O livro dos dois mundos
1 O livro
Notas iniciais
Eu era o tipo de garota que acreditava em contos sobrenaturais, que vivia assistindo e ouvindo sobre eles na Tv. Tenho 18 anos, me chamo Hanna Hewis e o Maximo que sei sobre mim é que sou uma garota, realmente. Sou fascinada por coisas de outro mundo, minha vida não é muito legal, fui abandonada e nunca tive a oportunidade encontrar meus pais. Mas como uma boa pessoa que sou, sempre me dediquei cem por cento do que faço. Amo ler, e o livro que peguei hoje é misterioso e parece que foi feito pra mim, o próprio se tacou em minha direção – literalmente. O estranho daquele livro é que não tinha nome, e nem sinopse, os personagens eram identificados por letras, S, E, D, B, H, J e entre outras... o quão estranho é? Muito.
― Hanna – Ashley chega ao meu lado com seu prato de comigo – O que faz aqui sozinha?
― Estava vendo esse livro, louco não é? Não tem nome e nem sinopse, um mistério – ri olhando para aquela capa rústica e velha.
― Você e esses seus desejos mútuos por livros velhos – ela deu de ombros bebendo seu suco – Ah, quase ia me esquecendo, Lindsay vai fazer uma maratona de Tvd na casa dela sábado, quer ir? Sei que é fanática por aquela serie, sabe ela de cor e salteado. Só assisto pelo Damon, ah... malvado e gostoso, no ponto – dizia com uma cara de quem estava imaginando indecências.
― Ash, por favor se controle – ri dela – Não polua Damon de tal forma, se bem que ele não tem salvação – disse pra mim mesma. The Vampire Diaries era minha serie favorita, realmente eu sabia tudo sobre ela, sabia tudo sobre os personagens, e tinha uma queda pelos Salvatore, mas quem não tem? Possui uma feição tão grande que quando eu assisto me perco na minha realidade, é como se eu vivesse uma outra vida.
― Sei que você o queria nu, te esperando com uma cama cheia de rosas – falou rindo.
― Não é muito do Damon fazer isso, veja só, ele mata suas namoradas e depois sai por ai, por qualquer aventura...
― Se bem que ele está com a Elesma, não gosto dela – Ashley fez uma careta – Mas vamos falar do Stefan, aquele homem é um príncipe, outro que está na minha lista de pedidos de natal! – deu um riso cínico.
― Vou ao banheiro. E vê se para de pensar besteira, sua maluca – falei saindo com o livro na mão. O que mais me intrigava era que o começo da historia era meio que estranho, abandonaram uma garota e então ela passou a ser considerada a única entre muitos, mas não diz a única em que. Eu sou adotada, mas sou feliz e não sou única – sonho não realizado.
Antes que de mim entrar no banheiro, as luzes do corredor começou a piscar, um vendo de não sei onde passou por mim e assim o livro foi parar no chão. As portas foram fechadas, era como se tudo acontecesse só pra mim. As folhas do livro começou a dançar conforme o vento passava por elas. Me segurei no batente da porta do banheiro, e la no fim do corredor, na curva aonde dava para o vestiário masculino... uma luz, uma luz brotou e apagou rapidamente. Mas que diabos está acontecendo? E de imediato tudo voltou ao normal, menos as portas que ainda continuavam fechadas. Peguei o livro do chão e nele não havia mais nenhuma palavra se quer...
― Você poderia ser mais cuidadosa – uma voz sussurrou no meu ouvido e me virei correndo, assim que vi quem estava ali, meu queixo foi parar “quase” no chão.
― ...Damon? – engoli em seco, e aquilo só podia ser um sonho ou um pesadelo se tratando dele – Mas o que aconteceu aqui? – me afastei e trombei em um outro alguém.
― Fique calma que iremos lhe contar – olhei e era Stefan me olhando de forma preocupada.
― Vocês? O que vocês estão fazendo aqui? – fiquei dividida pra quem eu deveria olhar – Vou ter um colapso, socorro – passei a mão na cabeça – Como assim? Me responda!
― Ok. Posso matar ela agora? – Damon se pronuncia e eu o olho assustada – Brincadeirinha criança...
― Criança? Façam me o favor Salvatore, tenho a mesma idade da sua namorada – disse rebatendo, odiava que me chamava de criança.
― Hanna...
Me virei pra Stefan.
― Sabe meu nome? – engoli seco – Isso está ficando confuso demais pra mim – esfreguei os olhos – Vocês não são reais, vocês são apenas de uma serie de Tv.
― Série de Tv? Da onde tirou isso? E outra como sabe nossos sobrenomes e como sabe que minha namorada tem 18 anos – Damon estreitou os olhos. Ok, agora eu irei explicar a um vampiro fictício que ele é fictício de fato, terrível isso!
― Eu conheço vocês – falei já mais calma – Stefan e Damon Salvatore. Os irmãos vampiros que vivem a mais de 100 anos... – disse me encostando na parede – Dois loucos pela Elena Gilbert, que de fato é pra ter ficado com o Stefan e não com você – a coragem me veio em uma má hora – todas as noites, nove e meia, eu assisto vocês!
― Stefan da um jeito, eu vou matar ela – Damon disse naquele tom sarcástico dele – Pensava eu que somente nós sabia da sua vida, cara Howis – ele passou os dedos por meu queixo, senti um forte calor percorrer meu corpo, ele pareceu perceber e deu um sorriso amistoso.
― Esse livro – Stefan disse pegando-o de minha mão e o abrindo – Está tudo em branco como Bonnie disse – o fechou me entregando em seguida.
― Como assim ficou em branco? – Damon pegou da minha mão e o abriu também – A nossa vida foi apagada?
