O "incidente de Viena"

1 Capítulo Único


Era uma tarde ensolarada em Hill Valley, e o laboratório de Dr. Emmett Brown estava um alvoroço de atividade. Aparelhos e ferramentas estavam espalhados por toda parte, enquanto Doc, com seus cabelos brancos selvagemente desarrumados, ajustava o capacitor de fluxo no DeLorean. Marty McFly, seu fiel amigo e companheiro de viagem no tempo, estava ao seu lado, observando com olhos curiosos.

— Doc, onde vamos dessa vez? — perguntou Marty, ansioso para a próxima aventura. Ele ainda não tinha se acostumado completamente com a ideia de viajar no tempo, mas a emoção da descoberta sempre o atraía.

— Onde, não, Marty. Quando — corrigiu Doc, levantando os olhos de seu trabalho e ajustando seus óculos. Ele tinha um brilho de entusiasmo no olhar, algo que Marty reconhecia bem. — Tenho uma nova teoria sobre um evento histórico crucial que precisamos investigar. Mas primeiro, precisamos de uma pequena pausa para relaxar e observar.

— Uma pausa para relaxar? Isso é novo — brincou Marty, cruzando os braços. — Normalmente, estamos correndo contra o tempo para salvar o mundo ou algo assim.

— Exato, Marty. Precisamos de uma abordagem diferente desta vez. Vamos fazer uma visita ao início do século XX, a Viena, para sermos mais exatos — disse Doc, apertando os últimos parafusos no capacitor de fluxo. — Lá, um grupo de intelectuais se reúne em um café famoso, e uma conversa crucial está prestes a acontecer. Precisamos garantir que essa conversa ocorra sem interrupções.

Com tudo preparado, os dois entraram no DeLorean. Doc digitou as coordenadas no painel de controle e, com um estrondo familiar, o carro acelerou, atravessando o contínuo espaço-tempo em um turbilhão de luzes e sons. Quando o DeLorean finalmente parou, eles se encontravam em uma rua movimentada de Viena, cercados por carruagens e pessoas elegantemente vestidas.

— Doc, onde estamos? — perguntou Marty, olhando ao redor com admiração e um pouco de confusão.

— Estamos em Viena, no ano de 1903 — respondeu Doc, saindo do carro e ajustando sua jaqueta para se misturar melhor com a moda da época. — Há um café aqui onde Sigmund Freud e Gustav Klimt estão prestes a se encontrar. Eles discutirão ideias que moldarão o futuro da psicanálise e da arte. Não podemos interferir diretamente, mas precisamos garantir que nada os distraia.

Marty, ainda tentando se ajustar ao ambiente, seguia Doc pelas ruas movimentadas até um charmoso café no coração da cidade. O aroma de café recém-moído e o som de conversas animadas preenchiam o ar. Doc pediu um café ao garçom que se aproximou.

— Sem açúcar, por favor — disse ele, entregando uma moeda ao jovem atendente. Marty observava tudo com um misto de fascinação e apreensão.

— Doc, o que estamos procurando exatamente? — perguntou Marty, tentando manter a calma.

— Estamos aqui para observar e, se necessário, intervir discretamente — explicou Doc, pegando seu café e se dirigindo a uma mesa no canto, de onde podiam ver a entrada do café. — Freud e Klimt discutirão ideias fundamentais. Qualquer interrupção pode alterar o curso da história.

Os dois se sentaram, e Marty tentou se misturar com o ambiente, observando as pessoas ao redor. Doc, sempre vigilante, mantinha os olhos na entrada. Logo, Sigmund Freud, com seu característico bigode e óculos, entrou no café, seguido por Gustav Klimt, reconhecível por sua barba e roupas artísticas. Eles se sentaram em uma mesa próxima e começaram a conversar animadamente.

— E se algo der errado, Doc? — Marty inclinou-se para Doc e sussurrou. — E se alguém tentar interferir na conversa deles?

— Precisamos estar atentos, Marty. Qualquer coisa fora do normal, e agimos rapidamente — respondeu Doc em um tom baixo, mas firme. — Mas lembre-se, não podemos nos envolver diretamente na conversa deles. Qualquer interação pode causar uma anomalia temporal.

Marty assentiu, entendendo a gravidade da situação. Enquanto observavam Freud e Klimt discutirem, ele não podia deixar de sentir uma mistura de excitação e nervosismo. Estar tão perto de figuras históricas, testemunhando um momento crucial, era uma experiência surreal.

