O lado “B“ de Betty Pinzón (Betty a Feia)
13 Capítulo 12 Oh não!
Depois da noite de amor que tiveram, Betty chegou sorridente à Ecomoda, assim como Armando, que tentava disfarçar de Marcela. Mas a noiva sabia que algo estava acontecendo.
A única coisa que angustiava Beatriz é saber que hoje Armando viajaria e iriam ficar separados um bom tempo.
Quando Betty chegou, Armando já estava sentado em sua mesa, logo, trocaram sorrisos e foram interrompidos por Marcela que queria saber das passagens que Betty havia reservado. Estava um pouco mais alterada que o costume.
Betty, então, decidiu ficar dentro da salinha, ouvindo os dois discutirem.
Quando Marcela saiu, Armando suspirou aliviado, deu um tempo, viu-a entrar na sala dela com Patrícia e sorriu. Ia até a salinha de Betty, além de dar-lhe beijinhos, iria leva-la a algum lugar para conversarem. Depois de tudo, precisava contar-lhe sobre o plano e dizer que se apaixonou por ela.
Armando estava com os dedos na porta da caverna de Betty, quando Mário adentrou a Presidência.
—Bom dia, estimado Presidente!
—Ah, Mário! Estou ocupado!
—QUÊ? Já ia entrar na cova de seu monstrete? Já não basta terem passado a noite no meu apartamento?
—CALA A BOCA, MÁRIO! –passa a cochichar -Ela está aí!
—E ontem? Como foi? Se acertaram? -também cochichando
—Mário, depois conversamos.
—Ah, meu amigo. Esqueceu que vamos viajar? E com sua noiva no encalço não vou conseguir saber!
—Ok! Vamos para a sala.
Vendo que Mário não iria sair de seu pé, Armando vai falar com ele
—Olha, é a última vez que te empresto meu apartamento! Até o porteiro fez piada com a mulher que levou ao apartamento. –Cínico. A ideia foi dele.
—Não perturba, Mário.
—Conte-me! Conseguiu fazer as pazes com a vampirin?
—Sim. Mas não fale dela assim, ok?
—Ora, meu irmão. Conte os detalhes!
—Não há nada para contar!
—Como não há nada? Ficaram só nos beijinhos ou fizeram horror?
—Fizemos amor sim. Fizemos. Se é só isso, que quer saber, deixe-me ir, agora. Tenho muito trabalho.
—De forma alguma. Não me contou nada ainda. Ela ficou feliz?
—Ficou! Lógico! Que pensa?
—E vai maquiar o balancete?
—Não falamos disso, mas sim vai. Já tinha falado antes.
—E o como foi? Foi doce como da outra vez? Ou...
—Foi. Foi doce e também –põe cara de pervertido – muito. Intenso.
—Intenso?
—E apaixonado. Ela é uma mulher apaixonada, não?
—E conseguiu ver como ela é? (Para quê quer saber?)
Armando põe olhos sonhadores.
—Sim. Ela é. Não, não vi. Foi de luz apagada.
Não iria contar para Mário os detalhes, nem que tinha visto Betty como veio ao mundo e que era bela. Era um segredo só dos dois.
—De novo de luz apagada? Por que não pediu que acendesse a luz?
Armando põe cara de assassino.
—Não me olhe assim! Não o culpo. Já basta ter que fazer o sacrifício de ir para cama com uma feia, imagina uma horripilante como ela e ainda de luz acesa? -Armando o pega pelo colarinho –Mas pensei que ao menos teria curiosidade científica. Mas olha, isto logo vai passar e poderá estar rodeado de belas garotas, sim?
—Mário. Não estou feliz com isso. Me sinto mal de enganar esta pobre mulher.
—Não disse que ela gosta de estar com você?
—Sim.
—A está fazendo feliz! Uma mulher como Betty jamais teria chance de ter um galã como você dando-lhe carinho, levando-a para cama.
—Mário, se soubesse...
—Se soubesse o quê?
—Nada. Bem, vamos voltar ao trabalho.
Ao sair da sala, Betty vai ao encontro dele. Mário sai, mas logo chega Marcela e tal como na novela, Betty informa que não poderá viajar, pois tem negociar as telas com a San Remo, pessoalmente.
Marcela briga com ele e vai falar com Patrícia.
—Não acredito, Marcee, que ele não vai!
