O lado oculto da Lua

10 Capítulo 10: Parcerias Inesperadas


Notas iniciais
Oiee pessoal!!! Antes de tudo eu gostaria de desejar um Feliz Ano Novo pra todos vocês, que tenham um 2023 maravilhoso cheio de conquistas e muitas felicidades Muito obrigada por cada um que dedicam alguns minutinhos do seu dia pra ler essa história, muito obrigada a cada um de vocês por me incentivarem e por terem paciência em esperar essa autora cheia de bloqueios criativos kkkkk bjss da Vick pra todos vocês e tenham uma boa leitura:)

— Não me diga que meu pai pediu pra você me vigiar de novo?- Katherine resmungou enquanto dava meia volta, tentando despistar o guardião.

Frost deu uma risada debochada depois que pegou a garota matando aula.

—Só estou fazendo meu trabalho, Kate. E pelo que eu saiba você também deveria estar fazendo alguma coisa agora, não é?

— A aula acabou mais cedo.Só isso.

— Sério? porque não vi seus colegas saindo agora então?

— Porque você faz tanta pergunta, ein?!- A adoslecente olhou para os dois lados da rua antes de atravessar a rua, também uma forma de se certificar se seus pais não estariam ali por perto.- Além do mais você deveria estar cuidando das crianças da cidade e não de mim.

— Mas você também é uma criança! hahahaha- Jack sabia que Katherine já era maior de idade, mas adorava provocá-la dessa forma.Quanto mais irritada ela ficava, a piada ficava cada vez melhor.

A garota o olhou com uma cara de poucos amigos, mesmo com as piadas, ela sabia que Jack estava apenas querendo saber o que ela estava fazendo.

— Você já foi mais legal,sabia?- Kate se encostou na vitrine de uma cafeteria, mesmo que estivesse parada, seus olhos pareciam estar procurando por alguém.

— É porque eu tenho mais responsabilidades agora…- Jack se acomodou ao lado da garota enquanto apoiava o seu bastão na calçada.-...e uma delas é cuidar de você.

— Nossa, quanta nobreza da sua parte.- Ela revirou os olhos, sabendo que não conseguiria sair dalí tão cedo.- Mas não precisa, meu amigo vai vir aqui daqui a pouco.

— Tá legal, já entendi hehe… vou deixar vocês dois mais à vontade. Qualquer coisa é só me chamar.- Jack se despediu de Katherine e voou sobre um dos prédios, a observando de longe até o tal amigo chegar. Ele sabia que essa fase chegava para todos quando cresciam, já tinha acompanhado Jamie nesse momento, e agora sua filha mais velha. Era divertido contribuir para os encontros com flocos de neve dentro de um restaurante em pleno outono ou fazer o casal “ escorregar “ em uma pequena pista de gelo para que se beijassem sem querer. Frost sempre dava altas risadas com o constrangimento, mas também se encantava quando funcionava.

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

— Realmente é muito estranho terem colocado esse chapéu lá, é como se quisessem que você visse…- Toothianna não esperava que a nova pista fosse algo tão pequeno, comparado com o estrago que a criatura causou na cidade na noite anterior.

— É sério mesmo que vieram até aqui POR CAUSA DE UM CHAPÉU?! — Eros estava indignado com aquela comoção toda por causa de um chapéu, imaginando que estariam investigando cenas de crime muito mais interessantes do que aquela.

Sandman apenas bufou impaciente, se recusando a ter qualquer tipo de interação com o sub guardião, enquanto Jack tentava reconhecer aquele rapaz, que lhe soava um tanto familiar.

— Ah, esse é o Cupido, Jack…Acho que ainda não se conheceram pessoalmente.- North apresentou seu colega sem grandes introduções, apenas com um desânimo aparente.

— É sempre bom ter gelo pra não deixar a cerveja esquentar, acho que é pra isso que você serve, não é?- Jack não soube interpretar naquele momento se era pra ter sido uma piada ou se o sub guardião era realmente arrogante, mas ao lembrar de como seus colegas o descreveram, a segunda opção parecia ser mais provável.

