O homem que eu amo
16 Capítulo 16
Notas iniciais
Carlos e Brian tinham cara de poucos amigos quando finalmente assinaram o contrato.
– Parabéns! Vocês fizeram um ótimo trabalho! – Klaus apertou a mão dos dois e esperou que um apertasse a mão do outro, mas isso não aconteceu.
– Se não fosse por você, eu não teria assinado – Brian afirmou estendendo a mão para Tonny, que educadamente retribuiu o gesto.
– Não é verdade. Você é um homem de negócio inteligente, não perderia a oportunidade de ganhar muito dinheiro. Parabéns pelo negócio, sucesso pra você. – se desfez do aperto de mão e virou para o marido, ficando de costas para Brian Smith. – Parabéns, sócio da GK! –selou levemente os lábios dele – Você merece! – lhe sorriu.
– Obrigada. Respondeu o homem com a cara ainda amarrada.
O grupo voltou ao salão principal para jantar. Durante a refeição, Brian sempre puxava conversas banais com Tonny, sobre família e trabalho, que o publicitário respondia por educação de forma sucinta, sem entrar em muitos detalhes. Klaus e Lise – que agora havia se juntado a eles – participavam da conversa. Carlos mantinha-se calado e com a expressão séria. Vez ou outra ele balançava a cabeça afirmativamente sem vontade alguma, ou falava “sim”, “não”, “claro” ou “verdade” toda vez que Anthony tentava incluí-lo na conversa com um “não é, amor?!”. Mas não adiantava nada. Era em vão.
– Eu estou enganado ou a programação inclui uma comemoração numa festa na boate, logo mais? – Perguntou Brian após a sobremesa.
– Nós iremos. – respondeu Klaus.
– Posso pegar uma carona com você? – perguntou Brian à Tonny.
– Não! – respondeu Carlos, olhando seriamente para ele.
– Está me negando uma carona, Gutierrez? – perguntou Brian com evidente cinismo.
– Infelizmente – “ou felizmente”, pensou Tonny – viemos na minha Lamborghini. Não há espaço para mais ninguém. – respondeu o publicitário.
– Não se preocupe, Brian. Nós disponibilizamos uma limusine para te levar. – falou Klaus.
– Ir de Lamborghini seria muito mais agradável e interessante. Mas vou me conformar com a limusine que foi reservada. – provocou Smith, recebendo o olhar ameaçador de Carlos.
– Klaus, nós não iremos à boate – Anthony falou baixo. Estavam na porta aguardando o carro.
– Eu imaginava. – respondeu o homem.
– Amanhã levaremos Nana e Dan para passear, não tínhamos mesmo a intenção de perder a noite. Mas não quero que Smith saiba até estarmos longe. O Carlos está a um milímetro de explodir a qualquer momento.
– Eu entendo e concordo. Sobre Nana e Dan, acho que você deve ligar para Mazo e Tom. O menino sofreu um pequeno acidente. Por isso eles não vieram...
– Como assim? Por que ninguém falou nada? Por que você não contou pra gente?
–Eles pediram pra não contar para não atrapalhar a assinatura do contrato.
– Inacreditável!
Quando o serviço de vallet trouxe o carro de Anthony, ele fingiu que se encontrariam logo mais na boate.
O publicitário seguiu para o carona, deixando a direção com o marido e ligou para Tom para saber o que havia acontecido. O dono de casa não deu muitos detalhe pelo telefone, apenas informou em que hospital estava.
– Meu Deus! O que aconteceu? – assustou-se Tonny ao ver Dan na maca ainda dormindo. – Ai, amigo... Por que você não ligou? – abraçou Tom que tinha o rosto inchado e vermelho, assim como os olhos, de tanto chorar.
– Era um momento importante pro Carlos, pra vocês, a gente não queria atrapalhar... – respondeu desfazendo minimamente o braço – Ele caiu rolando da escada. Mas agora o pior já passou. Essa noite foi um inferno. Principalmente pro Dan... Espero que meu filho não fique traumatizado pelo resto da vida...
– Ele é uma criança forte. Ele sempre supera tudo... – Tonny fez um carinho no cabelo do amigo.
– Vocês deveriam ter ligado pra gente. Poderíamos vir pra ajudar em alguma coisa. E poderia ter evitado uma das piores noites da minha vida.
– O que aconteceu? Smith não assinou o contrato? – perguntou Mazo.
– Assinou. – respondeu Tonny – Longa história. Desconsiderem a cara do Carlos. Ele deveria estar feliz por ter se tornado sócio da GK.
Como resposta Tonny recebeu o olhar atravessado do marido. – Preferia não ter virado. – respondeu mal humorado.
Tonny bufou.
Thomas contou tudo que aconteceu ao casal de amigos, desde a queda até aquele momento, secando algumas lágrimas de vez em quando.
– Vocês deveriam ir pra casa tomar banho e trocar de roupa. Nós ficamos aqui com o Dan. – ofereceu o publicitário.
– Eu não quero ir pra lugar nenhum. Quero estar aqui quando ele acordar. Ele já passou por muita coisa hoje... – Tom olhou o filho com ternura e passou a mão no rosto dele. – Mazo você deveria ir e ver como está a Nana...
– Eu fico aqui com você e Mazo vai como o Carlos, faz tudo que tem que fazer, dá atenção à Nana e traz roupas para você trocar. – Tonny sugeriu.
– É uma boa ideia – respondeu o executivo negro – quem sabe eu consigo colocar a nossa princesa pra dormir... Ela estava choramingando o tempo todo no telefone. Rose disse que ela não quer dormir de jeito nenhum...
