperar sair desse hospital fedido. Você pode muito bem voltar a pé. Jade”

O hospital e a casa de Cobra, ficava, exatamente, cada um em uma ponta da cidade, ou seja, para chegar em casa, o rapaz teria que atravessar a cidade. Cobra amassou e jogou o bilhete na sarjeta, sua mão latejava e estava sem celular, dinheiro ou qualquer coisa.

– Eu vou matar a Jade!- Cobra puxou os cabelos irritado.

(...)

No almoço em família, Jade estava sentada à mesa com o pai e a madrasta. Até esperaram Cobra, mas como ele não apareceu, começaram a comer a comida.

– Sabe Jade.- Começou o pai limpando a boca.- A Rita falou a Quitéria que encontrou a cozinha totalmente transtornada hoje de manhã. Você e o Ricardo andaram brigando?

– Não.- Jade disse calmamente.- Ele que não sabe se controlar.- A garota deu de ombros.

– Você vai me desculpar Jade, mas meu filho não é assim.- Disse Quitéria.

– Talvez você não conheça seu filho.- Jade disse friamente.

– Mais respeito com a Quitéria!- Pediu Antônio.

– É aquela menina, não é?- Perguntou Quitéria visivelmente preocupada.

– Que menina?- Questionou Jade.

– A menina que ele ia se casar, ele gosta dela, né?

– Eu não sei.- Jade se levantou.- Não é da minha conta quem o Cobra come ou deixa de comer.- A garota saiu da mesa ouvindo seu pai lhe repreender.

Jade não gostava de Quitéria, aquela mulher havia tomado o lugar da sua mãe. A madrasta era um dos motivos dela odiar Cobra, mas não era exatamente por causa disso que odiava o rapaz. Também não odiava Quitéria, não de verdade, tinha desprezo por ela, sentia nojo daquela mulher em sua casa, encostando em seu pai, se tornando um membro da família. Era como um câncer se alastrando pelo corpo de Jade, a tornando amarga, a matando aos poucos.

Jade encarou a foto da mãe no criado mudo, é deixou que uma lágrima escorresse pelo seu olho esquerdo. Apenas uma lágrima, pois não choraria, não queria que sua mãe se sentisse mau por deixa-la naquela casa junto com aquela mulher. Quando outra lágrima ameaçou a cair, a garota esfregou os olhos com força. Não choraria.

(...)

Cobra vinha caminhando em meio ao sol quente queimando sua pele, com sua mão dolorida e sua única companhia, era o que iria fazer com a Jade quando botasse as mãos nela “Eu vou matar essa garota, dessa vez ela passou dos limites”. Os pensamentos foram interrompidos por um carro que parou do seu lado, Cobra só ouviu.

– Hey Cobra, resolveu dar uma caminhada, se exercitar um pouco?- Olhou pro lado e era Karina.

Karina era uma de suas ex namoradas, que o deu um pé na bunda quando conheceu o Pedro Ramos, Jade havia o apresentado a garota. Na época, Cobra ficou arrasado, mas depois, conseguiram superar isso e se tornaram melhores amigos. No fundo mesmo, não amava a garota e, Pedro e Karina foram feitos um para o outro.

Cobra entrou no carro da garota e contou tudo o que havia acontecido para a amiga.

– Então você e a Jade não saíram desse joguinho de ódio?- Perguntou Karina com um tom de humor na voz.

– Eu nunca estive nesse jogo, apenas a Jade joga, somente ela ganha.- Disse Cobra emburrado.

– Aham, sei.- Karina não acreditava muito no amigo.- Eu achei que ela fosse dar uma trégua depois do fracasso do seu casamento.

– Também achei, mas pelo visto não tem trégua com Jade Gardel.- Rebateu Cobra.

– As vezes eu queria entender essa coisa de vocês, esse ódio todo, porque não tem sentido.- Karina deu de ombros sem tirar os olhos da estrada.

– Bom, então sinto em lhe informar, mas não posso te responder essa pergunta.- Cobra riu sem humor.

(...)

Jade respondia as mensagens de Henrique com “sim” ou “não”. O namorado a entediava, era grudento demais, inseguro demais e atitude de menos. Quando Jade aceitou o namorar, era porque achava que ele tinha potencial, que a levaria a outro nível e principalmente, que deixaria sua mente desocupada de “Cobra”. No entanto, todas as suas expectativas se tornaram frustrantemente arruinadas. Por fim desistiu do celular e resolveu tirar um cochilo. Foi quando escutou batidas na porta freneticamente, assim que abriu, Cobra adentrou o quarto e jogou a garota na cama.

– Você sabe qual é a distância do hospital até aqui? Sabe?!- Gritava o rapaz.

– Não, mas aposto que você sabe.- Disse a garota sorrindo.

Cobra não conseguiu controlar a raiva e se jogou em cima da garota, passando cada perna de um lado da bela morena, se ajoelhando em cima da cama de Jade.