— Pelo menos eu tenho alguma utilidade. Já não posso dizer o mesmo pra você.- Todos ficaram surpresos com a resposta a altura que Frost deu ao sub guardião, sabendo do espírito brincalhão que era Jack, não esperavam que ele poderia lançar uma rajada de gelo pelas palavras.

— Assim que uma das minhas flechas atravessarem a sua cabeça, você vai saber qual é a minha função aqui, seu idiota!- Eros já estava com sua paciência no limite, mas não iria tolerar que um guardião renegado e inexperiente o humilhasse na frente dos demais.

— Por favor, meninos! Vamos focar na missão, está bem? Não queremos mais uma tragédia aqui.- Fada teve que intervir ao perceber que Sandman e North estavam se divertindo com aquela briga e apenas queriam ver os dois caírem na porrada. Uma forma nada saudável de resolver indiretamente seus problemas pessoais com Eros.

— Não se preocupe, docinho…Não vai ter nenhum estrago aqui se o picolé de vocês não se meter comigo.

— Digo o mesmo.- Jack fechou a cara, enquanto os demais se preparavam para investigar os arredores.- Eu e o Sandman já procuramos nesse bairro, não encontramos nada…acho que perto da escola e nos hospitais pode ter alguma coisa.- Frost tentou mudar de assunto antes que as coisas piorassem.

— Tá legal, Jack e Eros vão para o hospital e nós vamos até as escolas.- North não pensou duas vezes ao falar aquilo.

— COMO É QUIÉ?!- Os dois protestaram simultaneamente com o que ouviram.

— Você enlouqueceu, North?! — Fada lhe chamou a atenção com aquela escolha, no mínimo duvidosa.

— Tooth, eles vão precisar se resolver alguma hora.- Falou o guardião com a mais nobre das intenções.

— Como se você estivesse muito interessado em uma reconciliação, não é?- A guardiã já tinha entendido o que North queria, uma rinha entre os dois colegas para ver quem se matava primeiro.- Você sabe o quanto foi difícil convencer ele a vir até aqui, não sabe?!

— Quanto mais cedo eles aprenderem a trabalhar juntos, melhor. Não acha?

Era tentadora a ideia de ver aquela estranha parceria se formar, mas Toothiana conhecia muito bem os dois para saber que não seria tão fácil assim. No entanto, era mais fácil os dois virarem bons amigos, do que fazer North mudar de ideia.

— Confie em mim, Tooth. Eu sei o que estou fazendo.- North lhe deu um sorriso reconfortante, como se fosse o bom velhinho.

A guardiã respirou fundo e resolveu não rebater, iria dar um voto de confiança ao colega, mas já sabia como terminaria.

— Com licença, a gente não vai no hospital com esse negócio aí, né?- Eros apontou para o trenó.

— Não se preocupe, pode usar aquele seu carro para ir até lá junto com o Jack. Nos encontramos no final do dia na casa da Amélia.

— Me desculpe, North…Eu ADORARIA fazer essa missão com o freezer alí, mas infelizmente meu carro ficou estacionado lá na casa da Amélia, então não vou poder participar da missão.

— Não seja por isso, garoto! — North quebrou mais um globo de neve na ponta do trenó e jogou mais um nas mãos do Cupido ( que quase o derrubou no chão sem querer ).- Pelo portal você está a segundos da casa da Amélia, só não esqueça de quebrar o globo de neve para voltar para Burguess depois.

— Olha, o seguro do meu carro é caríssimo!! Se alguma coisa acontecer com ele enquanto atravessa esse portal, você vai pagar por todos os consertos, North!

— Se não machuca nem as minhas renas, não vai amassar a lataria do seu conversível.- North dava risada do falso senso de autoridade que Eros tentava assumir- Agora, só vai ter que tomar cuidado com o globo de neve, esse só funciona com os Guardiões.- Na verdade funcionava com qualquer um que o quebrasse, mas North não poderia perder a oportunidade de provocar seu novo colega um pouco mais.- Por isso, eu faço questão de te acompanhar pra te ensinar como usa.

