O homem que eu amo
13 Capítulo 13
Notas iniciais
Nos dias que seguiram ao episódio da discussão no restaurante, Tonny ficou doente. Nem sequer podia ir para o trabalho. Tinha febre alta constantemente, fortes de dores de cabeça – essas talvez fossem pelas horas que chorava sem parar – não conseguia comer, às vezes vomitava, começou a emagrecer um tanto. Carlos chegou a obrigar o marido a ir ao médico no terceiro dia de febre, mas ele não tinha nada clinicamente. A doença dele era tristeza.
Justamente no dia que em que Tonny foi ao hospital, Victor passou a ir visita-lo diariamente. O publicitário tinha certeza que aquilo era coisa de Ethan – que certamente ficara sabendo do seu estado através da mãe – para obter informações de como estava; mas o mais velho não atendia nenhuma das ligações nem respondia as mensagens de voz e de texto que Tonny mandava implorando para que tivessem a chance de conversar novamente.
Nos dias que Carlos estava ocupado demais com as negociações que estavam sob sua responsabilidade, Elisa e Glória se revezavam para cuidar de Tonny. Jessie também chegou a visitar o irmão algumas vezes.
O executivo ainda não fazia ideia do nível da briga ou motivo da discussão entre o marido e cunhado, Tonny se recusava a falar sobre o assunto com qualquer pessoa, até mesmo com Tom. O melhor amigo do publicitário também ia vê-lo diariamente; e só na presença de Dan e Nana que ele aparentava menos triste.
Depois de 10 dias, quando não aguentou mais ver o marido naquele estado, Carlos se afastou uma semana do trabalho, mesmo sem poder, e praticamente arrastou Tonny para um spa hotel fazenda numa cidade próxima. O executivo já estava um tanto desesperado, sem saber o que fazer pra tirar quem tanto amava daquele torpor. Já tinha tentado de tudo, mas o publicitário não queria sequer levantar da cama, malmente para ir ao banheiro. Ter consciência que aquilo tudo era por causa de algo ligado a Ethan, só fazia aumentar a raiva de Carlos pelo cunhado.
Quando retornaram, Tonny realmente estava melhor da depressão e começou a voltar às suas atividades normais.
***
Sete meses haviam se passado desde o rompimento de Ethan com Tonny.
O executivo e o publicitário já tinham encontrado e comprado a casa que desejavam. A documentação já estava pronta e as pequenas reformas que fizeram para deixa-la como queriam, tinham acabado de serem finalizadas. O imóvel ficava no mesmo bairro que Tom e Mazo moravam, apenas algumas quadras de distância, menos de 10 minutos de caminhada.
Durante esse tempo, também já havia sido encaminhado o processo de adoção. Eles tinham dado entrada nos papéis assim que voltaram do hotel fazenda e um dos advogados da empresa que Carlos trabalhava estava tomando conta de tudo; o homem tinha um escritório de advocacia bem conceituado. Tudo estava em ordem, eles já haviam passado pela avaliação psicossocial e foram considerados aptos. As visitas da equipe de avaliação tinham sido há pouco tempo. Aconteceram no apartamento antigo, mas os profissionais foram levados para conhecer a casa nova onde a família iria morar logo, logo e tudo foi devidamente anexado ao processo. Agora eles já estavam devidamente habilitados e aguardavam apenas serem chamados quando uma criança que fosse compatível com o que constava na entrevista técnica aparecesse, para enfim conhecê-la.
Com a casa pronta e a espera do filho, eles já estavam de mudança marcada para a próxima semana.
Mas ainda havia outra coisa muito importante que estava para acontecer na vida do casal. Na verdade mais na de Carlos que na de Tonny. Em dois dias seria o jantar para assinatura do contrato e fechamento do negócio que tornaria Carlos sócio da multinacional. Tinha sido trabalhoso e demorado o processo, mas ele tinha conseguido realizar a transação. Isso significava que ficariam alguns milhões mais ricos.
– Você não fica com medo? – Victor perguntou a Tonny. Era segunda-feira e os dois estavam comendo juntos durante o horário de almoço.
– Medo do quê?
– Sei lá, de tudo. Você vai se mudar pra uma casa nova, tem um filho a caminho, você vai se afastar do seu trabalho pra cuidar dele... São muitas mudanças. Além do mais, essa promoção aí do Carlos, todas as revistas falando do quanto vocês vão ficar mais ricos... Sei lá! Alguém pode querer fazer alguma coisa com vocês... Aliás, é impressionante como eles ficam sabendo dessas coisas...