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– Nana! Assim você vai cair, menina! Já basta o Dan. – Rose repreendia a criança que chorava fazendo birra e se jogando pra trás no colo da babá.
– Papá... – ela choramingou.
– Ele já está vindo... Vamos dormir, Nana, por favor... Quando você acordar ele vai tá aqui.
– Não! – fez mal criação se jogando mais uma vez.
– Ei, gatinha! O que é isso? – Mazo abriu a porta do quarto da criança.
– Papai... – a menina desatou a chorar de vez, dengosa, se jogando nos braços do pai.
– Shhh... Não chora, não chora... O papai tá aqui. Tá tudo bem. O seu irmão tá bem...
– Dan?
– É, o Dan. Ele tá bem. Ele vai voltar logo, tá bom? – a menina balançou a cabeça e coçou os olhinhos – Hum... Tem alguém com soninho... Vamos dormir?
– Não... – respondeu chorosa.
– Olha quem tá aqui... – virou-se pra que a criança pudesse ver Carlos parado na soleira. – Fala oi para o tio Carlos.
O executivo estava encantado com a cena. Logo seria ele a ter o filho nos braços, para ama-lo e dar todo o carinho do mundo. Ele mal podia esperar.
– Oi, tio ‘Calos’.
– Oi, coisa linda! – se aproximou da garota e deu-lhe um beijo na bochecha, depois outro. – Esse outro beijo foi o tio Tonny que mandou pra você.
– Hum! Bem lembrado, Carlos! – Mazo beijou uma bochecha da filha – Esse beijo foi o papá quem mandou – beijou o outro lado – e esse foi o Dan que mandou.
A garota segurou o rosto do pai com as duas mãos e beijou a face do pai. – “Pá” papá. – beijou o outro lado. – “Pá” Dan. – Se esticou para Carlos, que entendeu e deu o rosto pra ela beijar. – “Pu” tio Tonny.
Os adultos se derreteram com a atitude fofa da menina. Todos tiveram vontade, mas foi Mazo quem apertou a filha e deu um monte de beijo nela. – Você é a coisa mais linda do mundo, minha filha! Eu sou um pai muito sortudo mesmo. – beijou-a mais uma vez – Que tal tomar um banho com o papai?
Nana balançou a cabeça positivamente.
– Ótimo! – virou-se pra babá – Rose você pode colocar as coisas dela em cima da minha cama para quando sairmos do banho, por favor?
– Claro, seu Mazo. Como está Dan?
– Com alguns pontos na cabeça e um braço engessado. Não sabemos ainda quando ele terá alta, mas quando voltar pra casa vai precisar de repouso absoluto. Carlos pode te dar mais detalhes. Eu vou lá com essa mocinha, não posso demorar. Ah! Por gentileza, arrume uma bolsa com pelo menos duas mudas de roupa para o Tom e uma pra mim também. E coloque também nossos objetos pessoais, por favor.
– Sim, senhor.
– Você vai poder dormir aqui com a Nana? Se não puder, não tem problema. O Carlos e o Anthony podem ficar com ela. Só precisamos saber agora, porque se você não puder ele vai em casa trocar de carro pra ter espaço pra levarmos ela.
– Não se preocupe, seu Mazo. Eu já avisei ao Lucas que não vou dormir em casa hoje. Eu vou ficar aqui com ela.
Durante o banho de banheira pai e filha brincaram um pouco, sem fazer muita bagunça. Nana já estava com muito sono e não tinha mais tanta energia assim. Ela sentiu falta do outro pai, perguntou por ele várias vezes, mesmo o executivo explicando que ele teve que ficar com o irmão “no médico”. Apenas quando o pai prometeu que iria trazê-los, a criança parou de questionar. Nana saiu sonolenta do banho e Mazo colocou a fralda e o pijama da menina já dormindo.
Pouco depois, Carlos e Mazo deixaram casa para retornar ao hospital. Estavam na Lamborghini de Tonny.
– Você ainda não me disse porque a noite foi tão ruim, já que o contrato foi assinado.
Carlos bufou e falou algo que para Mazo não passou de um resmungo.
– O que?
– Eu disse que o Smith passou a noite inteira dando em cima do Tonny. – repetiu irritado.
Mazo deu uma gargalhada alta e recebeu o olhar furioso de volta.
– Desculpa, cara. É que chega a ser engraçado de tão... inesperado e absurdo, sei lá. Primeiro que eu nunca ia imaginar que aquele cara é gay. E depois ele passar a noite inteira dando em cima do Tonny e você não ter dado nem um soco cara dele e ainda ter assinado o contrato? Quem é você e o que fez como o Carlos Gutierrez que eu conheço?
– Não tem a menor graça! Eu só não meti a mão na cara dele por causa do Klaus. Em qualquer outro lugar do mundo com qualquer outra pessoa eu teria moído ele na porrada! – disse furioso.
– Esse é o Carlos que eu conheço!
– Rá-rá-rá. Tô morrendo de rir. – irritou-se.
– Sem brincadeira, você mudou bastante desde que vocês decidiram ter um filho. Isso é muito bom. Fico feliz por vocês. Mas o mais importante é que esse novo Carlos pode não só aguentar provocações, como pode até mesmo assinar um contrato APESAR delas. Parabéns.
