Notas iniciais
Eu quero agradecer aos primeiros leitores de "O homem que eu amo". Fiquei tão feliz com os reviews!!! Eu adoro comentar e gosto mais ainda quando o autor responde ao meu comentário, mas ter vocês comentando a minha história é tão incrível!!! Eu estou radiante.

Obrigada Lay por me trazer para o Niah como sua leitora, agora sou escritora,també, viu?! rs. E Thalia Costa que também favoritou a história, obrigada! Mas não deixa de me dizer o que está achando, mulher!!! [risos] Quero seus comentários!

Como estou muuuuito ansiosa, resolvi postar o segundo capítulo. [Nervosa] Espero que vocês gostem!

Boa leitura!!!

Quando o casal terminava de descer a escada, a campainha tocou.

- Eu atendo! – Tonny gritou e abriu a porta, revelando o casal de amigos Tom e Mazo, como os filhos Nana e Dan.

Tom era amigo de Tonny desde a época da faculdade. Tinha a pele clara e era quase gordinho, um pouquinho mais baixo que o amigo. Tinha cabelos castanhos escuros e lisos, num corte acima da orelha que lhe conferia uma franja quando usava o cabelo de lado, como agora, o que realçava o seu jeito levemente afeminado.

Mazo era a paixão de Tom. Um negro lindo, alto, com um corpo sarado, másculo e dono de um sorriso perfeito. Usava a cabeça raspada e um belo cavanhaque. Fazia muitos e muitas virarem a cabeça por onde passava. O que deixava Tom preocupado às vezes. Mas apenas se mantinha atento, não queria sufocar o outro com o seu ciúme, tinha um espelho bem perto, acreditava que não era o melhor a fazer.

Os filhos, assim como o pai Mazo, eram negros. Nana era uma boneca linda de 2 anos. Ostentava um lindo black cacheado preso por uma tiara vermelha com um laço e um vestido vermelho com desenhos de borboletas em vários tons de rosa e algumas brancas e uma sapatilha. Dan, com 4 anos, também tinha um cabelo black, mas ainda curto, demostrava que tinha deixado começar a crescer a pouco tempo. Parecia um homenzinho com a sua camisa gola polo amarela, calça jeans transada e sapatênis. Haviam sido adotados há um ano, quando Tom e Mazo fizeram quatro anos de casados.

- Ah, que coisa boa! Finalmente chegaram! – Disse Tonny sorridente e abraçando o melhor amigo para em seguida abraçar o outro. Enquanto isso, Carlos que tinha se mantido na escada – não queria estar muito perto se fosse Ethan – se aproxima e a primeira coisa que faz é pegar Nana e Dan no colo, um em cada braço.

- Minha princesa! Que saudade o tio Carlos estava de você! De você também campeão! – disse visivelmente feliz e dando um beijo em cada um.

Carlos era apaixonado por crianças e amava aqueles dois. Era louco pra ser pai. Não tinha filhos ainda só porque Tonny não queria.

- Eu já sabia que seriamos reduzidos a “pais de Nana e Dan” desde que eles chegaram às nossas vidas, mas não imaginava que seria a ponto de ficarmos invisíveis – Mazo falou divertido, fazendo os outros adultos rirem.

- Desculpa, é que eu não resisto a essas coisas lindas!!! — respondeu o executivo com um sorriso. – Eu abraçaria vocês se meus braços não estivessem ocupados com coisas mais importantes. Sinto muito, fica pra próxima. – completou com ar divertido, fazendo os todos rirem novamente.

- Entrem! – Disse Tonny dando espaço para o casal passar. – Nós acabamos de descer, então não sei se nossas mães ainda estão na cozinha ou se já estão lá fora. Jessie e Júlio já chegaram e estão lá.

Seguiram pra área externa e encontraram Elisa e Glória terminando de colocar à mesa.

- Olha só! Finalmente chegaram! – Gloria disse enquanto dava um beijo em Dan e tomava Nana do braço do filho, para em seguida cumprimentar o casal que acabara de chegar.

- Já estava ficando preocupada como vocês. – Confessou Elisa abraçando o casal e em seguida tomando Dan do braço do genro. – Olha só como vocês cresceram! Estão lindos! Nem sei se o presente que comprei vai dar neles. Agora vou comprar apenas brinquedos, pelo menos não perde enquanto aguardo a visita de vocês. – falou, levando todos ao riso.

