O juiz de vidas
3 Segunda Alma: Tristana Adice
— Realmente. Foi algo chocante, mas temos que fazer isso. – Kin reclamava demais, mas era um alívio essa fala descontraída para quebrar o clima. Eu e Kin estávamos ainda naquela cidade, era de manhã, tínhamos passado a noite num hotel fuleira, Fabio nos deu um pouco de dinheiro para sobreviver por um tempo, mesmo os mortos precisam do básico. – E esses celulares de flip, além de antigos só servem para ligar! – Fabio também nos tinha dado um celular de flip, para caso precisássemos ir para algum lugar ou se tivermos algum problema era só ligar para ele.
Eu e Kin fomos para uma cafeteria perto dali, a cafeteria parecia antiga, não tinha muitos clientes tinha somente um garçom, sentamo-nos à mesa e esperamos o garçom passar, quando passou simplesmente nos ignorou, senti um vazio no estomago, depois falei.
— Ei garçom, poderia anotar nosso pedido? – O garçom se assustou e olhou para traz, estranhou, provavelmente porque simplesmente ele não podia nos ver.
— A desculpe, não vi vocês. – Ele sorriu, se desculpando, provavelmente ele tinha uns vinte e poucos anos, pagando a faculdade com o salário do trabalho. – O que vocês vão querer?
— Dois cafés, por favor. – Depois que pedi ele saiu e fiquei a sós com Kin.
— Realmente é algo estranho. – Kin começou a falar, com uma voz meio triste. – Todos praticamente não nos veem, simplesmente ignoram como fazem sempre, com os mortos...
— Um pensamento assim não te levará a nada. – Respondi, não podia deixar que ela se deprimisse. – Estamos aqui para fazer um trabalho, e isso é importante para as pessoas.
— Sim... – Quando Kin foi falar chegou o café, realmente nós estávamos duvidando se podíamos fazer isso.
Ficamos quietos por alguns minutos, apreciando o café, ele era quente, dava para sentir ele no nosso corpo, como se estivéssemos ali vivos e o cheiro era bom, cheiro de café moído, até que entre ele entrou um cheiro de mel.
— Ben. – Kin me olhou preocupada. – Esse cheiro!
— Sim, o cheiro adocicado, o mesmo que saia da Issabelly – respondi – temos que ver isso.
Eu e Kin nos levantamos, deixamos um pouco de dinheiro na mesa, eu deixei meu café, entretanto Kin deu um gole longo para beber tudo de uma vez. Saímos para a rua, olhamos para os lados e seguimos o cheiro, depois de andar um quarteirão, vimos à pessoa que tinha uma pequena bolinha azul no seu peito, era uma garota, com cabelos escuros que iam até o ombro, pele branca quase da cor de um ovo, era baixa e usava um triste uniforme escolar, camisa cinza e um jeans esfarrapado, ela estava andando olhando para o chão, estava deprimida, exalava tristeza por todos os lados, parecia que estava pedindo ajuda a qualquer um ali.
— Ela parece tão jovem... – Olhei para Kin, ela estava olhando fixamente para a garota, chorava, lentamente, se contorcendo.
— Kin? Você está bem? – Perguntei.
— Teremos que julgar a alma dela, isso significa que ela irá morrer, certo?
— Infelizmente, sim. – Nós dois começamos a olhar fixamente para ela, uma lagrima desceu pelo meu rosto, por quê? Essa era a questão.
Logo a garota virou a esquina e a seguimos.
Seguimos ela por uns oitenta metros, nós já estávamos cansados de andar, até que ela parou por um momento num bairro residencial, deu uma respirada, como se fosse tomar uma injeção, então olhou para uma casa em meio a todas, uma casa de madeira, pintada de laranja. Ela ficou parada por mais de um minuto, então tomou coragem e foi para a porta da casa, pegou uma chave que estava no seu bolso, ia colocar na fechadura, quando se ouviu o girar da maçaneta, ela recuou por um instante, mas depois voltou para o mesmo lugar, a porta se abriu e de lá saiu outra garota, elas se pareciam muito, quase gêmeas, só que essa era loira, tinha um olhar vivido com seus olhos azuis e um sorriso que emitia felicidade.
— Olá mana! – Aquela garota sorridente olhou para a triste com um sorriso gigante.
— Ah... Oi Stephany, vai sair? – A garota triste, perguntou para sua irmã de um modo que pareceu ironia.
— He. He. Vou sair com algumas amigas, já avisei para a mamãe. – Stephany saiu pela porta e passou pela sua irmã, deu uma última olhada nela e disse. – Está na hora de pintar seu cabelo, sua raiz já está loira. – Stephany acenou e foi embora.
Então a menina triste entrou na casa, fechou a porta e girou a chave, logo quando entrou estava na sala, era bem iluminada, com várias decorações e uma mulher loira estava sentada numa poltrona lendo um livro. Então a garota tristonha tentou passar despercebida na sala.
