O lado oculto da Lua

11 Capítulo 11: Rastros Indesejáveis


Notas iniciais
Oiee pessoal!! Tudo bem com vocês? Eu espero que sim:) Trazendo mais um capitulo quentinho aqui no nhay em tempo recorde pra vocês, espero que gostem e tenham uma boa leitura;)

A atmosfera daquele lugar era estranha demais para passar despercebida pelos olhos dos guardiões. Embora a cidade inteira estivesse naquela mesma energia, haviam lugares que se destacavam mais do que outros.

Por sorte, ou não, um desses locais era uma das principais escolas de Burguess, localizada a poucos metros do centro, era uma das maiores que tinha na cidade. Mas também uma das mais problemáticas, o que já ligava um sinal de alerta nos guardiões.

Tooth lembrava que muitos dos dentes que suas fadinhas recolhiam dos alunos daquela escola, não estavam debaixo dos seus travesseiros, mas no pátio da escola onde era palco de brigas quase todos os dias.

—Vou ver se consigo estacionar lá dentro, acho vai ser mais fácil pra entrar.- As renas tentavam revezar de forma um pouco desajeitada até conseguirem entrar na quadra que se localizava no meio da escola, entre dois prédios.Seria um pouso arriscado, mas era necessário.

Sandman parecia um pouco apreensivo com aquela ideia e sugeriu que pousassem por cima de um dos prédios da escola, assim teriam mais chances de escapar de alguma emboscada do que se ficassem presos entre dois prédios com renas assustadas. A ideia era boa, mas Tooth e North não conseguiram entender os desenhos rápidos que se formavam sob a cabeça do guardião e acabaram estacionando no meio da quadra, depois de muita dificuldade.

—Pode repetir só um pouco mais devagar, Sandy?- O homenzinho dourado apenas suspirou e fechou a cara, não conseguia acreditar que depois de séculos trabalhando juntos, seus colegas não lhe entendiam completamente.

— Deixe assim, Fada…Ele não entende que a gente não consegue acompanhar o raciocínio dele.

O guardião dos sonhos resmungou, sabendo que North só estava lhe provocando.

….

Os cacos de vidro quebrando abaixo dos pés dos guardiões era o único som que escutavam dentro daquele lugar. Além do ranger da porta sendo aberta por North depois de terem a sorte dela não estar trancada.

—Cuidado Fada, tem vidro pra tudo que é lado aqui.- Assim que pisou no primeiro caco a sua frente, Noel se lembrou de que a guardiã não poderia sobrevoar aqueles cacos de vidro e agora tinha que pensar em alguma alternativa para que ela não machucasse seus pés.

— Não se preocupe, North, o Sandy já deu uma forcinha aqui hehe.- O guardião dos sonhos estufou o peito, orgulhoso depois de ter criado uma espécie de nuvem dourada abaixo dos pés da guardiã, fazendo-a flutuar alguns centímetros acima do chão.

— Humph…Eu poderia ter emprestado os meus sapatos.- O lado competitivo de North falou mais alto naquele momento, ainda bem que Fada e Sandman já estavam acostumados e deram apenas uma risada antes de seguir com a missão.

— Acho que seus sapatos iriam ficar um pouco grandes em mim, não acha?- Tooth riu ao ver que North realmente estava acreditando que aquela ideia dos sapatos poderia dar certo.- Acho que podemos nos separar para investigar melhor a área, o que acham?

Sandman e North se entreolharam um pouco preocupados, tendo um flashback nada agradável da última batalha que enfrentaram.

—Acho melhor ficarmos juntos desta vez, Tooth.

—Talvez a gente pudesse investigar mais rápido se cada um investigasse em um lado do prédio e depois a gente se encontraria aqui na entrada e…

Sandman apenas mostrou a imagem de Tooth sendo atacada pelo monstro que enfrentaram em Burguess, como se quisesse dizer que não queriam arriscar que ela se machucasse de novo.

—Isso não vai se repetir…Uma hora ou outra vou ter que trabalhar sozinha.

