Notas iniciais
Oi, minhas delícias deliciosas!!!! Ai que saudade!!!!! Capítulo novo, fresquinho, cheio de informações novas... Algumas delas nas entrelinhas! ;) E é dedicado à Celinn!!! Recomendação, linda, meu amor!!! Eu amei demais!!!! Muito obrigada, viu?! Não sei o que seria de mim nesse Nyah! Sem vocês. Aliás eu seu: seria nada nem coisa nenhuma! =) Chega de enrolação! Boa leitura!

Mazo e Tom dançavam no camarote da boate juntos, com os corpos colados. O executivo tinha os braços em volta da cintura do marido, que dançava de forma sensual, esfregando as nádegas em seu pênis, deixando-o excitado com a provocação.

– Se você não parar com isso agora, eu vou te arrastar para o banheiro e te fazer rebolar assim no meu pau... — Mazo ameaçou com a boca rente ao ouvido do outro.

Thomas riu safado e ergueu a cabeça dando um beijo lascivo no companheiro, enquanto continuava a provoca-lo.

– Ok. Pelo visto você quer que eu faça isso agora...

Antes que Mazo pudesse cumprir sua promessa, Carlos saiu da sacada do camarote, passando por eles como um furacão.

O executivo negro foi rapidamente até a sacada para observar o motivo que ele havia saído daquela maneira. Viu Tonny se aproximando do bar e logo um rapaz encostou ao lado dele. Eles trocaram algumas palavras, quando Carlos chegou socando o outro homem. Dada a cena, desceu correndo do camarote, seguindo em direção à confusão.

Assim como todos que estavam na área reservada, Tom também viu tudo acontecer e seguiu atrás do marido, temendo pelo amigo.

Quando o casal chegou ao bar, Carlos já tinha arrastado Tonny pelo braço. Encontraram apenas o homem caído no chão. Mazo o ajudou a levantar e seguiram os três para a saída.

– Você está bem? — perguntou o homem negro, já do lado de fora.

– Acho que sim... — ele respondeu com uma das mãos nas costelas.

– Claro que ele não está bem! — disse Tom — Não está vendo o estado dele? — o homem tinha um pouco de sangue na boca, um hematoma no rosto e o corpo levemente curvado, talvez pela dor nas costelas — Você veio com alguém?

– Vim com uns amigos, mas cada um foi pra um canto depois que encontraram com quem ter um entretenimento adulto, se é que me entendem. Alguns deles tenho certeza que não estão mais aqui, os outros devem estar se agarrando em algum canto...

– A gente pode te dar uma carona para o hospital se você quiser. — ofereceu Mazo e em seguida olhou pra Tom — Deixamos ele na emergência e depois vamos pra casa. Pode ser?

– Por mim tudo bem... Não tem mais clima mesmo... Só precisamos avisar que estamos indo embora.

– Eu ligo para o Klaus e aviso.

O trio caminhou até o estacionamento, enquanto Mazo ligava para o prosidente da GK:

– Eu não também não entendi muito bem o que aconteceu... — Mazo falava para o chefe — Num segundo ele estava lá com a gente, no outro socando o rapaz no bar. Eu não tendi nada. De qualquer forma nós estamos dando socorro à ele, depois vamos direto pra casa. Pode deixar que eu te aviso qualquer novidade, sim. Ok. Tchau. — virou-se para os outros dois — Podemos ir.

– Eu não te conheço de algum lugar? — indagou Tom, quando o carro se pôs em movimento.

– Da faculdade. Você é o Tom, o melhor amigo do Tonny, não é? Eu sou Josh, pegamos algumas matérias juntos...

– Ah, claro! Agora me lembro de você. Você mudou um pouco.

– É, realmente eu achei você familiar... Agora está explicado.- disse Mazo de forma simples.

– Pensei que tinha me oferecido carona porque tinha se lembrado de mim... — Josh disse olhando para Mazo e parecendo até mesmo um pouco desapontado. — Mazo, o maior pegador, o super cobiçado do Campus. Eu lembro de você. E quem esqueceria? — apertou o ombro do executivo.