– Com medo, com medo, eu não estou. Eu tô um pouco ansioso... Mas eu acho que eu estou preparado. Na verdade, eu estou mais tranquilo do que eu pensava. O Carlos mudou bastante desde que a gente decidiu ter esse filho. O ciúme dele diminuiu, ele não fica mais fazendo aquelas cenas... Claro que ainda acontece uma coisa ou outra, mas sempre bobagem. Nada demais. Ele está sempre superpreocupado com tudo, com todos os detalhes da casa, do quarto da criança, em deixar tudo em ordem pra quando eu sair em licença paternidade... Isso me deixa mais seguro, sabe?! Eu acho que tá tudo muito melhor do que eu esperava. Bom, quanto ao dinheiro, é só mais uns zeros na conta. Na prática não vai mudar nada pra gente. O Carlos tá meio preocupado com essa coisa da segurança e tal. Mandou blindar nossos carros e colocou um sistema de segurança cheio de frescuras na casa nova, mas não nada mais que isso. Acho que não tem necessidade. Claro que essa superexposição assusta um pouco nesse sentido. Eles divulgam a nossa vida sem nem pensar nas consequências disso pra nós, mas acho que a gente vai ficar bem. – Olhou nos olhos do primo – Pode dizer ao Ethan que tá tudo bem comigo. Diz que ele não tem com o que se preocupar. – Tonny sorriu triste, Victor sorriu sincero e cúmplice em resposta. – Como ele está?
– Ele está bem. – baixou os olhos por alguns segundos e olhou Tonny novamente – Ele sente a sua falta. Ele não fala, mas está muito nítido.
– Eu sei... Eu sinto falta dele também... – uma lágrima teimosa pulou dos olhos do publicitário que passou a palma da mão na bochecha, tratando de seca-la rapidamente.
– Ele é mais teimoso que uma mula, você sabe, mas ele te ama.
– Eu sei... Ficar te mandando pra saber como eu estou é uma boa prova disso...
– Ah! Quer dizer que você acha que se não fosse por isso, eu não estaria aqui com você? Não que eu esteja dizendo que foi ele que me mandou aqui... – Tonny riu alto.
– Se ele não mandasse você aqui, você viria assim mesmo e contaria pra ele!
– Suas palavras, não minhas. – riu Victor.
– Você é muito besta mesmo, Vitinho! Me conta, como vocês estão se dando dividindo o apartamento?
– Ah... Tá tudo bem. Bem até demais.
– Como assim?
– Eah... Levando em consideração que eu sou mais bagunceiro, a gente tá se virando...
– Oh! Cuidado! Não vai zoar demais que ele vai te colocar pra correr de lá! – apontou o dedo em advertência pra Victor.
– Vai nada! Duvido! E se eu for embora, ele manda me buscar de tanta saudade.
– Quanta certeza...!!!
– É que... Agora sem você, ele sente sozinho... Você sabe...
– Entendo.
– Então, vamos?! Eu já estou em cima do meu horário.
– Claro, vamos.
O restante do dia de Tonny foi um misto de melancolia, saudade do irmão e uma pitada de esperança. Nos últimos meses era assim que se sentia toda vez que encontrava com o primo. Se agarrava nesse fio de esperança pra não desmoronar de novo. Acreditava que mais cedo ou mais tarde tudo iria se resolver e o filho poderia ser um condutor. Por isso sempre depois de um encontro como aquele acabava por mandar uma mensagem pra Ethan.
De: Anthony Moore-Gutierrez
Para: Ethan Moore
Está tudo bem por aqui. Agora está cada vez mais perto da chegada do seu sobrinho, tenho certeza que ele vai amar o tio, do mesmo jeito que o pai dele ama você. Sinto muito a sua falta. Se cuida. Te amo, meu irmão.
Depois ficava encarando a tela do celular, esperando por uma resposta que nunca vinha. Mas desta vez o aparelho vibrou e o coração de Tonny vibrou junto, porém não era quem ele queria que fosse e o peito dele se encheu de tristeza novamente.
– Oi...
– Ei! Que voz é essa? Não tá feliz de falar comigo?
– Claro que estou, amor. Só um pouco cansado.