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– Pelo visto o Carlos mudou mesmo! – exclamou baixinho Tom boquiaberto. Ele estava sentado na cadeira reclinável e tinha Dan dormindo no seu colo, uma perna em cada lado do corpo. O garoto havia acordado pouco depois que os outros dois saíram e deu trabalho para dormir de novo, chorando com dor e incomodado com o gesso. Quando finalmente pegou no sono, a criança ameaçava chorar ou acordar toda vez que Tom tentava coloca-lo na maca, por isso acabou ficando com ele ali mesmo. – Tudo isso aconteceu e ele não socou o cara? Tô chocado...
Tonny riu.
– Em todo caso, isso é bom pra você. Ele está tentando provar que pode ser um bom pai sendo um marido melhor. É só ganho. Tá vendo? Sua mãe tinha razão! Dê ao homem um motivo pra ele se preocupar, e ele vai parar de besteira.
– Espero que vocês estejam certos. Assim seja, pelo resto da vida!
– Amém!
– Amém! – os dois riram.
Embora estivessem mantendo a voz baixa, Dan se mexeu e choramingou devido ao barulho das risadas.
– Shhh... – Tom ninou e acarinhou o filho para acalma-lo.
– Quase ele acorda de novo. Melhor a gente parar de conversar para não fazer barulho – quase sussurrou Tonny.
Tom balançou a cabeça.
– Você é louco! – Mazo entrou no quarto rindo sobre algo que conversavam, alguns segundos depois. Não riam alto, mas foi o suficiente para acordar o garoto e o choro de Dan tomou conta do quarto mais uma vez.
Tom deu aos recém-chegados um olhar mortal que desfez o sorriso de ambos no mesmo instante.
– Desculpa... – pediu Mazo com cata de cachorro que caiu da mudança – Eu trouxe suas coisas. Vai lá tomar banho e trocar de roupa que eu fico aqui com ele. – direcionou o olhar para o filho – Ei, meninão! O que é que foi? Conta pro papai. – Agachou na frente dele.
– Tira isso, papai! – choramingou, se referindo ao gesso no braço que incomodava.
– Não pode, filho. É pra você sarar logo... Vem cá com o papai!
– Não! – exclamou, surpreendendo os dois pais.
Tom levantou com o filho no colo e tentou passar a criança para o marido:
– É o papai, Dan!
– Vem cá, filho! – pediu Mazo, colocando as mãos em volta do menino.
– Não! Não, papá! – Dan se agarrou a Tom, apelando para o dono de casa.
– Deixa... Deixa ele. – Tom suspirou resignado – Quando ele dormir de novo eu faço o que eu tenho que fazer. – virou-se com a criança – Olha quem tá aqui, filho. O tio Carlos veio te ver.
– Oi, menino levado! Você tirou o dia pra dar susto na gente, é? Você tá melhor? – Afagou o cabelo dele, mas Dan se encolheu contra o pai e ficou olhando de lado, atravessado, sem dizer nada, com a cara fechada.
– Ele também não quis conta comigo... Não foi, Dan? – disse Tonny.
O garoto apenas dirigiu o olhar pra ele e mais nada.
– Se ele não quis conta com o Mazo, que é Deus no céu e esse pai na terra, imagina com a gente? – respondeu Carlos.
– Ele está agindo assim estranho desde a queda. O médico disse que certamente é por causa da concussão.
– Entendo... Deve ser mesmo. – respondeu Tonny – É melhor a gente ir. Muita gente, com ele assim, estranhando todo mundo, vai acabar estressando ele ainda mais. Força, viu? – beijou a bochecha do amigo e o abraçou de lado, abraçando Dan junto no processo. – Para de ficar se culpando. – Tom olhou pra ele com uma cara de “quem te contou”, no que o publicitário o respondeu – Eu te conheço!
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Já em casa, depois do banho, Carlos zapeava pelos canais da grande TV do quarto, sem estar realmente interessado em nenhum.
O executivo estava deitado na cama, com uma das mãos atrás da cabeça, usando apenas uma cueca box branca, quanto Tonny terminou de vestir a camiseta regata de dormir e engatinhou até ficar ao lado do marido e apoiou o queixo no peito dele.
– Você vai ficar com essa cara?
– Que cara? – falou sem tirar os olhos da TV.
– Essa cara marrada.
– Que cara você queria que eu estivesse?
– Feliz! Você acabou de assinar um contrato bilionário! Você é sócio da GK agora... Tem muito mais dinheiro do que consegue gastar. Vamos nos mudar pra casa nova na semana que vem, temos um filho a caminho. Eu queria que você estivesse sorrindo, queria que você estivesse feliz!
Carlos suspirou e finalmente olhou o marido. – Estou feliz por nós, pela nossa casa e pelo nosso filho. Mas sobre esse contrato idiota, pra mim tanto faz. Eu preferia ter saído de lá depois de dar um soco na cara de Brian Smith – falou o nome com cara de nojo – no primeiro momento que ele colocou os olhos em você. Como você quer que eu esteja sorrindo, se aquele babaca filho da puta passou a noite toda dando em cima de você e eu não fiz absolutamente NADA com ele?
– Não fez nada e não tinha que fazer mesmo. Você precisa parar de achar que resolve tudo na porrada. Deu tudo certo, está tudo bem. E você não tem com o que se preocupar, nem com Brian Smith, nem com ninguém. “Primeiro e único”, lembra? Eu sou só seu e de mais ninguém. – mordiscou o lábio de Carlos e distribuiu beijinhos pelo rosto. Engatinhou sobre o corpo dele, descendo beijos pelo pescoço.
– Nem vem que eu não tô afim... – tentou afastar o publicitário pousando a mão eu seu peito.