Tom fraziu o cenho e fez cara de quem não gostou nada do comentário, muito menos da intimidade de tocar o marido dele. "E você continua inconveniente como sempre. Quem te deu essa ousadia com o meu marido? ", as palavras vieram na ponta da língua, mas ele não disse.

– Eu ofereci carona porque você estava machucado e parecia que ia ser complicado encontrar seus amigos. Eu faria isso por qualquer pessoa na sua condição... — Mazo respondeu cortez.

– E só pra constar: ele não é mais "o pegador". Não existe mais motivos para classifica-lo dessa forma. — disse Tom com ar de superioridade.

Mazo o olhou divertido, com as sobrancelhas erguidas, achando engraçada a demonstração de ciúme que não era comum.

– O Mazo não pega mais geral por quê? Se aposentou? — fez graça.

– Casou! — respondeu o dono de casa.

– Casou?! Ele está brincando, não é?! — Josh perguntou olhando para Mazo com uma expressão séria.

O executivo soltou um riso pelo nariz. — Não, não está.

– Como assim??? Casou com quem??? — indagou com espanto, como se o fato de Mazo ter se casado fosse um absurdo, um ultrage para ele.

– Comigo! — Tom respondeu virando para olha-lo, enquanto mostrava a grossa aliança na mão esquerda.

– Oh. — Josh parecia mais que surpreso, talvez chocado.

– Há quase 6 anos. E nós temos dois filhos lindos que estão nos esperando em casa. — emendou o dono de casa com ar superior, a fim de testa-lo, e também incomoda-lo ainda mais.

– Filhos??? Isso não é possível!!! — Josh estava praticamente indignado.

Tom o olhou inquisidoramente, mal podia acreditar naquela reação. Então o outro pareceu cair em si.

– Desculpe, eu não queria... Eu não tinha intenção de...

O dono de casa nada disse, apenas o olhou por alguns segundos mais e virou pra frente.

Um silêncio extremamente constrangedor se instalou por longos minutos. Até que Tom voltou-se para o marido falando baixo:

– Estou preocupado com o Tonny. É melhor eu ligar pra ele.

– Não deve ter acontecido nada demais...

– Eu não sei... O Carlos estava muito descontrolado. Eu vou ligar. — discou o número do melhor amigo. O telefone chamou três vezes depois caiu na caixa de mensagens. Insistiu mais três vezes, mas caia direto na caixa. — Aí! Viu que eu falei? — ele disse já demonstrando um certo nervosismo — É melhor eu ligar pra Glória. — discou pra ela visivelmente tenso.

– Alô... – ela atendeu com voz de sono.

– Glória!

– Quem é?

– Sou eu, Tom.

– Oi, Tom...

– É urgente, Glória! Eu preciso que você vá agora na casa do Carlos e do Tonny antes que aconteça alguma merda.

– O que aconteceu?

– O mesmo de sempre, o ciúme do Carlos. Ele bateu num rapaz na boate que estávamos e saiu de lá arrastando o Tonny pelo braço. O rapaz que ele agrediu é conhecido nosso da época da faculdade e nós estamos indo deixar ele na emergência, mas precisamos voltar pra casa em seguida por causa das crianças. Eu liguei para o celular do celular do Tonny, mas não consegui falar. Chamou poucas vezes ele não atendeu e depois ficou caindo na caixa. Por causa disso eu não quis ligar para o telefone de casa, não sei o que está acontecendo, fiquei com medo de piorar ainda mais as coisas... E o Carlos bebeu muito...

– Tudo bem. Eu já entendi. Estou indo pra lá agora.

– Pronto, a Glória tá indo pra lá.

– Viu? Nem precisava ficar tenso desse jeito... — Mazo colocou a mão na nuca de Tom fazendo um carinho ali, o polegar acariciava a bochecha. O dono de casa retribuiu o gesto de atenção alisando a perna do executivo. O casal trocou um olhar e um sorriso carinhoso e cúmplice.

