O homem que eu amo
3 Capítulo 3
Notas iniciais
“Eu te odeio!”. As palavras foram como uma facada em Carlos. Como se tivesse sido puxado de volta para realidade e compreendesse a merda que tinha acabado de fazer. Seus olhos encheram de lágrimas e passou as mãos com força no rosto. Andou até o sofá como se faltassem forças para chegar até lá e se jogou sentado encarando o teto com lágrimas nos olhos. A culpa e o arrependimento chegavam a dilacerar seu coração. Nem ele mesmo sabia como fora capaz daquilo. Mas agora era tarde, não podia voltar atrás.
Já passava das oito da noite e Tonny continuava chorando. O rosto vermelho e completamente inchado, o nariz já estava até entupido. Não sabia como fazer pra parar de chorar. “Como sou capaz de viver entre o céu e o inferno dessa maneira?”, era o que se questionava sem encontrar resposta nas últimas duas horas. Não aguentava mais aquilo. A sua vida inteira com Carlos tinha sido assim. Treze anos oscilando entre a felicidade e o sofrimento. Tinha o marido mais gentil, carinhoso, amoroso e dedicado do mundo! Sabia que Carlos daria a vida por ele se fosse preciso. Nunca precisou pedir nada, o marido sempre se antecipava aos seus desejos. Fazia-lhe todos os tipos de surpresas, das mais simples às melhores e inimagináveis. Não precisava, mas se algum dia pedisse algo, com certeza o executivo faria qualquer coisa para satisfazê-lo. Mas tudo isso ia por água abaixo num segundo por causa do ciúme.
Como ele era capaz de fazer amor de forma tão intensa, apaixonada e carinhosa no seu antigo quarto e em questão de horas agir como um canalha desrespeitoso? Simplesmente não entendia. Treze anos numa montanha russa de emoções. Se perguntava como havia deixado chegar naquele ponto e tentava chegar a uma resposta. Durante o namoro buscava lidar da melhor forma possível com as eventuais crises dele, não o deixava controla-lo. Era firme nas decisões que tomava, mesmo que isso gerasse uma briga depois. Respeitava as próprias vontades. Talvez tenha sido depois que foram morar juntos. Talvez tivesse começado a ceder demais depois da convivência diária. Mas também não era bem assim, ele se impunha. Se dependesse de Carlos ele não trabalhava mais há muito tempo, mas nunca iria deixar o marido passar por cima de seus desejos e sua realização pessoal. Então pensava que não, a culpa não poderia ser sua.
Foi tirado dos próprios devaneios quando ouviu o telefone tocar. Olhou pra tela e reconheceu o número. Sentou-se na cama, enxugou as lágrimas como se a pessoa do outro lado pudesse vê-lo e fez a melhor voz que conseguia.
– Oi, primo!
– Oi, Vitinho!
– Anthony, você está bem? Esta chorando? – reconheceu a voz do outro em apenas duas palavras.
– Não. Estou apenas com o nariz entupido, uma crise alérgica. – Mentiu.
– Então toma um remédio pra ficar bom logo, nós temos compromisso mais tarde. Estou ligando pra saber se passamos pra te pegar ou você vai passar aqui e que horas?
– Então, Vitinho... Poxa... Eu não tô me sentindo muito bem, sabe? A gente pode remarcar? Por favor, não fica chateado comigo. Podemos ir na semana que vem, que tal? – Victor riu incrédulo ao ouvir aquilo.
– Agora eu entendi porque o Ethan deu uma de São Tomé. Bem que ele disse... – Tonny sorriu triste. Havia decepcionado seu irmão e seu primo, que eram especiais pra ele.
A desistência não tinha nada a ver com a proibição do marido. Apenas se sentia com o coração despedaçado. Não tinha condição emocional alguma de sair do lado de fora da porta de casa, quanto mais ir à uma balada.
– Me perdoa, primo. Eu prometo que compenso. Teremos tempo, tá bom?
– Tá, tudo bem. – respondeu meio sem graça.