Já passava das 13h e Ethan não chegava para almoçar. Todos já estavam com fome e ele não atendia o celular ou simplesmente caía na caixa de mensagens. Então a família decidiu comer.

Quando o almoço estava no meio, Ethan aparece na porta da cozinha que dava acesso à área lateral da casa, onde todos estavam comendo e mantendo uma conversa animada e ouvia-se sons de gargalhada.

- Olá, família! – cantarolou animado, fazendo o sorriso de Carlos sumir.

- Oi, meu filho! Onde você estava? – questionou a mãe.

- Mano você demorou tanto que não aguentamos mais e começamos a comer. Mas, na verdade, estamos todos aqui apenas no interesse da tal surpresa tão misteriosa que você iria trazer... – Tonny se saiu com essa, fazendo todos rirem, menos Carlos.

- Ok, maninho interesseiro. – Brincou o outro. – Não vou fazer mais suspense porque a surpresa também deve estar com fome, assim como eu!

- Só pode ser um cachorro. – respondeu Jessie.

- Não deixa de ser um cachorro. – Divertiu-se Ethan, dando passagem pra surpresa passar.

Tonny deu um pulo da mesa que assustou alguns, seu marido inclusive, e correu em direção à porta quando viu o homem alto, magro e de cabelos claros bagunçados passar por ela e o abraçou.

- Victor! Eu não acreditooooo! – Gritou o publicitário, que teve o abraço retribuído a ponto de ser levantado do chão.

Carlos observou a cena o rosto transformado em uma carranca e largou os talheres no prato de forma ruidosa. Gesto que não passou despercebido por ninguém, apenas os dois envolvidos no abraço estavam alheios ao que acabara de acontecer. Carlos fechou as mãos em punho pronto para explodir pela segunda vez no dia, mas Glória, que estava sentada ao seu lado, correu a mão pelo braço do filho até chegar no punho cerrado e apertou. Vendo que não fez muito efeito, pegou o rosto do filho com as duas mãos e olhou nos seus olhos que estavam em brasas de tanto ciúme e sussurrou um “tá tudo bem”, que pareceu funcionar um pouco mais.

Elisa era completamente apaixonada pelo genro Carlos. Tinha certeza que o homem amava seu filho caçula e fazia absolutamente tudo por ele. Iria buscar a lua se ele quisesse e não lhe deixaria faltar nada. Bem como conhecia o maior defeito do homem, pra ela era o único defeito dele: o ciúme. Costumava pensar que se não fosse pelo ciúme, Carlos seria de fato um homem perfeito.

Na tentativa de desfazer, ou pelo menos minimizar, o clima que se instalou, levantou e foi em direção aos filhos.

- Victor, quanto tempo meu filho! – Passou a mão nas costas do recém-chegado na tentativa de chamar sua atenção e fazê-lo soltar do abraço de Tonny. E funcionou.

- Tia! Que saudade! – respondeu o jovem abraçando a mulher. Quando soltou do abraço, ela se apressou em apresenta-lo para evitar uma situação desagradável.

- Pessoal, esse aqui é o meu sobrinho Victor, filho da minha irmã Lydia. Ele morou com a gente durante uma parte da infância dele e faz quase 15 anos que não os vemos. – Disse a última parte já com os olhos marejados.

- Vitinho? – Jessie indagou incrédula. Não havia reconhecido o primo ainda. – Inacreditável! – Levantou da mesa para abraça-lo – Como você está diferente! – Se mostrou espantada.

- Eu mesmo, priminha linda! Que saudade de vocês!

Glória passou a mão pela coxa do filho em apoio como se dissesse “viu, tinha uma explicação”.

Mas pra Carlos não era tão simples assim. Lançou um olhar fulminando o cunhado, e teria matado o rapaz se os olhos fossem uma arma. “Cretino! Maldito! Sabia que ia me provocar”, pensou Carlos. Ethan retribuiu o olhar da mesma forma.