— Tristana! Pare ai. – A mulher gritou alto para ela, tanto que eu e Kin ficamos assustados com a raiva que estava direcionada numa única frase. – Soube que você tirou nota vermelha de novo! Se não tirar nota boa no próximo bimestre você irá repetir!
— Ah mãe... É só filosofia, o resto está na média. – Tristana olhou para sua mãe com um olhar enjoado, como se não quisesse estar ali. Então ela voltou a andar mirando numa escada próxima dali.
— Isso é mentira! – Falou a mãe se levantando da poltrona e fechando o livro. – Você está com nota ruim em matemática, física e química, se não resolver isso logo você irá repetir! Se seu pai estivesse aqui ele estaria muito envergonhado com isso!
— Mas ele não está aqui, por isso pode parar de fingir que se importa comigo.
A mãe ficou de boca aberta, mas logo a fechou, sentou, abriu o livro novamente e deixou sua filha passar, Tristana subiu as escadas, mas nós antes de subirmos olhamos para a mãe dela, não vimos nem um pingo de tristeza no rosto dela, tanto eu quando Kin estávamos esperando uma lagrima no rosto da mulher, mas ela parecia calma, como se estivesse dizendo que a filha estava certa.
Subimos a escada rapidamente, vimos Tristana entrando num quarto e logo a seguimos antes que a porta fechasse, era um quarto, provavelmente dela, era um quarto diferente de toda a casa, ele tinha paredes brancas que estava encobertas por pôsteres de bandas, com um no centro chamando atenção que dizia:
“Dreamwish! O show do século! Venha ver a melhor banda de metal do mundo, com a vocalista Flor de Jasmim”.
Tinha também alguns livros jogados pelo quarto, uma cama bagunçada e um computador velho em cima de uma escrivaninha, ela se jogou na cama, começou a trocar de roupa, colocou uma camisa preta com uma caveira nela, um jeans escuro e botas, deu uma pequena penteada no cabelo, mas ficou parecendo que ela tinha bagunçado mais ainda.
— Ben, olhe aquilo! – Kin apontou para o peito da Tristana, a pequena bola azul tinha virado quase do tamanho de uma bola de tênis.
— Realmente, a bola cresceu, não prestamos muita atenção nela, mas lentamente ela está crescendo. – Comentei.
Tristana pegou seu celular que estava na escrivaninha, saiu pela porta e desceu pelas escadas.
— Mãe eu vou sair com alguns amigos, volto na hora da janta. – Ela passou correndo pela sala.
— Filha seria bom se você ao invés de sair ficasse em casa estudando. – Falou a mãe ainda lendo o mesmo livro, Tristana parou de andar no meio da sala.
— Stephany pode sair à hora que ela quiser e você nem reclama!
— Stephany não está com notas vermelhas! – A mãe largou o livro e se levantou.
— Não! Você sempre pega no meu pé quando vou sair! – Tristana gritou com sua mãe, mas a mãe ficou firme e forte, como se não sentisse o aumento de tom de voz da sua filha.
— Ela tem amigos normais, que gostam de ir para o cinema e você tem aqueles góticos que se vestem de preto mesmo num calor infernal!
— Eles não são góticos, só gostam das mesmas coisas do que eu! De música, de rock, de Dreamwish! – Tristana saiu da sala pela a porta, fechou com a chave bruscamente a saiu correndo.
— Por que sempre eles correm? – Perguntou Kin.
— Eu tenho uma questão mais importante... — Comecei a falar. — Se a porta está trancada como vamos sair daqui?
— A janela está aberta, — Kin olhou para uma pequena janela ao lado da porta. — Como eu odeio esse trabalho...
Nós começamos a correr atrás dela, ela praticamente correu um quilômetro, Kin já estava sem ar, quase desmaiando quando Tristana parou de correr.
— Ah... Ah... Ah... Como essa... Garota corre... – Kin quase desmaiou e se apoiou no meu ombro, Tristana também estava muito cansada de correr, sentou-se num banco que estava ali perto para descansar.
Alguns segundos depois vimos duas pessoas se aproximarem, uma mulher e um homem, a mulher tinha um longo e belo cabelo ruivo, da cor do sangue, ela era bem magra e tinha um busto pequeno, usava uma camisa branca e um sobretudo vermelho, o homem era enorme, provavelmente tinha quase dois metros, talvez alguns centímetros menor, era musculoso, careca, mas tinha alguns tufos de cabelo nascendo do lado de sua cabeça e tinha uma tatuagem no braço, usava terno preto muito elegante. Os dois olharam para nós, e a mulher gritou:
— Ei vocês dois! Estão me vendo?!
Ficamos assustados, como era possível aquela mulher nos ver? Eles se aproximaram de nós, deram uma olhada na Tristana e depois voltaram a nos olhar.