– Hum... Eu acho que alguém aqui discorda de você... – desceu a mão apertando o pênis já rígido do executivo.
– Eu não tô brincando... – Carlos colocou a mão em cima da de Tonny em seu falo.
– Eu também não... Nem ele... – retirou a mão do marido e desceu o cós da única peça que cobria o corpo dele, revelando o pênis ereto, que ele rapidamente fez sumir com a boca.
– Ahhh... – Carlos gemeu, entrelaçando os dedos nos cabelos do publicitário, movendo os quadris ao encontro da sua boca.
Tonny chupava, beijava, lambia, passava os dentre em volta da cabeça do pênis do marido, como se fosse a coisa mais gostosa do mundo.
Carlos mal podia lidar com as sensações que tomavam conta do seu corpo, que queimava, por dentro e por fora. O executivo puxou o marido pra cima, roubando-lhe um beijo, lascivo, faminto e demorado. Colocou as mãos por debaixo da camiseta dele, retirando a peça de roupa, quebrando o beijo por apenas um segundo, para retomar como se nunca sequer tivesse sido interrompido. O mais velho colocou a mão por dentro do short do publicitário apenas para ter certeza do que imaginava: ele não usava nada por baixo. Apertou as nádegas durinhas e macias do outro, para em seguida empurrar a peça de roupa para baixo, no que Tonny moveu as pernas até tira-la completamente.
Ambos tinham pressa. Tonny de sentir Carlos dentro dele e Carlos de estar dentro Tonny.
O executivo ainda vestia cueca, tinha apenas o falo pra fora, quando Tonny sentou sem ainda penetrar, apenas esfregando o membro entre suas nádegas, rebolando e provocando.
Impaciente com toda aquela provocação, Carlos posicionou o pênis na entrada do ânus de Anthony com uma mão e com a outra guiou o quadril dele, ao mesmo tempo que erguia o próprio quadril, até estar completamente dentro.
– Ahhhhhh!!!! – Tonny arqueou as costas num misto de prazer e dor, exatamente do jeito que gostava.
O publicitário começou a se movimentar lentamente, subindo e descendo. Quando o pênis estava todo dentro, ele rebolava provocativamente, deixando o executivo louco, extasiado de tesão. Era fácil perceber isso pelas expressões e gemidos de prazer de Carlos.
– Pra quem não estava afim, você está se divertindo bastante... – provocou Tonny.
– Você tinha razão... Ele estava animado pra brincar com você... – se referiu ao próprio pênis.
– Safado! – Tonny respondeu sorrindo e um tanto gemido.
– E sabe o que ele disse?
– Hum...? – era mais um gemido que uma pergunta.
– Que quer brincar pra valer agora...
Carlos colocou aos mãos por baixo das coxas de Tonny erguendo-o levemente apenas para ter mais mobilidade enquanto seu quadril se movimentava pra cima, metendo implacavelmente no marido. Este, coitado, mal conseguia suportar a sensação intensa de ser empalado, apenas gemia alto, muito alto, quase gritava e falava coisas desconexas.
Poucos minutos e o publicitário teve um orgasmo espontâneo, sem sequer se tocar.
Após o ápice do marido, Carlos, sem tirar de dentro, mudou de posição, ficando por cima. Ajoelhado entre as pernas do outro, continuou as investidas implacáveis, segurando o quadril dele e puxando ao seu encontro a cada metida.
Tonny a uma altura dessas já gritava, era demais pra ele, nem sequer tinha se recuperado do orgasmo. Se masturbava ao mesmo tempo tentando absorver aquela bateria de sensações e sentimentos... Prazer, dor, tesão, receio... Ele sabia que Carlos estava descarregando as frustrações daquela noite, se convencendo... Aquela era a forma que ele dizia pra si mesmo que era o único, que o possuía, que lhe pertencia, que era seu “dono”. De um jeito quase animalesco. Tonny teve medo desse pensamento, teve medo que Carlos regredisse, que voltasse a ser o mesmo de 7 meses atrás, o mesmo que sempre foi a vida toda...
Mas mesmo perdido em seus pensamentos e medos, Anthony gozou pela segunda vez, não tinha como resistir aos estímulos. Era como se seu corpo estivesse programado para gozar diante dos toques de Carlos.
E logo Carlos gozou também, caindo por cima de Tonny, completamente molhado de suor.
– Você quer me matar... – Tonny disse num suspiro, com o único fio de voz que tinha, ofegante.
– Só se for de prazer... – respondeu tão ofegante quanto. Se jogou ao lado dele na cama e finalmente tirou a cueca.
– Agora?! – o publicitário indagou, fazendo referência a retirada da peça.
– Antes tarde do que nunca – respondeu gracejando. – Banho! – puxou o marido, que sequer podia protestar, tamanha a força que foi puxado e mal percebeu quando ficou de pé.
No dia seguinte, ambos estavam de folga. Tonny tinha pedido dispensa para passar o dia com o marido que teria aquela quarta-feira livre. Tinham programado passar o dia com Nana e Dan, que faltariam a escola para ficar com eles. Mas infelizmente os planos tiveram que mudar.
Pela manhã o casal se juntou a família Fahuzi no hospital. Nana também estava lá. Foi visitar o irmão. Cada um tentava animar o garoto de alguma forma, brincando de mímica, fazendo careta, cantando as músicas infantis que ele mais gostava, colocando desenhos para ele assistir no celular e no tablet... Mas o menino, que costumava ser tão levado e ativo, apenas ficava quieto e olhava para todos como se fossem estranhos; e quando não estava dormindo, estava dormindo, estava agarrado a Thomas. Era o único que ele queria ficar perto.
