—Deixa de tocar! Que insistência!

Mas o telefone não parava de tocar.

—Ah! Já vou! Já vou! -Olha o identificador –ARMANDO! Meu amor! Está me chamando! Sabia que me ama e não pode estar sem mim! –diz para si mesma -Alô, mi amor! Sente minha falta?

—MARCELA! QUE FOI FAZER NA CASA DE BETTY? LOUCA, NÃO PODE ENTENDER QUE NÃO QUERO MAIS NADA CONTIGO?

—Por quE FALA ASSIM COMIGO, MEU AMOR? Os pais da garfio necessitavam saber que ela não era tão santa quanto parece! Agora já sabem! Quando voltará a meus braços? Sinto sua falta!

—NEM QUE FOSSE A ÚNICVA MULHER DO MUNDO VOLTARIA A VOCÊ! E DEPOIS DO QUE FEZ NEM SE TIVEESE QUE ME TORNAR GAY! ME ESQUEÇA E NÃO VOLTE NUNCA MAIS A PERTURBAR OS PAIS DE BETTY OU NÃO RESPONDO POR MIM!

—NÃO TEM OUTRA OPÇÃO, É MEU, ARMANDO MENDOZA! SÓ MEU! QUEIRA OU NÃO!

—ESQUEÇA-ME!

Assim que Armando desligou o telefonee m sua cara, ela começou a chorar de tristeza, raiva e inveja. Sempre havia invejado Betty por sua inteligencia e pela complicidade com Armando e sabia que ela despertava algo nele que nenhuma poderia despertar. A única coisa que a tranquilizava antes de ler os cartões era que por ser feia Armando JAMAIS deitaria com ela, mas havia feito.

—PELA EMPRESA, MARCELA, SÓ PODE TER FEITO TUDO ISSO PELA EMPRESA! LÓGICO! –RIA ALTO –QUE OUTRA EXPLICAÇÃO TERIA¿ A EMPRESA, O FETICHE, A CURIOSIDADE! DISFRUTA BEM, BEATRIZ! ARMANDO GOSTA DE NOVIDADES! SIM, MARCELA, NUNCA ESTEVE COM UMA FEIA E A CURIOSIDADE MATA O GATO, MAS QUANDO PASAR, SE DESPERTARÁ ASSUSTADO COM SUA FEIÚRA E TE DEIXARÁ COM FAZ COM TODAS! E VOLTARÁ PARA MIM!

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Enquanto isso também em Bogotá.

—Por favor, minha filha! Não sei o que te prende aí, mas já acabou o Reinado!

—Tenho proposta de trabalho, mamãe. E não sei se volto. A proposta é boa, na verdade, várias propostas.

—Ai, minha filha, seu pai está que solta chispas e não passa bem do coração. Tenho receio que lhe dê algo.

—Quem é Júlia? É a menina, não é? -pegando o telefone -ESCUTE AQUI, BEATRIZ AURORA! SEU TRABALHO JÁ ACABOU! TEM QUE VOLTAR PARA CASA. OU VOU FALAR COM ESTA SENHORA QUE A DESPEÇA!

—Papai, tenho outras propostas de trabalho e estou pensando em aceitá-las.

—Não me tire do sério, Beatriz Aurora! Sou capaz de ir até a senhorita onde quer que esteja nesta cidade do pecado e a buscá-la! E que não a encontre com este Doutor Mendoza ou não respondo por mim! -disse imitando o barulho da arma, o que deixou Beatriz com medo.

—Pode ter certeza que não estou com ele!

—Que seja verdade! Ou ele desaparecerá como aquele Miguel por te desonrar. Falei com o pai deste senhor que está muito decepcionado com o filho. Além de cancelar o casamento com a senhorita que veio aqui, descobriu que fizeram alguns esquemas, que a empresa não é deles e sim sua! Que vergonha, Beatriz Aurora, uma Pinzón jamais agiria assim. Tem que dar as caras e mostrar que tem dignidade e não jogar nosso nome no lixo. E se falar com este senhor, diga-lhe que se digne a colocar as caras, pois tem que voltar à empresa.

Depois de ouvir tantas cantilenas de seu pai, Beatriz estava confusa, assim que resolveu pedir conselhos à Catalina, sua única amiga.