* * *

O café estava cheio de uma energia vibrante, com os sons de conversas animadas e o tilintar de xícaras preenchendo o ar. Marty e Doc estavam sentados em uma mesa no canto, observando atentamente. À mesa próxima, Sigmund Freud e Gustav Klimt estavam imersos em uma conversa profunda, suas vozes baixas, mas cheias de entusiasmo.

— Doc, eu ainda não entendo como exatamente vamos garantir que nada os distraia — sussurrou Marty, inclinando-se para mais perto de Doc.

— Precisamos estar atentos e agir com discrição, Marty — respondeu Doc, tomando um gole de seu café. — Estamos aqui como observadores, mas qualquer coisa que possa causar uma interrupção deve ser evitada.

Marty assentiu, tentando se acalmar. Seus olhos varriam o café, observando as idas e vindas dos clientes. Freud e Klimt estavam falando animadamente sobre novas teorias e ideias que estavam explorando, cada palavra carregada de importância.

De repente, Marty percebeu um homem desconhecido entrando no café. Ele tinha um olhar interessado demais, quase predatório, e estava se dirigindo diretamente para a mesa de Freud e Klimt.

— Doc, olha aquele cara — disse Marty, acenando discretamente na direção do homem. — Acho que ele vai causar problemas.

Doc seguiu o olhar de Marty e viu o homem se aproximando.

— Você está certo, Marty. Precisamos agir rapidamente — ele se levantou e começou a andar em direção ao homem, sua mente já formulando um plano.

Doc alcançou o homem justo quando ele estava prestes a falar com Freud e Klimt. Com uma destreza surpreendente, Doc “acidentalmente” esbarrou no homem, derramando seu café sobre ele.

— Oh, me desculpe, senhor! Que desastre! Deixe-me ajudá-lo — disse Doc, pegando um guardanapo e começando a limpar a camisa do homem.

O homem, claramente irritado, foi forçado a desviar sua atenção de Freud e Klimt.

— Olhe por onde anda! — ele rosnou, tentando afastar Doc.

— Mil desculpas, mil desculpas — continuava Doc, insistindo em limpar a bagunça que havia feito. Isso deu a Marty tempo para pensar em uma maneira de manter o homem longe.

Enquanto isso, Freud e Klimt pareciam não notar a distração, continuando sua conversa. Marty, percebendo que Doc estava conseguindo ganhar tempo, decidiu agir também. Ele se levantou e se aproximou da mesa dos dois intelectuais, fingindo estar interessado em uma pintura na parede atrás deles. Isso o colocou em uma posição para intervir, se necessário.

Doc finalmente conseguiu afastar o homem irritado, prometendo pagar por uma nova camisa. Quando voltou para a mesa, Marty já estava lá, garantindo que a conversa de Freud e Klimt prosseguisse sem interrupções.

— Bom trabalho, Doc — disse Marty, aliviado. — Acho que conseguimos.

— Sim, Marty. Conseguimos evitar uma interrupção crítica — disse Doc, sentando-se novamente. — Mas ainda não terminamos. Precisamos ficar aqui até que eles terminem a conversa.

Enquanto as horas passavam, Doc e Marty mantiveram sua vigilância. A conversa entre Freud e Klimt continuou a fluir, cheia de ideias que moldariam o futuro da psicanálise e da arte. Finalmente, depois de o que pareceu uma eternidade, os dois homens se levantaram, apertaram as mãos e deixaram o café, claramente satisfeitos com sua discussão.

Doc e Marty respiraram aliviados.

— Missão cumprida, Marty — disse Doc com um sorriso. — Agora, precisamos voltar ao DeLorean antes que causemos mais alguma anomalia temporal.

Os dois deixaram o café discretamente, caminhando pelas ruas de Viena até chegarem ao DeLorean.

— Doc, essa foi por pouco. Espero que nossa próxima viagem seja um pouco menos estressante — disse Marty, entrando no carro.

Doc riu.

— Marty, quando se trata de viajar no tempo, nunca há garantias de tranquilidade. Mas sempre há uma aventura esperando por nós.

Com o DeLorean pronto para partir, Doc ajustou o capacitor de fluxo mais uma vez. Com um estrondo familiar, o carro acelerou e atravessou o contínuo espaço-tempo, retornando ao presente.