— Jack, será que a gente pode conversar?- Toothianna puxou o colega para um canto assim que Eros e North entraram pelo portal interdimensional.- Eu sei que ele é uma pessoa difícil de lidar, mas é só desta vez…Por favor, não responda às provocações dele, é tudo o que ele quer.

— Por favor, Tooth…Eu já tô tendo que lidar com tudo isso e ainda tenho que aguentar esse cara?!

— Eu sei…Mas uma hora ou outra vão precisar se ajudar, não esqueça que acima de tudo a gente continua sendo uma equipe.

— Ele nunca fez parte da Equipe, ele também não parece fazer muita questão.

— Jack, é só por hoje…Quanto mais brigarem, mais tempo essa missão vai demorar e assim vão ter que se ver mais vezes. Eu prometo que nossa próxima missão de campo, eu faço a missão com ele. Mas dessa vez eu realmente não vou poder…- Jack deslizou seus olhos sobre as bandagens ensanguentadas, por um breve momento tinha esquecido que elas estavam lá.

— Me desculpe…eu nem perguntei se você tava bem. Como estão os ferimentos? A Amélia precisou fazer mais algum curativo?

— Não precisa se desculpar, está tudo bem…- Tooth conteve já pouco da sua dor com uma careta, tentando ao máximo fingir que aquela ferida não estava lhe incomodando.- Ainda está ardendo um pouco, mas eu já estou bem melhor, pelo menos pra acompanhar a missão. Mas isso não é importante agora…

Jack a encarou por alguns segundos em silêncio, pensando se deveria perguntar se ela estava bem mais uma vez. Era perceptível que ela não estava 100% ainda, mas não se sentia bem vendo o quanto sua colega tentava esconder isso.

—Tudo foi tão corrido nessas últimas horas que eu nem pude te agradecer direito…- Tooth desviou o olhar do guardião, tendo flashs de quando foi socorrida por ele logo depois da ataque. Era estranho, mas ela se sentia envergonhada por ter passado por aquilo, talvez porque fazia muitos anos que não lutava contra ninguém.- Muito Obrigada por ter me ajudado, desculpe… eu não lembro de tudo o que aconteceu depois daquilo, mas a Amélia me disse o quanto você ajudou com os meus ferimentos.

— Não precisa me agradecer, Tooth. O importante é que você já conseguiu se recuperar…Nós somos uma equipe, lembra?- O guardião deu uma piscadela para a colega, fazendo-a rir um pouco com a referência.

— Sim, inclusive a sua equipe tá ali te esperando. — Tooth apontou para o carro do sub guardião que tinha acabado de voltar do portal.

— Ah eu já tava quase esquecendo dele…- Frost lamentou quando ouviu o sub guardião buzinar impaciente.

— Boa sorte, Jack…E não briguem mais, por favor.

— Eu não posso prometer nada, mas eu vou tentar.- Jack deu uma risada um pouco desanimada, tentando tornar aquele momento um pouco mais divertido antes de ter que aturar o sub guardião pelo resto do dia.-... E só mais uma coisa antes que eu me esqueça também, na próxima missão de campo você não precisar ir com ele…Pode ir comigo.- O guardião se despediu rapidamente e correu na direção do carro antes que Tooth pudesse responder.

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

—E então...ham...Pra onde vamos mesmo?- Frost não suportava Eros e não iria fazer questão de trocar meia dúzia de palavras com ele se não fosse por Tooth. Infelizmente, o cupido também era amigo dela e ela ainda o respeitava muito. Agora Frost teria de se esforçar ao máximo para se aproximar dele também.

—Hospital…-O subguardião respondeu sem tirar os olhos da estrada. Ele também sabia o quão Jack era importante para Fada, mas não estava afim de tentar uma aproximação.

— Ah claro...ehr...A fada falou muito bem de você.- Na verdade ele só ouviu reclamações de Eros, mas pela forma como Tooth tentou defendê-lo a poucos minutos atrás já mostrava que ela poderia tecer muito mais elogios á ele do que a equipe inteira.

— Eu ficaria surpreso se não falasse. Sabe, somos amigos há muito tempo, nos conhecemos como ninguém. Além disso,também passamos por muitos períodos difíceis antes,ela chegou a te contar?

— Ehr...Não que eu lembre.

