O lado oculto da Lua

5 Capítulo 5: Os Subguardiões


Notas iniciais
Oiê pessoal, tudo bem com vocês? Eu sei que já faz um bom tempinho que não posto nada aqui, mas hoje consegui ter uma inspiração maior pra completar parte desse capítulo que estavam meio soltas anteriormente. Espero que gostem e tenham uma boa leitura :)

— Custasse ter avisado aonde estavam?! Eu fiquei procurando vocês pela cidade inteira!- Coelho chegou resmungando na oficina enquanto carregava um punhado de ramos de plantas de mais diferentes tipos e espécies.- Onde está a fada?

— A Amélia está cuidando dela, não se preocupe.

— Amélia?! Agora sim que eu tenho motivos pra me preocupar...

— O Jack está com ela também.

— E eu achando que não tinha como piorar.- Bunny revirou os olhos e depositou os ramos de plantas em cima de uma das mesas de trabalho de North.- E porque não estão lá com eles?

— Eu precisava falar com o homem da lua antes.

O Coelho da páscoa desdenhou daquela atitude e se preparou para abrir mais uma passagem no chão até a casa de Amélia, mas acabou sendo interrompido assim que bateu uma de suas patas no chão.

— Vamos ter que trabalhar com os subguardiões.

— COMO É QUE É?!

— Foi o que o homem da lua recomendou, então não temos outra escolha a não ser chamá-los.- North deu aquela notícia com uma expressão de poucos amigos, ele também não ficou satisfeito com o que o homem da Lua lhe recomendou. Não podia negar que estava um pouco arrependido de não ter voltado para Burguess direto, pelo menos ele poderia ter adiado um pouco a sua mais nova frustração.

— VOCÊ ENLOUQUECEU, NORTH? ELES NÃO TEM EXPERIÊNCIA ALGUMA COM AS CRIANÇAS!

— Bom, se ele sugeriu essa parceria, tenho certeza que não foi à toa.- O guardião tentava convencer a si mesmo de que estava fazendo a escolha certa, mas no fundo, teve a mesma reação de Bunny.

— Essa justificativa não ajuda em NADA! Vamos arranjar mais problemas se trabalhar com eles.

— Eu entendo a sua preocupação, eu também achei estranho essa sugestão...

— Estranho é pouco! É UM DESCASO COM O NOSSO TRABALHO!- Sandman assentiu com a cabeça, embora não pudesse expressar verbalmente sua indignação, também concordava com Bunny.- Nós podemos cuidar disso SOZINHOS!- O guardião esbravejou em direção ao teto abobadado, na esperança que o homem da lua respondesse suas reclamações.

— Você sabe que não podemos.- North o repreendeu rapidamente.- Estamos lidando com algo desconhecido, não podemos recusar ajuda, talvez eles possam saber muito mais do que todos nós nesse sentido.

— Há! Agora você concorda que não estamos mais lutando contra o Breu?! Como você é contraditório, North!- Bunny revirou os olhos sem querer perder mais um segundo naquela conversa.- E me diga, em que sentido eles podem saber mais do que nós, ein? Pelo que eu sei um deles se autodenomina um “Deus”, enquanto a outra é tão violenta que deve ter sido responsável pela extinção até dos dinossauros...Ah, e nem vamos falar da Mandy que…

— JÁ CHEGA!- A voz de North ecoou como um rugido dentro da oficina, fazendo com que todos os yetis e gnomos parassem suas atividades por alguns poucos segundos.- Eu não me importo se estou me contradizendo agora e muito menos com o que os subguardiões fazem ou deixam de fazer! A fada perdeu as asas por minha causa e agora…

— Espera, o que?!- O semblante de raiva logo fora substituído pelo da preocupação, quando ouviu aquilo sair da boca de seu colega, Bunny torcia mentalmente que fosse apenas uma piada de mal gosto(mesmo sabendo que não era o tipo de piada que North faria).- Isso não é possível.-O guardião tinha visto com os próprios olhos as consequências daquele ataque, o rastro de sangue marcando o asfalto enquanto Frost chamava por ajuda. Mas não imaginou que a perda seria tão grande.