– Não precisa mentir pra mim. Com foi o seu almoço com o Victor?
– Foi bom. Nós conversamos e comemos. Nada demais.
– E agora é a parte que você fica triste, não é isso?
– Não fala besteira...
– Eu devia proibir esses seus encontros com ele por causa disso.
– Você não vai proibir nada nem coisa nenhuma. Nós já conversamos sobre isso. Não vou falar de novo. Eu não quero brigar com você, mas se você quiser tocar nesse assunto novamente, se prepare porque a briga vai ser feia! – disse irritado.
– Ei, ei, ei! Calma aí. Tudo bem. Eu não quero brigar com você, ok?! Só liguei pra saber como você está...
– Eu estou bem, não precisa se preocupar. – voltou ao tom desanimado.
– Nos vemos mais tarde, ok? Passo pra te buscar.
– Tudo bem. Até mais tarde.
– Até. Te amo.
– Também.
Na casa da Família Fahuzi muita coisa havia mudado.
Nana, já com quase 3 anos, começara a frequentar a pré-escola. A garota adorou a novidade. Curtia brincar com os coleguinhas, gostava das professoras, amava as aulas de balé e música que fazia – os pais haviam escolhido para a menina essas atividades, que estavam dentro das opções da programação escolar.
Quem sofreu mesmo com isso foi Thomas. A pequena, por mais de um ano, foi sua única companhia durante todas as manhãs, quando Mazo saía pra trabalhar e Dan ia pra escola. Eram muito apegados um ao outro, mas para Nana não faltava distração na escola; já Tom, no começo, chorava diariamente na volta pra casa, após deixar a menina com a professora. Depois, com a ajuda do marido, começou a perceber o lado bom disso: teria mais tempo pra cuidar de si mesmo. Além de dar mais atenção à própria estética, agora ele fazia aulas de pilates, de Tai Chi Chuan e hidroginástica durante as manhãs.
Rose e a família haviam criado uma sintonia muito grande. A mulher desempenhava seu trabalho de forma eficiente e já tinha uma amizade com os patrões. Uma relação realmente próxima, que tinha espaço pra brincadeiras leves e conversas sobre assuntos pessoais e mais íntimos. Além disso, Nana e Dan eram completamente apaixonados por ela e ela por eles. Uma relação que às vezes causava ciúme em Tom, mas ele sempre buscava pensar pelo lado positivo de ter em quem confiar deixar os filhos, alguém que cuidava deles muito bem, tanto quanto ele mesmo. Afinal de contas poucas pessoas davam sorte nesse sentido.
Era início da noite quando Tom abriu a porta com as sacolas de compras na mão. Enquanto tinha ido ao mercado adquirir coisas que faltavam na dispensa, deixou os filhos em casa com Rose. Ouviu a gargalhada do marido e parou na entrada da sala para ver uma cena que acabou por paralisa-lo: Mazo sentado no sofá na companhia de um jovem loiro, cabelos acima dos ombros, não aparentava mais de 19 anos, tinha uma beleza angelical, mas o olhar esverdeado carregava certa malícia. Eles estavam numa conversa animada, regada a muitas risadas. Sem ser notado, ele ficou ali apenas observando para ver até onde ia aquilo.
– Tom, você já voltou? Pensei que fosse demorar mais... – disse Rose descendo com Nana no colo, tirando o dono-de-casa do seu devaneio. No final da escada colocou a menina no chão.
– Papááááááá!!! – gritou a criança, como se não visse o pai há dias, correndo e abraçando suas pernas.
– Oi, minha gatinha! – respondeu, entregando as sacolas que tinha nas mãos à Rose e pegando a filha no colo. – Você se comportou direitinho?
– Hunrum... – balançou a cabeça freneticamente – Você trouxe coisinhas gostosinhas de comer pá mim?! – inclinou a cabeça com uma expressão fofa.
– Claro que trouxe. Pra você e pro seu irmão. Mas não é pra comer tudo de uma vez só, viu, dona moça?! – apertou o narizinho dela, fazendo-a rir – O mercado não estava muito cheio como eu pensei que estaria. – respondeu à Rose, imediatamente direcionando o olhar – que era um misto de interrogação, reprovação e talvez ciúme – para Mazo que se aproximava.
– Amor, você não estava em casa? – o executivo indagou de forma simples.
