O homem que eu amo
8 Capítulo 8
Notas iniciais
No dia seguinte Tonny chegou em casa mais cedo que pôde; 6h50 da manhã já estava estacionando o carro na garagem do edifício de alto padrão onde morava. Para isso, ligou ainda à noite para o primo Victor e pediu pra ele voltar da balada direto pra casa de Ethan o mais cedo que pudesse. Acordou 5h20 e percebeu que o primo ainda não tinha chegado, então preparou o café da manhã para o irmão tomar quando acordasse mais tarde, suco, sanduiche misto e frutas cortadas. Pensou em adiantar alguma coisa para o almoço, mas ainda tinha a comida que preparou para o jantar na noite anterior. Tomou um banho rápido e vestiu uma camiseta e uma bermuda de Ethan. Victor chegou às 6h20, encontrando Tonny já impaciente. O publicitário dirigiu o mais rápido que permitia os limites de velocidade das ruas e avenidas, e, invadindo uma sinaleira ou outra sem pedestre, conseguiu chegar em casa em meia hora.
Tonny deu falta do carro do marido assim que estacionou. Ficou surpreso e até um tanto preocupado com o que poderia ser o motivo de ele sair tão cedo em pleno domingo. “Será que aconteceu alguma coisa que eu não sei?”, se perguntou.
Ao entrar em casa, colocou as roupas que tinha usado no dia anterior, agora sujas, no cesto no quarto, foi até a sala, ligou a televisão, seguiu para a cozinha, se serviu de um copo de suco que estava na geladeira e pegou dois biscoitinhos de goma em uma das frasqueiras que estava numa prateleira. Quando ficou com uma das mãos livres, pegou o celular no bolso para ligar pra Carlos e se desfazer da preocupação que sentia, quando ouviu a porta abrir.
A expressão do publicitário era de absoluta surpresa ao ver o marido. Notou que Carlos ainda vestia a mesma roupa que foi encontra-lo na porta do prédio do irmão na noite anterior, com um porém: estava com a camisa social amassada e a gola meio desgrenhada, as mangas compridas estavam dobradas até a altura dos cotovelos, segurava o blazer em uma das mãos e o cabelo estava um tanto bagunçado.
– Você não dormiu em casa?! Onde você estava??? – A voz de Tonny era um misto de surpresa, indignação e irritação.
Carlos nem tinha notado a presença de Tonny até ele falar, não esperava que o marido já estivesse em casa tão cedo.
– Se você estivesse comigo saberia onde eu estava; quem estava comigo sabia onde eu estava. E você também não dormiu em casa, por que está se importando com isso? – respondeu com desdém, sem dar muita importância ao outro.
Tonny sentiu vontade de voar no pescoço do marido com aquela resposta. “Como ele se atreve?!”, pensou. Estava quase explodindo de raiva.
– Eu não estava com você e tive motivos pra isso!!! Você sabia muito bem onde eu estava!!! Já de você eu não posso dizer o mesmo... Carlos, onde você passou a noite??? – indagou novamente, visivelmente irritado.
– Não acho que isso importe pra você...
– Então é assim?! Você sai, não me avisa que não vai dormir em casa e ainda está se negando a me responder onde estava. Esse é um comportamento normal nesta casa agora, é isso?! Pois bem! Eu vou me lembrar disso!
– Você é quem sabe. Faça o que você quiser. – Carlos respondeu com uma falsa calma. A frase dita entre os dentes, com tom de voz seco, parecia mais uma ameaça, sua expressão facial dura e o olhar estreitado reforçava o tom ameaçador.
Tonny não parecia intimidado com a expressão do marido, mas viu que aquela discussão não ia levar a lugar nenhum que fosse bom e decidiu ceder para a briga não ser pior. Passou as mãos pelo rosto para acalmar os próprios ânimos, e respirou fundo buscando adotar um tom de voz calmo.