– Divirtam-se os dois, não aprontem demais. – forçou um sorriso na voz, que não convencia ninguém.
– Tá, pode deixar. Se cuida, ok?
– Ok. Pode deixar. Obrigado.
Se jogou deitando na cama novamente e discou o número tão conhecido.
– Alô. – Atendeu a voz do outro lado. Mas tudo o que a pessoa ouvia eram os soluços de Tonny. – Amigo... – disse com uma voz que denunciava o coração partido de ouvir o melhor amigo daquela maneira. Tudo que se ouvia era o choro de Tonny por longos 3 minutos
– Respira fundo, por favor. Para de chorar, me fala o que tá acontecendo dessa vez. Tá me deixando preocupado. Eu vou pra aí.
– Não. Não precisa... Tá tudo bem... Só preciso me acalmar... – disse entre soluços.
Enquanto tentava parar de chorar, Tonny pensava que Thomas era a única pessoa com quem podia desabafar. As pessoas mais próximas sabiam como Carlos era ciumento, mas nem imaginavam até onde ele podia chegar. Glória também sabia da verdade, mas não era uma opção. Ao ouvi-lo chorar daquela maneira, com certeza acabaria se despencando até o apartamento do casal. Isso era a última coisa que ele queria. Além do mais, a sogra estava na casa da mãe. E essa, coitada, nem imaginava que uma coisa como essa poderia acontecer e achava que tudo terminava naquelas demonstrações públicas entre a família. Acabou se perguntando se a mãe ainda amaria o genro daquela maneira se soubesse desse episódio, por exemplo.
– Desculpa ligar pra você assim, Tom. Eu só precisava ouvir uma voz amiga ou iria explodir. – falou com a voz embargada.
– Eu sei. Você quer que eu vá te encontrar ou vá te buscar? O que aconteceu dessa vez?
– Não se preocupa. Tá tudo bem agora. Só queria ouvir a voz de uma pessoa amiga, mesmo. Não quero falar sobre isso agora...
Então Tom começou a falar das peripécias dos filhos e reclamar dos defeitos do marido. Era tudo o que Tonny precisava para conseguir parar de pensar um pouco, o amigo sabia disso.
Na sala, Carlos estava há horas trocando os canais da televisão sem parar. Nada era interessante. Queria falar com alguém, talvez devesse ligar pra mãe que era uma grande parceira ou pra Klaus. Este era o presidente da multinacional em que era vice e costumava ser muito mais que um colega de trabalho ou chefe, era um amigo e sempre estava disposto a ouvi-lo. Para este, às vezes a história era editada ou resumida; num episódio como esse, por exemplo, seria comum. Mas agora, com a mente mais clara, tinha noção da burrada que tinha feito. Não tinha coragem de contar aquilo pra ninguém, considerava muito vergonhoso e humilhante.
As horas foram avançando, e ele sabia que Tonny não abriria a porta, muito menos sairia do quarto, então acabou adormecendo.
Tonny acordou de sobressalto e olhou para o relógio na cabeceira que marcava 2h35 da madrugada. A cabeça martelava. Havia chorando muito. Nem se lembrava em que momento apagou. A última coisa que lembrava era estar ao telefone com o amigo Tom. Sentia o corpo pesado depois daquilo tudo, então entrou no banheiro pra tomar banho. Poderia ter enchido a enorme banheira que estava à sua disposição, mas considerou que era melhor deixar a água corrente levar aquele ranço que sentia. Então ficou por muitos minutos apenas em baixo do chuveiro deixando a água quente correr pelo seu corpo.
Terminado o banho e já vestido, foi até a gaveta do criado mudo e pegou um comprimido para dor de cabeça. Tomou coragem e respirando fundo abriu a porta do quarto.
Viu apenas o marido jogado no sofá ainda vestido e calçado com a televisão ligada. Considerou desligar, mas não queria correr o risco de desperta-lo. Apenas seguiu para a cozinha pegou um copo e encheu no despenser na porta da geladeira, tomando cuidado para não fazer nenhum barulho voltou para o quarto. O comprimido que estava na mão caiu no chão na hora que fechou a porta, isso acabou por distraí-lo e não trancou.