— Eu também queria que não fosse.- Se Coelho tivesse visto aquela cena no quarto na casa de Amélia, certamente não estaria com a mesma energia para brigar como estava até aquele instante em que viu North tentando secar as lágrimas que escorriam dos seus olhos.- Amélia me disse que ela perdeu muito sangue…- Ele esfregava uma das mãos em seu rosto, ainda tentando esconder os olhos marejados.-...Tenho medo que algo pior possa acontecer com as crianças.

— Não vai! Porque nós não vamos permitir.- Bunny abaixou a guarda e pousou uma das patas no ombro do colega.

— Eu não sei...Eu não queria estar com medo, mas honestamente, não sei qual seria a melhor solução, nem ao menos sei com quem estamos lidando.- North respirou fundo antes de pegar o copo de chocolate quente que Sandman lhe estendia.- Obrigado,Sandy.

— Nós vamos saber se pedirmos ajuda.- Bunny ainda não concordava com a ideia de trabalhar com os subguardiões, mas deixar o orgulho de lado naquele momento era essencial para que as coisas não piorassem.

— Obrigado por entender, Bunny. Sei que é difícil de aceitar e…

— Eu continuo não entendendo, mas está tudo bem, de verdade. Se isso for o melhor pra ajudar a Fada e as crianças, eu tô dentro.

— Tem certeza?

— É melhor aproveitar que eu ainda não mudei de ideia.

Nova York- 1:00 am============

— ....Se você não acredita em felizes para sempre, é porque ainda não encontrou o seu final feliz. Eu sou Eros Galanis e nos vemos semana que vem! Feliz Halloween!- O apresentador loiro de olhos verdes, encerrou mais um episódio do seu programa com seu clássico bordão e um largo sorriso no rosto.

— 1, 2, 3 e corta!- As luzes do estúdio se apagaram e as câmeras desligaram assim que o diretor dera o sinal.

— Se não trocarem essa luz, eu me demito!- O rapaz desceu do palco enquanto era atendido pelos assistentes.

— Eros, não tem muito o que podemos fazer, quanto mais forte for a luz, mais quente ela vai ser.- O diretor se levantou rapidamente da cadeira para tentar apaziguar o host do programa, não era a primeira vez que eles tinham aquela conversa.

— Então diga isso pro meu cabelo, Roger! Ele fica oleoso em todas as gravações e...Onde você arranjou esse figurino?! O tecido é péssimo, senti que a minha pele pinicando a cada 5 minutos.

— Estamos cortando alguns gastos, não podemos ficar comprando roupas caríssimas pra você usar só uma vez.

— Querem que os telespectadores achem que estão assistindo uma reprise? Não posso ficar usando roupas repetidas o tempo todo também, que além de desconfortáveis, são horríveis.

— Ah por favor, Eros! Qual é o problema agora?- Roger revirou os olhos, já cansado daquela discussão.

— O problema?! As cores são apagadas, até o figurino das dançarinas chamam mais atenção que o meu.

— Tons pastéis estão na moda, todos estão usando.

— Tons pastéis não me representam, já viu esse cenário? Eu me sinto apresentando um chá de bebê !

— Você sabe que sempre temos que mudar o tema e o cenário de cada temporada do programa, não podemos ficar com um tema só em todas elas, aì sim vai parecer uma reprise.

— Se for pra mudar alguma coisa, que você pelo menos tenha bom gosto. Agora se me der licença, eu tenho mais o que fazer.- O rapaz fechou a porta do camarim na cara do diretor, sem ao menos dar uma chance para que ele pudesse se defender.

— Bom gosto é algo que passou longe daqui, ein?

Eros dera um sobressalto para trás quando se deparou com Coelho e North dentro do seu camarim, “admirando” a decoração exótica do local, cheio de objetos de ouro e um closet repleto de roupas chamativas.

— Não sabia que o Natal tinha chegado mais cedo?- O apresentador tentou se recompor e manter a postura, como se não tivesse nenhum pouco assustado com a presença dos seus antigos colegas de trabalho no recinto. Faziam séculos que eles não se encontravam, e até lá muitas coisas tinham mudado, o que deixava aquele reencontro ainda mais estranho e um tanto constrangedor.

— Infelizmente você nunca se comportou para receber presentes adiantados.

— Como se eu não pudesse comprar um.- O cupido respondeu Noel, desdenhando.- E você Coelho?Ainda não foi extinto porquê?

