O internato::::: interativa
2 Capítulo Um - O Primeiro Dia de Aula
Notas iniciais
P.O.V. Nicole Barcellos Schumacher
Sabe quando você sente aquela sensação de que sua vida vai mudar para sempre? Era assim que eu estava me sentindo. Só que não era “mudar” no bom sentido. Era como se, a partir do momento em que entrasse naquele internato, eu nunca mais fosse sair. Eu havia visto o cartaz modificado – ou, como minha mãe disse, vandalizado – com pedidos de socorro e uma mancha vermelha que podia jurar que era sangue. Só precisava de um tempinho para comprovar minha teoria, mas ela me puxou e disse que os jovens de hoje em dia faziam muitas brincadeirinhas de mau gosto. Só que tinha algo naquela história que me chamou muita atenção, então assim que matriculada, eu comecei a fazer pesquisas sobre a história do internato para ver se encontrava informações que fizesse minha mãe acreditar que talvez não fosse uma boa ideia me mandar pra lá. Entretanto, não encontrei absolutamente nada.. Naquele dia, eu decidi que aceitaria ir ao internato e descobrir seus mistérios, e assim foi.
O motorista parou a minha Maybach Exelero— não podia dirigir sozinha – em frente a entrada do Internato Fleoreous. Peguei minhas malas e coloquei minha gata chamada Meredith (por causa de uma cantora da qual eu era fã) no colo. Meu pai morreu quando eu completei oito anos, mas antes ele havia dito que queria que eu cuidasse da gata e do furão, Biscoito (eu só tinha quatro anos quando dei esse nome, okay?). Depois que ele faleceu, eu adotei outros bichos, como a coelha, o par de pastores alemães, o porquinho da índia, o jabuti, e a iguana, mas como o internato só aceitava um animal de estimação eu trouxe a Meredith e o Biscoito, que manteria escondido. Eu simplesmente não podia abandoná-lo, já era doloroso demais ter que me separar de todos os meus bebês.
Caminhei com passos lentos e pesados para a recepção. Por dentro o internato parecia ainda maior do que olhando do lado de fora, que já era gigantesco. Peguei as chaves do escaninho e do meu quarto – que era o 13c – e fui guardar as minhas coisas. Quando me adentrei no dormitório, vi que uma das minhas colegas de quarto já havia chegado, pois suas bagagens estavam espalhadas em um canto, e a outra ainda não, então pude escolher a cama de qualquer forma.
Deixei que Biscoito saísse da bolsa semi-aberta e fui explorar o lugar. Assim que me virei para trancar a porta, uma menina se aproximou e perguntou se aquele era o 13c, o que era meio óbvio já que todos os dormitórios tinham seus respectivos números acima das portas, mas não falei nada disso, apenas assenti. Ela entrou e antes que eu fosse conhecer o internato, se virou pra mim e disse:
— Me desculpe pela falta de educação, nem sei seu nome – ela disse colocando uma mecha ruiva atrás da orelha. Eu sabia que não era natural, até porque as mechas se misturavam com outras de tom castanho, mas mesmo assim era lindo.
— Nicole Schumacher, e você?
— Cece Müller, prazer – Ela disse estendendo a mão, que eu apertei. – Você pode me mostrar como são as coisas por aqui?
— Na verdade, eu também acabei de chegar, mas tenho o mapa do internato, então pode vir comigo.
— Okay, valeu. – ela disse e caminhou meio saltitante.
P.O.V. Katherine Legrand
Já havia passado por uma sala de reuniões, uma outra de macroscopia, mais uma de reservas, um laboratório de citologia, um armazém, vestiários, uma sala de punção aspirativa, o gabinete do diretor médico, dois gabinetes médicos, uma sala de apoio e nada de achar a lanchonete – segundo o mapa, haviam duas só na área em que eu estava, mas se eu soubesse lê-los ajudaria bastante.
Foi quando vi uma garota andando com um cappuccino na mão e desesperadamente perguntei onde ela tinha conseguido. Ela me olhou com uma pitada de desprezo, mas respondeu.
Enquanto esperava na o meu Frappuccino (à base de café, por favor), uma menina meio baixinha se aproximou e se apresentou como Nicole.
— Oi, você pode me informar as horas? É que eu tenho aula às seis e meia e esqueci o relógio no dormitório...
— Ah, claro. São... Seis e trinta e nove.
— Merda, a tolerância é de cinco minutos.
— Pois é. Você teria aula de que?
— Química Avançada, minha pior matéria – ela disse meio nervosa.
— Ai meu Deus, eu também tinha Química agora – respondo com os olhos arregalados. – Segundo ano? – perguntei pra confirmar. Ela assentiu.
Nós ficamos por uns segundos nos encarando, nervosas, e no segundo seguinte estávamos correndo feito loucas pela escadaria.
Quando chegamos no topo, a supervisora do segundo ano científico nos parou e perguntou porque não estávamos na aula.
— Nós estávamos na cafeteria, não ouvimos o sinal para o começo das aulas e...
— O sinal toca apenas no edifício das salas, deveriam saber disso – ela respondeu sem deixar que Nicole terminasse a explicação.
— Sim, desculpe-me, isso não vai se repetir, senhora – Nick (apelido carinhoso que acabei de inventar) disse com firmeza.
— Tudo bem. E como é o primeiro dia de ambas, não as levarei ao diretor, mas não poderão assistir ao primeiro horário, de qualquer forma.
Olhei aliviada para a supervisora que começou a se afastar. Quando ela estava longe do nosso campo de visão, Nick deu um longo suspiro, como se tivesse segurado o ar aquele tempo todo.
— Di Immortales, essa foi por pouco – apesar de não saber o que diabos era “Di Immortales”, concordei e fomos para a biblioteca (que era simplesmente a coisa mais linda que eu já vi na minha vida) esperar o segundo horário.
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