— Acredito que ela nem teria tempo pra contar, é uma história muito longa.

— Eu imagino.

— É, temos muita estrada juntos...Sem querer comparar as amizades aqui, é claro. Sei que se conhecem há um bom tempo também,mas tem coisas que duram mais que outras.

— Como assim?

— Eu sempre vejo isso no meu trabalho, sendo o cupido a minha função é unir as pessoas de alguma forma, mas sempre tem casos que as coisas simplesmente não dão certo e não há nada que eu possa fazer a respeito. Sabe Frost, a paixão é algo muito perigoso quando não há mais nada além dela.- Ele falava como se soubesse de algo que nem Jack tinha conhecimento.- A ilusão é o que mais machuca nesses casos, sem contar com a decepção e a quebra de expectativas. É uma realidade triste, mas tem casais que só não dão certo juntos, e esses casais eu consigo sentir de longe.

— Você tem razão, mas como alguém que nunca teve ninguém pode falar sobre o que é uma relação duradoura?

— Esse é o meu trabalho, Jack.- Eros respirou fundo e procurou a melhor resposta que escondesse sua frustração. Por mais que ele odiasse admitir, o que o guardião tinha lhe dito fazia sentido. Visto que todo mundo já sabia sobre a sua história de amor fracassada com Psique.

— Eu sei, só estou perguntando porque meus pais tiveram muitos problemas antes de conseguir se casar e terem filhos,mas depois disso viveram por muito e muito tempo juntos. A relação deles sempre me fez acreditar no amor.

— Pena que você morreu cedo demais para saber o que era isso.

O silêncio cortou aquela conversa depois das palavras de Eros. Jack também não poderia deixar de concordar com ele, mas sentia que assim como ele, o próprio cupido não saberia explicar o amor se um dia o perguntassem. Talvez nem ele soubesse a resposta.

"Respira fundo, Jack.Ele só é um idiota e nada mais do que isso". — E eu não te perguntei nada.

—Olha, eu só não te jogo desse carro porque você é o SUPER ESPECIALISTA EM BURGUESS. Então se for pra abrir a boca, que seja pra falar sobre coordenadas!

—Você passou reto pelo hospital.

—E porque não me avisou?!

—Porque você estava ocupado demais em ser o SUPER ESPECIALISTA EM RELACIONAMENTOS.

—Você é insuportável.

—Igualmente.

Os dois evitaram fazer qualquer tipo de contato visual ou verbal por alguns minutos enquanto o semáforo não abria. Jack realmente tinha começado aquela missão com a melhor das intenções, mas aquela arrogância era intragável.

—Será que você pode me dizer onde fica esse bendito hospital?- O cupido mal virou seu pescoço para falar com o guardião, seus músculos estavam tão tensos que sua mente só pensava que dar uns socos naquele guardião seria a melhor forma de descarregar. Mas precisava manter a postura.

— A direita.

— Ótimo.

— Você não vai estacionar aqui, né?

— E qual é o problema de estacionar aqui?-Eros fechou seus olhos imaginando que o volante era o pescoço de Frost, por isso estava lhe apertando com tanta força.

— Tá vendo essas faixas azuis?Aqui em Burguess faixas azuis significa que só médicos podem estacionar aqui.

— Entendi.- O cupido respirou fundo e tirou seu carro da vaga, colocando-a em outra que continha faixas amarelas.- E essa?

— Amarela?! Não, cara! Você tá fazendo tudo errado...Espera um pouco.- Frost saiu do carro e começou a guiar o motorista.- Essa vaga aqui é dos enfermeiros.

—Ta brincando comigo, né?

—To falando sério! Aqui em Burguess as vagas em Hospitais são distribuídas dessa forma.

— Okay, e onde é a vaga dos pacientes?

— Se eu não me engano é do outro lado da rua.

— Mas ali não tem faixa nenhuma!

— Porque as faixas são exclusivas para os funcionários.Vai se acostumando! Aqui não é o Empire State.

O subguardião respirou fundo pela última vez e fez o que lhe foi orientado, mesmo estranhando essa, suposta, exclusividade de faixas, não questionou a informação.Mas assim que seu carro fez a curva para entrar na rua detrás do hospital, Jack Frost começou a rir descontroladamente.

