O lobo e a raposa
11 Clã Namikaze
Capítulo 11: Clã Namikaze
(Narração do ponto de vista de Kakashi.)
Se passaram apenas três dias desde que ele se foi, mas estranhamente, pareciam três anos.
Não havia mais movimento, palavras ou risadas, apenas o silêncio que sempre me acompanhou nos anos anteriores, mas que agora pareciam muito desconhecidos.
— Realmente me acostumei com sua presença — Tive que rir de mim mesmo.
Desde o começo sabia que ele não ficaria ali para sempre, na verdade, isso era o melhor, afinal eu não poderia protegê-lo para sempre. Havia muitos seres mais fortes e perigosos que eu, então para a sua própria segurança, era bom que ele estivesse longe.
"Quanto mais longe, melhor."
O pensamento estava claro, mas o coração estava confuso.
— Qual o seu problema? — questionei a mim mesmo, não querendo admitir que sentia falta daquela pequena raposa.
Resolvi dormir para não pensar no que não deveria, então apenas fechei meus olhos e tentei descansar, mas meu breve descanso foi interrompido. Um som de algo se aproximando pelos céus apareceu e chamou a minha atenção.
Olhei para cima e vi um grande pássaro-preto que descia das alturas. Ao se aproximar do solo, notei ser um grande corvo e o corvo se transformou em um jovem de longos cabelos pretos e olhos vermelhos que pousou em minha frente.
— Itachi — cumprimentei-o com um balançar de cabeça.
— Kakashi — retribuiu educadamente.
— O que o clã Uchiha, dos mensageiros, quer comigo? — Fui direto ao assunto. Embora Itachi não fosse um desconhecido, também não era um bom amigo que viria me visitar sem necessidade.
— O seu clã está fazendo uma grande reunião e todos os Hatake foram chamados. Fomos contratados para transmitir as convocações — explicou e pegou uma carta que estava em sua bolsa.
Me aproximei dele, assumi a forma humana e peguei a carta, me despedindo do corvo e deixando que fosse para seu próximo destino. Abri a carta e vi apenas uma frase, escrita com a caligrafia de meu pai:
"Assunto urgente, não demore a vir."
Respirei fundo, queimei a carta com uma pequena concentração de relâmpagos na mão e deixei que as cinzas flutuassem para longe, voltando a forma animal e correndo para o lugar onde os demais lobos do meu clã viviam.
Quando cheguei lá muitos me olharam temerosos e todos se afastaram, abrindo passagem para mim entre as muitas dezenas de demônios presentes, seja em forma animal ou humana. Caminhei até a frente e encontrei um homem de longos cabelos brancos e olhos amarelos, sentado no topo de uma pedra e com dois outros homens do seu lado esquerdo e direito.
Voltei a forma humana e o cumprimentei.
— Pai.
— Kakashi, bem-vindo de volta — Me recebeu formalmente, mas com um toque de carinho na voz, assim como a surpresa por ver a minha transformação. E durante essa breve troca de cumprimentos, muitos sussurros se iniciaram entre os demais, todos focados no mesmo assunto, a minha transformação.
Embora outros não saibam que não podia mais me transformar em um humano, depois de muitas décadas sem assumir essa forma, havia muitas suspeitas. Agora eu de repente me transformo, o que lhes surpreendeu, tanto quanto as minhas feridas recuperadas que ainda era assunto mesmo atualmente.
Me afastei e fiquei parado mais ao canto, esperando que os que ainda não estavam presentes, chegassem. Levou apenas mais dez minutos e aqueles que estavam caçando, em missão ou viajando, apareceram.
— Não tomarei muito do tempo de todos e irei direto ao assunto. O clã de lobos Namikaze está se aproximando dessa floresta e tenho informações confiáveis de que pretendem se estabelecer aqui, então sugiro deixar esse lugar e nos estabelecer em outra floresta — encerrou meu pai e o atual segundo líder do clã. Eu era o líder da força e ele da inteligência.
Quando todos ouviram suas palavras, expressaram uma mistura de preocupação, raiva e oposição. Eu também estava preocupado, mas não pelo mesmo motivo que eles. O clã Namikaze era conhecido como invencível, devido ao seu precioso sangue que lhes proporcionava uma cura quase instantânea e muitos não ousavam entrar em uma briga com esses poderosos lobos de pelo dourado, mas minhas preocupações estavam no fato de eles virem para cá, perto de Naruto.