Absortos um no outro, não perceberam o olhar carregado de inveja de Josh.

– Eu não sabia que vocês ainda continuavam amigos... — Josh disse buscando quebrar o clima entre os dois.

– Sim, continuamos próximos desde a época da faculdade. — Mazo respondeu, já que Tom virou os olhos e ficou com cara de poucos amigos ao ouvir a voz do ex-colega.

– Eu não sabia que o Carlos podia ser violento dessa forma. Nos encontramos meses atrás e o Tonny me apresentou à ele. Eu não tinha lembrança dele na faculdade...

– Engraçado você lembrar de mim, mas não lembrar do Carlos. Nós andávamos sempre juntos, éramos do mesmo grupo de amigos.

– É... Engraçado... — disse desanimado.

– Tá entregue. — Mazo disse quando estacionou na porta da emergência. — Sinto muito pelo que aconteceu. Com certeza estragou sua noite. Se precisar de alguma coisa, liga pra gente. — entregou um cartão de visita.

– Obrigado. Não precisa se preocupar. Não tô tão mal assim, não vou nem prestar queixa. Nada é por acaso. Há males que vem pro bem. — guardou o cartão na carteira — Obrigado pela carona. — saiu do carro sem trocar nenhuma palavra com Thomas.

– Você pode me explicar o que foi isso? — Tom perguntou ao marido, quando o homem saiu do carro.

– Isso o que? — voltou a colocar o veículo em movimento.

– Você estava dentro deste carro nos últimos 20 minutos, não finja que não percebeu! Ele é um dos que passou pela sua cama, não é? — Thomas tinha uma certa irritação na voz.

– O que...? Não! É claro que não! — Mazo respondeu exasperado. Não lembrava de todos os homens e mulheres com quem tinha transado, mas se tivesse feito sexo com Josh lembraria, não é? Ele acreditava que sim.

– Então o que foi todos esses comentários com tanta indignação?

– Acho que ele apenas ficou surpreso, oras. Ok. Talvez muito, muito surpreso. Ninguém que me conheceu naquela época poderia imaginar que o meu futuro seria estar casado e com filhos... Aliás, se me contassem isso naquela época, eu diria, no mínimo, que a pessoa estava maluca. A culpa é sua! Foi você que me abduziu!

Tom deu tapa no braço do marido.

– Olha a violência! — Mazo brincou.

– Eu tô falando sério, Mazo! Não foi só surpresa. Cheguei a sentir uma energia ruim, muito ruim vindo dele. E você tinha mesmo que dar um cartão pra ele depois de tudo isso? Sério?

– Foi só uma gentileza, eu faria o mesmo com qualquer pessoa. Só quis ser gentil.

– Pois não precisava tanta gentileza! — Thomas cruzou os braços sobre o peito e fez uma cara emburrada.

– Não precisa fazer grande caso. Duvido que ele vá querer aproximação com qualquer um de nós depois de ter tomado essa surra, coitado.

– Espero que você esteja certo.

Quando o casal chegou em casa, foi direto para o quarto do primogênito. O menino dormia tranquilamente na cama, enquando Rose repousava na cadeira reclinável ao lado.

Tom tocou no ombro da babá, que abriu os olhos ainda sonolenta.

– Chegamos. — sorriu — Como ele passou a noite?

– Bem. Tranquilo. Nada com o que se preocupar. Chegaram cedo. Se divertiram?

– Estávamos nos divertindo bastante até o Carlos voltar a ser o Carlos. — respondeu Tom — Só espero que o meu amigo esteja bem... — disse mais para si mesmo.

– Deve estar. — disse Mazo — Agora vamos deixar a Rose voltar a dormir. — deu um beijo no filho e caminhou para a saída do quarto.

– Obrigado. — agradeceu Thomas — Eu não sei o que seria dessa família sem você. Pior, não sei como sobrevivemos tanto tempo sem você. — beijou o rosto de Rose, em seguida beijou e acariciou o rosto do filho, para enfim seguir o marido até o quarto da caçula.

