O lado “B“ de Betty Pinzón (Betty a Feia)
66 Capítulo 63 -Marcando tempo entre Cartagena e Bogotá
Na segunda-feira, a rotina recomeça na Ecomoda, nos corredores os quartos ficam tristes. Não acredito que Betty não está trabalhando lá. Hugo continua com suas piadas ácidas e classistas, Freddy tenta conquistar Aura María, mas continua flertando com as modelos, Mário continua gozando com o celibato de seu ex-companheiro de aventuras querendo que Armando o volte a acompanhar em suas aventuras com as mulheres do Oráculo. Por outro lado, nem precisava procurar muito, pois as modelos estão enlouquecidas, pois sabem que Armando voltou a presidente e ainda está solteiro. As ameaças de Daniel continuam e ele contina vigiando-o o tempo todo. Marcela continua se insinuando descaradamente tentando seduzi-lo, dizendo-lhe que sem Betty ela voltará a ser o que era, mas Armando está diferente e alheio a tudo, apenas cumpria com a empresa, trabalhando febrilmente, com a ajuda de Nicolás e do quartel. A única coisa é que, embora tenha prometido não beber, estava de ressaca. Nada neste lugar parece fazia sentido para ele.
(Fala com o vento, sentado na mesinha de Betty)
—Quando eu sentei nesta cadeira, você estava aqui, Betty. E todos os dias que você fui presidente, você vinha me cumprimentar com seu sorriso metálico para alegrar meu dia. Como demorei tanto para perceber tanto que te amava? — diz segurando uma foto.
—Te amo! Te amo! –beija-a.
Assim, os dias passavam sem graça ou cor para o nosso casal.
Em Cartagena, a nova chefe de Betty, Rosa Ventura, está feliz por Betty ter aceitado o convite para ser gerente gral de sua confecção. Não esperava mais que a economista aceitaria trabalhar para ela, depois de ser presidente de uma empresa da importância de Ecomoda. Enquanto espera par assumir seu posto, Betty aluga o apartamento recomendado por Catalina, e qual não é sua surpresa ao saber que o mesmo é de propriedade de Michel Doinell¿ E, a propósito, é ele quem vai lidar com o contrato.
—E Armando deixou-a vir sozinha? Vocês não estão mais juntos?
—Sim estamos juntos. Mas eu tenho meu trabalho e ele o seu.
—Hum, relacionamento à distância¿
—Sim, Ojojo!
—E acha que pode funcionar? Eu já tentei com minha namorada colombiana e quando cheguei aqui, ela já tinha outro. –disse com sorriso cínico
—Será uma prova do nosso amor. –disse Betty, com dor no coração
—Você ainda gosta do Armando¿
—Eu o amo com toda a minha alma!
—Estarei aqui se precisar de mim... Espero que ainda possamos ser amigos.
—Sempre seremos.
Tão prestativo, Michel apareceu para apoiá-la, com a desculpa de ser seu amigo e não querer que ela se senta sozinha. Mas Betty, estava consciente que suas atenções não eram puras como as de Nicolás, assim, procurou manter distância.
Betty e Armando continuam se comunicando diariamente por telefone. Além disso, Nicolás sempre conta a ela como está Armando.
—Você sabe que eu não apoio esse cabeçudo!
—Ele está te tratando mal, Nicholas?
— Pelo contrário, Betty! Ele me trata melhor do que nunca. Como chefe, não tenho que reclamar. Ele nem grita como antes. Só trabalha fechado na Presidência. Os modelos vão atrás dele e não o deixam em paz, mas com a ajuda de sua secretária, Aura Maria, as dispensa.
—Aura Maria é uma grande amiga.
—E muito bonita!
—Ojojo Nicolás Aura María está noiva!
—Qual é Betty? Você sabe que eu gosto de Patty, mas por que não posso admirar a beleza de uma mulher sem querer ter nada a ver com ela? E você, Betty já está instalada no trabalho?
—Inteligente. Eles estão preparando meu escritório, mas já estou instalada no meu apartamento.
—E seu amigo francês lá?
—Ai, Nicolás entre Michel e eu não tem nada. Você já sabe como eu sou!
—Seu coração bate fiel e forte por seu cabeção e pelo que vejo, a mesma coisa acontece com ele.
Betty não pôde deixar de suspirar.
Betty deu a Don Armando o endereço onde ela morava e ele escrevia para ela todos os dias, como havia prometido. Mas isso era apenas para disfarçar, pois ele , na verdade, havia anotado o endereço para poder fazer uma visita surpresa a ela.
Então na sexta à noite:
—Hoje não me escapa, Betty!
Quando o ar quente de Cartagena enche useus pulmões, Armando não pode deixar de rir. As lembranças de seguir Betty até Cartagena depois que ela deixou Ecomoda pela primeira vez e ficaram juntos em frente ao mar, faziam seu coração bater mais forte e um sorriso brotou em seus lábios. Não sabia como o receberia, esperava que fosse como antes.
—Este é o lugar!
Mas chegando lá, as coisas não foram como esperava.
De nada adiantou dar explicações, implorar ao porteiro, nada de subir sem avisar. Assim teve que se apresentar.
Quando o porteiro anunciou, Betty não podia acreditar que ele estava lá, devia ter sido um engano, seu coração começou a pular como um louco. E ele pulou ainda mais ao vê-lo tão bonito com aquelas roupas quentes, sabendo que essas roupas quentes tinham que ser guardadas para usar em Bogotá.
—Doutor!
—Betty, minha Betty!
Sem esperar e sem nenhuma vergonha, ele a toma em seus braços e a beija ainda na portaria, sem se importar se o porteiro.