Depois de tomar o medicamento Tonny voltou pra cama.
Carlos passeia pela beira de um lago num parque distraído olhando para os próprios pés. Um som chama sua atenção. Reconheceria aquela melodia, como assim considerava, em qualquer lugar. A risada de Tonny. Carlos olha na direção do amado e percebe que ele está mais jovem. Tonny parece ter apenas 20 anos e corre em sua direção. Carlos abre um sorriso para recebê-lo, mas tem outro homem correndo em direção ao rapaz de rosto angelical que ele não consegue identificar quem é, mas eles se abraçam. O homem gira Tonny no ar que ri alto. Por fim pousa o rapaz no chão novamente e o beija. Carlos se desespera com a cena e chama sem parar o nome do outro.
– Tonny!!! Tonny!!!! Anthony!!!
Mas o outro não parece ouvi-lo. Então decide correr ao seu encontro e toca o seu braço. Ao olha-lo, Tonny adquire uma expressão de nojo.
– O que você pensa que está fazendo?
– Tonny, sou eu, seu marido! O que está fazendo?
– Você não é meu marido! Eu tenho nojo de você! Eu te odeio!
“Eu te odeio! Eu te odeio! Eu te odeio! Eu te odeio!”
Carlos acordou com a face completamente transtornada e o corpo molhado de suor. Mesmo sem chorar, as lágrimas simplesmente teimavam em cair dos seus olhos. Demorou ainda alguns segundos pra perceber que estava no sofá de casa e tudo fora um pesadelo.
Em um rompante se levantou e andou a passos largos em direção ao quarto. Colocou uma mão na maçaneta da porta pronto para bater com a outra, mas percebeu que estava aberta e entrou com passos cuidadosos.
Carlos não fazia ideia de quanto tempo ficou paralisado encostado na porta na mesmo posição parecendo hipnotizado enquanto olhava Tonny dormir, como se buscasse garantir que o outro não passasse por aquela porta. Em seguida foi até a cama e deitou-se em frente ao marido que dormia apenas de cueca em posição fetal, ficando o mais próximo que podia sem toca-lo, apenas sentindo sua respiração e acabou adormecendo também.
Tom corria pela casa atrás do filho que estava apenas de cueca e não queria vestir o pijama que segurava de jeito nenhum.
– Dan! Volta aqui agora! Já passou da hora de você ir pra cama, menino.
O menino apenas gargalhava e se divertia. Pra ele aquilo era apenas uma brincadeira de pegar ao redor da mesa.
– Papá, não me pega! Lá lá lá lá lá!
– Se eu te pegar vou te dar umas palmadas, você vai ver! – disse tentando parecer bravo, mas falhando miseravelmente e arrancando mais risadas do garoto.
Ouviu o seu telefone tocar e bufando fez uma expressão derrotada enquanto ia atrás do aparelho.
– Alô – atendeu. Mas tudo que vinha do outro lado eram soluços de choro – Amigo... – disse com compaixão.
Esperou longos minutos, que para ele pareciam uma eternidade, apenas ouvindo o choro do outro, como já fizera tantas vezes. Quando não aguentou mais voltou a falar, aquele sofrimento estava doendo nele.
– Respira fundo, por favor. Para de chorar, me fala o que tá acontecendo dessa vez. Tá me deixando preocupado. Eu vou pra aí. – começou a frase já andando em direção ao marido que estava na sala assistindo televisão. Jogou o pijama do filho em cima dele e fez um gesto maluco que indicava que era pra vestir na criança e pegou a chave do carro em cima da mesinha, no que o outro respondeu.
– Não. Não precisa... Tá tudo bem... Só preciso me acalmar... – disse entre soluços.
Esperou mais um pouco o amigo enfim se acalmar, enquanto divagava que ninguém merecia passar por aquilo, principalmente o amigo que era tão especial.
– Desculpa ligar pra você assim, Tom. Eu só precisava ouvir uma voz amiga ou iria explodir. – falou com a voz embargada.