Nana dormia no seu grande berço e Lucas havia improvisado uma cama no chão do quarto da menina.

– O que ele está fazendo aqui? Ele deveria ter dormido no quarto da Rose. — Mazo sussurrou para o marido.

– Não sei. Vamos acorda-lo e mandar ele ir pra lá.

– Ei! — Mazo chutou com pouca força os pés de Lucas — Acorda, garoto!

Tom olhou feio pra ele, o repreendendo pela forma que ele acordava o outro. Pelo visto o marido não gostava nada dele mesmo.

– O que foi? — o executivo se fez de desentendido.

– Lucas! — Tom chamou sacondindo levemente o ombro dele.

– Hum... — respondeu preguiçoso.

– Lucas, acorda. Vai pra cama. Você não precisa ficar aqui. — sorriu cordial — Pode deixar tudo aí, de manhã desfaz.

– Tudo bem. — o loiro levantou e saiu. Tom o acompanhou a fim de instala-lo corretamente.

Mazo deu as costas e sequer olhou pra ele. Debruçou sobre o berço da caçula fazendo um carinho nos cachos dela. Mesmo sendo um toque muito leve, a menina acabou abrindo os olhos.

– Oi, bonequinha do papai... A senhorita sabe que horas são? Não era pra você acordar, sabia? — deu uma falsa bronca na filha.

– Papai... — ela chamou dengosa e ergueu os braços pedindo colo.

O executivo não negou o pedido da filha, ao carrega-la, beijou-a; Nana, ainda sonolenta, deitou a cabeça no ombro do pai.

– Olha só quem acordou... — Tom retornou ao quarto — Oi, coisa linda.

– Oi, papá...

– Você não deveria estar acordada uma hora dessas, mocinha! Foi o papai que te abusou e acordou você, não foi?! — brincou, pegando a garota no colo — Vem... Vamos dormir. — tentou deita-la no braço.

– Não... — ela choramingou fazendo força pra levantar.

– Ótimo. Isso era tudo que eu precisava... — Tom se queixou derrotado.

– Vamos leva-la para o nosso quarto. Daqui a pouco ela dorme.

Enquanto Thomas tomava banho, Mazo ficou na cama com Nana, brincando de esconder objetos na mão.

– Acertou! — Mazo abriu a mão direita revelando uma bolinha, fazendo cócegas na filha, que caiu pra trás gargalhando.

– Pensei que tivesse colocando ela pra dormir, não piorando a situação... — Tom saiu do banheiro vestido com seu pijama.

– Estou cansando ela. Estou sendo estratégico!

– Ahn hã... Sei... Pode ir tomar seu banho, senhor estrategista. — sentou na cama.

Antes de levantar o executivo deu um beijo na filha e outro no marido.

– E você, já chega! Vem aqui. — Tom encostou no monte de travesseiros e colocou a filha no colo, as costas dela colada em seu peito, as pernas esticadas sobre as suas e começou a contar uma história.

Quando Mazo saiu do banheiro vestindo sua samba-canção, Nana estava quase dormindo de novo, ainda brigava um pouco com o sono.

– É assim que se faz. — Tom provocou.

– Tudo graças ao meu trabalho estratégico de deixa-la cansada. — riu o executivo.

– Se você diz... — riu — Amor, você pode pegar um pouco de água pra mim? Tô com sede. Quando você voltar, ela já vai estar dormindo, aí você coloca ela na cama dela.

– Ok. Volto num minuto.

O executivo foi à cozinha, abriu a geladeira, pegou uma jarra de água, pegou um copo no armário e se virou para sair, mas tomou um susto tão grande que quase deixou tudo cair no chão, ao dar de cara com Lucas.

– O que você está fazendo aqui, seu idiota? Quer me matar de susto?

– Quero te matar de um monte de coisas... De tesão, de prazer... — colocou a mão por dentro da samba-canção dele, segurando o pênis — Tô louco pra chupar esse seu pau, gostoso!