– Carlos, eu não quero brigar com você, ok?! Você não quer dizer onde estava? Tudo bem, eu não vou insistir. Você sabe com quem eu estava, onde eu estava e o que eu estava fazendo. E eu não escolhi ficar lá, como você disse ontem, eu fiquei lá porque meu irmão precisava de mim. Eu sei que você ficou muito triste e decepcionado porque você tinha planejado uma noite inteira especialmente pra nós. Mas eu também fiquei, e muito! Tanto que fiz de tudo pra voltar o mais cedo possível para ficar com você. Se ainda não está claro pra você, eu te digo: eu escolhi você. Mas eu não estou falando da noite de ontem, estou falando da minha vida. Há 13 anos quando eu te conheci, eu escolhi você. Apenas gostaria que você tivesse se lembrado disso antes de ir pra onde quer que você tenha ido ontem, e ficar com quem quer que você tenha passado a noite; e tente se lembrar da próxima vez que você pensar em fazer isso de novo. – disse a última frase num misto de tristeza e decepção de quem se sentia traído – Eu não vou mais te incomodar com esse assunto, vou trocar de roupa e vou pra academia. – largou o copo que tinha na mão no balcão da cozinha e saiu andando.
Carlos estava pronto pra levar aquela briga adiante até onde considerasse necessário, mas as palavras de Tonny, especialmente a última parte, o desarmaram completamente.
Tonny passou pelo executivo em direção ao quarto do casal.
– Espera. – Carlos segurou levemente o pulso do publicitário apenas para impedir que ele continuasse a andar – Eu dormi na casa da minha mãe.
Depois de ouvir aquela frase, Tonny virou-se para avaliar o rosto do marido. Ele tinha uma expressão desarmada, diferente de poucos segundos atrás, e lhe parecia sincero.
– Na casa da sua mãe? – indagou um tanto incrédulo, porém calmo.
– É... Na casa da minha mãe. Depois que te deixei fui direto pra lá, nós ficamos conversando e tomamos um vinho até bem tarde, eu acabei pegando no sono no sofá e ela não me acordou. – respirou fundo – Foi só isso que aconteceu, eu juro, não quero que você fique pensando besteira...
– O que você queria que eu pensasse? O que você pensaria no meu lugar? – eram apenas perguntas retóricas ambos sabiam a resposta – Mas tudo bem, agora eu já sei e não importa mais. – fitou os olhos do marido – Eu realmente sinto muito por não termos curtido a noite que você planejou pra nós dois. – disse encurtando ainda mais a pouca distância que havia entre eles, passou a mão pelo rosto do marido, roçando sua barba, deslizando os dedos até chegar aos fios da nuca, onde fez um carinho. – Imagino que tenha sido algo maravilhoso e surpreendente, sempre é. – encostou seu corpo no dele e roçou nariz no lado do pescoço mais próximo à nuca, fazendo o marido desmontar de vez.
Pois é! Tonny também tinha seus truques na manga, também tinha um carinho que fazia o marido fraquejar. Aquele roçar de nariz e lábios naquela região próxima a nuca, ou na própria nuca em si, tinha em Carlos o mesmo efeito que o roçar da barba do executivo no maxilar do publicitário.
Carlos chegou a suspirar com aquele toque. Fechou os olhos aproveitando a sensação do carinho que não resistia e o fazia se sentir tão bem. Levou suas mãos até o rosto de Tonny e o trouxe em direção à sua boca para um beijo terno e apaixonado.
– Era um jantar romântico... – começou a falar entre um beijo e outro – No alto de um prédio... – mais beijos – Com uma vista linda da cidade... Tinha também uma suíte maravilhosa reservada pra nós... Mas a surpresa não era essa... – selou mais uma vez os lábios de Tonny.
– Ah! Isso tudo não era a surpresa ainda? – sorriu.
– Não. A surpresa era isso aqui... – Puxou um envelope do bolso da calça.
– O que é isso?
– Abre.
Quando retirou o papel do envelope e leu, Tonny colocou a mão na boca de surpresa.
– Sério?!
–Sério!
– Mas você disse que nem gostava muito de lá! Que preferia conhecer outros lugares do que voltar lá.
– Mas você acha interessante e quer conhecer.
– Nós vamos mesmo para Cancun?!
– No próximo fim de semana. E se você não puder folgar na sexta-feira, vai ter que faltar o trabalho porque nós vamos quinta à noite.
Carlos já tinha viajado ao México por causa dos negócios da empresa há algum tempo atrás, mas Tonny não pôde acompanha-lo porque era uma viagem um tanto longa – mais de uma semana – e ele não podia se afastar da agência por tanto tempo na época. O publicitário revelou seu desejo ir à Cancun certa vez durante uma conversa, um dos destinos que o executivo tinha visitado na oportunidade, mas Carlos não criou grandes paixões pelo lugar, achava mais interessante conhecer um lugar novo. Porém, quando teve a ideia de viajar como Tonny no final de semana, decidiu fazer a vontade do marido.