— Quem são vocês? – Perguntou Kin ainda recuperando o fôlego. – Como conseguem nos ver?
— Hihihi, vocês são novatos, não são? – A mulher tirou de suas costas uma serra elétrica, e o homem tirou uma espada Enorme. – Agora vocês sabem o que nós somos?
— Vocês... – Comecei a falar meio assustado. – Vocês são... Juízes... Iguais a nós...
— Sim, e pelo visto chegamos aqui tarde demais. – O homem começou a falar. – Vocês já estão cuidando da alma dela.
— Eu sou Lúcia e este é Rashid. – Lucia guardou sua arma, Rashid ainda ficou com ela em mão.
— Como vocês sabem que nós somos juízes? – Perguntei assustado.
— Simples, só perceber as pessoas que ninguém percebe. – Lucia apontou para Tristana, ainda descansando da corrida. – Olha essa garota, vocês estão parados do lado dela e ela não faz nenhuma reação, como se ela não visse vocês, os vivos não podem nos ver, mas os juízes podem se ver.
— Então vocês baseiam quem são juízes a partir das reações das pessoas em volta? – Perguntou Kin indignada. – O que iriam fazer se fossemos vivos?
— O que esse humano iria fazer? Ele simplesmente estranharia e nós sairíamos de perto dele.
Kin e eu estávamos muito assustados, antes de fazer uma próxima pergunta Tristana se levantou e começou a andar lentamente, pensando como iria explicar a roupa suada.
— Essa garota logo irá morrer... – Rashid pronunciou essas palavras com uma tristeza misturada com raiva, olhando para a bola azul no peito dela. – Isso não pode ser normal...
— Nem tanto. – Kin pronunciou olhando para ele. – Pelo que parece ela é uma gótica depressiva que é brigada com a mãe e não é amiga de sua própria irmã, faço uma aposta de como ela irá morrer, por drogas!
— Não é isso que ele quer dizer, – Falou Lúcia. – Ele quer dizer que isso pode ser obra de um ajudante.
— Ajudantes? – Perguntei.
— Deixa para lá, provavelmente não é. – Lúcia estava falando descontraída. – Ele que é meio paranoico com isso.
Já era noite, Tristana andou por mais uns dez minutos, nós quatro a seguimos até uma praça cheia de flores, árvores e até um pequeno lago. Lá ela se direcionou para um grupo de pessoas peculiares, todas estavam vestidas de preto juntamente com cores neutras, usavam colares e pulseiras com caveiras e pentagramas, usavam maquiagem e tinham cabelos espalhafatosos.
— Olha quem chegou! – Um garoto de moicano verde apontou para Tristana, logo todos olharam para ela. – A rainha da aflição!
— Hehe... Cheguei! – Tristana tentou parecer animada, mas ainda estava cansada da corrida, ela chegou mais perto e sentou no banco.
— Você está muito suada, parece que você saiu de uma maratona. – Falou uma mulher de cabelos loiros, quase brancos, um pouco diferente dos outros, pois ela usava cores mais fortes, uma camisa amarela e um jeans azul.
— Esqueça isso... Não foi nada. – Tristana tentou mudar de assunto. – E então do que vocês estavam falando?
— Estávamos falando do Show do Dreamwish que vai acontecer amanhã! – Um garoto de cabelos pretos claramente pintados, com pele mais branca de da própria Tristana e maquiagem na cara.
— Ah é mesmo, desculpe Josh, tinha me esquecido, hehehe... – Tristana riu forçadamente.
— Já conseguiu dinheiro para ir? – O garoto de moicano verde perguntou para Tristana.
— Eu vou conseguir daqui a alguns dias, estou trabalhando na padaria do pai de uma amiga minha, ele vai me pagar o suficiente para ir ao show.
Todos eles começaram a falar de dreamwish e outras bandas de rock, Kin e eu estávamos prestando atenção no que falavam, mas Lúcia e Rashid estavam papeando sobre o que iriam comer naquela noite. Passado uns vinte minutos eles ainda não tinham parado de falar sobre rock.
— Ahhh! – Gritou Lúcia. – Quando eles vão parar de falar sobre música, não existe tanto assunto assim!
— Bom... –Exclamou Kin. – Se quiserem podem sair daqui, essa alma é nossa!
— Não temos nada melhor para fazer. – Exclamou Lúcia. – Nós queremos ver o final dessa história, é a única coisa que sabemos fazer mesmo...
Antes que Kin pudesse falar mais alguma coisa, vimos um bando de adolescentes chegarem naquele parque, e entre eles estava a irmã de Tristana, Stephany.
— Olá mana! – Exclamou Stephany, deixando seus amigos de lado e se aproximando do bando de amigos da Tristana. – Do que vocês estão falando?
— Nada que te interessa, “mana” – Tristana recuou no banco e todos os amigos dela fixaram os olhares em Stephany, esperando ver sair faíscas.