—Eu tinha planos, Patrícia. Sem esta mulher por perto, iria embebedá-lo e seduzi-lo!
—E já descobriu quem é, Marcee? Ainda desconfio da Adriana Arboleda.
—Não é, Patricia! Ela está casada e estava fora do país! É outra que estava aqui.
—E agora que vai viajar, vai deixá-lo com ela!
—Por isto preciso que o vigie! Mas aparte disso, vou fazer algo que já deveria ter feito.
—O quê, Marce?
—Apelar para a solidariedade feminina da Garfio!
—_____
Assim, antes de viajar, Marcela leva Betty para almoçar no Lenoir e hipocritamente a trata bem, como nunca tratou, para que Betty traia seu chefe e conta a ela quem é a mulher que anda com ele. Betty sente-se culpada em ver o sofrimento de Marcela.
—Não desista dele, continue lutando por ele, se o ama.
—Obrigada, Beatriz! Farei isto quando voltar.
O que faço? Não posso vê-la sofrendo sabendo que o ama! Está bem que tentou de tudo para me prejudicar, que fez intriga com sua amiga, mas foi porque ama don Armando e está desesperada com a indiferença dele.
Assim, Betty volta ao escritório. Ao chegar lá, Armando já havia ido almoçar com o pessoal da San Remo. Mário havia ido ao aeroporto onde encontraria com Marcela para viajarem juntos.
Betty estava trabalhando no computador, pensando no que Marcela havia lhe dito, mas ao mesmo tempo esperando a volta de don Armando, que havia lhe ligado apenas para pedir que se desculpasse com a ex-miss Cecília Bolloco (que este dia havia vindo visitar Hugo e presenciou uma briga feia entre Armando e Marcela). E que fizesse o possível para segurá-la, pois queria se desculpar pessoalmente.
—Ah sim, claro. Como não? -Logo, lembrou-se de como ele a havia tratado diante de Adriana Arboleda e receou que voltaria a acontecer.
Mas a intenção de Armando realmente era só pedir desculpas, pois estava envergonhado pelo escândalo que Cecília presenciou: a briga entre ele e Marcela. De volta à empresa, Betty foi procurar a apresentadora e não a encontrou.
—Então, quando ela voltar do almoço com Hugo, me avise. Preciso falar com ela.
—Sim. Ah, Betty! Tem uma encomenda. Está na sala de meu chefe. –disse Sandra
—Então, é de don Mário.
—Não, pois está em nome de don Armando.
Betty vai ver a sacola azul claro. Era diferente, parecia de presente.
—Deve ser algo de don Mário para don Armando e como viajou, não teve tempo de entregar.
Com a sacola nas mãos, Betty refletia sobre que Sandra lhe disse que como secretária de Mário tinha autorização de seu chefe de abrir toda a correspondência dele e devia ser o mesmo com a que tinha em mãos. Então, ela segurou a sacola, deixou de lado. E tornou a pegá-la.
—Ele disse que vai demorar para chegar. E se for importante? O que teria Don Armando para esconder de mim, justo ele que me conta tudo?
Betty pegou a sacola. Tentou expiar, abriu. Ao puxar o que tinha dentro, encontrou cartões e lembrancinhas.
—Que isso?
—Para Betty! Os beijos de ontem me confirmaram. São para mim? Tan divino! Então, don Armando deixou lá para que dona Marcela ou Patrícia não a vissem. Cartões, lembrancinhas para mim. Vou fechar e deixar lá na sala de don Mário! Mas como assim? Don Mário sabe de nosso romance? Não conseguiu guardar segredo? Bem, quando chegar pergunto a ele. E este envelope?
Um envelope pardo comprido destoava dos outros.
—E este?
“Estimado presidente,
Aqui están las instrucciones para que continues tu rutina de horror com Betty.”
—Quê? Como assim?
Betty continuou a ler. O conteúdo daquela carta era inacreditável , alguém escrevia a Armando. Mas quem? Quem dizia aquelas coisas tão terríveis?
... volverá a ser um hombre feliz rodeado de mujeres belas cuando ella devuelva la empresa!”
Mário Caldeirón
—Como assim? Esta carta foi escrita por don Mário para don Armando. Ai, não! -lembrou-se logo de Miguel. Havia escapado de cair nas redes de Miguel e caído nos braços de don Armando. –ELE NÃO PODE TER FEITO ISTO COMIGO! NÃO DON ARMANDO! Que seja mentira! Que seja mentira.