Tonny pulou no colo do executivo envolvendo o pescoço dele com os braços e rodeando a cintura dele com as pernas. Se Carlos não tivesse um bom reflexo e o segurasse, certamente cairiam os dois no chão.
– Obrigado! Obrigado! Obrigado! Obrigado! – encheu o marido de beijos – Eu te amo!
– Tá bom... Tá bom... Eu já sei. – riu – Eu amo você também. – respondeu ainda em meio ao ataque de beijos – Já chega. –riu novamente – Vou tomar banho, vou pra academia com você.
– Ok. – deu um selinho e desceu do colo de Carlos.
Minutos depois, Carlos tomava banho na banheira quando Tonny entrou no banheiro.
– Amor, você vai querer usar essa camiseta ou essa pra ir pra academia? – perguntou estendendo uma peça em cada mão.
– A cinza. – Carlos respondeu, mas Tonny continuou parado no mesmo lugar encarando-o. O executivo olhou o próprio corpo pra ver se tinha alguma coisa errada, mas não viu nada diferente. – O que foi? – acabou por perguntar.
– Nada... É que às vezes eu fico impressionado com o quanto você é lindo... – disse andando em direção à banheira, jogando as camisas que tinha nas mãos em cima da pia. – Carlos sorriu.
– Como você é bobo, amor.
– Bobo, nada. Eu sou esperto! – disse tirando a roupa que ia pra academia que já estava vestido.
– Ah! Esperto, é?! Posso saber por quê? – indagou com sorriso divertido no rosto.
– Porque eu fisguei o homem mais lindo, mais gostoso, mais inteligente, mais atencioso, mais carinhoso, mais amoroso, mais romântico, que tem a pica mais gostosa e fode mais gostoso no mundo só pra mim... – disse entrando na banheira e sentando no colo no marido e beijando-o com desejo.
– Pois, eu sou a pessoa mais sortuda do mundo... – respondeu Carlos num intervalo do beijo.
– Será?
– Tenho certeza disso!
– Hum... Por quê?
– Porque eu tenho o marido mais sensível, mais charmoso, mais apetitoso, mais generoso, mais forte, mais incrível, mais belo, mais delicioso, mais quente e com a boca mais gostosa do universo! – ditou o executivo com a voz rouca, tão sensual.
– Você gosta tanto da minha boca assim?! – indagou com sorriso safado, mordiscando o lábio do marido em seguida.
– Amo!!! E amo o que ela é capaz de fazer...
– Como isso aqui, por exemplo?! – provou o pescoço de Carlos com beijos, chupões e mordidas.
– Humrum... – respondeu num quase gemido.
– E isso aqui, você gosta? – chupou um dos seus mamilos.
– Ahhhh!!!! Adoro...
Voltou à boca do executivo num beijo extremamente sexual, guiando-o para um degrau mais alto da banheira.
– E da minha boca na sua boca, você gosta?
– Eu amo...
Desceu o rosto até a direção do pênis do marido, que agora estava exposto devido ao local mais elevado onde o executivo estava sentado.
Lambeu todo comprimento do falo do companheiro e em seguida colocou todo na boca chupando-o.
– E quando a minha boca chupa o seu pau, você gosta? – voltou a chupar, agora com mais força.
– Ahhhhhhhhh!!!! – Carlos gemeu.
– Vou tomar isso como um sim... – repetiu a provocação que o marido costumava fazer com ele quando gemia após uma pergunta durante o sexo.
Chupou cada centímetro do membro do executivo, que movimentava o quadril em direção a sua boca, fazendo o pênis entrar e sair cada vez mais rápido.
Carlos sentiu que ia gozar e puxou Tonny segurando em seus cabelos, trazendo-o para um beijo. Trocou de lugar com ele e começou a masturba-lo lentamente, para em seguida começar uma felação com a boca, da mesma forma que recebeu pouco antes.
Sentindo que não aguentava mais esperar, o executivo posicionou o marido de joelhos com as mãos apoiadas na borda da banheira e penetrou cada centímetro.
– Owwwwwwww!!!! – Tonny gemeu com a sensação de ser invadido.
