O lobo e a raposa

23 Lobo e raposa


Capítulo 23: Lobo e raposa


Depois que a tempestade se encerrou, seguimos nosso caminho, saindo contra os protestos de Obito que queria companhia por mais tempo. Mas precisávamos ir, então deixamos para trás uma promessa de vir visitá-los novamente no futuro.

A viagem se seguiu entre vários transportes e paradas temporárias, mas dessa vez foi menos tempo do que o esperado, apenas oito dias. Quando Kakashi registrou o quarto de hotel por três dias, fiquei surpreso, mas não fiz perguntas na frente de estranhos e deixei para lhe questionar quando estivéssemos sozinhos.

No quarto, perguntei por que ficaríamos ali três dias e a resposta foi uma grande surpresa. Estávamos a apenas dois dias de viagem do misterioso destino, então ele não via mais pressa, além disso, haveria um festival nessa cidade e ele queria me dar a oportunidade de participar. Fiquei muito feliz com sua consideração e aceitei seus arranjos.

Nos dois dias seguintes fiquei no quarto e pela janela olhei a movimentação nas ruas enquanto o festival era organizado. Algumas barracas de ruas eram montadas e as lojas foram fechadas, assim como toda a rua. Lanternas vermelhas foram penduradas e durante a noite havia luzes em toda aquela extensão. No dia do festival, havia muitas pessoas lá embaixo e parecia muito animado.

Kakashi saiu para comprar roupas e voltou no início da noite, trazendo duas yukatas e duas máscaras. Não estava acostumado com esse tipo de roupa, então ele se vestiu rapidamente com uma yukata azul e depois veio me ajudar a colocar a de cor laranja.

— Yukatas são comuns em alguns festivais de cidades pequenas, é quase uma tradição. Mas e as máscaras? — perguntei, vendo os dois objetos ainda enrolados no pano que ele havia trazido. Ergui meus braços e deixei que ele arrumasse a roupa enquanto falava sobre o assunto.

— Esse festival é um pouco especial. Ele celebra a coexistência entre demônios e humanos, portanto, há pessoas de ambas as espécies. As máscaras nos ajudam a camuflar detalhes que podem se destacar como meu olho vermelho e o cabelo branco — explicou, fazendo minha curiosidade aumentar.

Depois que estávamos devidamente vestidos, ele pegou as duas máscaras e me entregou uma. Ambas eram brancas, muito simples, mas os detalhes animais eram claros e podia lhes diferenciar de longe. Um lobo e uma raposa.

— Muito apropriado — brinquei, colocando a máscara da raposa, vendo-o colocar a do lobo. Depois demos as mãos e descemos as escadas do hotel, não chamando a atenção, pois havia muitos hóspedes vestidos como nós e éramos apenas dois de muitos casais e familiares de mãos dadas.

Caminhando lentamente, passamos por entre a multidão enquanto eu olhava ao redor, observando esse tipo de comemoração de perto pela primeira vez.

Ainda me lembrava das muitas vezes que vi as luzes agitadas da cidade, mas não ousei me aproximar. Das vezes que ouvi as muitas risadas, mas não podia me juntar a eles e me divertir. Me lembrava de olhar a distância, escondido nas sombras entre os prédios, vendo os festivais barulhentos e movimentados que pareciam ser outro mundo.

— Quer comer algo? — perguntou, chamando minha atenção para o presente e deixando as memórias solitárias, frias e vazias para trás.

— Quero algo doce e com chocolate! — pedi empolgado e ele riu, concordando e comprando diferentes tipos de comida. Havia uma maçã com açúcar por cima, banana com cobertura de chocolate, algodão-doce, balas e muitos outros. Eram tantos, mas fiz questão de comer tudo, sentindo que sempre cabia mais.

— Você vai me levar a falência — brincou Kakashi enquanto pagava pela bebida que comprei. Sabia que era brincadeira, porque ele não escondia seu dinheiro e eu estava ciente de quanto ainda tinha.

Continuei a explorar, comer e até joguei alguns jogos. Foi muito divertido e seria uma memória que guardaria com muito carinho. Depois de várias horas, havia ido e voltado na rua por duas ou três vezes e finalmente me senti satisfeito, voltando com ele para o quarto.

Tirei a máscara e devido à felicidade, mantive um sorriso no rosto, olhando para o homem que me trouxe para esse novo mundo e vendo-o me olhar atordoado.

(Narração do ponto de vista de Kakashi.)

Quando Naruto tirou a máscara e sorriu, senti como se algo estivesse prendendo meus olhos nele, me deixando incapaz de desviar.

As raposas, principalmente as Kitsunes conhecidas por suas nove caudas, tem um charme natural sobre outras criaturas. Naruto é ainda muito jovem e sua inocência prevalece, portanto, nunca havia visto esse charme natural.

Mas nesse momento, muito provavelmente inconsciente, ele exalava uma força magnética que me prendia completamente a ele.

Era um sorriso simples e puro. Mas com aquela máscara de raposa perto do rosto e aquele olhar que finalmente encontrou o meu, parecia ser muito diferente. Seus olhos azuis mostravam um pouco de vermelho e por um momento, parecia ter visto luxúria.

— Qual o problema? — questionou, quebrando meus pensamentos. Engoli a saliva que nem sabia que havia se formado em minha boca e respondi o mais calmo possível.

— Nada de mais. Você quer tomar banho primeiro?

— Tudo bem — concordou e foi para o banheiro.

Olhei para as suas costas se afastando e sorri amargamente.

Essa pequena raposa estúpida não faz ideia do quanto me afeta. Que perigo!