Notas iniciais
Betty beijando Michel dentro do carro, mas como assim?

Michel conversava com Betty que pouco ouvia, pois seu pensamento estava submerso pensando em Armando. Nem viu que Michel há tempo havia parado o carro em frente ao hotel e olhava para ela de forma intrigada.

De repente, do nada sentiu um beijo em seus lábios.

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Michel, ao ver que Betty estava parada sem reação, olhando para frente distraída, não resistiu, tomou seu rosto, tirou seus óculos e deu-lhe um beijo na boca.

Tomada pela surpresa, Betty não teve reação para dizer nada, apenas saiu correndo para dentro do hotel. Michel ao perceber que havia se precipitado, saiu correndo atrás dela.

—Deixe-me, Michel!

Vendo que não era o momento de falar com ela, Michel sai literalmente à francesa. Sorte dele, pois exatamente neste momento, Armando alcança Betty no saguão.

—Betty!

—Don Armando, que susto!

—Sei, por que será não? Eu vi, Beatriz! Vi se beijando no carro.

—Não é o que está pensando, doutor!

—Beijo é beijo! E eu vi! -apontou para o olho -Vi! Por que me fez isso?

—Estava me vigiando?

—Não.

—Então, como viu?

—Eu estava na praia.

—Estou vendo, está bebendo muito, doutor! Melhor ir para seu quarto dormir!

—Como? Não posso ir para meu quarto, não depois do que vi. Não depois. -seguro seu braço

—Largue-me, doutor.

Por favor, Beatriz! Precisamos conversar!

—Não temos nada para falar.

—Sim, temos. Sabe que temos. Vamos dar um passeio na praia.

—Não sei.

—Juro que não vou perguntar… do beijo.

—Está bem, doutor.

—Posso pegar em sua mão?

—Melhor mantermos as distâncias.

Michel avista quando saem do hotel, juntos. Ia atrás de Betty para explicar-se, mas resolve se afastar e observá-los de longe.

—Beatriz, gostaria que me ouvisse.

—Está bem. Fale.

—A carta, o plano tudo isto foi um terrível engano.

—Eu sei, não precisa me dizer.

Armando lhe explica.

—Foi desprezível que eu tenha aceitado participar deste plano, ainda mais pois sempre confiei em você.

—Bela forma de confiar.

—Sim, confiava, mas achava que o tal Nicolás pudesse te seduzir, pois me disseram que gostava dele.

Betty olha estranho para ele.

—Está louco, doutor! Já te disse que Nicolás é meu irmão!

—Eu sei, mas na época não sabia. Falava com ele todos os dias. Aquilo me deixava louco e mais os passeios como quartel, com Aura Maria.

—Quem ia olhar para uma feia?

—Sabe muito bem que não é assim e que não é feia!

—Só o senhor sabe disso.

—E toda a Cartagena. Está muito bonita, Betty. Esperava que longe de seu pai resolvesse mostrar sua beleza e iria adotar outro look.

—Foi insistência de dona Catalina!

—E se sente bem?

—Sim, é melhor que me acharem feia! Oj oj oj Te incomoda meu look de feia?

—Não é feia! Sabe que me apaixonei por você com seu antigo look. Me deixa louco e me encanta! –a abraça –Minha nerd! Parece aquelas meninas de escola! –começa a beijá-la e a pega a ele.

—Não, don Armando.

—Beatriz! Vai continuar a me desprezar?

—Não o desprezo!

—Despreza e me rejeita!

—Sabe que não é isso. Estou chateada por ter me enganado para não perder sua empresa.

—Eu sei. Isto nunca vai ter perdão. Sou um lixo de pessoa! -diz Armando irritado, seus gestos são nervosos. -Me dê uma chance, estou aqui por você.

—Não sei. Preciso tempo. Tem que ser devagar.

—Está bem, mas me deixa estar perto de você, nem que seja como amigo.

—Conseguiria ficar perto de mim como amigo?

—Não sei.

—Sem montar cenas de ciúmes? Não conseguiria, não é?

—Está bem, consigo.

—Mesmo?

—Sim, quero te mostrar que te amo. Estou aqui, não? Deixei a empresa e meu compromisso para te encontrar. Não acha que deve ser porque te amo?

—Eu disse devagar, doutor! Preciso saber em que terreno estou pisando.

—Será como quer, dou o tempo que precisar.

—O que sua família achou de ter desistido de casar com Dona Marcela?

—Ah, me desprezaram como sempre. Mas sabe? Não me importo nem um pouco. Depois do que Daniel fez e todos me repudiaram, ao invés de ao menos me ouvir. Não fiz de propósito, queria que tudo desse certo. -Armando chora e Beatriz o abraça. -Só queria que meu pai tivesse me apoiado e amado como faz com Daniel.

—Ele o ama!

—Sabe que não.

—Os pais são complicados, veja o meu. Don Hermes não vê que eu cresci e insiste que eu continue me vestindo como quando tinha 10 dez anos.

—Mas ao menos ele te apoia. Apoia sua carreira. Sou apaixonado pelo mundo da Moda, pois cresci nisso, sabe? Mas também amo Engenharia industrial, mas meu pai achou ridículo que quisesse estudar isso. Nunca elogiou que eu incrementasse o maquinário de Ecomoda, promovesse a manutenção a custo quase 0. Acha que só seria útil à empresa se fosse administrador ou economista como Daniel.

—Não fala mal dos economistas.

—Jamais falaria mal, minha sabichona. -para de caminhar para olhar para ela e segurar seu queixo.

—Está chorando?

Desculpe, mas este assunto da minha família me põe sensível. Sei que não deveria mostrarme assim.

—Por que não?

—Fui criado para ser meio frio, distante, a olhar o superficial.

—Mas sabe que não é assim!

—Você o sabe. -ela o acaricia no rosto

—Pode me dar um abraço, Betty?

Quando ele faz a cara de ninho pidão não há como negar. Deixa-se abraçar. Sentindo o calor daquelas palavras esquentarem seu coração, Beatriz sente calor invadir seu corpo quando ele a abraça.

—A-acho que é melhor irmos, amanhã tenho trabalho, doutor!

—Está bem!

—Betty, comeu alguma coisa?

—Ah nem tive tempo, muito trabalho.

—Que tal se jantássemos, também tenho fome.

—Estou cansada, não quero ainda ter que ir a restaurante. Não vejo a hora de tirar este sapato.

Vou ver se peço algo no quarto.

—E onde está hospedada?

—Ao lado de Dona Catalina, na ala de frente.

—Bem, e o que acha de continuarmos nossa conversa no quarto. Te convido para jantar.

—Creio que está tarde, doutor, para ficarmos conversando. Melhor que vá para meu quarto.

—Betty, como te prometi, como amigos. Não pense que perguntei com más intenções, pelo contrário, é que não queria comer sozinho. Prometo que vou me comportar!

—Está bem! E onde está hospedado?

—No sexto andar.

Armando sorri. Sabe que vai ser difícil, mas tem que cumprir a promessa de se comportar e dar o tempo que precisa para que não a perca. Já é suficiente tê-la ao seu lado jantando.

“Minha pele clama para ter contato com a dela, preciso envolvê-la nos meus braços. Beijá-la e possuí-la até que o mundo acabe. Mas preciso me controlar.”