― “Nossa vida?” – perguntei – Acho que isso diz respeito a mim, ou seja, conte-me o que está havendo! Vocês saem de uma série, entram na minha vida, dizem que o livro que eu tanto queria ler é da vida de vocês...
― Sua também – Stefan falou – Hanna, a gente sabia da sua existência, você é alguém totalmente apoderada de Mystic Falls e da gente. Nossas vidas foram escritas junta, nesse livro que nunca possuiu nome e que os nomes dos personagens eram ditos apenas por a primeira letra. Bonnie disse que precisávamos te encontrar em outra dimensão pra poder encontrar a pagina perdida, mas quando digo isso, quero dizer não a folha em si e sim a parte da sua vida que está perdida. Mas o livro ficou em branco, e agora ficara bem mais complicado de achar.
― Calma, me deixa assimilar isso – falei passando a mão pelo cabelo – Minha vida foi “escrita” lado a lado com as do Salvatore, Gilbert...
― Lockwood também bebe – Damon me atrapalhou – Por favor Stefan, vamos embora daqui – ele passou por mim revirando os olhos.
― E porque diabos eu assistia vocês? Por que lá tudo parecia ser tão mais fácil? – cruzei os braços.
― Digamos que quem fez tudo isso, fez pensando em um jeito da gente nunca sair da sua vida e vice versa, a gente estava nessa serie e você em um livro igual esse. O problema é que o nosso está escrito, esse não... – Stefan suspirou.
― Eu ainda preciso formular isso de uma forma certa. É muita coisa pra mim, eu mau sei porque vim ao mundo, mau sei quem são meus pais... Ahá – disse- então é por isso, a causa de mim ser abandonada em um lugar sem nome... sou simplesmente uma pessoa diferente. Ok, posso surtar agora, ou não?
― Terá que vir conosco – Stefan disse.
― O que? – eu e Damon respondemos em uníssono – Essa pirralha não virá conosco, não mesmo – Damon disse ficando com a cara fechada.
― Não posso sair daqui, nem posso suportar ficar ao lado desse ogro – disse, na serie ele era sexy, mas aqui... era um metido a vampiro galã.
― Você não é nenhuma donzela queridinha – disse pondo sobre mim aquele par de olhos azuis, por um momento eu pude ficar hipnotizada por ele, algo que nunca senti, algo que nunca passou por mim.
― Calados os dois, por favor – Stefan veio até mim – A gente precisa de você, precisamos da ultima “personagem” da nossa historia. Você é o eixo, sem você não tem fim e muito menos o enredo, venha e se não gostar depois... a gente te traz de volta – Olhei por cima dos ombros de Stefan e Damon me olhavam com a expressão congelada e percebi que ele engoliu seco e baixou os olhos.
Ri amedrontada e com os olhos lacrimejados.
― Eu vou – assenti nervosa com o momento – mas promete que me trará de volta, assim que tudo isso acabar!? – Stefan assentiu e me abraçou. Damon apenas observava sem dizer nada, o orgulho dele era tanto que o impedia de mostrar algum afeto pelos outros, mas ele estava me olhando de uma maneira diferente...triste talvez.
Caminhamos os três até o local da onde a luz veio, e assim que atravessamos uma certa linha... tudo rodou e naquele momento tudo ficou escuro, em poucos segundos estávamos em um sótão. Eu me segurei sem querer no braço de Damon, minha visão estava turva, mas logo se estabilizou.
― Ai – Damon gemeu após eu me encostar nele – Você faz musculação?
― Eu? Não... –neguei.
― Venha – Stefan chamou a gente, ele esperou que eu subisse primeiro. Assim que coloquei minha cabeça do outro lado, já sabia aonde eu estava. Mansão dos SALVATORE. Bati a mão em minhas coxas pra tirar a poeira.
― Stefan – uma voz conhecida apareceu ali, ao ver quem era eu fiquei um pouco feliz, era Bonnie e ao seu lado Jeremy – Pensei que não viria mais... – e então todos os olhos se voltaram pra mim – Hanna, Hanna Hewis! – me abraçou e eu fiquei sem entender – Você a trouxe, você conseguiu...
― Eu estava lá Bonnie, só pra saber – Damon se intrometeu.
― Obrigada a você também, Damon – disse de uma maneira forçada.
― Olá Jeremy – disse acenando pra ele que sorriu – Gente, por mais estranho que isso pareça... eu conheço todos vocês. Conheço pessoas que até não estão aqui pra falar a verdade. Sei de exatamente tudo – disse e ainda sim todos me olhavam. Em um momento minha boca começou a encher de água, e uma sede incontrolável estava tomando conta de mim, me escorei na parede que afundou com o toque da minha mão.
― Hanna, você está bem? – Stefan perguntou.
Pelo reflexo da janela, pude ver meu rosto, um tanto quanto deformado. Virei pra eles com os caninos a amostra.
― Isso não estava no livro – Bonnie disse – Ela é uma vampira?
― Jeremy vai na cozinha e pegue uma bolsa de sangue – Damon disse e com sua velocidade fora do normal, chegou até mim – Sei o quanto isso é complicado, o quanto isso é terrível, mas calma – ele mordeu o próprio pulso e aquilo me atiçou ainda mais e então colocou em minha boca, foi mais forte que eu, quase o deixei sem sangue... – Pronto!
Eu voltava ao normal, Jeremy me deu a bolsa e eu a limpei sem deixar uma gota ali dentro.
― Por que fez isso? – perguntei baixo pra ele – Você me odeia lembra?
― Normal, eu odeio todo mundo – deu um sorriso pequeno.
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