—Mas você não me disse que viria.
— É por isso que é uma surpresa. Não gostou?
— Só posso responder mais tarde.
—Mais tarde?
—Sim.
Betty puxou-o pela gravata para conduzi-la ao elevador. Assim que abriu a porta do quarto, lhe disse.
—Doutor, acho que te disse que esse tipo de roupa não é adequado para Cartagena!
—Livre-se de tudo, Betty! — repetindo o que disse na outra vez que estiveram lá.
E como uma boa seguidora das ordenanças de seu Armando, Betty assim o fez, ela praticamente arrancou a gravata e o paletó dele, agarrou-o pelo pescoço, Armando correspondeu tomando-a em seus braços, Betty entrelaçou as pernas ao redor do corpo dele, enquanto se uniam em beijos para mostrar quanto sentiam a falta um do outro. Aquela semana tinha sido longa, longa demais sem sentir a pele um do outro.
Depois de duas sessões, Betty repousava no peito dele.
—Como é quente é este quarto! –dizia Betty
—É o calor dos nossos corpos, espertona!
— Você acredita nisso?
—Sim.
— Estou com fome.
—Eu também continuo... –disse com olhar de tigre faminto para sua presa.
— Estou falando sério.
—Também. Pensa que saciei minha fome¿
—Bem, você quer pedir uma pizza ou vamos sair para comer alguma coisa? Está calor de verdade, o quarto é abafado, Aqui não tem aquela janela enorme com vista para o mar.
Então os dois saíram para jantar e depois caminharam pela praia, como um casal apaixonado sem se importar que já fosse de madrugada e algumas horas depois, Betty teria que acordar cedo.
Armando só podia ficar o fim de semana e eles aproveitariam o tempo todo.
—______
Assim foram outros fins de semana para compensar os dias da semana quando ficariam longe um do outro. Quando Betty tinha que trabalhar nos finais de semana, Armando a levava à butique e com a permissão de Rosa, passou a ajudar Betty nos trabalhos administrativos. De vez em quando, Beatriz o visitava em Bogotá e eles passavam o fim de semana presos no apartamento, porque ele não queria sair por nada. Quem não gostou nada disso foi Mário, que por mais que tentasse e tentasse, não conseguia fazer com que o amigo sentisse a tentação de voltar aos dias de caça, assim como Marcela, que tentara seduzi-lo a cada maneira ou mesmo as modelos que até diziam que ele agora pertencia à turma de Hugo. Aos poucos, a bebida também deixou de fazer parte de sua rotina, mantinha-se sóbrio, trabalhando duro para ter fins de semana de folga e fugir para Cartagena para se dedicar a Betty. Agora, Armando não via Nicolás Mora como seu rival, mas como um aliado, alguém que realmente o ajudava a administrar Ecomoda e a dar continuidade ao trabalho de Betty. Embora às vezes parecesse bobo e irritante, ele era um gênio e muito focado e fiel. Assim como Marcela, Michel mantinha esperança de que um dia ela se cansaria e lhe daria uma chance.
E assim os meses se passaram. A única coisa que separava Betty de Armando era quando um dos dois tinha que trabalhar nos finais de semana. P
or exemplo, o lançamento da nova coleção, que impediu Armando de passar dois fins-de-semana com Betty. Se para ele, no ritmo vertiginoso, era possível controlar a saudade, para ela era mais difícil. Se ela não tivesse trabalho no sábado, teria ido a Bogotá para encontrá-lo e ajudá-lo a organizar tudo e ficar calmo. Só tinham o celular para mataram saudade.
—Betty! Não sabe quanto sinto sua falta! — disse Armando por telefone.
—E eu também. Mas vi na TV que o desfile foi um sucesso! Parabéns!!
—Ah, sim, foi! Opa! Meu pai está feliz. Ele está feliz, todo mundo está feliz, menos eu. Porque eu não tenho você aqui ao meu lado.
— Eu também não. Eu ia vê-lo, mas tive que trabalhar no sábado. Mal aguento de saudades, quando chegar aqui tenho uma surpresa para você.
—Me diga meu amor!
—Você não terá que esperar quando estivermos juntinhos.
— Ah Betty! Pior do que isso, terei um emprego, uma reunião do conselho e não poderei ir esta semana novamente. Daniel continua jogando meu pai contra mim. Não sei quanto tempo vou aguentar este estresse.
—Confie em Nicholas, como você confiou em mim. Não se preocupe, você está no caminho certo!
—Deus te ouça, Beatriz! A amo!
—E eu te amo mais!
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A reunião de diretoria foi um sucesso total, até Nicolás foi elogiado. A única coisa ruim foram as indiretas:
—Armando, parabéns! Está tão focado, mudou muito, amadureceu.
—Grato, papai!
— Mas eu vejo você triste, algo está faltando em sua vida!
—Eu sei que eu faço.
—Precisa se estabelecer, não é bom que o homem viva só! — disse Roberto
—Isso é muito fácil de resolver! — Marcela se ofereceu.
—Não estou sozinho! Estou com Betty!
—Betty¿ E onde está ela¿
—Trabalhando, assim como eu¿
—Um relacionamento à distância¿ Você pode ter a mulher que quiser e...
—Quero Beatriz Pinzón!
—Vai saber se a esta hora ela não está com alguém!
—Não está! Minha Betty não é assim.
Ele não aguentava mais, precisava sair daquele sufoco, duas semanas sem estar nos braços de Betty era muita tortura, então, acabou a reunião, e foi direto para o aeroporto, não deixaria nada atrapalhar, Betty ficaria surpresa. E ele precisava saber que surpresa ela tinha para ele.
—Será que ela vai voltar a Bogotá?
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