— Mas enquanto estiver com a gente, vai ficar com a gente.- North parecia um pai falando, não querendo deixar sua filha sair sozinha pelo mundo afora.

Toothiana até tentaria rebater, se não fosse por um " pequeno " detalhe que chamou a sua atenção a poucos passos do corredor que levava as salas de aula. Uma trilha de uma espécie de gosma escura, densa e irregular formava um caminho assimétrico passando por baixo de algumas portas e por dentro de janelas quebradas.

Os guardiões não lembravam de ter visto nada parecido com aquilo antes, não tinha uma forma específica e nem um cheiro. Até parecia ser um rastro, mas era cedo demais para afirmar alguma coisa.

—Acho que já tenho uma ideia de onde a gente pode começar.- Tooth deu uma risada de nervoso, tentando se preparar para uma provável nova luta que teriam quando abrissem uma daquelas portas.

— Eu vou na frente! Sandy me dá cobertura e Fada…- O olhar preocupado do guardião já deu a resposta que Toothianna não queria receber.-...Só procure ficar o mais longe possível da porta, está bem?- Parecia que ele estava com mais medo que a sua colega se machucasse do que poderia estar por trás daquela porta.

— Okay…- A guardiã concordou mesmo um pouco contrariada.

North respirou fundo e tentou abrir a porta normalmente, mas esqueceu de que seus pés estavam perto demais do, suposto, rastro.

—ARGH!- North cambaleou para trás ao sentir algo agarrando uma de suas botinas.- MAS QUE MERDA É ESSA?!!- Esbravejando, o guardião sacou um dos seus facões de dentro do seu casacão vermelho para cortar aquela gosma escura que se subia pelo seu tornozelo rapidamente como uma raiz.

Quanto mais se debatia, mais aquela raiz se fortificava, pressionando a sua perna até fazer o guardião perder o equilíbrio e cair no chão, quase sendo consumido por aquela estranha forma que ganhava mais força à medida em que North tentava se desvencilhar.

Até que um raio de luz dourada atingiu a sua perna, destruindo a gosma instantaneamente.

—Valeu, Sandy!- North se levantou rapidamente antes que aquela trilha de gosma pegasse a sua outra perna.- mas eu já estava dando conta.

Sandman deu um sorriso de deboche, sabendo que North só estava falando aquilo pra não admitir que quase perdeu para uma gosma no chão.

—North, é melhor se afastar um pouco da porta…Vou tentar abrir ela de outro jeito.

— Tooth, espere!!- O raio verde azulado atingiu a porta com uma força descomunal, rachando-a no meio.- Ah, deixa pra lá! — North aceitou que talvez ele precisaria muito mais da ajuda da guardiã, do que ela precisaria dos sapatos dele.

— Sandy, consegue ver se tem alguma coisa lá dentro?- O homenzinho dourado sobrevoou até o que restou daquela porta e se apoiou na enorme fresta para verificar se não havia nenhuma criatura os esperando lá dentro.Mas aparentemente, estava tudo limpo, uma sala de aula normal como qualquer outra, só tirando a parte do tal rastro formar um trajeto até as últimas fileiras de carteiras, se acumulando e subindo no canto esquerdo da sala logo atrás da última cadeira.

Suas raízes estranhas subiam as paredes lentamente formando algo parecido com uma "árvore", com seus ramos pulsantes e nojentos. Parecia vivo, mas não tinha olhos e nem pernas, apenas direções que escolhia seguir " aleatoriamente ".

Sandman arrastou uma das cadeiras da sala propositalmente para averiguar se o tal " rastro" se atraia pelo som,mas obteve resposta.O que já dava aos guardiões uma vantagem.

—Eu vou tentar chegar mais perto…- North começou a se equilibrar de mesa em mesa para não dar o azar de pisar em uma daquelas raízes de novo.-...Quero ver aonde esse negócio tá indo.

— Vou dar uma olhada aqui em volta.- Fada saiu da sala antes que North ou Sandman pudessem repreendê-la e seguir até o segundo andar do prédio, mesmo que aquele rastro não estivesse indo na direção das escadas, era importante verificar.

