O lar da Srta. Selmer para crianças psicopatas
5 A Verdade
Blue Guy acordou atordoado, sentia uma forte dor de cabeça e uma tontura imensa. Abriu seus olhos e observou um teto branco com uma luminária simples, estranhou não acordar com a base da cama de Mathew que dormia na cama de cima da beliche que eles dividiam.
Levantou com cuidado e reparou na roupa de cama azul, seu pijama que parecia não ser o mesmo. O seu quarto estava diferente, e da janela não tinha a mesma visão de antes...o que estaria acontecendo?
—Carlos! -Um menino de uns 13 anos abriu a porta do quarto. -Vamos, estamos atrasados.
—Carlos...? -Blue Guy recuou. -Quem é esse? E atrasado para que?
—É você seu idiota! -O menino respondeu. -Vamos logo, mamãe está esperando no carro!
Blue Guy vestiu a roupa que estava separada em sua mesa de canto, era uma bermuda azul e a camiseta do uniforme do colégio que ele ia antes de se mudar para o orfanato, seria isso tudo um sonho?
Desceu as escadas até a cozinha onde um homem alto terminava seu café da manha, ele o ignorou e seguiu até o carro prata que estava ligado na frente da casa. Dentro dele, o menino que o acordara e sua mãe, uma mulher loira de meia idade, olhos azuis como os de Blue Guy, que balançou sua cabeça em negação. Seus músculos tremiam e ele sentia uma crise chegando.
O carro os levou até a escola, a viagem foi quieta, após se acalmar, Blue Guy aceitou que tudo aquilo era apenas um sonho macabro, talvez até uma feitiço troll da Srta Selmer. Mas quando desceu do carro, as coisas pioraram.
Na frente da portaria do colégio, Trottel conversava com Ely, mas ela estava diferente. Sua estatura era maior do que o usual, seus cabelos mais longos e todos seus problemas mentais haviam sumido. Ele se aproximou para ver isso de perto.
—Bom dia, Carlos! -Ely falou.
Ele parou e pensou um pouco antes de responder.
—Bom dia...Ely. -Ele disse com medo.
—Gabriely, você quis dizer? -Ela riu e foi em direção a outras garotas.
—Você ta bem, Carlos? -Trottel pergunta. -Parece que viu um fantasma.
—Essa brincadeira não tem mais graça!- Ele diz com raiva. -Vamos voltar pro orfanato.
—Que orfanato? -Perguntou Trottel.
Blue Guy suspira e segue sue caminho até sua antiga sala de aula, la dentro um menino fazia seus deveres na presa. Ele parecia familiar, Blue Guy se aproximou para reconhece-lo.
—Brenno?
—Fala. -Ele respondeu sem tirar os olhos do caderno. -A Simon já chegou?
—Quem? -Blue Guy o encarra com o cenho fechado. -O que está acontecendo?
—É o último dia de aula e eu fiquei de final. -Brenno voltou seu olhar aos livros. -Como deixei isso acontecer?
—Sendo idiota. -Diz Eisen entrando na sala, de algum jeito, ele era o mais familiar para Blue Guy, usava suas roupas normais e seu longo nariz continuava o mesmo.
—Fala o tucano. -Brenno retruca.
Nesse momento Blue Guy senta de pernas cruzadas em uma mesa, buscando um jeito de fugir desse sonho idiota, mas tão real que arrepiava.
—Estranho, não é? -Ele olha para seu lado e Schlange está sentada olhando para um menino moreno que está a uns 20 metros deles.
—Schlange?! -Blue Guy diz com esperança.
—Saúde. -Ela diz ainda com o mesmo olha apaixonado. -Como eu posso amar duas pessoas ao mesmo tempo.
—Não amando nenhuma, Julia. -Uma garota ruiva senta atrás dela, mas sua voz traz algo familiar...seria essa a voz de Vera?
—Você é insensível! -Disse Schlange.
—E você uma cobra. -Vera ri e Blue Guy treme de medo...aquela realidade o tormentava.
—O professor está chegando. -Eisen diz se sentando em seu lugar e todos os alunos fazem o mesmo. Blue Guy se pergunta porque eles tem tanto medo de um professor, sua resposta vem junto com o Maquinista entrando na casa com alguns livros de geografia.
—Já era pra estar com o livro aberto... -Ele diz olhando para Blue Guy. -...e grifando.
Blue Guy recua com força.
—Cade a Selmer? -Ele fala pra Eisen.
—Calma, você consegue passar de ano sem a Emelly...-Eisen para de falar para rir.
—Emelly Selmer faltou? -O Maquinista pergunta para o Brenno.
—Presente! -Srta Selme diz entrando na sala. Ela sorri para Blue Guy e diz. -Bom dia, Blue Guy!
—Você ainda está sã? -Ele caminha até ela.
—Professor, o Carlos não se sente bem. -Ela fala sorrindo para o Maquinista. -Posso leva-lo para a enfermaria?
—Claro.
Ela o leva até uma parte deserta da escola.
—Isso é um sonho? -Blue Guy pergunta.
—Não, esse é o inferno. -Ela responde sorrindo. -Seu próprio inferno pessoal, ficar revendo as pessoas com quem você já viveu, mas nunca poder explicar o que vocês já fizeram sem ser chamado de louco.
—Mas eu estou vivo, como parei no inferno? -Blue Guy pergunta.
—Você morreu ontem a noite, foi como descobrimos que você é alérgico a salsicha. -Ela fala com casualidade.
—Por que tudo mundo esta aqui então? -Ele pergunta observando de longe rostos conhecidos, mas pessoas diferentes.
—Eles são cópias, eu não. -Ela fala.
—Você morreu? -Blue Guy pergunta com desespero.
—Não, criança burra. -Ela ri. -Eu sou a morte e você está preso em um loop temporal em que todo dia, você vai morrer.
—Como assim? -Depois de perguntar, Blue Guy começa a ter uma convulsão e em dentro de poucos minutos ele esta no chão espumando.
—Uma vez por dia você tem essa piedade dos aliens. -Selmer se aproxima dele. -Você só tem que imitar uma vaca e sua dor acaba.
—MU! -Ele diz e em paz, morre para recomeçar seu inferno eterno.
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