– Eu sei. Você quer que eu vá te encontrar ou vá te buscar? O que aconteceu dessa vez? – insistiu, ainda estava parado na porta da sala segurando a maçaneta. Achava que poderia ajudar mais se estivesse perto.
– Não se preocupa. Tá tudo bem agora. Só queria ouvir a voz de uma pessoa amiga, mesmo. Não quero falar sobre isso agora...
– Amigo, nenhum casamento é perfeito, você sabe. Eu também tenho os meus problemas com o Mazo. – decidiu falar dos próprios problemas conjugais, isso sempre distraía o outro. – Você sabe como é aquele ego inflado dele. Dá bola pra qualquer par de calças que o elogie, dizendo o quanto é bonito e charmoso e inteligente. Até mesmo pros rabos de saia, mesmo não estando interessado nelas, você sabe, ele gosta é de ibope! Nunca me aprontou nenhuma, graças a Deus, mas se ele se atrever a pular a cerca corto o pinto dele fora! – começou a tagarelar indo para cozinha pra ficar sozinho e poder falar mal do marido mais a vontade e sentou em uma das cadeiras.
– Você pensa que ele valorizou o fato de eu ter escolhido parar de trabalhar para cuidar dos nossos filhos? Coisa nenhuma! Agora eu tenho o dobro de trabalho e nenhum reconhecimento. Virei um escravo! Tudo bem que ele me ajuda, mas deveria ajudar mais! Acha que porque estou em casa sou obrigado a fazer e fica se queixando que esta cansado quando chega em casa. E eu? Eu não posso reclamar de cansaço? Gasto rios de dinheiro fazendo o cabelo, fazendo depilação, cuidando da pele e ele mal repara! Faço minhas unhas e elas não duram nada! E você pensa que é fácil cuidar dessas minhas crianças? Ainda a pouco estava correndo pela casa toda atrás do Dan tentando vestir um pijama nele, pra coloca-lo pra dormir. A Nana parece que nasceu pra ser artista plástica! Pinta tudo, risca tudo, borra tudo e eu só falto enlouquecer a cada nova decoração que ela faz nos meus móveis, nos meus eletrodomésticos e nas paredes da casa...
Poderia continuar se queixando por horas, dramatizando um tanto as coisas, mas de repente ouviu um som diferente do outro lado da linha e parou de falar. Percebeu que Tonny ressonava. “Também pudera, depois de tanto chorar...”, pensou.
– Boa noite, meu querido. Durma bem. – em seguida desligou o telefone e respirou fundo.
Decidiu ir atrás do marido e percebeu que Mazo não estava mais na sala. Subiu as escadas e o encontrou na cama de Dan. O menino dormia em cima do peito largo e confortável do pai que contava uma historinha para o filho parecia nem notar que o pequeno já estava no décimo sono.
O coração de Tom se aqueceu ao ver aquela cena. Era amor demais. Parecia que o coração ia explodir de amor e felicidade. Podia até se queixar, mas não se arrependia de nenhuma das escolhas que tinha feito na vida para chegar até ali. Aturou o relacionamento aberto e os pequenos casos que Mazo tinha no início; e após apenas um ano de namoro monogâmico decidiu casar com o homem que amava, mesmo todos dizendo que era cedo demais levando em consideração a fama de pegador do outro.
Manter o casamento não se mostrou uma tarefa fácil no começo. O preconceito das pessoas gritava pra Tom que um homem como Mazo não poderia ou não deveria estar com ele que era tão fora dos padrões estéticos corporais considerados belos, mesmo que tivesse um rosto considerado bonito. O desrespeito dos outros dando em cima de Mazo na sua frente era absurdo. Mas ainda assim não se deixou abater, ergueu a cabeça e mostrou que o homem era dele! Embora já tivesse superado poucas e boas, isso ainda teimava a acontecer de vez em quando, mais raramente, mas a essa altura já tirava isso de letra.
Depois de quatro anos de casamento sentiram que precisavam ser uma família de verdade, não apenas um casal, e decidiram ter filhos. O pedido surgiu de Mazo, o que surpreendeu Tom, mas aceitou na hora.