Isso complicou um pouco as coisas, dando a Mazo e Tom um momento difícil. Tudo porque Nana ficou muito chateada de o irmão não dar atenção à ela, e pior, ficou com ciúme do grude de Dan com o pai Thomas, e queria ficar no colo dele o tempo todo. Mas isso não era possível, já que ele era o único que conseguia lidar com o garoto: alimentar, dar banho, permitir que a enfermeira colocasse a medicação eram coisas que só Tom conseguia fazer. Quando estava com o outro pai, ou até mesmo com os tios Carlos e Tonny, Nana fazia birra e choramingava.
Pela tarde o publicitário e o executivo decidiram sair com a menina para dar um descanso ao casal de amigos. Foram ao cinema e a um play center no shopping. Tudo para distrair Nana da ausência dos pais, que naquele momento precisavam ter atenção voltada ao filho mais velho.
Naquela noite Dan teve alta. O médico repetiu os exames e considerou que era melhor ele se recuperar em casa, fazendo o acompanhamento neurológico com um especialista.
Na manhã seguinte, Mazo precisou voltar ao trabalho. Agora eram apenas Tom e Rose cuidando de Nana e Dan, como sempre.
A menina frequentava a escola no turno matutino, mas quando chegou em casa a tarde, começou tudo de novo: Nana queria a atenção do pai, que estava totalmente voltada para o outro filho, justamente pelo sentimento de culpa que carregava.
Lucas, filho de Rose, foi à casa do casal naquela tarde acabou distraindo a criança, o que Tom agradeceu imensamente.
Na sexta-feira, Dan já apresentava visível melhora. Comia bem, estava menos fechado, mais sociável e ria de uma brincadeira ou outra do pai.
Nana mais uma vez queria atenção do pai no retorno da escola, mas ele não saia do lado do filho nem quando estava dormindo, como naquele momento. Uma birra que a criança fez acabou acordando o irmão. Nervoso, Tom gritou e deu um tapa na menina, que berrou ao receber a pancada.
Ao ouvir os gritos de Nana, Rose correu o mais rápido que pode, temendo que outro acidente pudesse ter acontecido, com a menina desta vez.
– O que aconteceu?! – exclamou a babá, visivelmente preocupada, quando entrou apressadamente no quarto de Dan.
– Papá bateu... – se queixou a menina, erguendo o braço onde tinha apanhado, em meio ao choro.
Imediatamente a babá pegou a garota no colo, abraçando-a.
– Ela acordou Dan com a mau criação dela e eu já tinha mandado ela parar! – Tom disse irritado.
– Eu vou tirar ela daqui. – foi tudo que Rose respondeu com a voz séria e a expressão fechada, para em seguida voltar a acalentar a criança e sair do cômodo.
Tom percebera o quanto ela ficou chateada com a situação, mas nada disse.
Aborrecida, Rose ligou para o filho e pediu que ele fosse mais uma vez passar a tarde com Nana.
Quando Mazo chegou em casa por volta das 19h, foi recebido pela filha.
– Papai! – abraçou as pernas do executivo.
– Tudo bem com você, meu amor? – perguntou com a voz carinhosa, notando que a filha não estava animada como de costume e em seguida pegou-a no colo.
– Papá bateu... – ela respondeu com a voz triste.
– O que você disse, Nana? – Mazo franziu o cenho.
– Papá bateu aqui... – mostrou o braço.
Mazo dirigiu o olhar à Rose que observava a cena um pouco mais afastada. – É verdade? – indagou.
Ela apenas balançou a cabeça confirmando.
A garota passou as mãos em volta do pescoço do pai e pousou a cabeça em seu ombro num gesto de carência.
– Tá tudo bem, filha. O papá te ama, ele só tá muito preocupado com o seu irmão. – acariciou as costas e beijou os cachos dela. – Que tal jantar com o papai?
Nana fez que sim com a cabeça.
– O que nós vamos comer?
–Peixe. – ela respondeu um pouco mais animada, sendo levada no colo para a cozinha.
– Hum... A Rose fez peixe, é? E será que está gostos... – a última palavra quase não saiu devido ao susto que o executivo tomou ao ver Lucas sentado em sua cozinha. – Você aqui de novo, Lucas? – tentou parecer despretensioso.
– É... Vim ficar com a Nana. Funcionou ontem, então eu vim ficar com ela hoje de novo. – sorriu sínico.
– Eu pedi pra ele vir depois do incidente, porque ela não ficou nada bem depois de ter... você sabe... – a mulher estava tão sentida com aquilo que nem queria mencionar a palavra “apanhar”. Mazo percebeu isso.
– Tudo bem, só fiquei surpreso, não imaginava que ele estivesse aqui.
– A comida está quente, o senhor quer que eu sirva? Posso colocar o da Nana também.
– Não precisa. Eu mesmo coloco meu jantar; e ela vai comer comigo, no mesmo prato que eu.
– Então vou avisar ao Tom que o senhor chegou.
Mazo até queria inventar uma desculpa para não ser deixado na cozinha praticamente sozinho com Lucas, mas não conseguiu pensar em nada antes de Rose sair porta a fora. Colocou a filha sentada em uma cadeira, pegou um prato no armário e seguiu até o fogão parar se servir.
– Se aquele lá não dá conta nem de cuidar da filha, duvido que ele consiga dar conta de você...
O executivo se assustou ao ouvir a voz de Lucas tão próxima ao seu ouvido e a mão atrevida que já acariciava seu pênis por cima da calça social que vestia.
