O horizonte do meio
1 Me encontre no horizonte do meio — capítulo único
Era uma dor estranha, uma que ela nunca sentira realmente. Como se houvesse chegado ao fim da linha e respirar no momento errado poderia significar o pior, um pior que ela desconhecia, não saberia o que poderia existir depois daquele momento. Era uma dor nova, uma angústia inteiramente inédita e distinta entretanto, uma convicção se aterrava em seu peito a cada passo que dava, a de que ela havia chegado ao seu próprio limite.
Procurando, procurando.
Olhando, buscando por onde passasse.
Algo que faria aquela dor, aquela falta cessar, deixar de existir.
Faltava conhecimento ao seu cérebro, mas seu corpo parecia saber mais.
Ela chegara ao seu limite.
Faltava alguém.
Alguém que deveria estar do outro lado da linha.
Mas o horizonte parecia ainda mais distante a cada passo dado, como se ela houvesse dado tudo de si nadando em alto mar buscando pela linha tênue que separava a sua realidade daquela que tanto buscava, mas que todo o seu esforço nas braçadas pouco significasse diante da vastidão do mar e suas ondas impetuosas que a traziam de volta, sempre que ela já houvesse chegado longe o suficiente.
E o horizonte era tão lindo, tão brilhante e esplendorosamente colorido que lhe tirava o pouco de fôlego que tinha.
Ela chegara ao seu limite.
Os músculos doíam.
Os braços pendiam.
E as pernas se dobravam em exaustão.
Então ela se perguntara se todo aquele esforço teria realmente valido à pena...
Seus olhos ardiam em derrota assim como seus dedos ainda encontravam forças para traçarem linhas no chão.
"Eu não posso ir mais longe que isso", pensou resoluta.
E ficou ali por luas e sóis até que uma luz distinta se formasse de um eclipse, e dali surgisse aquele que ela tanto buscara.
No meio do caminho os dois se encontraram.
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