Notas iniciais
Há dois capítulos extras que serão postados amanhã

Capítulo 30: Para sempre


(Narração do ponto de vista de Kakashi.)


Ao ver aquela enorme raposa, uma memória de anos atrás veio em minha mente. Foi quando um pequeno garotinho estava cuidando de minhas feridas e eu o ridicularizei por ser pequeno.

"Pois fique sabendo que quando eu for uma raposa adulta, posso usar uma técnica de família e ficarei muito maior que você! Dezenas de vezes maior!"

Sua voz parecia flutuar em minha mente, enquanto eu sorria levemente ao ver aquela forma.

— É realmente muito maior que eu — admiti a derrota, vendo os olhos raivosos da raposa varrerem os lobos dourados e causar a eles uma paralisia de medo que não precisava de habilidade especial, antes de cuspir aquele fogo vermelho que uma vez presenciei.

Quando os inimigos perceberam que estavam em perigo, logo tentaram fugir, mas esse fogo estava mais rápido do que antes e para a minha surpresa, perseguiu aqueles que conseguiram desviar. Em apenas alguns segundos, as dezenas de inimigos que ainda restavam, se foram.

Naruto diminuiu sua forma assim que eles morreram e ao lembrar do que aconteceu com a pequena raposa após usar suas chamas, assumi a forma humana, joguei fora as garras e corri até ele. Quando Naruto voltou a sua forma humana ele logo caiu para trás inconsciente, assim como eu esperava. Já atrás dele, estiquei meus braços e o segurei.

— Ele está bem? — Minha mãe perguntou preocupada, vindo até mim. Ergui o rosto e olhei para ela, vendo que tinha alguns ferimentos, mas que assim como eu, não era nada muito grave.

— Da última vez que ele usou suas chamas, ficou cinco dias inconsciente, então provavelmente não vai acordar por agora. Mas não sei se essa transformação vai lhe causar algum dano — expliquei o que sabia, olhando ao redor e comprovando que não havia mais inimigos.

— Pretendíamos ir atrás daquele grupo que está viajando em minha busca, agora…

— Fique com Naruto e cuide dele, eu cuido desse grupo — Se prontificou.

— Sozinha?

— Está tudo bem, sua mãe não é tão fraca. Vá, vai cuidar do Naruto — Me mandou, fazendo sinal com a mão, como se estivesse enxotando um cachorro para fora de casa. Não pude deixar de rir, porém, não fui contra ela e apenas o peguei no colo, indo até à médica que morava ali perto.

Felizmente era noite e pude me movimentar sem ser percebido. Cheguei na clínica dela em menos de uma hora e quando ela viu Naruto, expressou sua surpresa e depois sua preocupação. Logo eu lhe deitei em uma cama e deixei que ela o examinasse, recebendo um diagnóstico alguns minutos depois.

— Ele está bem, apenas exausto. Seu corpo se recupera muito rápido e ele acordará em cinco ou seis dias — explicou, fazendo-me respirar aliviado ao constatar que era apenas a mesma reação da última vez e nada mais.

— Fico surpresa que você esteja vivo. Na verdade, parece muito bem, seus ferimentos internos foram curados? — Após cuidar de Naruto, ela caminhou até mim e fez alguns pequenos curativos em meu corpo, enquanto mencionava o passado.

Contei a ela sobre ter conhecido Naruto algumas dezenas de anos atrás e sobre ele ter me curado, externa e internamente.

— Realmente, o destino é muito curioso — comentou, olhando do adolescente inconsciente para mim e de mim para ele.

— Você pode entrar em contato com Sakura? — perguntei ao me lembrar de algo.

— Posso. O que quer com minha assistente?

— Ela é uma amiga de Naruto. Peça a ela para notificar Sasuke e deixe os dois virem cuidar de Naruto por mim — pedi.

— Você vai a algum lugar?

— Bem, tenho algo para concluir — Não disse muito e ela não fez perguntas, apenas concordou com meu pedido. Naquela mesma noite, depois de deixar um recado para Naruto com Tsunade, segui atrás da presença de minha mãe e me juntei a ela na luta contra o que sobrava do clã Namikaze.

Uma semana e meia depois nós os encontramos e travamos essa última batalha, dois dias depois encontrei meu pai que havia voltado para Konoha após o desaparecimento de Naruto. Foi só nesse momento que descobri que Naruto havia desaparecido da mansão Haruka naquela noite e meu pai não conseguia segui-lo ou impedi-lo. Naruto levou apenas algumas horas para fazer o caminho que mesmo um demônio como eu levaria cerca de duas semanas para fazer, essa velocidade… chegava a ser assustadora.

Naruto ainda era jovem e não controlava bem seus poderes, mas eu podia ver que se ele treinasse bem, me superar era apenas uma questão de alguns anos.

Depois de encontrar meu pai, fizemos uma reunião para falar sobre o que havia acontecido e decidimos o que fazer. Eu não pretendia mais voltar a fazer parte do clã Hatake e também não queria ficar hospedado na casa de minha mãe, então optei por voltar para a caverna na floresta perto de Konoha. Aquele lugar já havia sido meu lar por muito tempo e Naruto também gostava de lá, além disso, ficava perto de Konoha e dos seus amigos, essa decisão seria a melhor. Sobre visitar meus pais, faria isso de tempos em tempos ou os receberia, simples assim.