— Provavelmente daquela banda que você gosta né? Daywish? – Previu Stephany.
— Dreamwish! – Corrigiu um amigo de Tristana. – Estamos falando sobre o show que vai ter sábado, vai ser incrível!
— Um show? Interessante... – Stephany olhou para o rosto de Tristana, esperando alguma reação. – Já perguntou para mamãe se pode ir?
— Eu que irei pagar não ela. – Respondeu Tristana.
— Isso significa que você não falou para ela.
— Você não perguntou para sua mãe? – Os amigos de Tristana começaram a questionar ela.
— Essa menina tacou lenha na fogueira. – Comentou Kin. – Não precisava falar isso, poderiam resolver em casa.
— Bom. – Comentei. – Talvez seja um jeito de mal trata-la, humilhando-a na frente de todos.
— Por que faria isso? – Kin questionou. – Ela parece ser uma pessoa tão alegre, por que faria uma maldade assim com sua irmã.
— Ódio de irmãos, talvez? – Comentou Lúcia.
— As pessoas mais felizes são as que escondem mais segredos. – Falou Rashid para olhando atentamente para a Stephany.
— Tu que é muito desconfiado. – Resmungou Lúcia. – Talvez ela só não goste da irmã...
Enquanto discutíamos sobre as irmãs notamos que todos os amigos da Tristana pararam de falar, achamos que era algo estranho, paramos para olhar mais atenciosamente, notamos que Tristana estava chorando, bem baixo, quase como se fosse para ninguém ouvir, ela se levantou do banco lentamente e começou a andar, na mesma direção que viera, com suas roupas ainda molhadas pelo suor, e agora, lágrimas.
Ela andou até sua casa lentamente, um caminho que poderia ser feito rapidamente se estendeu por mais de uma hora, Tristana não chorava mais, ela simplesmente continuava andando, com medo de chegar em casa, com medo de sua mãe, com medo de sua irmã. Logo quando chegou à porta de sua casa Tristana estava com uma cara mais cansada do que triste, virou sua chave na porta, entrou e notou que sua irmã ainda não havia chegado, lentamente tirou seus sapatos e caminhou até o quarto de sua mãe, ela estava dormindo um sono pesado, não parecia que iria acordar tão cedo, então ela direcionou-se para seu quarto, pegou um pijama azul com bolinhas amarelas e uma toalha branca, ela foi para o banheiro tomar um banho bem demorado, provavelmente uns trinta minutos. Saiu do banheiro limpa, sem maquiagem e com o pijama, vendo ela sem nenhuma extravagância a fez parecer uma pessoa normal, nem triste nem feliz, simplesmente uma pessoa normal, como todas as outras. Sem pressa ela foi para o quarto dela, e se jogou na cama, quase que dormindo instantaneamente.
— É melhor também irmos para um hotel. – Rashid começou a falar só para quebrar um silêncio que havia se gerado entre nós, eu concordei.
Dormimos num hotel perto da casa de Tristana só para não a perder de vista, Rashid tinha contado que pessoas perto da morte normalmente fazem coisas estranhas, como simplesmente sair por ai anoite. Acordamos às cinco da manhã, antes das seis todos nós já estávamos prontos para seguir Tristana, menos Kin, que estava se esforçando para ficar acordada.
Chegando a casa de Tristana, vimos às irmãs saindo de casa para o colégio, as duas com uniformes iguais, mas que, por algum motivo, parecia que era bem mais bonito em Stephany. As duas estavam quietas, até que Tristana perguntou:
— Você contou para mamãe?
— He... He... – Riu Stephany com um sorriso maligno. – Ainda não... Mas vou contar depois da escola.
— Por que você me odeia tanto? – Perguntou Tristana, olhando para baixo, deprimida.
— Eu não te odeio mana, só quero ver você sofrer.
— Por que não faz isso com seus amigos então? Por que com todos os outros você é tão bondosa? Por que me odeia?
— Ora Tristana, se houver uma rainha da aflição, tem que haver uma rainha da euforia, uma que traz tristeza, e a outra, felicidade.
— Só por isso? – Tristana finalmente mostrou-se interessada na conversa com sua irmã. – Só por isso que me maltrata?
— Por quê? Por que você exala negatividade, sempre deprimida ouvindo Dreamwish, sempre saindo com aqueles seus amigos góticos... – Stephany deu uma pausa na sua resposta, e ficou claramente mais triste. – Sempre saindo com o... Josh...
— O que tem o Josh? – Tristana pareceu intrigada com que sua irmã falou.
— Antes de ele conhecer você, ele era normal! – Stephany elevou sua voz, quase como se fosse um ataque de raiva, depois se acalmou um pouco. – Quer saber, eu não ia contar para a mamãe que você ia ao show, mas agora eu vou dizer para ela logo depois da escola.