Minato Namikaze, que era o pai daquela pequena raposa, era um lobo que foi um bom amigo que fiz em minha adolescência, quando ainda tinha cento e cinquenta anos. Eu sabia um pouco sobre sua situação e sabia que ele havia deserdado de seu clã para poder ficar com Kushina que pertencia à raça das Kitsune, as raposas de nove caudas.
Não fiquei com eles muito tempo e só anos depois ouvi sobre o que havia acontecido, mas ainda me lembrava da tristeza, raiva e medo que senti quando ouvi as notícias sobre a morte de Minato e Kushina. Morreram lutando ao lado das Kitsune que foram atacadas pelo clã Namikaze e foram… exterminadas.
Nessa época não tinha mais tanto contato com eles, então não sabia sobre a existência de Naruto, não soube que eles tinham um filho até que eu o vi e senti a poderosa aura de Kushina e a gentil aura de Minato. Mas eu não saber, não significa que o clã Namikaze não saiba, e mesmo se eles não souberem, não significa que não vão descobrir.
Certa vez eles atacaram todo o clã das raposas por raiva devido à deserção de Minato que era seu futuro líder. Se eles descobrissem que há uma criança com a mistura dos dois, nem sequer preciso pensar no assunto e sabia qual seria o fim de Naruto.
— Kakashi, qual sua opinião? — As palavras de meu pai chamou a minha atenção e percebi que todos olhavam para mim.
— Quando eles vêm? — questionei.
— Em algum momento nos próximos anos, não há uma data específica, porque eles ainda estão se organizando. Também soube que estão esperando por uma parte de seu clã que está estabelecida em outro lugar — Me deu todos os detalhes que sabia.
Pensei no assunto e quanto mais eu pensava, mais nítida ficava uma imagem… Um grande par de olhos azuis, olhos que escondiam um oceano de tristeza, mas que exibiam uma piscina de alegria.
— Não pretendo partir dessa floresta, vocês podem ir para onde quiserem — respondi por fim, ouvindo diferentes exclamações de surpresa e vendo a raiva do meu pai.
— O que isso significa? O líder não pretende seguir o clã? Que tipo de brincadeira é essa? — Cada uma das suas palavras mostrava sua raiva, mas não me intimidei.
— Se não posso ser líder caso escolha ficar, então apenas escolha outro. De qualquer modo, já faz muitos anos que estão tentando me substituir — Não pude deixar de sorrir de modo zombeteiro, lembrando das muitas pessoas que tentaram me matar enquanto eu estava doente.
— Qual seu motivo? Se não me der um bom motivo para a sua decisão, não vou autorizar sua saída, mesmo se tivermos que brigar! — gritou e sabia que se eu não seguisse suas palavras, realmente teríamos que lutar. Não me importava com isso, mas uma luta com ele, provavelmente terminaria com um de nós morto e não queria esse tipo de fim, tenho certeza que minha mãe também não iria querer.
— Eu… — pensei em como responder sua perguntar sem dar muitos detalhes e depois de organizar meus pensamentos, expliquei: — Tenho alguém importante aqui.
Meu pai certamente não esperava esse tipo de reação. Sua expressão era de incredulidade.
— Desde quando você tem uma companheira? Por que não sei nada disso? — questionou e sua raiva desapareceu completamente, sendo substituída pela confusão.
— Companheira? Não, não é esse tipo de importante… Ah! Esquece — desisti de explicar, de qualquer modo, havia lhe dado uma resposta e apenas me virei e saí. Não havia como dizer que por coincidência encontrei um filho de um velho amigo que me ajudou muito, que essa criança salvou minha vida e que estava preocupado com sua segurança. Era melhor que ele tirasse suas próprias conclusões.
— Se você sair, não poderá ser líder novamente — Me lembrou quando já estava alguns metros longe.
Sorri ao perceber que ele não pretendia me expulsar do clã e apenas revogou meu título de líder, sabendo que ele fazia isso como meu pai, e não como segundo líder.
— Eu sei — respondi calmamente, me transformando em lobo e regressando para a minha caverna, para o local onde ele poderia me encontrar.
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