—Não posso acreditar, Betty! Como assim a Ecomoda está embargada? Bem que ouvi algo por aí... Mas não quis aprofundar-me, de verdade você é a dona da Ecomoda?

—Sim. Ai, dona Catalina.

—Não posso acreditar! Chega a ser irônico. Lembro-me de como sofreu bullying e foi discriminada naquela empresa e mal sabiam que faziam isto com a dona!

—Pois é, dona Catalina. Seria cômico se não fosse trágico, sobretudo em relação aos Valencia!

—Não se culpe. Muitas empresas fazem algo assim como maquiar balancetes.

—Eu sei, mas...

—Diga-me a verdade: não fizeram manobras como caixa 2, tiraram dinheiro da empresa?

—Pelo contrário, dona Catalina. Nosso objetivo era livrar Ecomoda das dívidas, inclusive Don Armando colocou dinheiro do próprio bolso na Terramoda.

—Ai, Armandito, sabia que aquela coleção havia sido um fracasso, mas não tanto a ponto de afundar a empresa.

—O pior foi o contrabando de tecidos que Don Mário fez.

—O quê?

—Sim, vou explicar.

...

—Que coisa! Mário tão experiente nisso!

—Pois sim. Vi que estava mal isto, mas não me ouviram!

—Aqueles dois sempre foram teimosos.

Catalina estava curiosa, pois pela cena que presenciou no escritório, sabia que o romance de Betty com Armando havia começado quando era feia, o que a assombrava, pois Armando era tão exigente que sequer andava com mulheres medianas, imagina com mulheres como era Betty. Mas não ia falar sobre isso, ainda mais porque percebeu que a assistente estava triste e que algo havia acontecido entre eles. Betty não iria vir a seu quarto conversar se estivesse bem, teria passado a noite nos braços dele como havia feito estes dias todos.

—E isto não é tudo! Doutor Daniel Valência descobriu tudo como previa e denunciou-nos na Reunião de Diretoria.

—Oh não. Não sabia disso.

—Sim, por isso eu estava daquele jeito.

—Você tremia e não é para menos.

—Eu sabia e tinha alertado o doutor sobre isso, mas ele é teimoso!

—Realmente, assim como foi com a coleção.

—Assinei uma procuração passando tudo para quem quisessem, mas parece que estava errado, pois mandaram que Armando viesse aqui para fazer-me assinar outra. Mas como o juiz decidiu por Terramoda, continuo dona da empresa, por decisão deles.

—Que coisa, Betty!

—Sou a presidente da empresa por falta de opção. É algo que não queria, o único que queria fazer era ser vice-presidente financeira, mas por imposição de Don Armando criamos a empresa para cuidar de Ecomoda e agora sou a dona de sua empresa.

—E dona do coração dele também.

—Disso tenho minhas dúvidas.

—Pois não deveria! Conheço Armando há muito tempo e sei como te olha e não olhou nunca assim para alguém e o fato de estar aqui, atrás de você, em um lugar como este com muitas mulheres lindas em um concurso de beleza. Não! Pode crer que tem algo aqui.

—Não sei se posso ter certeza. Tem muitas coisas, entre elas que sou dona de sua empresa (não quis falar-lhe sobre o plano de Mário) não sou uma de essas mulheres, ainda que possa ser feia.

—Feia aonde?

—Talvez esteja um pouco melhor, mas...

—Beatriz está bem enganada! Olhe no espelho, mulher, está muito bonita!

—Oj oj são seus olhos, dona Catalina.

—Os meus e os de Armando, quer dizer!

—Não quero pensar nisto agora. O fato é que estou envolvida em um grande problema. Dona Marcela descobriu tudo.

—Hã?

E foi à minha casa fazer um escândalo.

—Como? Marcela?

—Sim. Com meus pais!

Catalina mal pôde acreditar na baixaria que Marcela fez na casa dos Pinzón.

—Como pode ser isto? Nunca imaginei que ela pudesse ir tão longe. Isto é obsessão, não amor!

E o que Armando disse, ele sabe?

—Ficou furioso com ela! Mas ele sabia que ela havia descoberto e não me disse nada. Disse que para ele não tinha a menor importância se sabia ou não, já que não tem mais nada, mas que não imaginava que chegaria ao ponto de ir à casa de meus pais.