Após resolver essa questão, voltei para Naruto, deixando para trás os dois que pareciam ter muito o que conversar.


(Narração do ponto de vista de Naruto.)


Quando acordei, encontrei os amigos de quem sentia falta, mas não vi Kakashi. Tsunade também estava lá e me deu um recado de meu companheiro. Ele me pediu para esperar até ele encerrar o assunto. Entendi o que isso significava e esperei.

Quase um mês depois, ele finalmente voltou, com boas e ótimas notícias. O problema com o clã Namikaze foi resolvido. Assim como as Kitsunes deixaram de existir no passado, os lobos Namikaze também desapareceram da história. Nem mesmo seu sangue e a cura instantânea pôde lhes salvar.

Namikaze também pode ser considerado minha família, mas depois do que eles fizeram, apenas sentia que foi bom que eles tivessem esse final.

Kakashi me confrontou sobre o que eu havia feito naquele dia, mas a verdade era que nem mesmo eu sabia o que havia acontecido. Eu me lembrava do cheiro do seu sangue, do desconforto em meu coração e do poder que surgiu em meu corpo. Também vi brevemente Kakashi e sabia que estava no clã Namikaze, mas mesmo assim era como se não fosse eu agindo. Havia muitas perguntas e ninguém para nos responder, então decidimos que esse poder misterioso não deveria ser usado sem necessidade.

Também recebi as boas notícias de que poderíamos voltar para a caverna, aquele lugar que em meu coração já havia há muito tempo, se tornado o meu "lar".

A única notícia que não gostei, foi que agora que estava de volta a Konoha, teria que voltar para a escola.


***


Três meses se passaram e nossa caverna havia sofrido algumas alterações. Por fora ainda era a mesma, mas por dentro, nos fundos daquele espaço e após o pequeno córrego, uma simples casa de madeira foi construída, com a ajuda de Sakumo. Dentro havia muitas comodidades humanas e não era diferente de um apartamento na cidade, todas as coisas ali eram uma cortesia de Linda.

Tínhamos uma casa fixa, minha vida se tornou o mais normal possível e não havia mais inimigo. Esse tipo de vida era algo que nem sequer imaginava há décadas atrás. Os dias de correr de humanos, me esconder e viver sempre com medo, pareciam cada vez mais distantes.

— Você demorou! — reclamei para o homem que continuava tão preguiçoso quanto sua forma animal. Kakashi se aproximou e sentou na cama, olhando para mim e esperando que eu dissesse o que queria.

Peguei uma caixinha de presente e entreguei para ele. Enquanto desejava: — Feliz aniversário!

Sua expressão surpresa me deixou muito feliz. Ele pegou a caixinha e a abriu, sorrindo ao ver o que tinha dentro. Era um colar e o pingente era uma pequena raposa de pelo laranja.

— Você está fazendo quatrocentos anos e não queria deixar passar. Depois que perguntei a Linda sobre a data do seu aniversário, passamos muitos dias conversando sobre o que seria o seu presente. Depois disso tive que pedir a ela para encontrar essa corda encantada que pode crescer e encolher, sem se partir. Assim você não precisa tirar mesmo quando se transformar — expliquei com um sorriso e ele riu.

— Se eu soubesse que era isso o que fazia naquele tempo com minha mãe, não teria ficado com ciúmes — comentou me fazendo rir.

— Você estava com ciúmes da Linda? Ela é sua mãe! — Ri muito ao saber sobre essa questão. Minutos depois, quando finalmente consegui me acalmar, Kakashi me deu uma caixinha de presente que não sabia de onde ele havia tirado. Estava distraído rindo e não notei se ele havia saído.

— O que é isso? — Peguei e abri com curiosidade, vendo que era uma pulseira e que nela havia um pequeno pingente de lobo branco.

— Eu pretendia te dar em alguns meses, no seu aniversário, mas acho que agora é um bom momento — comentou e sorri ao ver que tivemos a mesma ideia. Ele se aproximou de mim e me abraçou pela cintura, me puxando para que sentasse em seu colo. O Abracei e aproveitei seus carinhos e beijos que pousaram em minha testa, na ponta do nariz, nas bochechas e depois em meus lábios.

— Há muitos anos, aqui nessa caverna, você me fez uma pergunta. Naquela época eu não podia te responder, então vou dar essa resposta agora — sussurrou e encostou sua testa na minha. — Talvez não possamos ficar nessa caverna para sempre, mas mesmo se nos mudarmos algum dia, você ainda pode ficar comigo pelo resto da vida. Isso é o suficiente?

Quando ouvi essas palavras, me lembrei daquela pergunta. Foi quando ele estava em coma… Naquela época eu estava muito triste com a perspectiva de me separar dele.

"Kakashi… Posso ficar aqui para sempre?"

Esse pergunta que nunca mais foi pronunciada, esteve fixada no fundo do meu coração e agora finalmente tive uma resposta.

— Sim — concordei, tocando meus lábios nos seus e sorrindo, feliz pelo resultado, mesmo que o caminho até aqui não tenha sido dos melhores.


FIM.


CAPÍTULOS EXTRAS EM SEGUIDA.

Notas finais
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