Por mais que se reclamasse dramaticamente todos os dias de ser feito de escravo, não se arrependia nem um segundo de deixar de trabalhar pra cuidar dos filhos, uma decisão voluntária. Achava maravilhoso poder acompanhar de perto o desenvolvimento das crianças.
O sorriso no rosto ao ver aquela cena dizia que valeu lutar cada batalha...
Mazo percebeu a presença de Tom e sorriu. Posou o filho na cama delicadamente, cobriu-o, beijou-o e saiu do quarto junto com o companheiro, dando-lhe um beijo nos lábios quando estava no corredor.
– Desistiu de sair? – Indagou
– É... Eu ia na casa do Tonny, ele me ligou, não estava muito bem.
– Eu já imaginava isso. Depois daquilo tudo no almoço era de se esperar que alguma briga acontecesse. Eu não sei quantas vezes já falei pra você parar de se meter. Depois eles se acertam e o Carlos fica melindroso com você.
– Eu não fui lá porque o Tonny não quis. Tenho que proteger o meu amigo. E se o Carlos não quer que eu esfregue a verdade na cara dele, então ele que não faça besteiras. Ele não me trata diferente quando estamos juntos, não tem coragem de responder na minha cara.
– Só não quero você metido em problemas, ainda mais dos outros. Você sabe que se mexerem com você não vai prestar...
– Não se preocupe, meu único problema é você! – ficou na ponta dos pés e deu um selinho no marido.
– Ah! Quer dizer que agora eu sou um problema?
– Agora, não. Sempre foi. Mas eu sei resolver fácil, fácil.
Mazo abriu a boca numa expressão divertida e engraçada que demonstrava surpresa com o que tinha acabado de ouvir. Tom riu.
– Vamos pra cama? Tô tão cansado. – fez uma cara de cachorro morto que era fofa.
– Vamos, vou te colocar na cama. – respondeu Mazo carregando Tom no colo.
Mazo estava deitado apenas de samba canção, encostado na cabeceira da cama com um monte de travesseiros em volta, enquanto Tom, vestido em seu pijama, pousava entre suas pernas, com as costas coladas em seu peito nu. O rapaz negro assistia concentrado a um filme que passava em algum canal da TV a cabo, enquanto outro mexia no celular atento.
– Quem é Luke? – Tom perguntou de repente.
– Como? – realmente não tinha entendido a pergunta já que era só olhos e ouvidos para a TV.
– Eu perguntei quem é Luke? – voltou a questionar, desta vez falando mais pausadamente, e ergueu a cabeça para avaliar a expressão do marido dessa vez.
– Não sei, não faço ideia. – respondeu sem parar de assistir as cenas que se desenrolavam.
– Então porque ele comentou quase todas as suas fotos? Seu perfil só pode comentar quem você adiciona e você diz que não adiciona desconhecido, portanto você o conhece de algum lugar, certo?
Nesse momento Tom observava uma foto que Mazo havia postado em que estava apenas de sunga e óculos escuros numa espreguiçadeira. Era possível ver Nana e Dan mais atrás brincando na areia. Ele mesmo tinha batido a foto na última viagem que fizeram à praia em família, não havia muito tempo. Mais de duzentas de pessoas já haviam curtido a foto e umas setenta e tantas haviam comentado. Mas o comentário de Luke era o mais ousado. Ousado até demais pro seu gosto: “Uau!!!! O que é isso???!!! Se está assim agora, imagina na Copa!!! #CoisaLinda”.
A vontade que tinha era de responder em letras garrafais “SIM, É LINDO E É MEU! NA COPA VAI CONTNUAR SENDO LINDO, GOSTOSO E MEU!!!”. Mas isso não era do seu feitio e se controlou. No momento se contentava em perguntar quem era capaz de ter tamanha ousadia.
Mazo a essa altura já tinha entendido onde o outro queria chegar. Tom não costumava criar problemas por causa de ciúme, sabia que bastava responder o que o outro perguntara e esclarecer as eventuais dúvidas dele e o assunto logo seria esquecido. Então, para acabar logo com aquilo, tomou o celular da mão do outro no intuito de saber de quem ele falava.