—Alguém tem que se divertir aqui pelo menos.- Frost se recuperou das suas gargalhadas antes de entrar no recinto. Pelo menos conseguiu ganhar mais tempo pra conseguir informações mais rápido do que o colega.

Dentro do hospital…¥¥¥¥¥¥¥¥¥¥¥¥¥¥¥¥¥¥

O cansaço e a angústia da espera na recepção do hospital estampava as feições daqueles que aguardavam ser chamados.O som da televisão com um programa matutino de culinária não deixava as coisas mais tranquilas, apenas dava uma trilha sonora de fundo para um cenário melancólico de muitas famílias desamparadas e desesperançosas com o que seria dos seus entes queridos que tinham sido afetados pelo ataque na noite anterior.

Logo a graça daquela peça que pregou em Eros perdia o sentido ao lembrar do porquê estava lá, enquanto segurava o chapéu de Emma em uma das mãos.

—Por favor, senhor…você só pode ser atendido se pegar uma senha.- A resposta quase automática do rapaz no balcão já deu uma ideia do quão nervosos aquelas pessoas estavam para ser atendidas, e Jack mal conseguia imaginar o terror que não tinha sido naquela madrugada.

— Na verdade, eu só gostaria de uma informação…- Frost queria perguntar sobre Sophie, já que tinha quase certeza que ela trabalhava naquele hospital, mas não sabia qual pretexto arranjaria para perguntar dela sem parecer alguém esquisito.

—Claro, em que posso ajudar?- O rapaz ergueu o olhar rapidamente para o guardião.

—Eu sou amigo da Sophie Benett, e…- Quando sentiu a textura do chapéu em suas mãos, teve uma ideia para conseguir a informação que queria.-...Eu vim devolver essa fantasia que ela me emprestou pra uma festa,sabe? Ela me disse que eu podia passar aqui pra entregar.

— Qual o seu nome?

— Ehr…Jorge?- Jack queria ter se dado um pescotapa na hora, ele ficou tão nervoso que sabia que não tinha passado muita confiança ao falar aquele nome aleatório. Porque ele estava mentindo? Ninguém iria se importar se ele falasse " Jack Frost ", mas agora já estava feito e essa era a sua nova identidade.

— Ela trabalha aqui sim, mas o turno dela já acabou,amigo…Se quiser deixar um recado pra ela ou a fantasia eu posso guardar no porta-volumes também e…

— Não, tudo bem! Está ótimo…Não precisa se incomodar com isso, ehr me desculpe eu nem perguntei seu nome…

— Nathan.

— Ah sim, Nathan…Deixando um recado pra ela já me ajuda bastante.

— Tá legal, Sr. Jorge, não é?

— Isso

— Vou marcar aqui na minha agenda.

— Ehr…Como estão as coisas por aqui? Fiquei preocupado, eu e ela…e uns amigos tava planejando fazer uma festa de halloween,sabe?Daí deu toda essa confusão na cidade…Não entendi muito bem o que aconteceu.

— Nem me fale, esse apagão foi terrível mesmo…Aqui no hospital foi uma correria, agora de manhã que deu uma acalmada,né? Mas pegou todo mundo de surpresa.

— Pois é, cara…Uma loucura mesmo, a gente até teve que cancelar a festa. Ouvi dizer que umas crianças sumiram também, você viu alguma coisa com isso?

—...Devem ter se perdido nessa confusão toda. Mas tenho certeza que logo logo a polícia vai achar…Aqui no hospital tem muito pai e mãe que vem procurar os filhos, é muito triste o que tá acontecendo. Mas o importante é acreditar que tudo vai dar certo.

— Claro, a gente tem que acreditar mesmo.- Jack até queria fazer mais perguntas sobre Sophie, mas ao ver como aquele enfermeiro tentava ser otimista mesmo com uma expressão triste no rosto, era de partir o coração, sabe-se lá as coisas que ele não havia presenciado naquele plantão. Frost não queria ser mais um para fazê-lo lembrar disso.- Olha, me desculpe atrapalhar o seu serviço, mas muito obrigado mesmo pela ajuda.