Era muito estranho ver os raios de sol entrando pelas grandes janelas de vidro de um corredor sem vida, sem movimento. De pensar que no dia seguinte aquele lugar estaria cheio de alunos brincando, correndo e conversando entre si e agora aonde elas poderiam estar?

Tooth engoliu seco a sua angústia e seguiu vagarosamente pelo caminho, ainda sem encontrar nenhum vestígio daquela "árvore " gosmenta.

Pelo menos não até entrar em um dos banheiros do corredor.Ou pelo menos tentar entrar.

De relance, pensou que o banheiro estava com as luzes apagadas, mas logo percebeu que o banheiro inteiro foi consumido pela tal gosma.Do chão até o teto, do espelho até as janelas, onde nenhuma luz do sol entrava.

Era quase como entrar em um organismo vivo, que respirava e se movia tentando encontrar algum lugar para se está estabelecer. Mas o mais importante para o sobrevivência de qualquer tipo de organismo é o alimento. E do que será que aquela coisa se alimentava então?

Seria de outros seres vivos? Tooth se afastou abruptamente da porta do banheiro só de pensar nessa possibilidade. Com a escola vazia era fácil deduzir que aquele ser não precisava de outros seres vivos para se estabelecer, o que abria espaço para mais questionamentos. Aquela " criatura" estaria se alimentando do quê, então?

Talvez ela não conseguiria ter todas aquelas respostas agora, mas tentaria desvendar isso com os seus colegas. Afinal de contas, aquela gosma não teria ido naquele lugar a toa e nem traçado um caminho tão específico se não fosse por alguma razão.

………………………………………………….

Enquanto isso na Delegacia de Burguess…

Quando a policial viu aquele casal adentrando na delegacia com um olhar assustado e as olheiras de quem não tinha dormido direito, já sabia exatamente o que iriam perguntar.

Jamie logo depositou todos os documentos de sua filha Emma no balcão de informações, enquanto sua esposa descrevia todas as características da filha e a última vez que a viu antes do desaparecimento em massa na região.

—Infelizmente não tivemos nenhuma informação sobre a localização dela, por enquanto. Mas assim que tivermos, entraremos em contato.

— Por favor, será que não tem nenhuma pista do que aconteceu ou algum lugar que a polícia acha que as crianças possam ter se escondido??

— Se eu tivesse qualquer informação sobre o paradeiro dela ou de qualquer outra criança, pode ter certeza que essa delegacia não estaria lotada.- Jamie e sua esposa tentaram manter a compostura, mas por dentro, estavam despedaçados.

—POR ISSO MESMO DEVERIAM TER ALGUMA INFORMAÇÃO, SÃO NOSSOS FILHOS QUE ESTÃO LÁ FORA!- A mãe de Emma gritou com todas as forças enquanto todos os pais e familiares que estavam na delegacia a observaram em silêncio, mas aprovando a sua atitude.

—E acha que os nossos também não estão?!- A dor na voz daquela mulher não era de uma policial falando, mas de uma mãe que também estava esperando notícias do seu filho.- Nossos policiais estão nas ruas nesse exato momento procurando não só pelos seus filhos, como também os deles.Se a gente tivesse qualquer informação, pode ter certeza que vocês todos saberiam….Eu sinto muito, mas é tudo o que temos agora.

— Está bem…Me desculpe, eu não deveria…- A mulher se apoiou no balcão, com as pernas bambas e tentando manter suas esperanças de que Emma ainda voltaria pra casa.- …Passamos a madrugada inteira procurando por ela, já perdemos uma filha antes, não podemos perder ela…por favor

Jamie segurou a sua esposa para que ela não se desequilibrasse e a abraçou fortemente, sabendo que ela já não tinha mais forças para continuar naquela hora.

—Está tudo bem, senhora…Todos nós estamos preocupados. Sugiro que descansem um pouco, se quiserem esperar podem ficar por aqui ou voltar pra casa. Os dados já estão aqui no sistema e qualquer atualização o senhores serão informados.

