Notas iniciais
Olá galera, muito obrigada a todos que comentaram, vocês são tops. Que tal mais um capítulo recheado de amor e ódio para vocês? Boa leitura.

Cobra se levantou a tempo de ler o jornal jogado em frente a casa, antes que o padrasto desse um fim no exemplar. Sendo afilhado de Antônio Gardel, não podia esperar menos que estar na primeira página do jornal, com a manchete "Jovem rico e bonito é deixado no altar". Ainda havia uma foto dele com o rosto vermelho e uma expressão de dor na porta da igreja.
Cobra não quis ler os absurdos que com certeza haviam na notícia na íntegra, apenas largou o jornal no centro da mesa e encheu sua caneca com café preto e amargo, que só ele sabia fazer. Apesar de ter empregada e cozinheira, não dispensava a oportunidade de passar um café quando era o primeiro a se levantar.
Escutou o barulho do salto contra o piso se aproximar da cozinha, sabia exatamente quem era e não lhe agradava nem um pouco. A garota adentrou a cozinha, pegou o seu leite e se sentou á mesa.
– Sabia que você estava acordado assim que saí do meu quarto e senti esse cheiro de café amargo. Argh, não sei como consegue tomar isso.- A garota enrugou o nariz enquanto passava manteiga na torrada.
– E você, certamente, veio conferir para ver se eu estou sendo feliz, porque se estivesse, teria que começar a bolar algo para mudar isso.- Disse Cobra sem olhar para Jade.
– Eu não sou tão má assim, irmãozinho.- Jade sorriu e terminou de passar manteiga em sua torrada.- Só sou uma pessoa com objetivos.- A garota foi comer a torrada, mas o rapaz jogou o alimento no chão assustando a moça.
– E os seus objetivos é fazer da minha vida um inferno?!- Cobra gritou irritado. No entanto Jade não tinha medo de Ricardo, nunca teve.
– Sim, e pelo visto, estou os alcançando com sucesso.- A garota sorriu para ele encarando o rapaz.
Cobra foi tomado de uma raiva pela bela morena, que podia muito bem socá-la, mas como não era a favor de violência contra mulher, descontou sua raiva na mesa perfeitamente posta, o rapaz puxou a toalha levando tudo o que estava em cima dela foi ao chão.
– Eu amava aquela garota e você foi lá e arruinou tudo, como sempre faz.- Cobra tentava se controlar enquanto dizia cada palavra banhada a ódio.- Por que você sempre faz isso? O que eu fiz para você, garota?!
– Você preferia ser corno? Porque se eu não tivesse mostrado o vídeo, era isso que você seria.- A garota era amarga mas não perdia o controle como Ricardo.
– Eu preferia mil vezes ser corno do que ter que viver sob o mesmo teto que você.- O rapaz cuspiu as ultimas palavras e saiu da cozinha.
Jade ficou observando Cobra sair, era interessante como seus ombros se movimentavam quando ele andava, era quase sensual se não fosse aquele que ela tanto odiava. A garota se levantou e saiu da cozinha, não queria estar lá quando os pai acordassem.
Enquanto isso, Cobra entrava em um banho gelado para não voltar lá e bater na garota. Esse joguinho de ódio Jade sempre ganhava, mas nem sempre foi assim…