Tristana se assustou com que sua irmã disse, ela não conseguirá respostas sobre o motivo de sua irmã odiar ela tanto, mas sentia que fez um avanço para saber a verdade. Elas não falaram mais nada durante o caminho da escola, estudavam em salas diferentes, por isso não precisavam se aturar durante a aula, no final da aula Stephany correu para a casa, mas sabia que nem precisava se apresar, já que Tristana trabalhava na padaria do pai de uma amiga.
Passaram-se algumas horas que Tristana estava trabalhando na padaria, como faxineira de lá, sentimos que ia demorar muito, então decidimos comer algo lá.
— Ei você ai. – Lúcia gritou para uma atendente. – Poderia vir aqui anotar nossos pedidos? – Como qualquer um a atendente olhou estranho, pois jurava que não tinha visto ninguém naquela mesa quando passou por ali.
—Olá o que vocês querem? – Olhamos para a atendente com mais atenção, jurávamos que já tínhamos visto ela antes, mas não sabíamos de onde, ignoramos isso.
— Quero um café. – Disse Lúcia. – Sem leite, sem açúcar.
— Também vou querer um café, e se puder uns pães também. – Rashid foi educado pedindo.
— Um croissant. – Disse Kin.
— Eu vou quer um café também. – Respondi.
Esperamos algum tempo até receber nossos pedidos, ficamos quase que em silêncio pelas horas que se vieram, já estávamos acostumados em ficar em silêncio e só ouvir o que os outros falam. Na hora que Tristana terminou de trabalhar, veio um homem entregando-lhe um dinheiro, possivelmente para o show.
— Obrigado! – Tristana agradeceu e saiu correndo dali, com um sorriso no rosto, acho que foi a primeira vez que vi ela sorrir daquele jeito.
Já era tarde, provavelmente o show iria ocorrer a noite, ela teria pouco tempo para se arrumar para o show, mas nada que não fosse impossível.
Chegando a casa ela correu para seu quarto, na sala viu sua irmã no telefone e incrivelmente sua mãe não estava, quando chegou à porta do quarto notou que ela estava um pouco aberta, empurrando a porta lentamente viu sua mãe, com um pôster do show em suas mãos, fixando o olhar na cara de Tristana.
— Pretende ir a algum lugar hoje menina? – A mãe perguntou de uma maneira séria, esperando um não, suando, Tritana conseguia ouvir a respiração de sua irmã, vendo toda aquela cena atrás da porta.
— Sim, para um show. – Tristana respondeu sem abaixar a cabeça, sem fraquejar, sem dar um pingo de sinal de medo, só esperando pela repreensão.
— Com que dinheiro?
— Eu trabalhei. Na padaria do pai de uma amiga.
— Que horas esse show acaba? – A mãe perguntou dando um suspiro, todos, inclusive nós, estranhos aquilo.
— Provavelmente às onze da noite. – Tristana continuava firme em sua resposta, a bola azul do no seu peito já estava de um tamanho tão grande que parecia que ela ia morrer ali mesmo, de ataque cardíaco.
— Ok, vá, mas tenha cuidado. – Quando aquelas palavras saíram da boca da mãe, todos ali presentes ficaram boquiabertos.
— Como assim mãe?! – Stephany entrou no quarto, gritando sua pergunta. – Você vai deixar ela ir para esse show?
— Sim. – Respondeu a mãe sem excitar, enquanto Tristana só ficava olhando sua irmã se encher de dúvidas.
— Por quê? Você vai a deixar sair com um monte de góticos?
— Sim, esses são os amigos dela, não há nada que eu possa fazer para mudar isso, o show não termina tão tarde, e amanhã é sábado.
Stephany ficou sem palavras, sempre achou que sua mãe odiava Tristana como ela, isso criou um silêncio mortal entre eles.
— Vou descer para lavar as roupas. – A mãe quebrou o silêncio com uma maquina de lavar. – Não vá com nenhuma roupa curta!
— Sim mãe. – Respondeu Tristana com um sorriso ponta a ponta no rosto, não só por ser liberada para ir ao show, mas também por ver sua irmã se enfurecendo.
— Acho que isso foi uma surpresa para todos. – Lúcia começou a falar, enquanto Tristana se trocava e Stephany saia dali irritada. – Essa Stephany deve estar se sentindo destruída, perdendo para sua irmã.
— Realmente. – Comentei. – No final, mesmo sendo rígida, a mãe da Tristana só pensa no bem dela.
Esperamos um pouco, Tristana se trocará rapidamente, ela estava vestindo uma camisa preta, com alguns desenhos abstratos em branco, um jeans preto e um pequeno colete cinza. Logo ela saiu para baixo e viu sua mãe sentada na sala, lendo o mesmo livro de sempre, ela se restringiu em apenas dizer poucas palavras.
— Tchau mãe.
— Tchau filha. – Respondeu a mãe sem largar o livro.
