O lobo e a raposa

13 Punição por intimidar a pequena raposa


Capítulo 13: Punição por intimidar a pequena raposa


(Narração do ponto de vista de Kakashi.)


Assim que ele saiu do restaurante onde trabalhava, três adolescentes lhe seguiram e Naruto percebeu, mas não tomou nenhuma atitude de prevenção, como se não se importasse. Os três aumentaram seus passos e passaram de segui-lo para andar ao seu lado. Rindo e o provocando, obviamente com más intenções.

Não precisava ser um gênio para ver o que aconteceria em seguida. Menos de um minuto depois eles o empurraram contra uma parede e o agrediram enquanto o chamavam de "monstro" e nomes muito mais feios e ofensivos.

Franzi minhas sobrancelhas em desagrado e fechei minhas mãos em punhos, usando toda a minha contenção para me impedir de ir até lá bater naqueles três humanos. Naruto não era muito forte entre os demônios, mas sua força era muitas vezes maior do que qualquer humano. Se ele não estava revidando, devia ter um motivo e eu não podia intervir sem saber que motivo era esse.

Durou apenas alguns minutos, mas foi difícil suportar, mais difícil do que se fosse eu apanhando no lugar dele. Quando acabou e os garotos foram embora rindo, como se nada tivesse acontecido, ele se levantou, usou a parte de baixo da camisa para limpar seu rosto e voltou para casa, como se nada tivesse acontecido.

Esperei até que ele fosse dormir e depois que tive certeza de que estava dormindo profundamente, me aproximei e entrei pela janela, observando-o mais de perto e vendo as feridas que foram feitas horas antes. Ergui minha mão para tocar uma delas, mas parei antes de lhe tocar e recolhi minha mão. Saí do quarto e fiquei com aquele sentimento preso no peito, aquele sentimento que parecia ser uma mistura de raiva com impotência.

Aquela noite demorou muito para passar e quando amanheceu, não consegui mais me controlar. Segui o cheiro daqueles três e encontrei um deles, seguindo-o de longe e pensando em como poderia alcançar os outros dois antes de eles chegarem na escola, me surpreendendo ao ver que ele encontrou os dois no caminho, uma boa surpresa.

Olhando aqueles três rindo e brincando, só conseguia ver os ferimentos de Naruto. Embora aquilo fosse praticamente nada para um demônio, ainda me deixou com muita, muita raiva, mais do que eu esperava. Sorrindo maliciosamente, me aproximei dos três calmamente, chamando a atenção deles que se viraram para me encarar e antes que eles dissessem ou perguntassem algo, eu os nocauteei.

Carreguei os três sem muita dificuldade e corri entre as sombras, ruas pouco movimentadas e becos inacessíveis para outros. Chegando na escola em menos de um minuto e vendo que o portão ainda estava fechado e não havia movimentação. Avaliei a área ao redor e quebrei as câmeras de segurança que estavam em uma posição que fosse me atrapalhar, depois olhei para os três e continuei sorrindo, feliz pelo que viria a seguir.

Alguns minutos depois terminei meu trabalho e os observei pendurados, satisfeito com minha pequena vingança. Depois disso voltei a observar Naruto e o acompanhei no restante do dia, decidindo vê-lo ao anoitecer, pois, tinha algumas questões que queria conversar com ele.

Quando fiquei em sua frente pela primeira vez em minha forma humana, me senti um pouco nervoso e esqueci de me apresentar. Só que não esperava que não fosse preciso uma apresentação.


(Narração do ponto de vista de Naruto.)


Aquela manhã devia ser como qualquer outra. Me levantei, troquei de roupa, fiz uma refeição e me olhei no espelho, vendo que os pequenos ferimentos e hematomas do dia anterior já haviam desaparecido. Depois caminhei para a escola, pensando mais uma vez se realmente deveria insistir nessa vida ou se deveria simplesmente desistir de tentar viver entre os humanos.