Tonny finalmente deu uma olhada para as pessoas sentadas à mesa e precisou apenas de meio segundo pra ver os olhos do marido flamejando de raiva e ciúme. Conhecia o homem bem. De alguma forma até se perguntava como ele não tinha explodido até o momento. Não fazia ideia que recebera o apoio da mãe e da sogra. “Merda, merda, merda!”, pensou Tonny enquanto voltava pro seu lugar ao lado do marido, mas manteve a expressão de naturalidade fingindo não notar o clima que se instalou ali. Não tinha intenção de causar aquilo, fora apenas um impulso genuíno de felicidade. Não pôde se conter ao ver o primo que considerava como um irmão e que não via há muitos anos.

- Venham, sentem-se! Vitinho você passou tanto tempo fora que não conhece ninguém ao não ser nós. Esse é o Júlio, marido da Jessie – Tonny começou as apresentações apontando para sua direita onde estava sentado o cunhado, enquanto Victor se preparava para rodear a mesa retangular e cumprimentar as pessoas a quem estava sendo apresentado; e logo apertou a mão do rapaz.

-Esse aqui é o meu marido, seu cunhado, Carlos – disse passando a mão nas costas do companheiro, que apertou a mão de Victor com um sorriso fraco, sem sequer mostrar os dentes.

- Minha linda e querida sogra Glória.

- Querida, eu não sei, mas com certeza é linda – gracejou Victor ao cumprimentar a mulher que tinha os cabelos com grandes cachos tão pretos que chegava a brilhar, assim como os do filho, fazendo todos rirem, exceto Carlos.

- E por último, mas não menos importante, esses são Tom, Mazo, Nana e Dan. – Disse apontando para os dois homens e em seguida pra as crianças sentadas, cada uma no colo de um dos pais.

- Que crianças mais lindas e adoráveis! – Encantou-se Victor, sentando na cadeira disponível ao lado de Mazo, enquanto Ethan se sentava a sua esquerda, ocupando a cabeceira da mesa ficando entre o primo e a irmã. Ainda que distante, estava de frente pra mãe que sentava na outra cabeceira.

O almoço continuou no clima agradável de antes, mas as gargalhadas agora eram por causa das lembranças de Victor e Tonny, das coisas que aprontavam quando crianças e no início da adolescência. Só não era tão engraçado assim pra Carlos que se limitava a sorrir.

- Anthony, você se lembra daquela vez que você me usou pra causar ciúme naquele garoto que você gostava da escola? Acho que era Marcos o nome dele. Você me deu um selinho na frente dele, e ele quase me bate. Até hoje eu não sei como você me convenceu a fazer aquilo. Com certeza me chantageou de alguma forma. – Disse Victor com graça, fazendo todos gargalharem.

Tonny escondeu o rosto com as mãos como se estivesse com vergonha. – Dá pra você esquecer isso? Eu tinha apenas 15 anos. Tenho vergonha até de lembrar. Esquece isso, pelo amor de Deus e nunca mais menciona na frente de ninguém! – Respondeu como se estivesse aflito, arrancado gargalhada de todos novamente.

Carlos passou uma das mãos pelos cabelos, como se fosse arrancar os fios, e levantou-se da mesa. – Com licença. – Foi tudo que disse, educadamente, antes de entrar pela porta da cozinha.

Tonny ponderou se deveria levantar e ir atrás do marido. O olhar de sua mãe dizia que sim, Elisa era a maior defensora de Carlos que existia. Mas o olhar cúmplice da sogra que levantara da mesa e colocara as mãos gentilmente em seus ombros como se indicasse pra ficar, o fez parar.

- Vou buscar a sobremesa. – Disse Glória e saiu.

Glória conhecia bem o filho e sabia que a aproximação de Tonny naquele momento seria como jogar gasolina no incêndio. Uma briga entre eles certamente acabaria com a tarde agradável de todos.

Encontrou o executivo no pequeno jardim na frente da casa andando de um lado pro outro, tentando se controlar e parecia falhar terrivelmente, já que vez ou outra passava as mãos pelos cabelos como se fosse arrancá-los.

- Filho... – Se colocou na frente dele tocando seus braços.

- Não, mama, nem vem, tá bom? – Olhou para a mãe.