—Ai, Betty!

—Meu pai quer que eu volte imediatamente, mas não estou disposta a aguentar as cantilenas dele, de certa forma, sabe que eu e don Armando temos algo e que a empresa está em meu nome. Sei que não vai me deixar de dar sermão. E não quero deixar de lado tudo que aprendi aqui e tampouco voltar igual ao que era antes.

—De forma alguma!

—Se eu voltar, além de me criticar por tudo que já falei, vai me criticar por meu novo look. Ele não vai aceitar!

—Mas que absurdo, Betty, se está mais linda assim.

—Sei e me sinto melhor, mas para ele não podia me mostrar assim.

—E você quer voltar ao antigo look?

—De forma alguma, me sinto bem e segura como estou!

—Que bom.

—O que acha, se fosse a senhora, voltaria mesmo podendo refazer sua vida aqui com ótimas propostas de trabalho?

—Se fosse eu, voltaria para Bogotá!

—De verdade?

—Sim, pois as coisas estão abertas e mal-resolvidas lá. Tem que ajeitá-las. Primeiro. Quanto a seu romance com Armando, ele e Marcela já terminaram tudo.

—Não posso confiar nele. Ele não me contou que veio atrás de mim também pela assinatura.E tem muitas questões nisso.

—Creio que deviam conversar e se acertar.

—Não sei.

—Pense com carinho.

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Após a conversa, Betty voltou a seu quarto e dormiu umas horas, depois Catalina a chamou para tomarem o dejejum, era necessário participar do jantar com a nova reina e precisavam coordenar a desmontagem dos stands para enviar aos patrocinadores.

Assim, como o dela, o rosto de Armando ao desjejum denotava certa tristeza. Catalina sorriu, Armando estava como dizia, apaixonado. E mais evidente era quando os olhares deles se cruzaram, Catalina viu faísca, mesmo Beatriz tentando desviar não foi possível.

À noite, Catalina resolveu promover uma reunião de despedida, entre os organizadores do evento e amigos, entre eles, Armando e as modelos da Ecomoda, todos percebem que Armando está estranho e mudado, sobretudo porque não quis ficar com nenhuma delas e olhava com tristeza para Betty.

—Betty, precisamos conversar.

—Creio que aqui não é o lugar, don Armando!

—Vamos para algum lugar, então.

—Não vou a nenhum lugar com o senhor!

—Betty não faça assim, por favor!

—Meu pai quer que volte para Bogotá!

—Assim como o meu! E vai voltar?

—Ainda estou pensando nisso! E o senhor vai voltar?

—Só voltarei se você voltar. Não tenho nada para fazer lá.

—Como não tem? E a sua empresa?

—A empresa? Fui praticamente expulso da família e não me importa mais nada. Daniel tem a chance de ser mais amado por meu pai e ser o filho perfeito.

—Isto não é assim! Não é possível que um pai pense assim e queira mais bem a alguém que não é seu filho.

—Pois pode crer. Sempre foi assim e ainda pior depois de tio Júlio se foi.

Mas um grupo se junta a eles e tão animados que estão com garrafinhas de bebida nas mãos que acabam puxando-os,entre eles estavam Michel e algumas modelos.

—E como assim? Vão ficar aí parados tristes?

—Não mesmo!

—Venha, Betty! Venha dançar! -disse Michel, puxando-a e insinuando-se.

Eles os arrastam e formam uma roda. Armando está como quem ferve de ciúmes, por Michel estar bem de seu lado, segurando sua mão, assim como Betty por ter modelos em volta dele. Sorrisos, alegria e dança inundam o ambiente, contrastando com a angústia que Betty e Armando sentem. Sabem que terão que voltar à capital mais dia menos dia e assumir a responsabilidade Assim, jogaram o jogo e para compensar beberam um pouquinho além da conta.

Quando Betty sentiu-se cansada e pediu permissão para voltar ao hotel.

—Eu te levo, Betty!

—Como assim leva? Eu levo ela!

—Ora, Armando, você está ocupado aí com as meninas, deixe Betty respirar um pouco.

—Deixa de ser abusado, homem!

—CHEGA! Eu vou sozinha!

—EU te levo!

—Não! Eu te levo!

—Tem excelentes guarda-costas, Betty! -disse Catalina com ironia -Levem os dois.