Betty tirou xerox da carta, algumas dos cartões para poder ler com calma.
—Um cavalheiro, um homem educado e inteligente como don Armando teria necessidade de fazer isso?
Embrulhou a sacola tal como estava. Sua vontade era pegá-la e esfregá-la na cara dele. Rasgar cada uma das coisas. Mas e se estivesse sendo injusta e se tudo não passa de uma piada de Mário após saber que Betty e ele estavam juntos? Não, Betty, não vê? Que os dois estão rindo de você como Miguel e Roman?
Betty limpou o rosto e levou a sacola de volta à Sandra.
—Sandra, esta sacola é de don Mário. Talvez don Armando procure por ela.
—E chegou a ver o que tinha dentro? -Sandra fez menção de abrir.
—Não mexa aí!
—Ai, Betty.
—Vai me prometer que não vai mexer em nada. E se qualquer um dos dois perguntarem, VOCÊ NÃO VIU NADA, não sabe de nada!
—Ai, Betty! Não gosto de mentir.
—Escute, Sandra, é coisa deles e não deveríamos ter mexido nisso, ok? Se descobrirem que mexemos podemos nos por em uma grande confusão. Nunca vimos esta sacola, sim?
—É tão grave assim?
—Sim, não, quero dizer, mas é particular, OK? Posso contar contigo? Jura que não falará a ninguém, nem ao quartel?
—Está bem.
Sandra jurou e Betty, de posse da cópia voltou ao escritório, começou a ler a carta com mais atenção, com as lágrimas correndo por seus olhos. Neste momento, chega Cecília Bolloco que quer falar com Armando. Betty tinha que dar-lhe o recado a respeito de esperá-lo retornar.
—Ai, infelizmente, não poderei esperá-lo.
—Tudo bem, senhora! Não tem problema. Ele só vai gritar comigo por não ter-lhe dado o recado. Mas à senhora, ele vai perdoar e quem sabe.. pois as bonitas ele trata diferente, sabe?
—Está bem?
—NÃO! Me desculpe! A senhora não tem culpa. –Betty conta um pouco do drama de sua vida por ser feia e Cecília, compreensiva, tenta fazê-la entender que as coisas não são como parece e que suas maiores decepções vieram depois de ser miss.
Betty se acalma e quando Cecília vai embora, volta a ler a carta e acha que não passa de piada. Pensa que Armando cometeu o erro de contar a seu amigo e agora ele faz bullying da história dos dois.
Quando Armando chega fica furioso de saber que Betty não arrumou um jeito de segurar Cecília. E acaba dando bronca nela, que o trata friamente. E a situação piora quando atende o telefonema de Caldeirón e depois de passar para Armando, fica de sua salinha vendo como o seu amado chefe rir de Mário falando da sacola pelo telefone.
—Ele... sabia... ele... está rindo. Foi tudo um plano, eles estão se burlando de você! Como pensou que descobriria o amor justo nos braços de Armando Mendoza?
Ao desligar o telefone, Armando como autômata rasga a carta rindo. Para ele, Mário é um idiota que não consegue entender o que está acontecendo com ele. Nem ele mesmo consegue.
—Preciso ver, Betty. Betty!
—Pois não, don Armando? -disse Betty da salinha, sem levantar-se. Ele estranhou, pois ela sempre corria até ele. Então, ele que teve que ir até ela.
—Betty, hoje Marcela irá ligar para meu apartamento para saber se estou lá. Sabe como ela é desconfiada, não?
Betty não fala nada e finge estar arrumando algo
—Mas amanhã, se quiser, tenho o álibi perfeito: iremos ao lançamento da Adriana Arboleda. Que acha? Tenho dois ingressos? Vem comigo e depois poderemos ficar os dois juntinhos!
—Como queira. –fez seu bico –amanhã, então.
—Betty, sente-se bem?
—Sim.
—Desculpe de não ficarmos juntos, mas a Marcela...
—Ela está em seu direito.
—Betty, desculpe por ter ficado nervoso por Cecília não ter ficado.
—Nada além do normal.
—É que me sinto envergonhado pelo que esta mulher presencionou.
—Tudo bem, já passou.
—Eu te levo à sua casa, só não poderei ficar contigo.
—Não tem problema algum. Irão vir me buscar, pode ir para casa.
—Quem virá?
—Hã, meu pai!