— Imagina, meu trabalho é esse…-Nathan respondeu com um sorriso no rosto.- Tenha um bom dia, Sr.Jorge.

— Quem?- O atendente o olhou um pouco confuso até Frost perceber que quase entregou o seu disfarce.- Oh, me desculpe hahaha eu só tava brincando.

O atendente deu uma risada sem graça enquanto Jack saia às pressas do hospital.

—VAGA EXCLUSIVA PRA PACIENTE É O CARALHO!- O cupido gritou a metros de distância da porta do hospital assim que viu Frost sair de lá.

— E não era?- Frost respondeu ironicamente enquanto se apoiava em seu bastão.

— Não me faça de idiota, Gelo de Freezer.

— Espera um pouco…

— Você já me fez perder tempo procurando uma vaga que não existe, agora quer que eu espere a multa, por acaso?!

—...Não pode ser, eu acabei de falar com o recepcionista do hospital.

— E daí?

— VOCÊ NÃO ENTENDE?! ELE ME VIU!! — Jack sentiu a mesma euforia de quando Jamie interagiu com ele a primeira vez.

—É parece que 300 anos invisível te deixou mal acostumado.- O cupido respondeu fazendo pouco caso do que tinha acabado de acontecer.

— Sabe o que isso significa?! Que ele acredita na minha existência, e provavelmente pode ver os outros guardiões também!!!

— Nossa, Uau…que descoberta surpreendente. E onde entra a parte de encontrar o paradeiro das crianças desaparecidas nisso?

— Aí é que tá! Ele pode nos ajudar na missão, trabalhando no hospital, ele tem acesso aos pacientes e pode nos fornecer informações e….

— E então você vai fazer o pobre enfermeiro cometer um crime, pra que o papai Noel e o coelhinho da páscoa possam descobrir quem foi o bicho papão que atacou a cidade? Que " bela" história.

— Não é um crime querer desvendar as causas e consequências do ataque. Pode nos dar pistas importantes sobre o paradeiro das crianças.

— Vocês guardiões são tão prepotentes, chega a ser assustador como são tão inconsequentes a ponto de esquecer que existe uma coisa muito importante aqui que se chama " LEI ".

— E como você esperava que a gente conseguisse informações então ?!

— Nessa altura do campeonato, a única coisa que eu espero é não ser preso!- Eros virou as costas para Jack e saiu em direção ao seu conversível.

— Ei!! O que pensa que tá fazendo?!

— EU TENHO UMA REPUTAÇÃO A ZELAR!

— E eu tenho uma promessa pra cumprir.- Frost lembrou da sua conversa com Tooth no mesmo instante, prometendo que pelo menos tentaria fazer a sua parte, mas era difícil manter sua palavra quando o cupido nem sequer tinha tentado entrar naquele hospital e já estava mais preocupado com a sua imagem do que com as pessoas lá dentro. No entanto, quando viu o Cupido fechando a porta daquele carro para ir embora, não pôde acreditar que ele já estava desistindo antes de começar a missão.

E Jack não iria permitir que todo o esforço de Tooth fosse em vão. Se o homem da lua convocou o Cupido para a missão, ele ajudaria por bem…ou por mal.

— Espero que esteja indo para outro hospital, terminar a investigação.- Jack correu na direção da janela do carro antes que Eros desse partida no veículo.

— Olha pra minha cara! Acha mesmo que eu vou perder meu tempo aqui com essa merda de missão?!- Eros respondeu de forma debochada.

Era a deixa que Frost precisava para congelar as rodas do conversível do colega no meio da rua e cobrir o seu carro com uma camada generosa de neve ao ponto que Eros não conseguisse abrir a porta do veículo para sair.

—Bem-vindo a equipe! — Jack deu as suas boas vindas ao colega enquanto dava risada e escutava Eros lhe xingar de todos os nomes possíveis dentro daquele bolo de neve que tinha se transformado o seu belo conversível.

Ele poderia aturar muitas coisas, mas jamais iria deixar qualquer desmerecer o seu trabalho e o trabalho dos seus amigos.