Ao olhar o perfil do tal Luke percebeu que realmente não o conhecia.
– Não conheço pessoalmente. Ele me mandou uma solicitação de amizade e como temos muitos amigos em comum acabei aceitando, só isso. – respondeu tranquilo devolvendo o aparelho. Mas a fim de provocar o outro emendou despreocupado. – Até que ele é um gatinho...
Em um único impulso Tom virou ficando de joelhos entre as pernas do marido e beliscou o peitoral dele.
– Como é? Repete, repete se você tem coragem... – fez um olhar desafiador e divertido.
– Eu só disse que ele até era gat... Ai, ai, ai, ai!!!! – Não continuou a frase porque recebeu um ataque de beliscões fazendo caretas exageradas de dor. Mas logo prendeu o menor com um abraço.
– Bobo, sabe que te amo e só tenho olhos pra você. – disse sensual.
– Acho bom mesmo. – tomou a boca do marido em um beijo – Ou arranco isso que você tem no meio das pernas fora.
– Você não teria coragem... – respondeu com os olhos de desejo.
– Acho melhor você não querer comprovar isso... – ditou no ouvido do amado, em seguida provocou seu pescoço, dando leves mordidas e beijos.
– Huumm... – gemeu baixo soltando o abraço que prendia o outro – Não mesmo. – Escorregou o corpo pra baixo até ficar completamente deitado na cama. O homem tão grande e forte parecia vulnerável e entregue.
Tom desceu o dando beijos e chupões pelo pescoço e clavícula do marido até um dos mamilos, que chupou, lambeu e até deu leves mordidas, enquanto provocava o outro com os dedos, fazendo o outro derreter-se e gemer.
Continuou uma trilha de beijos pelos músculos perfeitos da barriga do marido que tanto amava. As mãos puxaram a cueca samba canção a medida que boca explorava descendo pelo corpo do amado. Tom lambeu a virilha dele; Mazo deu um gemido em antecipação e outro de decepção quando o outro passou direto, chupando a parte interna de uma de suas coxas.
– Não faz isso comigo... – implorou em vão. Tom continuou descendo pela perna dele só de pirraça.
O fato era que Tom fazia um oral que Mazo julgava o melhor do mundo. Não que tivesse ficado com o mundo todo, mas já tinha ido pra cama com muita gente na vida e ninguém nunca sonhou em superar aquela sensação que Tom provocava nele; e duvidava que alguém no mundo pudesse. Ficava duro só de pensar, às vezes até em locais impróprios. Por isso aquilo tudo era quase uma tortura.
O menor subiu pela outra perna lentamente dando leves mordidas e chupões.
Se posicionou no meio das pernas do marido e passou a língua bem na base do testículo, ali no meio, bem devagar, enquanto apertava suas coxas.
Mazo pensou que ia gozar com a sensação. Apertou os lençóis e jogou a cabeça pra trás tentando se controlar.
Tom colocou um dos testículos do parceiro na boca e chupou, depois fez o mesmo com outro. Sua língua seguiu lenta, muito lenta, deslizando pelo comprimento do falo da base até ponta e rodeou a língua na glande e por último a chupou.
– Ahhhhhh!!! – Mazo gemeu rouco.
Tom abocanhou o pênis do marido fazendo o sumir.
Mazo adorava aquilo. Levantou a cabeça pra olhar a cena que sempre fazia questão de assistir porque achava muito erótica. Mas não era só por isso. Mesmo fazendo aquilo há tanto tempo, nunca entendia como seu pau, que tinha aquele tamanho todo, era capaz de caber naquela boca que lhe parecia pequena demais, pelo menos pra isso. Segurou nos cabelos do marido e moveu os quadris literalmente fodendo a boca de Tom que lhe acariciava os testículos ao mesmo tempo.
– Ohhhhhhhhh!!! – Praticamente gritou com a sensação.