- Meu filho, estamos todos em família, nos divertindo... Não faça isso, por favor. Eles são primos, quase irmãos. Faz parte de uma época que da vida de Tonny que você nem conhecia ainda e nem sonhava em conhecer, são apenas lembranças. A vida dele agora é com você. – Glória disse, mais calma e doce que podia. Carlos respirou fundo parecendo ponderar as palavras da mãe.

- A culpa é daquele... Daquele... Ele faz tudo só pra me irritar, mãe! Ele me odeia! Faz só pra me provocar. Tenho vontade de socar a cara dele! – grunhiu com cerrando os dentes.

- Carlos! – o repreendeu – Não diga isso nem brincando. Você não vai socar ninguém. Ele é seu cunhado, Tonny nunca te perdoaria e acho que você não quer perder o seu marido por causa de uma bobagem com essa. Agora vamos, me ajude com a sobremesa. Estão todos esperando. – puxou o filho pela mão.

Carlos a seguiu resignado.

Depois do mousse de manga e do pavê como sobremesa, todos seguiram para a sala para que pudessem continuar conversando mais à vontade. Nana e Dan estavam sentados no chão debruçados na mesa de centro se entretendo com lápis de cor, fazendo seus próprios desenhos. Enquanto isso, os adultos seguiam às gargalhadas num papo animado.

Tonny decide ir à cozinha beber água e se assusta quando uma mão toca seu ombro.

- Assustado, primo?

- Não, apenas distraído. Então, onde você vai ficar?

- Na casa do Ethan. Ele mora sozinho, vai ser melhor ficar lá. Mais divertido também – ri.

- Ah, isso com certeza. Não vai faltar festa pra você ir. Ethan conhece todo mundo e todos os points. Fora as meninas que entram e saem do aparto dele o tempo todo. Você vai gostar.

- É. Eu acho que sim.

- Quanto tempo vai ficar?

- Não sei ainda. Estou de férias. Mas gosto daqui. Estou pensando na possibilidade de arranjar um emprego por aqui e ficar de vez.

- Isso é uma boa notícia. – abre um sorriso feliz.

- E você, hein? Carlos Gutierrez...

- Ah! Você também não, Vitinho! – Bufou descrente – Quando eu conheci o Carlos ele era apenas o “Carlinhos”, com 19 anos de idade, estudante de economia, tão ferrado quanto qualquer outro estudante, ok? Ele apenas soube como aproveitar as oportunidades que teve profissionalmente. O dinheiro que tem é só consequência do trabalho dele. E essa maldita fama também. – fez uma cara emburrada.

- Tá bom, tá bom. Desculpa, eu já sei! Estava só brincando. É que eu vejo vocês nas revistas de vez em quando. “Carlos e Antony, o casal perfeito”, “Gutierrez e o amor da sua vida divertem-se em um dos hotéis mais luxuosos de Dubai”, “Conheça Anthony Moore-Gutierrez, o sortudo que laçou o coração de um dos homens mais cobiçados do país”. – falou gesticulando exageradamente com as mãos, como se enquadrasse outdoors entre os dedos polegar e indicador.

- Não acredito que você fica lendo essas porcarias! Você não reparou que são todas fotografias de paparazzi?! Não acredito nisso...

- Sim, reparei. Mas claro que eu tinha curiosidade de saber o que estavam falando de você, ainda mais estando longe há tanto tempo.

- Hum. Mas não acredite em tudo que você lê.

- Eu sei... Ethan já me falou sobre ele... E já deu pra confirmar algumas coisas que ele disse.

- O que meu irmão falou sobre o meu marido pra você? Não acredite em tudo que Ethan diz, ele e Carlos não se dão muito bem. Ele pode exagerar nos comentários às vezes...

- Que eles não se dão bem, já deu pra perceber também – riu. – Mas então, o que vamos fazer hoje? Você não vai abandonar seu querido primo na primeira noite na cidade, não é? Não me diga que já tem programação com o maridão bonitão.

- Bonitão???!!! Desde quando você presta atenção na beleza masculina? E não, não temos nada especial programado pra hoje. Poderíamos sair pra dançar. Faz um tempinho que não faço isso, acho que estou ficando velho.

- Respondendo a sua primeira pergunta, digamos que eu tenha descoberto recentemente que homens podem me tanto prazer quanto as mulheres sempre costumaram me dar. – Tom respondeu e Tonny arregalou os olhos e deixou o queixo cair. – Mas não se preocupe, seu marido não faz o meu tipo. – Tonny gargalhou incrédulo.