Ela foi até um ponto de ônibus, pegou um ônibus que ia até o show, o ônibus estava cheio de pessoas vestidas de preto, camisas de rock e cheiro de maquiagem no ar, ela se sentiu em casa, prestando mais atenção viu sua amiga dos cabelos loiros no ônibus, ela se sentou do lado dela e cumprimentou.
— Oi Paola, como vai. – Tristana a cumprimentou ainda nem sentada.
—Ah, oi Tristana, tudo bem. – Tristana se sentou do lado de Paola. – Você não vai trabalhar mais não é?
— Sim, agradeça seu pai por mim, se não fosse por ele não poderia estar aqui. – Tristana sorriu.
O resto da viagem elas ficaram falando de como seria legal o Show, e poder ver a cantora pessoalmente, a Flor de Jasmim.
Quando chegaram ao show Tristana e Paola compraram seus ingressos rapidamente, mesmo pegando uma leve fila, na fila encontraram seus outros amigos, o outro amigo dela, Josh não estava na fila, mas os amigos dela falaram que ele estava lá dentro. Entrando viram que o show já estava rolando, nós entramos de penetra, mas nem era mesmo nossa intenção ficar lá por muito tempo, a bola dela no peito já estava gigantesca, e em pouco tempo ela iria morrer.
— Ela vai morrer aqui? – Kin comentou fazendo uma cara triste. – É uma pena, mas pelo menos vai morrer vivendo seu sonho.
— A questão é: como? – Rashid falou isso olhando para Tristana. – Ela é uma garota saudável, não parece estar com muitos problemas aqui e ainda está com os amigos para ajudar caso aconteça algo.
Realmente isso gerou intriga, como ela iria morrer? Bom, só saberemos quando chegar a hora. Depois de umas quatro ou cinco musicas a cantora estava cantando animadamente, Tristana estava com um sorriso enorme, mas também havia bebido três garrafas de água, então foi rapidamente ao banheiro.
No banheiro não havia ninguém, ela correu para a privada mais próxima, depois de uns um minuto saiu de lá, depois de lavar as mãos ouviu o barulho da porta do banheiro ser trancada, olhou para ela e viu sua irmã, Stephany, com um estilete em suas mãos.
— Stephany?! O que faz aqui?! – Tristana estava assustada, vendo o estilete.
— A mana, só fim proteger meu título como rainha da felicidade. – Stephany deu uma pequena risada, depois levantou o estilete. – Proteger dessa música horrível!
— Do que está falando?! – Tristana estava aterrorizada, não se movia e suas orelhas estavam ressaltadas com seus olhos arregalados. – Abaixe esse estilete!
— Hoje alguém ligou para você, sabe quem foi? – Stephany parou de falar por um segundo esperando uma resposta de Tristana que não falou nada. – Foi o Josh, ele estava eufórico, querendo falar algo para você, mas fui eu que atendi, e adivinha? Ele não notou que era minha voz e não a sua, ele falou que te amava e queria te pedir em namoro, mas eu disse não.
— O que você vez?! – Tristana ficou com furiosa, se não estivessem num show de rock todos teriam ouvido o grito dela. – Por que você me odeia?!
— Por quê? Porque você transformou o Josh naquilo! Tornou um dos seus! – Stephany gritou e deu uma investida encima de Tristana, acertando o estilete bem no estomago, Tristana caiu no chão, começou a sangrar e então percebemos que era hora de acabar com isso.
— Eu a julgo. – Falei sem mais nem menos, todos ficaram calados, quase como um sim.
Tristana havia caído no chão, e Stephany recuou com um olhar de dizimada, ouvi alguns gemidos vindos da boca de Tristana e sua alma estava laraja, eu tirei a minha espada e gravei no peito dela. Antes de começar a ver as memórias dela vi que Rashid estava em pé, somente com os olhos fechados, Lúcia se encostou à parede do banheiro e Kin caiu no chão. Fui até a parede e comecei a ver tudo ficar preto.
Eu comecei a ver duas meninas de provavelmente uns seis ou sete anos de idade, brincando no parque, e eu sabia quem elas eram pela cara, era Tristana e Stephany, totalmente iguais que nem sabia diferenciar, também tinha uma mulher, a mãe delas, bem mais jovem e bonita. Depois de alguns momentos um homem loiro chegou junto a elas, abraçou as crianças e beijou a mulher, estava na cara que era o pai de Tristana e Stephany, eu estava meio longe, não pude ouvir muito do que eles estavam falando, mas pude confirmar que era o pai delas. Não sei por que, mas achei que a mãe dava bem mais atenção para a Stephany e o pai para Tristana, talvez só uma impressão.
—Papai, papai vamos tomar um sorvete? – O parque tinha ficado mais silencioso, Tristana não disse aquilo alto, mas pude ouvir claramente.
— Daqui a pouco você vai jantar. – A mãe começou a falar. – Se tomar sorvete agora não vai comer depois!