– Papaaaaai!!!!!!! – Nana fez festa mais uma vez, se jogando nos braços do pai executivo, que a pegou e abraçou.
– Oi, minha princesinha linda!!! Que saudade eu estava de você, meu amorzinho...
– Não, não estava. Fui ao mercado. E você? O que estava fazendo que está em casa e não sabia que eu não estava e muito menos viu a sua filha que estava aqui? Certamente não viu Dan também... – desviou o olhar não amigável para o rapaz loiro agora em pé, mais afastado, atrás de Mazo.
– Lucas! Eu disse pra você me esperar na cozinha! – disse Rose, que obviamente percebeu o olhar do patrão – O que você estava fazendo aqui?!
Tom dirigiu um olhar de interrogação à Rose que entendeu a pergunta muda.
– Tom, me desculpe por isso. Esse é o meu filho, o Lucas. Ele veio só pra buscar a chave de casa porque ele perdeu a dele, eu pedi pra ele esperar na cozinha enquanto eu fui colocar um desenho pra Dan assistir no quarto dele...
– Não tem problema nenhum, Rose. – interrompeu Mazo – Eu cheguei e não vi ninguém aqui embaixo, ele estava na cozinha, me disse que era seu filho e o chamei pra sala enquanto você voltava pra ele não ficar sozinho. Não foi nada demais.
– Eu entendo, ‘seu’ Mazo. Mas ele tinha que ter recusado o convite do senhor e ter me esperado onde eu disse que era pra ele esperar! Vamos, Lucas. Vou te dar o que você veio buscar pra você ir pra casa.
– Desculpa. Eu só não quis parecer mal educado. Não queria causar nenhum problema.
– Está tudo bem, Lucas. – respondeu Tom – Se você é filho da Rose, também é da família. Sinta-se em casa. – sorriu.
– Obrigado... – sorriu sem graça – Se vocês me dão licença... – Lucas seguiu a mãe até a cozinha.
– Wow! O que foi isso? – perguntou Mazo quando os outros dois entraram na cozinha.
– Você não sabe? Eu te explico: eu chego em casa, encontro você no sofá com um completo desconhecido que tem a maior cara de “ninfeto”, numa conversa animadíssima, animada até demais pro meu gosto, e completamente alheio a quem está ou o que está acontecendo nesta casa. Imaginou o cenário? Pois, foi isso que aconteceu. Mas sendo o filho da Rose, aliado ao que vocês disseram, a perspectiva muda e tudo se explica. Simples assim! – sorriu.
– É... Faz sentido...
– E eu posso saber qual era motivo de tanta graça?
– Ah, nada demais... Apenas piadas estúpidas.
– Hum... Entendi. Vai lá em cima falar com o seu filho, com certeza ele não sabe que você já chegou. Depois que se trocar, desce com ele pra gente jantar, ok?! Eu vou ajudar a Rose desarrumar as compras.
– Sim, senhor.
– E a senhorita? Vai subir com o papai ou quer ficar aqui comigo? – esticou os braços esperando a filha se jogar.
– Hum... – pensou por alguns segundos com um dedinho encostado na boca – Subir com o papai...
– Então, tá bom. – recolheu os braços e beijou o marido nos lábios.
– Eu não acredito que aquele é o marido daquele pedaço de mau caminho!!! – exclamou Lucas ao entrar na cozinha – Ele só pode ter feito alguma macumba pra prender aquele homem maravilhoso. Tudo bem, ele é até bonitinho, mas não tem nada demais...
– Lucas! É dos meus patrões que você está falando! Você já pensou se eles entram aqui e ouvem você?!
– Só estou falando a verdade...
– Pois, saiba que o Tom é um homem muito bom, um pai maravilhoso e marido muito atencioso e incrível! O ‘seu’ Mazo tem muita sorte!
– Hum... Pois, eu acho que um homem como ele, lindo, rico e gostoso poderia conseguir algo muito melhor do que aquilo.
– Deixa de conversa, garoto! Olha aqui a chave. Vê se vai direto pra casa. Daqui a pouco eu estou chegando.
– Já está indo embora? – perguntou Tom entrando na cozinha, vendo o rapaz colocar a mochila nas costas.
– Ah, já sim... Só vim mesmo buscar a chave. – balançou o objeto.