– Você é louco?! – esbravejou baixo, segurando a mão do rapaz e retirando-a do seu membro – Como você faz uma coisa dessas? Ainda por cima na frente da minha filha, seu doente! Já falei pra você parar com isso, seu fedelho. Ou vou contar pra sua mãe!
– Conta... Ainda não contou por quê?! Você gosta! Você adora...
– Eu não gosto coisa nenhuma! Eu só não quero criar uma situação desnecessária. E se você não parar com isso, vou proibir a sua entrada aqui, está ouvindo?! Agora sai da minha casa, imediatamente!
– Eu vou, mas eu volto, gostoso! – sorriu sínico e beijou a bochecha de Mazo, que fez questão de limpar o lugar.
Poucos minutos depois, Rose entrou na cozinha. Mazo jantava com a filha no colo, que apesar de receber as colheradas do pai, enfiava as duas mãos no prato, ora pegando alguns grãos de arroz, ora pegando legumes e colocando na boca, ou simplesmente fazendo bagunça mesmo. Mas o executivo não estava se importando com isso. Se Tom visse aquilo com certeza brigaria com ele por deixa-la fazer aquela zona à mesa.
– Tom falou para o senhor ir no quarto do Dan quando terminar de jantar. E a senhorita – se aproximou de Nana – tá do jeito que gosta, né, mocinha?! Fazendo bagunça e o papai deixando... – a menina sorriu com a cara sapeca. – Ué?! Cadê o Lucas?
– Não sei... Parece que recebeu um telefonema e saiu.
– Que estranho... – Mazo deu de ombros.
Dan estava sonolento, quase dormindo. Assistia um desenho animado deitado na cama com Tom, quando Mazo entrou no quarto sozinho.
– Nossa! Alguém está com uma cara muito melhor! – exclamou o executivo. Tom levantou e sentou mais próximo aos pés da cama para dar espaço ao marido, que sentou ao seu lado – Cadê o beijo e o abraço do papai? – Dan o fez – Oba! Já tô ganhando beijo e abraço. Isso significa que você já está ficando bom, filho. Daqui a pouquinho vai voltar a ser o Dan levado e agitado que a gente conhece. – Abaixou e beijou a face do filho, para em seguida virar para o marido e beijar lhes os lábios. – Como foi o seu dia?
– Razoável. Aqui, cuidando do nosso filhote. A boa notícia você já percebeu, ele está voltando ao normal. Hoje riu um pouco de algumas coisas que assistiu, de algumas brincadeiras que fiz. Não está mais acordando assustado e chorando... Melhorou bastante.
– Que bom. – sorriu – Mas disso tudo eu já sei. A Rose já me contou lá em baixo. Eu quero saber de você. Você tá bem?
Tom balançou a cabeça positivamente.
– Tem certeza?
– Tenho.
– E a Nana, como está? – a pergunta truque e o olhar inquisidor não passaram despercebidos pelo dono de casa.
– A Rose já foi falar pra você, é? Tão rápido assim?
– A Rose não me falou nada sobre isso. Quem me contou foi a Nana.
Tom ficou boquiaberto.
– E foi a primeira coisa que ela me disse assim que eu cheguei em casa. Mesmo que ela não tivesse me contado, eu saberia que havia algo de errado com a minha filha, que estava visivelmente triste... Eu posso saber o que ela fez de tão grave pra merecer apanhar pela primeira vez na vida?
A expressão de Tom era um tanto arrependida.
– Ela veio aqui no quarto atrás de mim e eu falei pra ela ficar com a Rose porque eu precisava ficar com o Dan, daí ela começou a fazer mau criação... Eu reclamei com ela inúmeras vezes, mas ela não parava de fazer birra, até que ela acabou acordando o Dan, que estava dormindo. Ele fica irritadiço quando é acordado, desde que caiu. Eu fiquei irritado, perdi a paciência e dei um tapa nela. Não foi nada demais...
– Deixa ver se eu entendi... Ninguém aqui nunca levantou um dedo sequer para bater em nenhum dos dois, e você bateu nela porque ela queria sua atenção enquanto o Dan estava dormindo?
Tom parecia ainda mais arrependido, e até um tanto envergonhado...
– E o pior! – Mazo continuou – Aquele garoto veio pra cá dois dias seguidos por causa disso. Eu já disse que não quero ele aqui. – disse um tanto irritado, mas logo voltou a se acalmar, não queria que Tom achasse que ele estava brigando – Tudo porque você não podia despender um pouco do seu tempo pra dar atenção à Nana enquanto o Dan estava dormindo?
Os olhos de Tom ficaram marejados e logo as lágrimas começaram a cair. Mazo segurou o rosto do marido com as duas mãos, secando as lágrimas com os polegares.
– Eu não estou brigando com você, nem te repreendendo, muito menos te cobrando nada. Você quis ficar em casa para cuidar das crianças e sempre fez isso muito bem! Só quero que você veja o que esse sentimento de culpa infundado e sem razão está fazendo com você. Dan precisa de você, mas a Nana também precisa. Ela ainda é só um bebê, não entende tudo. A Rose está aqui pra te ajudar, ela poderia ficar observando o Dan enquanto você ficava com ela um pouco, não ia acontecer nada com ele. E ainda ia evitar aquele garoto aqui em casa mais um dia sem necessidade.
– Eu sou um péssimo pai... – Tom fungou.