— Olha aqui seu…- Bunny ameaçou agredir Eros, mas fora rapidamente contido por North. Que já imaginava que aquilo iria acontecer em algum momento.-...Porque nós ainda estamos aqui, North? Vamos dar o fora, ele não vai nos ajudar em nada!

— Eu também estou curioso pra saber o que vocês estão fazendo aqui, pelo que eu saiba eu não permiti que entrassem no meu camarim.

— Nós viemos aqui para…- North realmente estava tentando falar do jeito mais pacifico possível, mas o jeito explosivo de Bunny com a personalidade narcisista de Eros sempre levava as piores consequências.

— Ninguém iria se dar ao trabalho de pedir autorização de entrar nesse covil que você vive!- Coelho continuou com suas provocações, sem qualquer interesse em algum acordo.

— Falou o Coelho gigante que mora em uma toca.

— SERÁ QUE VOCÊS PODEM ME DEIXAR FALAR?!

Os dois pararam por alguns segundos de discutir e encararam o colega, um tanto surpresos com aquela atitude, mas nem tanto.

— Nós viemos aqui porque precisamos da sua ajuda.- Noel tentou completar sua frase, retomando o fôlego.- O homem da Lua solicitou a ajuda de todos os subguardiões para uma missão e…

— E quanto eu vou receber por isso?

— Nossa gratidão e a das crianças também.

— Gratidão não vai pagar minhas contas, North. Pode esquecer.- Eros virou as costas no mesmo instante, tentando se distrair com os seus demais figurinos.

— Tivemos um problema em Burguess essa noite, todas as crianças da cidade desapareceram e precisamos encontrar o culpado.

— E porque iriam precisar da minha ajuda?! Não são vocês os seres mais puros e imortais do universo?- O rapaz continuou se dirigindo aos guardiões em tom de deboche.

— Se o homem da Lua pediu, tenho certeza que sua ajuda vai ser mais que necessária.

— Se ele quisesse minha ajuda, teria me chamado em particular.

— Talvez ele não tenha conseguido autorização pra entrar no seu camarim.- Coelho não deixou de dar mais uma alfinetada. Ele não suportava a soberba daquele rapaz que se achava o dono do mundo sem ao menos ter um trono.

— Por favor, Bunny...Precisamos dele na missão.

— Eu caguei se precisa dele, North! Eu posso fazer o trabalho dele 10 vezes melhor!

— Pode?Como vai fazer as pessoas se apaixonarem com uma caça aos ovos?Vai esconder o amor da vida delas atrás de um arbusto?- Eros não quis perder a oportunidade de continuar aquele show de provocações, sabendo que não era muito difícil tirar Bunny do sério.

— North, você tem 1 segundo pra me segurar.- Bunny rangia os dentes ao olhar o sorriso debochado do subguardião que continuava zombando do seu trabalho.- Pelo menos elas vão encontrar o amor da vida delas, ao contrário de você!

— Eu já superei a Psique.

— E quem disse que eu tô falando dela?- No mesmo instante, aquele sorriso debochado desapareceu dos lábios de Eros. Bunny sabia qual era o maior ponto fraco dele, embora muitos ali não soubessem.

— Se retirem daqui.Imediatamente.

— Oh!Tadinho, North, ele quer chorar sozinho!

— SEGURANÇAS!- Tanto North quanto Bunny sabiam que mesmo que os seguranças chegassem a tempo, não conseguiriam enxergá-los como os subguardiões e as crianças conseguiam. Mesmo assim escolheram ir embora para evitar mais problemas, North sabia que mais cedo ou mais tarde eles teriam que voltar e tentar um novo acordo, talvez aquele apenas não fosse o momento certo( e nem o guardião certo para fazer a negociação ).

~°~°~

— Eu avisei, North...Ele não vai nos ajudar em nada.

— Poderia ter sido mais paciente.- North resmungava enquanto saia do estúdio de gravação.

— Eu tentei, North. Eu juro que tentei!- No fundo, Coelho sabia que ele estava blefando, ele realmente tinha tentado…tentado fazer de tudo para não voltar a trabalhar com o sub guardião.

— Sabe que vamos ter que voltar a falar com ele mais tarde, não sabe?

— Eu me recuso a olhar pra cara dele de novo, mas fique a vontade pra tentar.