Carlos metia ritmado, nem muito rápido nem muito lento, mexendo dentro de Tonny, que tudo que conseguia fazer era gemer sem parar tendo sua próstata provocada e sendo masturbado ao mesmo tempo, até gozar gemendo mais alto.
O moreno virou o marido, colocando-o sentado no degrau mais uma vez, levantado uma de suas pernas e estocou num único movimento, imprimindo um ritmo acelerado. Tonny apoiou os cotovelos na borda para se equilibrar devido às investidas implacáveis. Carlos o puxou para um beijo breve, abafando por um momento seus gemidos. Até que o empresário não aguentou mais e gozou dentro, gemendo alto.
– Ohhhhhhhhh!!!! – saiu de dentro dele e deu-lhe um beijo apaixonado.
Terminaram o banho e retornaram para o quarto para se vestir e sair. Uma brincadeira com a toalha que começou inocente entre eles, acabou esquentando o clima de novo e fizeram amor novamente, na cama desta vez.
Estavam deitados, um ao lado do outro, tentando controlar a respiração depois do segundo round.
– Agora já são quase 11h da manhã e eu estou exausto, não vamos mais pra academia. – Disse Tonny.
– E o que quer fazer hoje? – perguntou Carlos.
– Não sei... Poderíamos ligar pra Tom e Mazo e descobrir quais são os planos deles pra hoje.
– Por mim tudo bem. – Selou os lábios do marido – Vou buscar alguma coisa pra gente beliscar, ‘tô com fome.
– Certo. Vou ligar pro Tom.
Tom e Mazo já estavam prontos pra sair. O executivo negro arrumava Nana, enquanto Tom mais uma vez corria atrás de Dan, que estava apenas de cueca e camisa. Tinha sido uma luta vestir a parte de cima e agora cortava outro dobrado tentando fazê-lo vestir a bermuda.
– Toma! Toma que o filho é seu! – Tom entrou no quarto da filha feito um furacão estendendo a bermuda para o marido – Eu não aguento mais correr atrás desse menino. Deixa que eu termino de arrumar a Nana, só você consegue vestir ele.
– Deixa comigo, eu tenho técnicas especiais para fazer isso. – deu-lhe um selinho.
– Pois então trate de usa-las, antes que eu use minhas técnicas especiais de palmada no bumbum com ele.
Mazo riu. A verdade é que ele sempre subornava a criança com alguma promessa, por isso conseguia vesti-lo. Mas Thomas não sabia disso, é claro; se soubesse, Mazo estaria encrencado, com certeza o dono-de-casa não aprovaria isso.
Enquanto Tom passava um leave-in para hidratar os belos cachos da filha, o telefone tocou, atendeu e manteve o aparelho no ouvido apoiando com o ombro, para não ter que parar o que estava fazendo. A garota estava mexendo no celular do pai negro, que deu pra ela brincar para que ficasse quieta e pudesse arruma-la com mais tranquilidade, o que de fato estava funcionando.
– Meu fofucho, qual é a boa de hoje?!
– Em primeiro lugar, ‘fofucho’ é a mãe! Em segundo lugar, bom dia pra você também.
Tonny gargalhou. Tinha chamado o melhor amigo daquela forma para provoca-lo e sabia que ele não ia deixar por menos.
– Estamos saindo, vamos almoçar num restaurante novo que o Mazo descobriu. Parece ser bom, o nome é Chef. Você conhece?
– Não. Nunca estive lá. Eu vi também, abriu há pouco tempo. Mas parece legal.
– E depois nós vamos levar as crianças ao parque, pra que eles possam curtir ao ar livre um pouco... Então, vamos?
– Ah, por mim tudo bem... Deixa eu perguntar ao Carlos se ele tá afim.
Tom ouviu o som abafado, provavelmente pela mão no aparelho, enquanto Tonny consultava o marido.
– Ele disse que topa. A gente vai se arrumar e nos encontramos lá no restaurante.
– Ótimo. Até daqui a pouco, então.
– Beijo.
– Outro.
O almoço foi agradável, a comida do local era realmente boa. A única coisa que os dois casais não gostaram muito foi o atendimento no começo. Eles perceberam que era devido ao tratamento do garçom, que se mostrou um tanto racista e homofóbico. Mas foi um problema que Mazo e Carlos trataram de resolver rapidamente, conversando com o dono sobre o comportamento do funcionário e exigindo outra pessoa para atendê-los. Depois disso, tudo ficou bem. Para os dois casais, claro, para o garçom preconceituoso ninguém sabe.