* * *

O familiar estrondo e a sensação de estar sendo puxado através do tempo começaram a desaparecer, e o DeLorean finalmente aterrissou com um leve solavanco na frente do laboratório de Doc em Hill Valley. Marty e Doc saíram do carro, ambos visivelmente aliviados por terem completado mais uma missão sem causar grandes distúrbios temporais.

— Bom, Marty, parece que conseguimos mais uma vez — disse Doc, tirando seus óculos de proteção e esfregando as têmporas. — Freud e Klimt tiveram sua conversa crucial, e a história continuará como deve.

Marty olhou em volta do laboratório familiar, sentindo-se finalmente relaxado.

— Sim, Doc. Mas tenho que dizer, essa foi uma das missões mais tensas que já fizemos. Estar tão perto de figuras históricas sem poder realmente interagir foi difícil.

Doc sorriu.

— Acredite, Marty, entendo perfeitamente. Às vezes, observar sem interferir é a parte mais desafiadora de viajar no tempo. Cada pequeno detalhe pode ter grandes consequências.

Enquanto Doc começava a organizar suas ferramentas e fazer uma verificação de rotina no DeLorean, Marty se jogou em uma cadeira próxima.

— Doc, você disse que nossa próxima viagem pode ser menos estressante. O que você tem em mente?

Doc parou por um momento, pensativo.

— Bem, estava pensando em algo mais leve, talvez uma visita a um evento cultural importante, onde nossa presença não será tão crítica. Algo como a estreia de um filme clássico ou um concerto histórico. Apenas para aproveitar a experiência.

Marty riu.

— Isso soa bem melhor. Mas, falando sério, Doc, você acha que algum dia vamos parar de viajar no tempo? Quero dizer, parece que sempre há algo que precisa ser consertado.

Doc se sentou ao lado de Marty, sua expressão tornando-se mais séria.

— Marty, viajar no tempo não é apenas uma aventura. É uma responsabilidade enorme. Sempre haverá desafios, sempre haverá riscos. Mas é nossa curiosidade, nosso desejo de entender e proteger o fluxo do tempo, que nos impulsiona.

Marty assentiu, entendendo a profundidade das palavras de Doc.

— Eu sei, Doc. E acho que não trocaria isso por nada. Cada viagem é uma nova lição, uma nova perspectiva.

— Exatamente — disse Doc, sorrindo. — E, Marty, não esqueça, não importa onde ou quando estamos, sempre teremos um ao outro para enfrentar esses desafios.

Enquanto os dois amigos refletiam sobre suas aventuras, o telefone do laboratório tocou, interrompendo a quietude momentânea. Doc atendeu e, após uma breve conversa, voltou-se para Marty com um brilho nos olhos.

— Parece que temos uma nova missão, Marty — disse ele, tentando esconder um sorriso. — Um velho amigo precisa de nossa ajuda. Prepare-se.

Marty levantou-se, sentindo a familiar excitação começar a crescer novamente. — Para onde vamos desta vez, Doc?

— Você verá — disse Doc, misterioso. — Mas primeiro, precisamos preparar o DeLorean e garantir que todos os sistemas estejam funcionando perfeitamente. Não podemos nos dar ao luxo de erros.

Os dois começaram a trabalhar juntos, ajustando e calibrando cada componente do DeLorean. Enquanto trabalhavam, Marty não pôde deixar de pensar em todas as aventuras passadas e nas que ainda estavam por vir. Ele sabia que, com Doc ao seu lado, estava preparado para qualquer desafio.

Com tudo pronto, Doc inseriu as novas coordenadas no painel do DeLorean.

— Pronto, Marty?

— Pronto, Doc — respondeu Marty, sentando-se no banco do passageiro, sentindo a familiar mistura de nervosismo e entusiasmo.

— Então vamos lá! — disse Doc, acelerando o DeLorean. Com um estrondo e um flash de luz, eles foram lançados novamente no contínuo espaço-tempo, prontos para enfrentar qualquer coisa que o futuro – ou o passado – lhes reservasse.

E assim, Dr. Emmett Brown e Marty McFly continuaram suas aventuras, protegendo a linha do tempo e descobrindo os segredos do passado e do futuro, sempre juntos, sempre prontos para a próxima grande jornada.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!