Flash Back On

Ricardo tinha os seus sete anos, jogava futebol na rua de casa, quando sem querer acertou a garotinha de cabelos pretos que passava na calçada. Na hora a menina ficou vermelha de raiva.
– Hey, foi sem querer, me desculpe.- Disse Cobreloa.
– Você sujou a minha roupa!- A garota reclamou tentando limpar a blusa, mas era inútil.- Minha mãe vai me matar.
– Foi sem querer, eu não vi você.- O garoto se aproximou com o intuito de pegar a bola, no entanto a garota puxou a bola para fora do alcance.- Hey! Isso é meu.
– Não quero saber. Primeiro você vai limpar a minha blusa.- Disse a menina emburrada.
– Mas como? Eu não sei limpar.
– Problema é seu, eu não vou ficar de castigo por sua culpa!- A garota disse decidida.
A contra gosto, o garotinho arrastou a menina para sua casa. Ricardo havia puxado um banquinho e se esticava todo para pegar os produtos que a mãe lavava as roupas de casa, na ultima prateleira da lavanderia.
– A minha mãe sempre joga essa garrafa rosa na roupa.- Falou o menino pulando do banquinho com a garrafa na mão.
– Você tem certeza que ela usa isso?- A garota estava desconfiada.
– Claro que tenho, vai, puxa o cabelo.- A menina puxou o cabelo e ele jogou o líquido. Assim que jogou, a blusa rosa claro ficou com uma enorme mancha branca.
– Eu acho que sua mãe não sabe lavar roupa.- Resmungou a garota encarando a mancha.
(...)
Lucrécia abriu a porta e encontrou a filha com a sua blusa rosa manchada e um outro menino que parecia ter a mesma idade, ao lado dela segurando uma garrafa rosa na mão, ambos com cara de medo.
– Mãe, a culpa não foi minha.- Se defendeu a garota.
– Jade, o que aconteceu com a sua roupa?
– Fui eu.- O menino de cabelos pretos falou pela primeira vez.- Eu sujei a roupa dela e depois resolvi limpar, só que eu acho que a minha mãe não sabe lavar roupa, porque ela poem isso aqui na roupa quando vai lavar e quando eu coloquei na blusa dela, ficou essa mancha feia.
Lucrécia encarou o rapaz, depois puxou a garrafa das mãos do garoto, lendo o rótulo que dizia “Água sanitária”. A mulher suspirou.
– Mãe, você não vai bater nele, né?- Perguntou a garota.
– Se for me bater, deixa eu entrar porque não quero que os meus amigos vejam.
Lucrécia não bateu no garoto, nem na filha, se sentiu sensibilizada com o caráter do menino. E a partir daquele dia, Ricardo Cobreloa se tornou Cobra, apelido que Jade, agora sua amiga, havia lhe dado.

Flash Back Off

Cobra simplesmente não entendia o porque dela o odiar tanto, nunca fez nada para que levasse a isso. O rapaz até tentou vasculhar algo em sua mente, mas nada veio, isso o deixou totalmente frustrado que o fez dar um murro no box do banheiro. Com a força do golpe, o box se quebrou em sua mão e o rapaz ganhou um corte profundos nos dedos.
– Merda.- Reclamou o rapaz enrolando a mão na toalha.

(...)
Jade estava sentada no sofá da sala assistindo séries, se sentindo um pouco entediada, pelas cenas ali transmitidas, quando avistou Cobra surgir do fim do corredor com a mão enrolada em uma toalha, que antes era branca, agora banhada a sangue. A garota nem pausou a série, se levantou e foi de encontro ao garoto.
– O que aconteceu?- Perguntou a garota visivelmente preocupada.
– E te interessa?- Cobra vasculhava com a mão boa a chave do carro na mesinha de centro em meio a outros objetos que tinha ali. Porém Jade percebeu o que ia fazer, então pego chave antes.- Jade, não começa com os seus joguinhos, me dá essa chave.
– Você não vai dirigi o carro assim, não adianta.- A garota colocou a chave no sutiã.
– O que você quer então? Que eu morra de hemorragia?
– Pelo amor de Deus, não seja dramático.- Reclamou a garota apanhando sua bolsa preta jogada no sofá.- Eu te levo no Pronto Socorro.
Cobra não entendia a reação da garota, era estranho, ela fazia da vida dele um inferno e mesmo assim, estava o socorrendo.
– O que você está pensando?- Questionou a garota espiando o rapaz pelo canto do olho.
– Agora vai controlar meus pensamentos também?- O rapaz bufou.
– Só espero que não seja nada relacionado aos meus objetivos.- A garota estacionou o carro e soltou o cinto.- Nada mudou.
– Isso nunca passaria pela a minha cabeça.- Cobra soltou o cinto com a mão boa.- Para isso, você precisava ter um coração, coisa que você, claramente, não tem.- O rapaz saiu do carro e foi em rumo a entrada do hospital.
Jade socou o volante do carro, mas não o seguiu. “Se você soubesse os meus motivos, saberia que eu só fiz isso por amar demais”.

Notas finais
O que acharam? Galera, digam o que acham, se gostou, se não gosto, me conta, ok Bjs, Tami