"Você precisa tentar." As palavras da médica que me ajudou vieram em minha mente e me senti ainda mais triste. Eu realmente estava tentando, mas quanto tempo deveria insistir. Respirei fundo e balancei a cabeça para os lados, jogando para longe os pensamentos de querer fugir dessa vida e me concentrei no caminho.

Quando já estava chegando na escola, notei que havia uma multidão de alunos em frente ao portão e que ninguém havia entrado ainda. Nesse horário o portão já deveria ter sido aberto por alguns minutos e os alunos reunidos deveriam ter entrado, mas isso não aconteceu. Me aproximei deles e pensei em abordar alguém para perguntar o que havia acontecido, mas não foi necessário.

Assim que cheguei até eles, ouvi muitos risos e seguindo a direção na qual eles olhavam, vi uma cena chocante. Na árvore ao lado do portão, havia três alunos pendurados em um dos galhos médios, amarrados pelas mãos, sem roupa externa e vestindo apenas uma cueca. Além disso, cada um deles tinha algo escrito na parte superior do corpo com algum tipo de marcador preto.

"Sou um idiota", "Sou um imbecil", "E eu tenho pinto pequeno". Após olhar a última frase, também ri, mas abaixei minha cabeça para que ninguém visse. Havia muitas pessoas presentes e a reação de alguns deles era muito maior que a minha, portanto, não fui notado.

Logo a polícia chegou, assim como alguns professores da escola e os três alunos foram retirados. Sem ter mais o que ver, os alunos se dispersaram e foram para as suas salas. Também segui meu caminho e fui para a minha sala, sentando na carteira mais perto das janelas de vidro e olhando para a árvore no portão.

Aqueles três…

Talvez fosse apenas uma coincidência, mas aqueles três que estavam pendurados, eram os mesmo que haviam me batido na última noite e nas outras vezes que vieram buscar problemas.

— Eles devem ter provocado alguém que não devia — disse para mim mesmo, sabendo que eles eram do tipo que arrumavam problemas com muitas pessoas.

Não pensei muito nisso e segui minha rotina, sem esperar que o que aconteceu pela manhã não fosse a única variável desse dia. Depois de sair do restaurante, no caminho para o pequeno supermercado, encontrei alguém em uma das ruas pouco movimentadas pela qual passava. De início fiquei nervoso, pensando que era alguém que queria causar problemas, mas não parecia ser.

O homem que saiu da escuridão de um prédio próximo, alguns metros em minha frente, parecia perigoso, mas esse perigo não era direcionado a mim. Parei cerca de dois metros antes de lhe alcançar e o observei, sendo observado.

Quanto mais eu olhava para ele, mais sentia uma grande familiaridade. Cabelo branco, olhos amarelo e vermelho, aura demoníaca… cicatriz…

Quando olhei aquela cicatriz, meu coração bateu algumas vezes mais rápido, mostrando meu nervosismo. Caminhei calmamente e parei em sua frente, ainda olhando seriamente para aquela cicatriz e reconhecendo-a. Não havia como não reconhecer a cicatriz causada para me proteger.

Parado a menos de um passo de distância, ergui minha mão e toquei a parte debaixo da cicatriz em seu olho direito.

— Sempre me senti culpado por ter lhe dado essa cicatriz — comentei em um sussurro.

— Não me arrependo de ter te salvado — Me disse com aquela voz calma e majestosa com a qual estava tão acostumado e da qual sentia tanta falta, mesmo que fosse apenas um ano. Ele ergueu sua mão e segurou a minha, atraindo minha atenção e me fazendo erguer meus olhos e encarar os seus.

— Feliz em me ver? — questionou com um pequeno sorriso.

— Feliz — acenei em concordância, sorri para ele e cobri a distância que nos separava, abraçando sua cintura e apoiando meu rosto em seu peito. Ele ficou um pouco tenso com minha aproximação, mas não me afastou, me fazendo também sorrir levemente.

Notas finais
Estou de volta e até amanhã.