– Qual o seu problema garota?!- Perguntou irritado.- Eu estou machucado, com essa bosta de ponto na mão, minha cabeça parece que vai explodi e você ainda me fez vir a pé de lá até aqui!

– O meu problema é você.- Disse friamente.- E se exercitar faz muito bem a saúde.

Cobra sacudiu os ombros de Jade totalmente irritado, fazendo a cabeça da garota sacudir. Assim que a soltou, olhou nos olhos da garota e ela não tinha nenhum pingo de medo. “Não importa nada que fizer, ela jamais terá medo de você” pensou Cobra.

Por fim ficou encarando aquela garota, ela era tão linda, e ao mesmo tempo tão insuportável, que era quase uma chave para os portões da morte. Porém, aquele rosto já passou pelos seus sonhos. Ergueu a mão e quando estava próxima a seu rosto, Antônio e Quitéria apareceram.

(...)

Estavam na sala da enorme casa, no centro do cômodo. Jade e Cobra lado a lado, enquanto Antônio e Quitéria os encaravam.

– Vocês tem algo a dizer sobre o que vimos lá em cima?- Questionou Antônio.

Nenhum dos dois responderam, sempre que respondiam, usavam isso contra eles.

– Ontem o seu casamento foi arruinado por causa da Jade.- Disse Antônio.

– Mas pai…- Começou Jade mas o pai a olhou feio.

– Eu não terminei ainda.- Repreendeu o pai e a garota abaixou a cabeça.- A mesa do café foi destruída por uma briguinha de vocês e agora, estavam um montado no outro em mais uma briga.- Encarou os dois depois continuou.- Até quando isso? Vocês não são mais crianças, aliás, quando eram crianças, não se desgrudavam e agora que são irmãos, me sinto em uma linha de guerra entre dois países.

– Eu sinto muito.- Disse Cobra.

– Infelizmente não é o bastante.- Antônio cruzou os braços.- Tomamos uma decisão.

– Que decisão?- Perguntou Jade nervosa.

– Eu e seu pai vamos viajar, passar um mês longe, e vocês dois ficarão aqui sozinhos.- Disse Quitéria.

– O que? Não mãe, a senhora não pode fazer isso só por causa de uma briga.- Cobra estava em choque.

– Eu só posso, como vou.- Quitéria encarou o filho.- Não é só por uma briga, mas é o que pode acontecer. Vocês são irmãos.

– Não somos irmãos.- Disse Cobra entredentes.

– Também temos alguns negócios para resolver, vai ser bom para nós e para vocês.- Disse Antônio rígido.

– Mas pai…

– Está decidido Jade, eu sinto muito.- Falou Quitéria e a garota bufou e saiu pisando duro.

“Se alguma coisa tem a mais remota chance de dar errado, certamente dará”. Lei de Murphy, mas Cobra tinha certeza que quem criou isso tinha se inspirado na vida dele e nem tinha dado os créditos.

(...)

Jade adentrou o chuveiro se sentindo fora do controle, o pai era o único que simplesmente não se podia contrariar e ele acabava de obrigá-la a ficar um mês, sozinha, na mesma casa que aquele brutamontes. Tudo bem que poderia fazer a vida dele um inferno, mas era perigoso demais para ela.

Jade tocou seu corpo nu próximo a virilha, onde Cobra havia se esfregado nela em sua cama. Ele era tão quente e forte, que era difícil se controlar quando estava perto demais. A garota fechou os olhos e fingiu que sua mão era as mãos de Cobra e que a água morna, era a boca quente de Cobra espalhando beijos pelo seu corpo.

Enquanto seus dedos zanzavam pelo seu corpo, oscilando entre seios e sua intimidade, sua mente projetava o rosto de Cobra e a garota se sentia excitada. Depois disso, sempre se punia mentalmente por tal ato, no entanto, nenhuma das suas experiências sexuais, valia o fetiche com Cobra.

No mesmo momento, Ricardo Cobreloa, estava no banheiro embaixo da água morna, revivendo em sua mente, o momento de tensão regada a ódio e desejo com Jade. A vontade que ele tinha, era ir lá e pegar Jade a força, só soltá-la quando terminasse tudo o que sempre quis fazer com ela (e eram muitos), mas ia contra seus princípios. Jamais, repudiava esse tipo de ato forçado, com Jade então, seria quase masoquismo. Porém, por mais que fosse sensato, seu corpo clamava pela garota, sempre clamou, então, como sempre fazia, teria que se virar sozinho, sem a Jade.

Era estranho, como em meio a tanto ódio, existia tanto desejo.

Notas finais
Bem, o que vocês acham que vai acontecer com essa casa apenas e somente para esses dois? Gente, tô com 11 leitores, e tenho muitos poucos comentários, se for porque eu tô errando em algo, me diga, mas por favor, comentem, me falem o que estão achando. Não gosto de abandonar fic, mas não escrevo para fantasmas, não sou Chico Xavier não. Bjs, Tami