– Sai de perto de mim! — Mazo andou pra trás o quanto pode pra fugir do toque e encontrar onde apoiar os objetos que tinha nas mãos, mas Lucas o acompanhava, andando pra frente. Quando finalmente encostou na bancada, colocou os objetos. Enquanto num gesto brusco Lucas abaixou e abocanhou o pênis do executivo.

Mazo exclamou em surpresa.

– Solta meu pau, seu doente! Você é louco! — Mazo empurrava o loiro pelos ombros, mas em resposta ele sugava ainda mais forte seu pênis e se abraçava às suas pernas. — Me solta! Ai! — sentiu uma mordida — Eu vou acabar com você, moleque! — puxou Lucas pelos cabelos, que se sentiu obrigado a solta-lo devido a dor, colocando as mãos na cabeça.

– Ai, ai, ai, ai ai... — Lucas reclamava de dor.

– Calado! Ou dou um murro na sua boca! Se você chamar atenção de alguém eu acabo com a sua raça!

– Bate! Bate que eu gosto!

– Você é doente! — puxou o garoto pelos cabelos até a porta da rua — Você vai embora agora! E não se atreva a pisar os pés na minha casa de novo! Está me ouvindo?

– Como é que eu vou pra casa assim? Essa hora? Tá frio! — ele vestia penas um short e uma camiseta e estava descaço.

– Não quero saber! Se vira! E não se atreva a bater nessa porta quando eu fechar. — jogou ele do lado de fora e fechou a porta.

Passou na cozinha, pegou a água e o copo novamente e subiu as escadas. No topo tomou outro susto ao dar de cara com o marido.

– Ai, que susto!

– Calma. Sou só eu. Você demorou! Já coloquei a Nana cama dela... Estava indo na cozinha saber porque você estava demorando tanto.

– Ah... Tava comendo. — mentiu.

– O que você comeu?

– Quê? — perguntou pra ter tempo pra pensar na resposta.

– Perguntei o que você comeu.

– Um sanduíche, nada demais.

– Por que não trouxe pra mim?

– Acabou o pão.

– Ah! Acho que vou procurar alguma coisa pra comer também...

– Não! — exclamou parecendo desesperado demais, recebendo um olhar desconfiado do marido, mas logo se recompôs — Para de inventar, daqui a pouco vai amanhecer, Dan e Nana vão acordar e não vão deixar mais a gente dormir. Vem. Você bebe a sua água e vamos dormir. — passou o braço em volta da cintura do dono de casa.

– Tá bom... — fez um bico e deu meia volta.

Mazo respirou aliviado. Seu maior medo era que Lucas ainda estivesse lá do lado de fora e o marido o visse pela janela.

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Eram por volta das 9h40 da manhã quando Glória acordou sozinha na cama. Deu uma rápida olhada em volta e viu seu genro sentado em uma das poltronas do quarto, olhando a cidade através da parede de vidro.

– Já acordado, meu filho? — a voz de Gloria pareceu desperta-lo dos pensamentos. Ele a olhou e deu de ombros — Nem dormiu, não é? — ele balançou a cabeça positivamente — Eu sei... Vem aqui. — ela bateu a mão ao seu lado na cama. Ele levantou de onde estava e sentou ao lado da sogra. — Que tal eu fazer um café bem gostoso pra gente tomar?

– Eu não estou com fome... — finalmente ele falou, voz fraca e baixa.

– Mas tem que comer! Como você vai se manter forte sem comer? Saco vazio não para em pé! Vou preparar umas coisinhas bem gostosas pra gente comer. E você, vê se descansa um pouco, tá? — beijou a bochecha do genro e levantou da cama, indo direto pra cozinha.

Quarenta minutos depois, os dois estavam terminando de tomar café, sentados na mesa da cozinha. Tonny só tinha tomado um terço do copo de suco e comido uma garfada de panqueca, e mesmo assim, só por causa da chantagem emocional que a sogra fez. O publicitário brincava com a comida no prato quando a campainha soou.