Assim, cada um pegado de um braço, levam Betty à porta do quarto do hotel.

—Bem, rapazes! Oj oj oj podem me deixar aqui! -disse Betty. Michel foi o primeiro a dar-lhe um beijo na bochecha, bem perto da boca.

Assim, Armando puxa Betty e dá o seu selinho. Os dois homens se olham com raiva.

—Oj oj oj já é hora de dormirmos cada um em seu quarto.

—Pois saiba que tem um francês que sempre sonha em compartir o mesmo quarto contigo!
—Não seja abusado, homem! Istto são coisas que se fale para uma senhorita?

—Desculpe-me, Betty!

—Tudo bem! Comportem-se!

Ao fechar a porta, Betty encostou-se na porta e deu risada. Nunca havia passado por esta situação antes de ser disputada por dois homens e ainda dois triple papitos assim.

Sentia-se segura e havia tomado uma importante decisão.

—Alô?

—Ah, resolveu atender o telefone? Onde estava?

—Com dona Catalina e o pessoal da organização!

—Ainda de festinha? Beatriz Aurora, é bom que decida voltar à Bogotá até amanhã ou irei pessoalmente buscá-la!

—Não é necessário me buscar! Voltarei à Bogotá e não por conta de suas ameaças, papai, mas por conta de minhas responsabilidades. Avise a todos.

—E precisará comparecer perante o doutor Mendoza na empresa.

—Estarei lá!

Assim, Betty fecha os olhos para aguentar a ladainha de seu pai e a preocupação de sua mãe.

Após desligar o telefone, Betty vai até o espelho, se olha e diz:

—Vai enfrentar seus pesadelos, Betty! Mas não pode voltar como antes! Nunca mais serei como antes!

No dia seguinte, Betty acordou mais disposta, apesar da bebedeira da noite anterior.

E se encontrou com Catalina que tomava o café.

—Bom dia!

—Bom dia, Betty! Oh, gostei de ver! Animada, bonita.

—A partir de agora será assim. Quero mudar, me sentir segura, mulher!

—Muito bem! -bate palmas -Sente-se aqui e tome um café comigo.

—Tomarei! Dona Catalina, tomei uma decisão: vou voltar para a Bogotá!

—Ah… Não vai aceitar a proposta de Michel, então de cuidar do restaurante? E tampouco a de Rosa para cuidar da boutique?

—Não, infelizmente agora não posso, não enquanto não fechar um ciclo em minha vida.

—E quanto a Armando?

—Decidi sobre isso também. Nada será como antes. Vou aceitar o que me propôs, tem o dia livre hoje?

—À sua disposição!

Assim, Betty e Catalina vão ao salão de beleza, onde a moça mais uma vez se coloca à disposição e depois a um dentista.

—Então, crê que ela pode viver sem estes ferros?

—Se pode viver? Há muito tempo deveria ter tirado ter tirado isso! Seu tratamento se findou há muitos anos! Sua dentição está perfeita.

—Eu não tirei por medo e também por não ter dinheiro para isso.

—Isto agora, não é problema! Faça!

Assim, Catalina pagou pelo tratamento.

—Ai, dona Catalina, fico te devendo mais essa!

—Tome como um investimento. Faça por outra que precise!

—Farei!

Assim, Betty tira o aparelho, faz limpeza e aplicação de flúor.

—E quanto a Armando já decidiu?

—Já. Creio que te ama! Mas se decida por Michel, também vejo que está encantado por você.

—Oj oj oj dois triple papitos como diz Aura Maria! Com qual fico? Tenho que estudar as opções! Ou quem sabe provar de um e de outro e ver qual é a melhor! -disse rindo, tomando um copo de vinho.

—Que moderna está, Beatriz!

—Sabe que é brincadeira!

—Também não é obrigada a ficar com nenhum dos dois, uma mulher não ´obrigada a ficar com um homem para ser feliz!

—Com certeza não. Mas mesmo com novo look e sorriso, sou do tipo que gosta de amar e ser amada; Sim, já tomei!

Assim, Beatriz vai à recepção do hotel e conversa com a recepcionista que com muita insistência acaba fazendo o que Beatriz deseja, de posse de uma chave, sobe o elevador e abre a porta de um quarto. De quem será?

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