Mazo bufou e abraçou o marido. – Eu estou falando grego? Acabei de dizer que você é um ótimo pai, você sempre cuidou dessas crianças melhor que qualquer pessoa no mundo. Para com essa culpa sem razão, por favor... – segurou o rosto dele entre as mãos.
– Eu bati na nossa filha e ela nem tem culpa de nada, ela nem merecia. – ele disse com voz de choro.
– Isso faz parte da criação... A gente acerta a maioria das vezes, mas às vezes a gente erra. Você acerta sempre, ela não vai se importar se você errar uma vezinha só. Amanhã ela já esqueceu, você vai ver... Você é o melhor pai do mundo. Dan poderia dizer isso pra você se não tivesse apagado. – riu.
Tom sorriu triste. – Eu vou lá vê-la.
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–Não pode mexer aí, bebê! Toma choque! – Rose repreendeu a menina que queria futucar a tomada, indo busca-la de lá.
– Papá bate Nana? – perguntou a criança inocentemente. Rose sentiu o coração apertar.
– Papá não bate em Nana nunca mais... – Tom entrou no quarto e a pegou no colo, tinha olhar triste por ouvir aquilo. – Me desculpa, minha princesa. – beijou-a no rosto.
– Papá bate Nana não? – ela perguntou.
– Não, não bate. Eu prometo, tá?
– Amo, papá! – a menina o beijou no rosto.
– Eu também te amo, filha! Muito, muito, muito, muito... – deixou uma lágrima escapar.
– Não “chola”, pápa... Papá tá “tiste”? – passou a mãozinha por onde a lágrima escorreu.
– Não, meu amor. Eu tô feliz, muito feliz. Eu sou muito abençoado mesmo por ter uma família incrível. Você é uma filha maravilhosa... Muito obrigada. – abraçou forte a filha.
– Aaaai, papá! – ela se queixou do aperto.
– Desculpa, minha vida. – ele riu e deu vários beijos no rosto dela, para em seguida olhar pra Rose. – Desculpa, eu sei que você ficou magoada comigo.
– Você não tem porque se desculpar comigo, ela é sua filha.
– Mas você a ama como se fosse sua, do mesmo jeito que ama o Dan também. E eu sei que você sabia que eu não estava fazendo a coisa certa naquele momento. Da próxima vez que eu estiver fazendo a coisa errada está autorizada a puxar minha orelha. Nós criamos eles juntos, lembra? – piscou pra babá.
Ela apenas sorriu e balançou a cabeça.
Na hora de dormir, o casal conversava baixinho, já que Dan dormira com eles desde que voltou do hospital, para ser observado se havia algo estranho durante o sono. Mazo contou a Tom que Carlos os convidou para comemorar a assinatura do contrato e a mudança pra casa nova, no dia seguinte, na boate. Eles haviam decidido de última hora numa reunião no final do dia na GK, junto com Klaus. Talvez Tonny estivesse sabendo naquele momento também, por isso não tinha falado com o melhor amigo ainda. Tom colocou a coisa como uma falta óbvia. Mazo disse que falou o mesmo pra Carlos, mas diante dos últimos acontecimentos, achava bom que fossem para desestressar. Tom disse que pensaria no assunto; dependendo do resultado da revisão de Dan no outro dia pela manhã, eles poderiam ir ou não.
No dia seguinte, a família Fahuzi inteira compareceu a revisão de Dan. O médico disse que a recuperação do menino estava sendo rápida. Notou a mudança de comportamento dele pra melhor, até apertou a mão do profissional quando chegou ao consultório. Mais alguns dias e ele seria liberado para algumas atividades, como voltar à escola, mas com restrições ainda.
– Você prometeu que se a revisão dele fosse positiva nós iríamos. E você precisa se distrair – Mazo entrava na cozinha atrás de Tom após retornar da revisão, cada um tinha um filho no colo. Era perto da hora do almoço.
– Eu falei que ia pensar! E eu pensei e acho que é melhor não ir. – respondeu de maneira simples, depositando Dan numa cadeira, no que Mazo fez o mesmo com Nana.
– E eu posso saber por que não?
– Quem vai ficar com as crianças?
– A Rose! – respondeu como se fosse a coisa mais óbvia do mundo, apontando para a babá que estava na pia terminando de fazer o almoço.
– Dan precisa de cuidados especiais, ela não pode dar conta dos dois.
– O médico já liberou ele da observação contínua, ele pode dormir no quarto dele. A Rose pode dar conta sim! Sempre deu.
– Mas ele não está completamente recuperado. E eu ainda quero observa-lo esta noite.
– Não tem problema – Rose interferiu na discussão – Eu tenho a solução! O Lucas me ajuda... Eu posso ficar a noite toda com o Dan, observando ele, enquanto ele se encarrega de cuidar da Nana. – disse orgulhosa de si mesma, como se tivesse descoberto o fogo.
Mazo e Tom trocaram um olhar por alguns segundos, até que o dono de casa sorriu triunfante:
– Como eu disse, não vamos!
Mazo balançou a cabeça, contrariado – Nós vamos, sim! Se a solução é essa, que seja. Você liga pra seu filho, Rose. – disse considerando que o problema maior era estar no mesmo espaço com Lucas a sós, mas ele não daria chance para isso acontecer. O importante agora era fazer o marido se distrair, ele estava precisando.
Tom abriu a boca em descrença. Em seguida grunhiu impaciente:
– Não importa! Eu não vou!
Mais tarde no quarto o assunto ainda era a ida à comemoração de Tonny e Carlos.