— Espero que esteja de bom humor daqui a pouco, porque ainda temos que encontrar mais outras duas subguardiãs.- North começou a acelerar o passo enquanto procurava em seus bolsos a próxima bola de neve mágica que usaria.

— Ah não, me esqueci disso...Porque não vamos fazer outra coisa primeiro?Essa foi a primeira visita e já senti que minha energia vital foi sugada.

— Sem exageros, Bunny! Você também vivia reclamando do Frost, agora não vive sem ele.

— O QUE?! Por favor, né? Minha vida era muito mais feliz antes dele chegar!

— Conta outra!Eu sei que você gosta quando ele cria aquelas rampas de gelo no meio da rua.

— Eu faço o possível para ter uma convivência saudável com os meus colegas de trabalho, não confunda as coisas, North. Também me divirto muito com a Fada e com o Sandy.

— Percebi como você tentou ter uma convivência saudável com seu novo colega de trabalho agora hahahahaha!

— Quem? Não sei do que você tá falando.

— Você não mudou nada,Coelho.Sempre estressadinho.

— Falou o Buda.

— OKay!Já chega!- North quebrou o globo de neve no chão antes que Bunny pudesse provocá-lo mais- Vamos visitar a Mandy!

Enquanto isso, no Hospital de Burguess…============

—Sr. Duncan..- Sophie tentou falar o mais baixo possível quando entrou no quarto do paciente, mas seu esforço foi em vão quando o ouviu resmungar.-...eu trouxe seu jantar…- A enfermeiro depositou cuidadosamente a bandeja de metal sobre uma mesinha ao lado da cama.

Enquanto ajeitava os talheres, se certificação da quantidade de soro que estava sendo transferida ao paciente.

—Vou trocar o soro e depois vou trocar os lençóis da cama, tudo bem?

—hump…- Aquele senhor franzino resmungou novamente enquanto tentava pegar a bandeja de comida com as mãos levemente trêmulas.

—O senhor precisa de ajuda?

— Não.- Sophie jurou que aquela comida toda iria cair no colo do paciente, mas com muita dificuldade ele conseguiu encaixar a bandeja o mais próximo possível do seu corpo.- Por que as pessoas entram e saem do meu escritório me oferecendo ajuda com alguma coisa?

— São seus funcionários, por isso estão oferecendo ajuda, eles querem um aumento.- Era comum lidar com alguns pacientes com Alzheimer ou outras doenças relacionadas, nesses casos, Sophie tentava ao máximo conversar com o paciente de uma forma que ele se sentisse confortável o suficiente com a presença dela.

— Tem razão, são um bando de folgados! Você é a primeira que entra aqui e não me diz barbaridades.

— É mesmo? O que dizem pro senhor?

— Dizem que não sabem do que eu estou falando, que na verdade eu estou aqui porque estou doente. Eu pareço doente pra você?

— De forma alguma, só um pouco cansado…Sendo chefe desse escritório não deve ser uma tarefa fácil, não é?

— Realmente, não é pra qualquer um…

— Me avise assim que terminar o jantar, pode me chamar que vou trocar os lençóis, okay?

— Mas e os relatórios?! Preciso deles até às 20:00!- Sophie olhou de relance para o relógio de parede do quarto que estava algumas horas atrasado.

— Meu Deus, aonde estava com a cabeça? Me desculpe, Sr.Duncan assim que terminar a janta vou lhe trazer os relatórios para análise.

— Não precisa se desculpar, minha querida…hoje não está sendo um dia fácil pra você não é?

— Realmente.- Dentre todas as coisas desconexas que o paciente falou, até o momento aquela pergunta foi a mais coerente que ele fez.

— Vou te liberar mais cedo, está bem? E mande melhoras para a sua sobrinha por mim.

— Pode deixar, Sr.Dun…-Assim que Sophie fechou a porta do quarto sentiu um arrepio percorrer sua espinha, mas seu dia já estava complicado demais para tentar buscar significado em delírios de um paciente, delírios estranhamente coerentes com a sua realidade.

De volta a missão…===========

Música alta, cheiro de cigarro, dançarinas “exóticas” e muita bebida alcoólica. O combo perfeito para o caos e a cereja do bolo para Bunny e North, que até aquele momento ainda estavam apenas no começo da sua jornada para encontrar os sub guardiões.