– Você poderia esperar e jantar conosco. Sua mãe não vai demorar muito mais aqui. Depois de guardar essas compras, vamos colocar à mesa. Geralmente depois disso ela vai embora, isso quando não fica com a gente pra jantar. Hoje eu insisto que você fique, depois um pode fazer companhia ao outro na volta pra casa.
– Não acho que isso é uma boa ideia, Tom. O comportamento dele não foi correto...
– Pois, eu acho que não houve nada demais, foi apenas um mal entendido. Seu filho é mais do que bem vindo aqui, pode vir sempre que quiser. E eu insisto, faço questão que jantemos todos juntos hoje. Isso se ele não tiver coisa mais importante pra fazer é claro. Talvez tenha alguma namorada esperando por ele... – olhou de lado de um jeito divertido.
– Não... Não tem uma namorada, também não tenho nada mais importante pra fazer. – respondeu Lucas.
– Então está decidido! Vamos todos comer juntos. – Sorriu.
– Demorei tanto assim pra você precisar me esperar aqui?! – indagou Tonny, ao ver o marido sentado em uma das poltronas da recepção da agência de publicidade.
– Não. Eu que decidi descer do carro. – levantou-se e selou os lábios do publicitário.
– Vamos?
– Claro.
– Onde está o seu carro? – perguntou ao ganhar a rua.
– Nós vamos voltar no seu.
– Como assim?! Eu não vim de carro, você me trouxe e é por isso que você está aqui, pra me buscar. Você não está tão velho assim... Tá sofrendo de mal de Alzheimer agora? – riu.
– Rá, rá, rá! Engraçadinho... Você não veio com seu carro, mas eu trouxe ele pra você.
– E onde está?
– Na sua frente.
– Mas esse não é o meu carro. – Tonny encarou a Lamborghini amarela parada na porta do edifício.
– Agora é!
– Como... Como assim? Que brincadeira é essa?
– Não é brincadeira. É seu! – tirou a chave do bolso e estendeu para o marido.
– Rá! Você enlouqueceu de vez! Esse carro... Esse carro custa quase dois milhões de dólares!
– Nossa... Eu achei que você ia gostar mais do meu presente... – se fez de ofendido.
– Não é isso! – Tonny segurou o rosto do marido entre as mãos deslizando-as até a nuca – Eu amei! Eu adorei! Só estou surpreso demais... Na verdade estou em choque... – riu fraco – Isso é alguma espécie de presente de aniversário ou de aniversário de casamento adiantado? Ainda faltam alguns meses pra isso...
– Não... Eu preciso de um motivo melhor ou maior do que te amar pra te presentear?
Tonny pensou que ia derreter com aquela declaração, sentiu o coração bater mais forte.
– Você não existe, sabia? Eu te amo muito. – o beijou e o abraçou forte.
– Você gostou mesmo? – perguntou quando o beijo foi quebrado.
– Lógico! Eu simplesmente amei! – disse com os olhos brilhando, se aproximando do veículo para prestar atenção nos detalhes.
– Daqui a uma semana vamos nos mudar. Eu achei que você precisava de um carro novo pra fazer jus à casa nova. – sorriu.
– Obrigado. Eu estou feliz, mas foi uma extravagancia. Você vai trocar de carro também? Já estamos gastando por conta da sua promoção? – riu.
– Não, eu não pretendo tocar de carro. Pelo menos não agora. Eu gosto da minha Land Rover. E nós vamos precisar de um carro espaçoso para caber o nosso filho. E não, não estamos gastando por conta da minha promoção. Ainda não há certeza absoluta que ela vai acontecer. Tudo depende da assinatura do contrato depois de amanhã e o investidor pode desistir no último minuto. Deixa eu te explicar uma coisa: nós temos dinheiro sabia?!– Carlos inclinou a cabeça, o que fez Tonny rir – Muito, mas muito dinheiro mesmo!
– Eu sei! É só que não estamos acostumados a esbanjar dessa maneira... – encostou no carro e puxou o executivo, colando seus corpos, e passou os braços em volta da cintura.
– Não estamos esbanjando. Apenas quis te dar um presente... Um mimo. Eu gosto de mimar você... Não posso mais?!
– Claro que pode! – beijou o marido – Sempre que quiser. Agora deixa de enrolação que eu quero andar no meu carro novo! – eufórico, tomou a chave da mão de Carlos, fazendo-o rir.
O jantar da família Fahuzi seguia animado.