- Quanto a sair pra dançar, eu acho a ideia ótima. Mas podemos ir só nós três, eu, você e Ethan, pelos velhos tempos? – Victor fez um olhar tão pidão que parecia o próprio gato de botas.

Tonny respirou fundo considerando o pedido do primo. Fazia algum tempo que não saía pra dançar, mas sair pra balada sem o marido era uma coisa que não fazia há anos! “Isso vai dar briga, mas eu consigo gerenciar. São 15 anos sem ver meu primo, posso fazer isso apenas uma noite”, pensou.

- Tá. Tudo bem. Pelos velhos tempos. – Abraçou o primo e voltou pra sala com ele. Carlos que se perguntava o motivo de tanta demora pra beber uma água, entendeu tudo quando viu o rapaz com o braço em volta do pescoço do marido enquanto voltavam pra sala, e não gostou nada daquilo.

Por volta das 17h todos começaram a se despedir.

- Posso te deixar em casa se a senhora quiser, mãe.

- Não, meu filho, não se preocupe. Vou dormir aqui de novo pra ajudar Elisa a desfazer a bagunça. Amanhã de manhã vamos numa feirinha. – Abraçou o filho.

- Tudo bem, então.

- Até mais tarde, então? – Victor abraçou Tonny.

- Claro. Você já tem meu número, qualquer coisa me liga. – Ethan se aproximou envolvendo com os braços os dois que ainda estavam no abraço.

- Nem acredito que vou sair com meu irmãozinho novamente. É tão surreal que eu só acredito vendo. – provocou o outro.

- Nossa, às vezes ainda me surpreendo como você pode ser besta... – ralhou Tonny, fazendo Victor rir.

Depois de todos os beijos e abraços da despedida, Tonny voltava pra casa com o marido ao volante. Percebendo que o clima não era tão ruim como imaginava que seria depois de sair da casa da mãe, decidiu introduzir o assunto. Não haveria uma boa hora.

- O que achou do Vitinho? Ele é legal, né?!

- Não sei. Ainda não deu tempo de formular uma ideia sobre ele. – respondeu seco e indiferente sem tirar os olhos da estrada à sua frente. Já estavam perto do prédio onde moravam.

- Eu nem acreditei quando o vi. Nós éramos inseparáveis na infância. Sentia falta dele. Vamos sair com o Ethan hoje, pelos velhos tempos, pra matar a saudade. – Disse Tonny da forma mais natural que pôde.

Carlos não precisava de explicações para entender que “velhos tempos” significava uma época que ele não existia na vida do marido, portanto a programação não o incluía. E dividir o mesmo espaço com o cunhado nessa condição era uma coisa inimaginável para os dois.

Deu um sorriso cínico e incrédulo olhando Tonny de canto de olho ao seu lado.

- O que foi agora? – o publicitário tentou se fazer de desentendido.

- Você está brincando comigo, não é?! Só pode ser piada! – Carlos já começara a se alterar e aumentar o tom de voz.

- O que é piada? Que eu saia com meu irmão e meu primo que não vejo há 15 anos?! – devolveu no mesmo tom.

- Você é idiota, estúpido, ou o quê?! Não é possível que você não perceba que aquele imbecil faz essas coisas só pra me provocar! – bradou.

- Como é?

- Isso mesmo que você ouviu! O canalha do seu irmão me odeia! Ele faz qualquer coisa pra me tirar do sério! Mas dessa vez ele foi longe demais! Você não vai! – gritou.

- Você não manda em mim! – o outro gritou em resposta. Sabia que haveria uma briga por causa disso, mas não imaginava que fosse pra tanto. – Eu vou sim! Você não é o meu dono!

- Claro! É lógico que você quer sair sem mim, na companhia do priminho. O que era aquela história sobre “dar selinho pra provocar o garoto que gosta”? – disse fazendo uma careta de desdém. – Que terminar o serviço hoje e dar pra ele, não é?

O rosto de Tonny se transformou num misto de susto e perplexidade com o que acabara de ouvir. Não que condenasse relacionamento entre primos. Não tinha nada contra, mas Victor era mais que um irmão. Em certa época da sua vida Victor fora mais próximo a ele que Ethan. Nunca teve esse tipo de pensamento, nunca havia passado pela sua cabeça e tinha convicção que o primo se sentia da mesma forma.