— Meus olhos estão queimando! Tem certeza que foi uma boa ideia vir aqui?- Bunny cobria o rosto com as suas patas, não sabia classificar o que era pior. As luzes coloridas piscando em seus olhos ou a nicotina entrando em suas narinas.- Eu nem entrei aqui direito e já odeio esse lugar com todas as minhas forças.

— Realmente não é muito agradavel, mas vê se coopera agora pra que a gente não precise voltar aqui pela segunda vez.

— Como quiser, eu só não quero colocar as minhas patas aqui de novo.

— Muito bom saber disso…Agora me ajude a encontrá-la. Pelo que eu lembro, ela trabalha aqui em algum lugar.

— “Algum lugar”? Não precisava ser tão específico com esse tanto de informação.

— Dá um tempo Bunny!- North tentava desviar da multidão que se aglomerava em volta dos palcos e dos bares.Todos pareciam se misturar e se mover como se estivessem hipnotizados pelas suas taças ou pelas dançarinas que ali se apresentavam.

Não era um lugar muito agradável, mas fazia North se lembrar dos tempos em que era humano. Na época, as tavernas não tinham luzes como aquela boate tinha, mas a sensação era a mesma. Nesse caso, se sentir nostálgico seria um problema.

— Sabia que eu tenho poderes?- Uma mulher baixinha de cabelos loiros acabara de sentar ao lado de um rapaz que estava bebendo sozinho no balcão.- Posso fazer todos os seus sonhos se tornarem realidade só em uma noite.

— Vai me fazer acreditar em contos de fadas, princesa?

— Te faço acreditar até no Coelhinho da Páscoa, meu amor.

— Essa eu quero vê!- Mandy dera um grito e quase caiu da cadeira onde estava assim que viu os guardiões parados do seu lado.Já o rapaz no balcão, se assustou com a reação da mulher e saiu do local rapidamente.- Me-meu deus...Eu não tô loca! Eu não bebi nada hoje!

— Não, você não está louca, e queremos acreditar que você está sóbria o suficiente pra ouvir o que temos a dizer.

Mandy apenas assentiu com a cabeça para que os dois a acompanhassem para longe dali, longe o bastante para que ela averiguasse que aquilo não era alucinação da sua cabeça.

Esse tipo de reação vinda de um sub guardião era muito comum, já que o contato deles com os guardiões era tão raro, que chegava a ser quase inexistente.

— Tá legal, se isso for uma pegadinha, não tem graça!- Mandy começou a tirar satisfação com os guardiões assim que fechou a porta do que seria um camarim improvisado.

— Eu adoraria que fosse uma pegadinha…- Bunny se apoiava em uma mesa de canto, ainda um pouco desnorteado com o cheiro da fumaça e com o que ouviu a poucos minutos atrás.-...É sério que você usa o MEU nome desse jeito no seu trabalho?!

— É só modo de dizer, e outra, coelho da páscoa é só uma lenda.

— North, isso não pode ser sério...Tem certeza que pegou a pessoa certa?- Bunny parecia derreter em meio a sua incredulidade. Era inconcebível pensar na possibilidade de trabalhar com aquelas pessoas das quais julgava, no mínimo, incapazes para a função.

— Acho que sim.- Nem North sabia mais o que estava acontecendo, na verdade, não sabia o que estava fazendo desde o começo. Ele também estava se perguntando como saiu de sua oficina e foi parar dentro de uma boate.

— Olha, se for a minha hora...só esperem eu pagar o aluguel desse mês! Não quero morrer devendo nenhum boleto.

— O que? Não, garota! Você não vai morrer! Viemos aqui porque o homem da Lua te convocou para uma nova missão.

Mandy parecia ter demorado um pouco pra entender que o que estava ouvindo era real, e de uma incógnita um sorriso abriu em seu rosto.

—AAH EU NÃO ACREDITO NISSO!!!HAHA!- A garota começou a pular de um lado para o outro como se tivesse acabado de ganhar na loteria.- VOCÊS NÃO TÃO LIGADOS DO QUANTO EU ESPEREI ESSE DIA CHEGAR!!

Os dois guardiões se entreolharam com uma expressão de alívio. Finalmente encontraram um sub guardião que estava feliz em ser chamado. Só não imaginavam que seria o único.