—O.k.
Na verdade, Betty iria de táxi, mas por sorte Catalina estava na Ecomoda e passo na Presidência para conversar com ela e vendo-a triste, ofereceu-se para conversar.
—Desculpe, dona Catalina. Mas não posso falar mesmo.
—Betty, não precisa falar nada. Quer que te leve para casa?
—Sim, por favor.
Betty pega sua bolsa e vai com Catalina. Ao chegar em casa, encontra Nicolás. Como ele a conhecia muito bem sabia que não estava bem. Ainda mais porque estava pálida, mais encurvada que costume e o olhar sem brilho, diferente dos dias anteriores.
Esperou para conversarem no quarto.
—Betty, conte-me. O que aconteceu?
—Me mataram, Nicolás! Me mataram, tal como antes com Miguel. Me enganaram.
—Como assim, Betty?
Betty contou tudo, desde o primeiro dia até a hora que abriu a carta. Apenas omitiu que fizeram amor, dizendo que ficaram apenas nos beijinhos e que havia se revelado bela a ele, por serem coisas da intimidade dos dois. Coisas que pensava que agora estavam sendo contadas a Mário Caldeirón.
Nicolás ficou chateado, mas não se surpreendeu, pois sabia que Beatriz estava louca de amor pelo chefe e que o fato da empresa estar em seu nome deveria causar insegurança no doutor Mendoza, mas nunca imaginava que desceria tão baixo, a ponto de seduzir Betty e ainda estar com ciúmes da amizade deles.
—Que ciúmes que nada! Ele é frio e calculista! Fez tudo de caso pensado.
—Ainda bem, Betty, que você leu esta carta antes! Já penso se como com o Miguel tivesse se entregado de corpo e alma a ele? Do Miguel, eu cheguei a tempo com seu pai! Já com o doutor Mendoza não teria como te proteger.
Betty fica ainda mais nervosa.
—Nicolás. Melhor ir agora! Preciso descansar!
—E o que fará amanhã?
—Não sei! Amanhã vou pensar. Por favor, Nicolás, fica entre nós dois, nem minha mãe enem meu pai podem saber.
—Ainda mais porque don Hermes iria querer tirar satisfações com o doutor aí!
—Por isto mesmo.
-Mas pretende seguir como se nada tivesse acontecido?
—Não sei. Preciso pensar, observar e ver o que farei.
Nicolás sai e Betty chora deitada na cama. Não podia contar tudo nem a seu melhor amigo. Logo, vai contar para seu diário, pois só ele pode saber a verdade.
“A que escribe hoy éste diario es un compendio de varios pedazos de lo que fue una mujer. Hoy entiendo que mi vida no es más que un ciclo donde la tragedia se me repite de una manera cada vez más cruel, es como si no hubiera aprendido de mis dolores, de mis muertes pasadas.
Ya no tengo alientos para resucitar... no vale la pena. Y no sólo porque el hombre de mis sueños se me convirtió nuevamente en mi verdugo y me condenó otra vez a la soledad y al dolor. Y no es solamente por la historia de Miguel y su apuesta, ni la de don Armando y sus engaños por mantener una empresa, es la historia que se me repite desde que nací.
...
(Agora é de acordo com nossa história)
Felizmente, Nicolás desconfiou de Miguel antes e me salvou de minha desgraça. Não queria entregar-me a ele e teria me arrependido depois quando ficasse a mal falada do bairro. E creio que teria doído, pois não estava o suficientemente excitada, ele nem queria tocar-me. Já Seu Armando me tomou, me acariciou, foi doce o tempo todo. Por isso, sucumbi a suas carícias, às suas vontades. Pois me enlouquece por completo ver que correspondia a meus sonhos. Infelizmente, dele, Nicolás não pôde me salvar, pois a idiota aqui não ia querer ser salva, iria querer se entregar a seu torturador,
Estou morta, Don Armando me deu o maior prazer de minha vida, fazendo que fosse sua e me matou.
Como farei para encará-lo depois de hoje? Certamente, ele irá querer repetir a farra de outro dia novamente, ainda mais agora que, a idiota revelou seu segredo.
Betty não sabe, mas Armando, após atender Marcela, pensou em ir até a porta da casa dela (de Betty) e dar um jeito para que descesse de seu quarto. Chegou a pegar as chaves do carro, depois achou loucura e dormiu abraçado ao travesseiro.
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