- O que você disse? – falou num sussurro, sentindo lágrimas de raiva tomar seus olhos.

- O que? Meu pau não é bom o suficiente pra você? – ignorou a reação do outro. – A pica dele é maior que a minha é isso? Você mediu quando estava sozinho com ele na cozinha? – ditou melindroso enquanto estacionava o carro dentro do prédio.

Tonny estava tão chocado que nem conseguia responder. Só sentia as lágrimas caírem como se tivessem aberto uma torneira que ele não fazia ideia de como fechar. Quando pensou em ter uma noite de diversão com Ethan e Victor nunca imaginou que o marido fosse capaz de ir tão baixo. Sem esperar que o carro parasse completamente abriu a porta e saiu em passos rápidos, quase correndo em direção a elevador. Pressionou o botão de chamada incontáveis vezes pedindo mentalmente que o elevador chegasse ao subsolo antes que Carlos pudesse alcançá-lo.

Mas aquele não era o seu dia. O elevador chegou junto com Carlos e ambos entraram.

- Tô esperando a resposta, anda! – O outro provocou. – É quantos centímetros maior que o meu? Que tamanho é grande suficiente pra satisfazer você? Hein? Responde!

Tudo que Tonny fazia era chorar. Não acreditava no tamanho do desrespeito do outro. Aquilo era tortura psicológica.

Para o azar, ou sorte, do publicitário, o elevador parou no térreo. Sentindo a parada, secou o rosto com as mãos de forma brutal, mas não adiantara muito já que novas lágrimas começavam a se formar nos seus olhos. Quando a porta abriu, o homem jovem e simpático engoliu o “boa noite” que ia dar ao ver os rostos dos que estavam dentro e ficou de costas pra eles.

O silêncio constrangedor continuou até 13º andar, onde o casal desceu e Tonny, que tentava controlar as lágrimas em vão, saiu como um raio, tirando as chaves de casa do bolso. Com as mãos tremendo, conseguiu abrir a porta quando Carlos já quase o alcançava, correu para o quarto e trancou a porta.

O apartamento do casal era grande. Mas feito para alguém solteiro ou um casal sem filhos. A sala era bem ampla e com a decoração clean com poucos móveis. Um sofá grande que poderia servir de cama para eventuais convidados, uma televisão grande, uma mesa de centro e algumas poltronas. A cozinha, totalmente equipada, era separada da sala por um balcão e o banheiro no canto direito, após a cozinha. A outra metade do apartamento era o quarto. A suíte era enorme. Na parede esquerda, após a entrada, tinha uma cama gigantesca e em frente à porta de entrada era possível ver duas outras portas. Uma era o imenso banheiro do casal e a outra o closet. A parede em frente à cama era de vidro transparente do teto até o chão que dava uma bela vista da cidade lá embaixo. A televisão de 60” que ficava nessa parede, tinha um sistema de retração que a fazia subir até o teto, deixando a vista livre. Tinha também a cortina que poderia ser acionada com um controle para deixar o local mais escuro durante o dia ou apenas proteger do sol. A parede contrária ao banheiro e ao closet era cheia de prateleiras com muitos livros do teto até o chão. Dois criados mudos, um em cada lado da cama e duas poltronas mais próximas à parede de vidro.

- Abre essa porta, Anthony! – bateu na porta com força, fazendo o mais novo se assustar e se jogar na cama soluçando de tanto chorar. – Abre essa porra dessa porta agora!

- SAI DAQUI! VAI EMBORA! EU TE ODEIO! – gritou sem saber de onde tirou forças para aquilo e voltou aos soluços.

Notas finais
Nossa!!! O Carlos é inacreditável!!! Aposto que estão com vontade de bater nele... Ah, se os tablóides soubessem disso, hein?! Será que ainda chamariam Tonny de sortudo???

O 3º cap já tá pronto. Mas acho que só vou postar quando terminar o 4º que ainda tá no comecinho...

Não esqueçam de dizer o que acharam, pelo amor de Deus. Só agora vejo o quanto o review é importante para os autores.

Beijoka!!!!