— Muito obrigado, moça. Vamos ficar aqui por enquanto…- Jamie conduziu a sua esposa até uma das cadeiras da recepção, cobrindo-a com a sua jaqueta de couro marrom. Mesmo que os raios de sol já estivessem no céu o vento frio da manhã não enganava aqueles que já estavam acostumados.- Quer que eu passe lá em casa pra pegar alguma coisa?

— Não, por favor…eu não quero que suma também.- Ela o puxou pra perto pela mão, como se estivesse dependendo dele oara não cair no abismo.

—Está bem…- Jamie olhou de relance para uma maquininha de café ao lado da máquina de refrigerantes na recepção.-...Vou pegar um café pra gente.- A mulher apenas assentiu com a cabeça ainda com o olhar distante e cheio de lágrimas para responder verbalmente.

Depois de pouco minutos, Jamie voltou com dois copinhos de plástico e se sentou ao lado da esposa antes de lhe entregar seu café.

—A sua irmã me mandou mensagem agora pouco.- A mulher comunicou com a voz baixa enquanto segurava o pequeno copo com as mãos um pouco trêmulas.

— E o que ela queria?- Respondeu Jamie de forma ríspida ao beber todo o café num gole só, queimando um pouco a sua boca.

— Ela só falou que ia sair mais cedo do trabalho hoje e perguntou da Emma. Achei que já tinha falado com ela hoje.

— Falei, mas não sei porque ela resolveu te mandar mensagem. Eu já tinha avisado pra ela que não tinha nada pra ela se meter, que a gente já resolver isso…

— Jamie, por favor…Você já é um homem adulto, será que pode tentar conversar sem brigar com a Sophie pelo menos uma vez?! Vocês dois só sabem brigar!

— Eu não tenho culpa se…

— É claro que tem! Você é o irmão mais velho, devia dar o exemplo pra ela…devia pelo menos tentar! Ela só tem 20 e poucos anos, é claro que ela não vai ter a mesma maturidade que você,mas não pode proibir ela de tentar nos ajudar…

— Eu não quero mais falar sobre isso, tá legal?A Emma é minha filha e eu escolho quem eu quero perto dela ou não!

— É a NOSSA filha, Jamie!E eu tenho certeza que com a Sophie trabalhando em um hospital, ela poderia nos ajudar e MUITO!

— Se ela pudesse nos ajudar, não estaria mandando mensagem perguntando.

— Eu vou ligar pra ela assim que a gente chegar em casa.

— Não, você não vai.

— Eu não vou deixar o seu orgulho impedir que a Emma volte pra casa.Se você negar qualquer tipo de ajuda, também está negando ajuda pra nossa filha!

========////==========////==========

—Alô? Nathan?...Tudo certo por aí?

—Tudo sim, só tô te ligando porque um tal de Jorge veio aqui no hospital te procurando e ele queria te devolver uma fantasia e…

— Fantasia?Deve ter me confundido com outra pessoa, Nathan.

— Ele disse que vocês ia fazer uma festa de halloween e tiveram que cancelar.

— Eu acho que foi engano mesmo, eu não tinha nem como marca nenhuma festa nessa semana por causa dos meus horários de plantão, lembra?Também porque eu não conheço nenhum Jorge.

— Tem certeza? Ele sabia até sei sobrenome…

— Meu sobrenome é bem comum,acho que é pode ter confundido com uma paciente…

— É, parando pra pensar pode ter sido engano mesmo…Aquele chapéu parecia ser muito pequeno pra você hahahahaha

— Nathan. Espera um pouco…Como assim parecia ser muito pequeno pra mim?

— Ah sei lá…Pra criança, sabe? Até o estilo era meio infantil, achei esquisito aquela fantasia ser sua…Você sempre curtiu já parada mais assustadora pro halloween. Mas deve ser de algum paciente mesmo.

— Como ele era?

— Sophie você acabou de falar que não sabia quem ele era, porque você quer saber agora? Relaxa, tenho certeza que não é o seu ex.

— Nathan…Eu vou resolver umas coisas aqui,mas eu vou voltar aí mais tarde, tá legal? Quero que você guarde todas as informações desse tal Jorge pra mim.

— Beleza…como quiser.

— Até daqui a pouco.

— Até.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.