– Será que o Carlos esqueceu as chaves dele? Eu não acredito que ele teve coragem de voltar aqui... — Glória levantou para abrir a porta, dando de cara com Victor.

– Oi, Glória. Eu quero falar com o Anthony... — disse já entrando no apartamento, visualizando o primo sentado à mesa.

Tonny ficou pálido, gelou dos pés a cabeça quando viu o Vitinho.

– Tonny! O que aconteceu com você? — andou a passos largos até o primo.

– Não foi nada demais. Batemos o carro ontem na saída da boate.

– E você está bem? Por que não avisou a ninguém?

– Eu não queria alarmar todo mundo. Eu liguei pra Glória que geralmente é mais calma pra lidar com esse tipo de situação e ela veio. Tá tudo bem, não foi nada demais... — levantou da cadeira e seguiu para sala, na tentativa de fugir do interrogatório.

– Espera! Estou falando com você! — Victor segurou o primo pelo braço.

– Ai! — Tonny gemeu e encolheu um pouco.

Victor segurou o pulso primo e levantou manga da blusa, vendo as marcas no braço que claramente percebia-se que eram marcas de cinto. Segurou a barra da camisa para ver o seu dorso, mas Tonny segurou a mão dele, impedindo-o de continuar.

Os dois se encararam, um olhando nos olhos do outro. Victor estava incrédulo, perplexo.

– Ele... Ele te bateu! Eu não acredito nisso! Ele bateu em você! — disse exasperado — Vamos à delegacia agora! Você precisa prestar uma queixa. — puxou o primo pela mão. Tonny o segurou.

– Não, Vitinho! Espera! Eu não posso fazer isso... Seria um escândalo!

– Quem se importa?! Ele BATEU em você! Você não pode deixar isso passar impune. Onde ele está? — entrou para olhar o quarto, o publicitário o seguiu.

– Ele não está aqui, ele saiu.

– Ótimo! Vamos arrumar as suas coisas, você não pode ficar aqui. Onde estão as suas malas? — entrou no closet.

– Vitinho, calma! Espera. As coisas não são assim...

– Não são assim, como? Ele te agrediu! Olha como você está! Se não for assim, é como?

– Não se envolve nisso, Victor. Deixa que eu resolvo, tá bom? Eu vou resolver tudo, eu sempre resolvo. Só não conta pra ninguém, tá bom? Me promete que não vai contar pra ninguém? — juntou as duas mão na frente do primo.

Vitinho ficou apenas olhando para Tonny, por alguns segundo, totalmente paralisado, incrédulo com aquele pedido. Havia mágoa e tristeza em seus olhos.

– Eu não acredito no que estou ouvindo... Eu não sei o que é pior... Você admitir que essa não é a primeira vez e apanha faz tempo ou me pedir segredo.

– Eu não disse isso! — exasperou-se o publicitário.

– Ah, não? "Deixa que eu resolvo, eu sempre resolvo"... Mesmo sem querer, sem intenção, mas você disse. Me conta mais... Você resolve como? Apanhando mais uma vez?

– Vitinho! Tenha mais respeito por mim!

– Você deveria se respeitar e não aceitar os abusos desse homem. Você deveria ter mais reseito por MIM e não me fazer um pedido desses. Você é mais que um irmão pra mim! Você sofre violência doméstica e tem coragem de me pedir pra manter segredo?? Tenha você — apontou o dedo para o primo — mais consideração por mim! Você lembra o motivo que eu fui morar com vocês por tanto tempo. Pelo visto não... Parece que você não lembra. Se lembrasse não me faria um pedido desses! — exasperou-se — Pois deixa eu te relembrar: MEU PAI BATIA NA MINHA MÃE! — gritou, os olhos cheios de lágrimas, fazendo algumas pularem dos ollhos de Tonny também — Ele batia nela quase todos os dias, sem motivo algum! E eu via... Eu assistia minha mãe apanhar quase todos os dias impotente! Sem poder fazer absolutamente NADA! Eu era só uma criança!!! — os dois choravam — E sabe qual foi a solução que ela encontrou para fazer com que eu melhorasse as notas e o comportamento, quando eu comecei a perder matéria e ficar violento na escola? Me mandar pra casa da irmã! Pra casa da sua mãe! Ao invés de largar aquele homem nojento e asqueroso!