Tonny encontrou um momento para ligar para Ethan e saber como ele estava. Descobriu que o irmão mais velho já tinha contado pra mãe sobre o acidente e ela já estava lá cuidando dele. O publicitário teve que ouvir da mãe o mesmo sermão que o irmão contou ter ouvido, por não ter avisado o que aconteceu imediatamente. Mas de resto, tudo estava bem.
No parque, Mazo, Carlos, Dan e Nana eram quatro crianças brincando de pegar, de esconder, fazendo guerra de água mineral. Volta e meia os mais velhos jogavam as crianças para o alto fazendo-as gargalhar. Claro que a cena chamava a atenção das mulheres, que ficavam completamente derretidas com a cena.
Tonny e Thomas já tinham brincado muito com eles e pareciam que eram os que mais se divertiam. Talvez exatamente por isso ficaram cansados antes, então decidiram sentar um pouco. A dupla estava não muito distante dos outros, sob a sombra de uma árvore. Observavam a cena, e claro, vendo a cobiça das mulheres com seus maridos.
– Olha lá! O Mazo é mesmo muito dado! Como pode?! Olha aquilo?! A criatura se aproxima pra brincar com a minha filha, até aí tudo bem porque ela é mesmo irresistível, mas não satisfeita ela fica jogando charme pro meu marido e ele acha o máximo, ele adora! Olha que exibido!
Tonny ri alto do jeito exasperado do amigo.
No mesmo momento Mazo visualiza o marido sentado, apontou pra ele como se mostrasse à filha onde estava, talvez a criança estivesse perguntando pelo outro pai. Tom devolveu um olhar repreendedor, que dizia “eu estou vendo o que você está fazendo”. Mazo encolheu com reprimenda e Tonny riu ainda mais com aquilo. A mulher que fazia graça pra Nanda seguiu seu caminho.
A menina foi correndo até Tom, deu-lhe um beijo no rosto e já ia voltar correndo novamente – estava apenas brincando e se divertindo – mas o pai não pretendia deixa-la voltar sem tomar um pouco de água para hidratar.
– Só um pouquinho, filha! – insistia, a menina relutou a primeira vez que Tom ofereceu.
– Não! “Qué bincá”, papá! – falou com a voz manhosa e a carinha emburrada.
– Eu sei que você quer brincar, meu amor, você já vai voltar pra lá. Olha lá o papai, solta um beijo pra ele. –tentou tapear a garota que soltou o beijo para o pai – Agora bebe água que o papá te deixa voltar pra lá.
A menina tomou um gole e se soltou dos braços de um dos pais, voltando correndo para perto do outro. Tonny ficou muito enternecido com cena, mas não comentou nada.
– E o pior é que a Nana é igualzinha ao pai dela. Super exibida, adora atenção. Os dois juntos, pronto! Eu estou bem de vida! Olha o Carlos, que diferença, não está nem aí para essas oferecidas. – Tonny riu.
– As mulheres nem são um problema, porque ele não está nem aí. Mas o que tem de homem que dá em cima do meu marido, não está no gibi! Minha sorte é que o Carlos é mesmo muito bobo com essas coisas, ele não percebe nada. Se a pessoa não parar nua na frente dele, ele não entende, mesmo assim talvez ele continue sem entender. Só enxerga se tiver alguém olhando pra mim, aí ele vê a 1 km de distância!
– Se tratando de você ele vê até o que não existe.
– Isso é um fato!
– Por falar em dar em cima do marido alheio, eu me esqueci de te contar uma novidade... Decidimos contratar uma pessoa pra me ajudar com a casa e com as crianças.
Tonny gargalhou – E o que tem a ver as secretárias do lar com dar em cima do marido alheio? – perguntou divertido.