Geralmente, naquela casa, apenas o café da manhã era feito na cozinha. As outras refeições eram na sala de jantar. Mas naquele dia Tom achou que iria criar um clima mais intimo e à vontade se comessem na cozinha. Não queria aparentar formalidade, queria que Lucas se sentisse bem com a família depois do mal entendido e considerou melhor dessa forma.
As conversas giravam em torno dos hábitos das crianças. Rose contava como Lucas costumava ser na infância e algumas situações engraçadas dele, coisas típicas dos pequenos.
A maioria do tempo Mazo apenas ria, às vezes tinha uma memória sobre os filhos que compartilhava com os outros. Quando ria de uma caso que Tom compartilhou sobre a própria infância, o executivo pareceu engasgar.
– Querido, você está bem? – indagou Tom preocupado.
O executivo sentiu algo subindo por uma de suas pernas.
– Estou. Estou sim. Só... Só me engasguei. – foi quando Mazo percebeu pela reação do marido que não era ele que estava com o pé “ali”. Como o rapaz loiro estava logo ao lado do dono-de-casa, que sentava a sua frente, era fácil de confundir – Eu... Eu já estou satisfeito. Vou pegar a sobremesa. – arrastou a cadeira pra trás para se levantar.
– Eu faço isso, ‘seu’ Mazo.
– Não, Rose. Não é preciso, eu mesmo posso pegar. – disse levantando rapidamente.
O jantar seguiu sem novas surpresas, mas o comportamento de Mazo mudou um pouco, ele ficou mais quieto. O executivo estava impressionado com a capacidade daquele garoto fingir que não havia feito nada, que nada havia acontecido. “Que dissimulado!”, pensou.
Poucas horas depois, o casal já estava pronto pra dormir. Tinham colocado os filhos na cama, e agora arrumavam o próprio leito antes de deitar.
– O que achou do filho da Rose? – perguntou o executivo.
– Eu gostei dele. É educado, engraçado. Nana e Dan também gostaram dele. Nota-se que ele herdou da mãe o talento com as crianças. Atencioso, paciente, cuidadoso. Até ajudou a Nana a comer a comida dela. Achei muito bonitinho – riu – Falei pra Rose que não tem problema ele vir à nossa casa se precisar. Não queria que ela ficasse com a impressão errada depois daquilo. – disse sentando na cama, para deitar logo em seguida.
– Eu não acho isso uma boa ideia.
– Ué! Por que não? Você pareceu se dar superbem com ele.
– Porque... Porque... Porque é um estranho. Nós temos dois filhos pequenos, não devemos deixar qualquer pessoa ficar entrando na nossa casa. – deitou-se ao lado do marido.
– Ele não é um completo estranho. É filho da Rose e a gente trata ela como se fosse uma amiga, praticamente parte da família. E não é como se ele fosse ficar aqui em casa todos os dias. Só avisei que ele pode transitar aqui se necessário. Não tem com o que se preocupar.
– Não estou preocupado. Apenas não concordo com isso.
– Tudo bem... Então vamos fazer o seguinte: vamos deixar assim por enquanto, já que eu já autorizei, e ver qual será a frequência que ele vem e como ele se comporta. Se notarmos algo de estranho nós tomamos uma postura, ok?!
– Tá... Se você prefere assim... – disse contrariado.
– Ah... Não faz essa cara de irritadinho que eu não resisto... – sentou sobre os quadris do marido e rebolou, tomando a boca do marido num beijo lascivo, começando a despertar a libido dele e assim fazendo seu falo ganhar vida.
– Seu pervertido...
– E você adora... – sussurrou no ouvido do executivo.
Mazo inverteu as posições e num segundo estava entre as pernas de Tom, que agora estava embaixo do seu corpo.
– Ah... Eu amo... – desceu a boca beijando o pescoço do parceiro, enquanto suas mãos invadiam a camisa do seu pijama por baixo, explorando o dorso.
– Então você é tão pervertido quanto eu... – gemeu em seguida, quando sentiu a boca em um dos seus mamilos. Enquanto isso, Mazo pressionava a ereção em suas nádegas. O que o deixava cada vez mais excitado.
Mazo tirou cuidadosamente a camisa do pijama do marido, acariciou a pele alva e macia dele, para em seguida percorrer com os lábios o mesmo caminho que suas mãos haviam passado, vez ou outra dando leves mordidas ou chupões, que certamente deixariam marcas no dia seguinte, já que a pele do marido era sensível.