– Mas não é a mesma coisa comigo, Vitinho! — secou as próprias lágrimas grosseiramente e colocou as mãos uma de cada lado do rosto do primo — Eu não sou a sua mãe e o Carlos não é o seu pai. Ele não me bate quase todos os dias. E eu já falei pra você que eu vou resolver! Não vai acontecer mais, eu te juro!

– Ah! E a frequencia dos abusos faz toda a diferença, não é?! Você é inacreditável! Eu vou te dizer uma coisa: você não é a minha mãe, mas era exatamente isso ela me dizia todas as vezes... "Não vai acontecer de novo, meu filho. Eu não vou deixar acontecer, prometo". O pior é que eu sempre acreditava nisso, porque ela falava com uma verdade... E eu entendo que ela não estava mentido pra mim, na verdade ela acreditava naquilo que ela estava me dizendo, ela acredita que podia resolver. Mas ela não podia... Assim como você não pode! Você precisa de ajuda, Anthony! Você sofre VIOLÊNCIA DOMÉSTICA! Você precisa de ajuda!

– Tudo que eu preciso é que você não conte nada pra ninguém, só isso que eu preciso. Eu estou te pedindo. Estou te implorando, Vitinho! Não conta pra ninguém. Eu vou me separar dele, vou pedir o divócio. Vamos decidir quem fica com a casa, quem fica com o apartamento e cada um vive no seu canto. Eu já decidi! Eu não estou brincando, não estou mentindo pra você, não é penas uma promessa, é a minha decisão! Só não quero que ninguém fique sabendo o motivo, ok?

– Não é vergonha sofrer violência doméstica, Anthony. Vergonha tem que sentir quem agride. Você é vítima! Precisa de ajuda! Não tem vergonha alguma em pedir ajuda quando a gente precisa, meu irmão. — colocou a mão na nuca dele — Eu posso te ajudar. Vamos arrumar as suas coisas, sair daqui, passamos na delegacia e você presta queixa. Vai ficar tudo bem, você vai ver!

– Eu entendo os seus traumas de infância, VItinho, mas não é como quando você era criança. Eu não sou a sua mãe que você não conseguiu ajudar. Eu tenho tudo sob controle. Só não conta isso pra ninguém, combinado? — passou a mão pelo rosto do primo.

– Eu não vou mais discutir com você. Você fez a sua escolha... — se livrou do contato e saiu do quarto.

– Vitinho! Vitinho, volta aqui! — o seguiu, mas ele saiu do apartamento batendo a porta.

Glória estava na sala, sentada no sofá, com as duas mãos tapando a boca, expressão extremamente preocupada.

– Você ouviu tudo? — perguntou o genro que começou a andar de um lado para o outro pela sala, extremamente tenso.

Ela respondeu que sim com a cabeça.

– Você acha que ele vai contar alguma coisa para o Ethan ou pra minha mãe? Será que ele vai chamar a polícia?

– Eu entendo que ele queira te proteger, mas espero que não... Pelo menos não agora, no olho do furacão.

O telefone de casa tocou e o publicitário estendeu o aparelho para a sogra:

– Número restrito. Será que ele já ligou pra alguém, talvez pro Ethan? Atende. Se for pra mim você fala que eu não estou, que eu saí. — disse nervoso.

Ela respirou fundo antes de apertar o botão.

– Alô...

– Glória?

– Tom! — ela respirou aliviada — Por que seu número está restrito?

– Não sei... O Dan estava mexendo no meu celular agora a pouco, deve ter sido ele. Como está o Tonny?

– Bem, na medida do possível...

– O Carlos bateu nele, não foi?

– Foi... — ela respondeu triste.

– E ele está aí?

– Não. Só estamos o Tonny e eu.

– Posso falar com o meu amigo?