– Pois eu te digo o que tem a ver: TUDO! – Tonny riu novamente do jeito do amigo – Nós entramos em contato com uma agência pedindo que disponibilizassem candidatas. Não fizemos muitas exigências, apenas o básico, segundo grau completo, com alguma experiência, referências, é lógico, e se tivesse curso técnico na área de enfermagem, melhor. Pois, nós passamos boa parte da semana entrevistando essas criaturas. Não é que tem umas que estão ali tentando conseguir um trabalho e têm a CARA DE PAU de dar em cima do meu marido na minha cara?! – o relato de Tom certamente estava muito engraçado porque Tony ria sem parar – Teve uma que foi tão esdrúxula que eu fui obrigado a dizer a ela “queridinha, não é dando mole pro meu marido que você vai conseguir esse emprego”. O Mazo ficou com a cara no chão, é lógico, não sabia onde se enfiar. – Tonny já estava chorando de rir em imaginar a situação – Elas ficam se enganando comigo, mas de besta eu só tenho a cara! Agora coloquei como restrição apenas mulheres acima de 40 anos!
– Eu imagino a cena! – disse Tonny secando as lágrimas e tentando parar de rir, finalmente conseguindo. – Eu também tenho uma novidade. Eu e o Carlos vamos nos mudar.
– Pra onde? Não me diga que ele vai ser transferido?! Eu não vou aguentar ficar longe de você, amigo...
–Não! Nem brinca! Deus me livre de o Carlos ser transferido! Não é nada disso. Na verdade nós estamos planejando comprar uma casa nova. Carlos quer mudar do apartamento. Segundo ele, quer morar num lugar que tenha mais cara de lar. Nós conversamos sobre isso semana passada, mas ele não tocou mais no assunto, disse que iriamos falar sobre isso depois. Eu acabei até pesquisando algumas casas durante a semana, mas não gostei de verdade de nenhuma. Claro que eu só vi fotos e deveria ir pessoalmente visitar e tal, mas não contei pro Carlos ainda que eu estou fazendo isso, senão ele vai ficar ansioso e eu quero ir com calma.
– Isso é uma boa notícia! Agora o filho de vocês terá espaço quando chegar... Isso é, se esse filho chegar. – olhou de esgueira pra Tonny.
– Pois é, essa é justamente a intenção dele... Vamos ver... – disse sério e pensativo, olhar distante. Respirou fundo – Mas vamos mudar de assunto que é melhor. Ah! Tenho outra novidade... – adquiriu um tom de voz bem mais animado – Vamos viajar para Cancun no próximo fim de semana!
– Uau! Mandou bem, Carlos! Você vai adorar. É muito legal! Foi uma das melhores viagens que eu já fiz com o Mazo.
Tom começou a dar dicas e contar lembranças da viagem com Mazo, quando Carlos correu até onde estavam os outros dois. Sentou ao lado do marido, suado e um pouco ofegante, abraçando-o.
– Ai! Você está todo suado!
– Naquela hora você não reclama disso... – disse maliciosamente.
– Ai, como você é besta, amor... – riu Tonny. Carlos tomou sua boca num beijo breve.
– Vocês vão ficar aí a vida toda? Eu já estou exausto. A bateria desses dois não acaba. Agora é a vez de vocês. – se queixou o executivo moreno.
Dan correu na direção dos três o mais rápido que as suas pequenas pernas permitem. Nana acabou por seguir o irmão e Mazo caminhou atrás dos dois pequenos.
– Vem! Vem tio Carlos!!! Vamos fazer aviãozinho de novo!!! – pediu o garoto puxando o executivo pela mão com toda força tentando fazê-lo levantar como se realmente pudesse realizar tal proeza.
– Eu não aguento mais nada, Dan...
– Ah, tio Carlos... – fez uma carinha triste que Carlos não podia resistir.
– Se o tio Tonny for eu vou.
– Vamos, por favorzinho, tio Tonny!!! – disse com os olhinhos brilhando como se fosse o próprio gato de botas.
O publicitário olhou para o marido – Isso é golpe baixo. Vamos, sim, meu amorzinho! – Agarrou Dan levantando com ele no colo, sendo seguido por Carlos.
– Vem, papá. Vem! – Nana segurou dois dedos do pai, era tudo que conseguia com mãos tão pequenas, quando percebeu que ele era o único que continuava sentado.
– Vou sim, minha princesa linda! Vamos brincar.
Mazo lhe estendeu uma mão ajudando-o a levantar e deu-lhe um selinho. Cada um deles segurou uma das mãos de Nana, erguendo e balançando a garota no ar, que balançava os pezinhos e ria de pura felicidade.
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