— Que isso querida? – O pai começou a falar, calmamente. – Só um sorvete não vai matar...
— Olhe bem como fala comigo Marco, eu sei o que é melhor para nossas filhas! – A mãe se irritou, olhou para seu marido com um olhar de raiva e ódio.
— Sabe mesmo Jasmine? – Marco falou com ironia. – Coisas como colocar elas em escolas diferentes?
— Já falamos sobre isso! – Jasmine retrucou. – Você não sabe como é ser irmã gêmea numa escola!
— Só porque algo aconteceu com você não significa que acontecerá com elas! – Marco berrou alto, sua mulher ainda estava furiosa, mas antes de continuar eles olharam para suas filhas, estavam com um rosto triste, quase chorando.
— Não briguem, por favor... – Stephany falou com uma primeira lágrima escorrendo do seu olho esquerdo e lentamente descendo até sua bochecha.
— Oh filha... – Jasmine olhou para sua filha com tristeza e começou a chorar junto com ela e na mesma hora Tristana começou a chorar.
— Vamos para casa. – Falou Marco.
— Ok. – Respondeu Jasmine.
Passei algum tempo no escuro novamente, esperando vir a nova memória, depois de alguns segundos estava lá, Stephany, Tristana (que já estava com seu cabelo pintado de preto), Jasmine e Marco estavam lá, Marco estava segurando duas malas, enquanto acalmava as filhas.
— Pai por que você não pode ficar? – Perguntou Stephany.
— Ora filha, já te falei mil vezes, eu vou trabalhar lá para ganhar mais dinheiro. – Marco falou essas palavras com dor no seu coração.
— Não precisamos de mais dinheiro! – Tristana entrou na conversa, gritando. – O que já temos é o suficiente!
— Não, não é. – Retrucou o pai. – Os tempos estão difíceis, vocês tem que entender, vocês já estão no nono ano.
— Sim pai... – As duas responderam juntas, trocaram olhares por um segundo por coincidência e depois viraram o rosto.
— Por favor, querido. – Jasmine entrou na conversa. – Tente voltar o mais rápido possível.
— Sim querida. – Respondeu ele, beijando seu rosto.
— Quero que não se esqueça de nós. – Jasmine começou a chorar lentamente. – Por favor...
—Nunca se esqueceria da minha família. – Respondeu ele, alisando o cabelo de Jasmine. – Prometo que de envio uma lembrança para provar isso.
— Então envie um livro. – Jasmine se mostrou decidida, e Marco, confuso. – Todo o mês.
— Todo o mês? – Exclamou Marco um pouco assustado.
— Sim, o livro pode ser de qualquer coisa, eu lerei. – Ela ia falar mais alguma coisa, mas ouviram uma voz dizendo que estava na hora de embarcar, bem atrás deles.
— Está na hora de ir, adeus querida. – Falou Marco. – Filhas, prometo uma vida melhor para vocês.
— Adeus pai... – As filhas estavam choramingando tanto que só conseguiram dizer isso.
— Adeus querido. – Stephany o beijou por um longo tempo, depois ele se separou delas e foi ao encontro com um homem idoso, com cabelos brancos e uma barba grande.
Elas ficaram lá até o avião sair, como se fosse uma tortura necessária. Todas as três choravam, mas dava para sentir que Tristana perderá uma parte de sí naquele dia, indo embora com aquele avião.
A próxima lembrança provavelmente era de um ano ou pouco mais da ultima, estava numa escola onde havia um corredor cheio de armários e portas, numa porta estava Tristana, bem parecida como ela é agora, só que menor, ela entrou na sala lentamente, eu a segui.
Na sala estavam sua irmã e três amigos sentados nas cadeiras, duas mulheres e um homem, ela sentou perto da sua irmã, depois colocou fones de ouvido.
— Ei mana. – Stephany a cutucou. – Venha conhecer meus amigos.
— Não, obrigada. – Tristana deu uma olhada e viu como eram. – Parecem um bando de populares sem nada na cabeça.
Todos tinham ouvido aquilo, Stephany foi se desculpar, e o garoto que estava junto com elas, se aproximou de Tristana.
— Então nos acha um bando de idiotas? – Falou o garoto dando um pequeno sorriso.
— Bom, não foi isso que eu quis dizer. – Tristana ficou corada, o garoto tinha um cabelo castanho bem liso e um sorriso na boca.
— Nós somos mesmo um pouco idiotas. – Falou ele.
— Qual é o seu nome? – Perguntou Tristana meio tímida.
— Sou Joshua, mas todos me chamam de Josh. – Falou Josh, eles ficaram sem nada para falar, então ele tentou iniciar uma conversa. – O que você está ouvindo?
— Ah, uma banda de rock que eu gosto, Dreamwish.
Tristana deu um dos seus fones para Josh, ele logo colocou no ouvido e começou a ouvir a musica.