Enquanto isso, Tom apreciava o carinho e retribuía acariciando os braços fortes e as costas bem definidas do executivo onde conseguia.
Descendo ainda mais os afagos, Mazo chegou ao cós do short, descendo-o lentamente para revelar o pênis semidesperto que não fez cerimônia em colocar na boca e chupar.
– Ahhhhhh!!! – Tom gemeu com a felação.
Enquanto chupava o marido, Mazo acariciava e apertava as coxas pelas quais era apaixonado. Afastou mais as pernas do outro, descendo a língua pelos testículos, passando pelo períneo até o ânus, onde começou a provocar com a língua. Tom apenas gemia sem parar, adorava aquela sensação, considerava extremamente prazerosa.
O executivo se levantou, ficando em pé ao lado da cama, em seguida puxando o parceiro para levanta-lo e seguir andando para algum outro lugar provavelmente dentro do próprio quarto, num movimento rápido e automático, mas foi impedido de andar quando foi puxado pela samba-canção que usava. Mas Tom, sentado na cama, tratou de tirar a única peça do marido e tomou seu pênis com as mãos e a boca. Mazo até quis reclamar, tinha vontade de dizer que não era exatamente o que ele queria ou pretendia, que ele estava no controle, mas não conseguia. A sensação era boa demais para que pudesse articular o pensamento em palavras naquele momento, sempre acabava se perdendo com o toque daquela boca. Apenas quando sentiu que ia gozar, pareceu despertar e tomar ciência da própria condição.
– Definitivamente não é assim que eu quero gozar... – puxou Tom num gesto brusco que o surpreendeu, prensando-o contra a parede, roçando o pênis entre suas nádegas, puxando o cabelo dele levemente, inclinando a cabeça para ter livre acesso ao pescoço, onde deixaria mais marcas.
Inclinou-o sobre a cômoda ao lado, derrubando uma ou duas coisas que estavam sobre ela, e entrou lentamente.
– Ohhhhhhhhhh!!!! – Tom gemeu manhoso.
As estocadas seguiram lentas e provocadoras, talvez porque Mazo temia que talvez gozasse rápido demais depois daquele oral incrível. Tom acreditava que era pura pirraça.
– Oh! Não faz isso...
– Você gosta quando eu meto assim? – entrou devagar rebolou dentro incisivamente.
– Owwnnnnn! – Tom arfou no meio do gemido.
– Quando eu boto assim... — saiu e entrou algumas vezes num ritmo ameno – Você gosta? – o outro mais uma vez não respondeu, apenas gemeu. – E quando eu te fodo assim... – saiu bem devagar e meteu rápido, forte e duro.
– AHHHHH!!! – Tom gritou – Seu filho da puta! – disse entre os dentre – Se você não parar de me provocar e me foder eu vou te matar! Eu não tô aguentando mais de tesão, por favor, preciso gozar! – pediu a ultima parte manhoso.
– Como você quiser... – respondeu em tom de quem iria aprontar. Thomas quase se arrependeu do que disse quando sentiu a malícia na voz do marido.
Mazo ergueu uma de suas pernas, segurando-a no ar e iniciou uma cadência implacável. Tom gemia muito alto, mal podia aguentar a próstata ser provocada daquele jeito, sem parar. Quando não aguentou mais teve um orgasmo espontâneo, já que continuar se masturbando não foi mais possível diante da posição e intensidade. Não demorou muito e o destino de Mazo foi o mesmo, gozando forte dentro do marido, liberando um som gutural durante o orgasmo.
O executivo saiu de dentro do marido, virando-o de frente e o beijou, ainda ofegante.
– Um dia desses você ainda vai acordar Nana e Dan... – Tom repreendeu o marido, que gargalhou com o que ouviu.
– Eu?! Eu que vou acordar os nossos filhos?! Você geme alto desse jeito e eu que vou acorda-los?
– A culpa é sua! Se você não me provocasse, não faria tanto barulho...
– Se eu não te provocasse você não ia gostar tanto. Seus gritos são prova de que você adora! Eu sei. – sorriu safado.
– Seu chato convencido! – ralhou de brincadeira virando-se, no que o marido o abraçou por trás, e assim andaram juntos até o banheiro.
Depois do banho o casal deitou para dormir. Era segunda-feira, a semana estava apenas começando...
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