Não demorou muito daquela forma pra Thomas sentir o jato quente na boca. Adorava aquele gosto, prova da vulnerabilidade do marido aos seus toques, e engoliu tudo. Foi puxado pra cima e Mazo tomou seus lábios num beijo forte e cheio de desejo. Quando menos esperava foi virado e ficou por baixo.
– Agora é a minha vez. – ditou Mazo com a voz lasciva, arrancando o pijama do outro num movimento rápido e brusco deixando-o nu, como o queria, em poucos segundos, a ponto de Tom ficar atordoado sem entender como ficou sem roupa tão rápido.
Mordeu, beijou e apertou cada pedaço do corpo do menor. E demorou um pouco mais na parte que mais gostava: as coxas roliças e macias. Levantou as pernas do outro e passou a língua entre as nádegas dele e enfiou um dedo, fazendo Tom gemer.
Enquanto provocava a entrada com o dedo, abocanhou o pênis do marido, subindo e descendo a boca sem piedade.
– Ahhh!!! Ohhhhh!!!! Ownnn!!!!! – Tom gemia alto sem parar. Mazo sabia que em poucos segundos ele gozaria e parou todos os estímulos.
– Merda!!! – Tom gritou em frustração.
– Calma... Você não vai gozar assim. Vai gozar como eu quero! – se posicionou entre as pernas dele guiando o falo até o ânus do marido e começou a entrar numa lentidão tão grande que chegava a ser agonizante para Tom, que pensou que ia morrer com tanta pirraça do outro.
Quando Mazo finalmente encaixou o último centímetro lá dentro, saiu quase todo e estocou rápido e forte acertando em cheio a próstata do outro.
– AHHHHHHHHHHHHH!!!!!! – Tom gritou sentindo o ar faltar em seus pulmões e gozando na mesma hora. Gritou tão alto que temeu ter acordado os filhos.
– Exatamente como eu queria... Você nunca me decepciona... – disse Mazo deitado sobre o corpo do marido, a voz rouca e a boca perto do seu ouvido, enquanto estocava em movimentos suaves e circulares, rebolando, literalmente fazendo amor.
– E você sempre me surpreende... – gemeu o outro em resposta.
As investidas continuaram cada vez mais fortes, entre beijos e carícias, até Mazo não aguentar mais e gozar novamente, levando Tom também ao segundo orgasmo quando sentiu o liquido quente e as investidas do marido que o masturbava.
– Ahhhhhh!!!!
– Ohhhhhhh!!! – Gemeram juntos.
Minutos depois de conseguirem controlar suas respirações continuavam inertes abraçados, apenas sentindo um o calor do outro, quando ouviram uma batida fraca na porta.
Mazo levantou vestindo a samba canção que estava jogada ao lado da cama e jogou para Tom o short do pijama dele, seguindo em direção à porta para abri-la. Quando percebeu que o outro já estava vestido, revelou um pequeno de cabelos bagunçados.
– Papai, tem um bicho no meu quarto. – disse Dan choroso e manhoso.
– Oh, meu pequeno, vem cá... – Carregou o filho no colo.
– Meu amor, não tem bicho no seu quarto. – disse Tom carinhoso se aproximando dos outros dois.
– Tem sim, papá, eu vi. – o menino estava quase chorando.
– Tá tudo bem, tá tudo bem. O papai tá aqui. – Mazo respondeu passando a mão nas costas de Dan, que posou a cabeça no ombro do pai, enterrando o rosto no seu pescoço.
– Então vamos fazer assim: você fica aqui com a gente, depois o papai vai lá e acaba com ele tá bom? – sugeriu Tom. O garoto apenas fungou e balançou a cabeça positivamente na mesma posição que estava.
Mazo esperou Tom trocar os lençóis que estavam suados e sujos para deitar com o filho na cama. No começo os três fizeram uma bagunça, brincando em cima da cama e pulando, até que Dan cansou e adormeceu. O rapaz negro então levou o garoto para quarto dele e voltou para enfim dormir nos braços do amado, o único lugar no mundo que queria estar naquela noite de sábado.
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