Tudo ficou preto novamente, foi rápido dessa vez, comecei a ver a casa de Tristana, sua mãe estava com uma encomenda na mão, sentada na poltrona de sempre, Tristana estava com Josh, só que ele estava bem diferente, seu cabelo agora era preto, usava maquiagem para que sua pele ficasse mais branca e parecia mais melancólico.
— O novo álbum está muito bem feito, mas não combina muito com a banda. – Tristana e Josh estavam discutindo sobre Dreamwish.
— Acho que não, só estão voltando para como era no começo. – Josh enquanto falava olhou para os lados e viu Stephany, num canto, observando os dois. – Ah, olá Stephany, como vai?
— Olá. – Stephany tomou coragem. – Nossos amigos vão ir ao shopping no sábado, você também vai?
— Acho que não, sábado vai estrear o filme “Idealização”, eu e Tristana queremos muito ver. – Josh parou de falar por um momento, esperando que Stephany falasse que queria ir com eles.
— Ok. Se divirtam. – Stephany estava acanhada, saiu da sala, lentamente, sem dizer mais nada.
— Stephany está meio estranha ultimamente... – Josh falou para Tristana, preocupado.
— Ela é sempre meio estranha. – Tristana tentou acalmá-lo. – Provavelmente deve ser uma coisa boba a incomodando.
— Espero que sim.
Tristana e Josh foram para a cozinha, Tristana pegou um sanduiche na geladeira, ofereceu para Josh, ele recusou. Eles ficaram um tempo conversando sobre Dreamwish e outras bandas, e no final marcaram quando iriam para o sábado para ver o filme Idealização.
— Bom já está na hora de eu ir. – Falou Josh.
— Ok, vejo você no sábado. – Respondeu Tristana. – Vou abrir a porta para você
— Ok.
Passou um tempo, Josh tinha ido embora e Tristana estava a terminar de comer seu sanduiche, demorou muito para terminar por completo, mas quando ela terminou o celular dela começou a tocar, ela olhou o número e notou que vinha de um telefone público.
— Alô? Quem é? – Tristana perguntou com medo, pensando que poderia ser algum trote ou coisa do tipo, depois de alguns segundos ficou eufórica. – Pai é você? Pai.
Tristana ficou ouvindo alguns sussurros incompreensíveis, depois tirou o celular do seu ouvido, ficou com uma cara de dúvida, talvez tenha entendido algo, mas ela simplesmente ignorou isso e guardou seu celular.
Tudo ficou preto novamente, esperei alguns segundos e comecei a ver Tristana e Jasmine, elas estavam no que parecia ser o correio, falando com uma atendente.
— Realmente não tem nenhuma encomenda para mim? – Jasmine estava falando desesperada.
— Desculpe senhora, não tem nenhuma encomenda para você. – A atendente respondeu sem perder a calma.
— Mas ele não me envia um livro há quatro meses! – Jasmine começou a chorar, mas não perdeu o tom. – Deve estar algo errado!
— Mãe... – Tristana chegou perto de Jasmine, tentando acalmá-la. – Nada está errado, ele só não deve estar conseguindo comprar livros.
— É logico que tem algo errado!
— O pai ainda envia o dinheiro para nós vivermos, ele deve estar trabalhando muito.
— Seu pai não é assim, ele deve estar aprontando algo... – Jasmine praticamente estava gritando, todos lá estavam olhando para ela, e a atendente pedia para ela se retirar. Elas saíram e na rua mesmo Jasmine pegou seu celular e fez uma ligação. – Alô? Mauricio? Meu marido está ai? – Ela ficou quieta por alguns segundos, ouvindo. – Como assim ele foi transferido. – Ela ficou quieta mais alguns segundos, depois desligou o celular.
— O que foi mamãe? – Tristana perguntou espantada, suas mãos tremiam e seu rosto começara a ter sinais de pânico.
— Filha, parece que seu pai... – Jasmine deu uma pausa e começou a chorar. – Ele arranjou outra mulher, ele me traiu, ele nos deixou...
Tanto Jasmine quanto Tristana ficaram com uma expressão de desolação no rosto, Tristana não estava chorando, mas sua alma estava partida. Logo Tristana tentou consolar sua mãe, mas ela, por sua vez, gritou com sua filha, dizendo que não precisava de consolo, e limpando as lágrimas, disse que ia fazer mais algumas ligações.
Acordei, vi Stephany saindo correndo pela porta, não com cara de assustada, mas sim de satisfeita, vi também que todos já estavam de olhos abertos, Lúcia e Rashid estavam com os mesmos olhares de sempre, Kin estava chorando e eu com minha espada, brilhando em laranja, uma cor linda, que cada vez mais me fascinava só de olhar.
— Então. – Falou Lúcia quebrando o Silêncio. – Está na hora de julgá-la.
— Sim. – Respondi, e chacoalhando minha espada lentamente falei. – Tristana Adice, julgada.
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