– Claro que pode. Ele está aqui do meu lado. — passou o telefone para o genro — Pra você.

– Oi... — o publicitário cumprimentou.

– Oi... Como você está?

– Bem. Apenas com uma maquiagem nova no rosto... E no corpo todo.

– Não tem graça, Anthony!– repreendeu.

– Eu sei... É só que eu já chorei demais e tem tanta coisa na minha cabeça ao mesmo tempo agora. Pra piorar a situação, o Vitinho apareceu aqui, me viu, sacou tudo, eu não sei o que ele fazer com essa informação... Eu tô com medo. Muito medo.

– Tenha calma. Vai dar tudo certo. Você vai sair?

– Com estado atual do meu rosto eu não tenho coragem de colocar o pé na rua.

– Então eu vou passar aí, ok? Daqui a pouco eu chego.

– Jura que você não tem nada mais interessante pra fazer em pleno domingo?

– Anthony!

– Ok. Desculpa.

– Eu odeio quando você fica assim...

– Eu sei! Já pedi desculpa.

– Até já.

– Até já.

Ao desligar o telefone, Anthony ouviu o trico e a porta se abrir. Sabendo quem era, ele adquiriu uma expressão carregada, dura, fechada.

– O que você veio fazer aqui, Carlos? — Glória foi como uma fera em direção à porta.

– Eu moro aqui, mãe! Esta é a minha casa também. Eu preciso tomar um banho e trocar de roupa. — agora o executivo tinha um curativo acima do olho.

– Por que você não fez isso na minha casa, num hotel ou no raio que o parta? Você deveria ter vergonha de voltar aqui depois do que você fez ao seu marido!

– Mãe! Também não precisa falar assim...

– O que eu estou falando não é nada comparado ao que você merece ouvir!

– Eu... Eu também precisava falar com o Tonny.

O publicitário finalmente olhou em direção à porta ao ouvir o seu nome ser citado. Olhou o marido com desprezo, todo o desprezo do mundo direcionado a ele.

Carlos sentiu. E não tinha como não sentir, era praticamente palpável. Tão forte que o executivo sequer conseguiu sustentar o olhar e acabou encarando o chão.

– Eu preciso de um banho... — disse totalmente sem jeito, seguindo para o quarto a passos largos.

– Você vai conversar com ele agora? — Glória perguntou ao genro, assim que viu o filho sumir atrás da porta.

Tonny balançou a cabeça afirmativamente — É melhor resolver tudo isso de uma vez.

Como se tivesse fugindo da conversa, Carlos demorou no tal banho. Havia mais de 40 minutos que ele tinha entrado no quarto, mas não saía nunca.

Enquando isso, Tonny estava deitado no sofá, com a cabeça no colo da sogra, assistindo TV, quando a campainha tocou mais uma vez.

– O Tom finalmente chegou. — disse Tonny.

– Agora sim o Carlos vai ouvir um monte! — respondeu Glória.

Notas finais
Devo dizer que eu fiquei MUITO FELIZ com os comentário do capítulo anterior. Estou com uma forte sensação de dever cumprido, porque eu consegui provocar vocês, tira-los da zona de conforto e fazê-los pensar sobre uma problema que apesar de estar numa história fictícia, é real: a violência doméstica. Embora infelizmente ainda tem quem se reporte como se o culpado fosse a vítima, acho importante trazer o tema. A violência doméstica entre casais homoafetivos infelizmente é pouco discutida. Leitores fantasmas que NUNCA haviam se pronunciado, deixaram reviews enormes!!!! Vocês não tem noção de como isso me deixou estasiada!!! Leitores que sempre deixam comentários mostrando o quanto são inteligentes e profundos... Nossa! Tô que tô! Vocês fazem essa história acontecer. Obrigada! Oh! a formatação tá assim estranha, porque não sei que diabos deu aqui, que o Word sumiu! Digitei no WordPad e não ficou a formação. Tive que formatar direto no Nyah! e ficou uó! Amo ocês tudo!!!!!