– Eu não entendo você! Fala que não gosta o menino, que não quer ele aqui em casa, reclama comigo porque ele esteve aqui dois dias seguidos, mas permite que ele venha o terceiro para ficar com a nossa filha. O que você tem contra ele afinal?
– Eu não confio nele! Já te respondi isso um milhão de vezes. Mas agora é um mal necessário. Eu preciso levar você pra se distrair e dentro das condições que você impôs, a única coisa que me resta é aceitar que ele venha.
– Que seja. Eu só vou porque a Rose se comprometeu em monitorar o Dan e o Anthony insistiu muito para eu ir. Eu aposto que essa insistência dele tem dedo seu! Mas fique sabendo que eu não vou demorar lá.
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Mais tarde na boate estavam Carlos, Tonny, Mazo, Tom, Jessie e o marido Júlio, Victor, Klaus e a esposa Lise. Elisa e Glória não quiseram ir, disseram que combinariam algo em casa depois. Ethan não foi por motivos óbvios. Mas Tonny tinha mandado uma mensagem pra ele convidando, que lógico não foi respondida.
Eles estavam todos no camarote VIP, fechado exclusivamente pra eles, no primeiro andar.
– Para de olhar o relógio toda hora! – Mazo ralhou com Tom, falando mais alto que a música – Nós chegamos há 15 minutos e você já olhou as horas sete vezes!
– Pra mim já está na hora de ir embora. Aliás eu nem deveria estar aqui. Meus filhos estão em casa precisando de mim e eu aqui, na boate.
– Seus filhos estão ótimos, seguros, na companhia de alguém de absoluta e total confiança e quer que os pais deles se divirtam.
– Acho que é melhor ligar... – começou a discar
– Não! – Mazo tomou o celular da mão dele – A Rose vai ligar se tiver qualquer necessidade.
Tom cruzou os braços emburrado.
– Eles estão bem, relaxa! – Tonny abraçou o amigo por trás – Vamos comemorar! Seremos praticamente vizinhos em dois dias! – virou o amigo pra si e eles se abraçaram.
– Eu estou tão feliz por você! E mais feliz ainda que vamos ficar mais perto um do outro.
Neste momento uma garçonete vestindo um colant preto brilhoso, meia calça preta, salto alto e muito maquiada trouxe cinco garrafas de champanhe e taças e começou a servi-los.
– Um brinde à Carlos e Anthony. Que sejam felizes por mais 13 anos vezes treze. – Klaus brindou.
– Catorze! – falou Carlos. – Daqui a pouco mais de um mês completamos 14 anos juntos. Que sejam 14 anos vezes catorze.
– Assim seja! – os outros brindaram.
Carlos puxou Tonny pela cintura e deu-lhe um beijo intenso e apaixonado, sob os gritos e assovios dos presentes.
A noite seguia agradável. Tom havia relaxado um pouco, depois de ligar pra casa umas três vezes nas últimas duas horas.
Tonny aceitou o convite da irmã e do primo para dança na pista. Os outros continuaram no camarote. Carlos não criou problema, mas estava como um falcão lá de cima observando cada movimento do marido. O executivo àquela altura já tinha bebido bastante e estava “alto”.
Num determinado momento Carlos viu Tonny se afastar de Jessie e Victor, andando em direção ao banheiro. Na porta, o publicitário cumprimentou um homem que Carlos reconheceu ser o mesmo que eles encontraram no bistrô e ele disse ser o ex-colega da faculdade. O homem falou algo no ouvido de Tonny, que tirou o celular do bolso, mexeu rapidamente e disse algo no ouvido dele também e em seguida entrou no banheiro, enquanto o homem voltou pra pista de dança.
Poucos minutos depois, Tonny saiu do banheiro e foi direto para o bar buscar uma bebida sem álcool, já que ele ficou responsável de dirigir de volta pra casa. Lá se esbarrou com o ex-colega da faculdade novamente.
– Ow! Qual é, Josh?! Tá me seguindo? – brincou Tonny.
Josh se virou pra responder a brincadeira do colega, mas não teve chance. Sentiu a mão pesada atingir seu rosto, um soco que o levou ao chão imediatamente.
– Carlos! – exclamou Tonny com os olhos arregalados – Você enlouqueceu?!
O executivo ainda desferiu mais dois golpes no homem caído no chão e o chutou nas costelas.
Tudo foi muito rápido. Uma roda se abriu e Carlos se afastou de Josh. Tonny tentou ajudar o ex-colega a levantar, mas foi sumariamente arrastado pelo braço pelo meio da boate. Olhando pra trás, o publicitário ainda conseguiu ver de longe Mazo ajudar Josh, provavelmente ele tinha visto o começo da cena e desceu do camarote para apartar a situação.
– O que foi que aconteceu? – Vitor se meteu no caminho do casal, obrigando Carlos a parar.
– Não se meta! Não é da sua conta! – respondeu o executivo grosseiramente.
– É da minha conta sim! Você não pode sair assim puxando o Anthony dessa maneira! – peitou o outo.
– Deixa que eu resolvo isso, Vitinho, não se preocupa. – Tonny tocou o ombro do primo. Que esperou ainda alguns segundos, olhando feio pra Carlos antes de sair do caminho dos dois.
– Você está bêbado, Carlos! Eu não vou entrar nesse carro com você na direção! – Tonny falou ao chegar ao estacionamento. – Combinamos que eu voltaria dirigindo, eu nem bebi por causa disso!
– Entra neste carro agora, Anthony! – Carlos gritou, em pé ao lado da porta do motorista, apontando para o lado do carona, com o marido a sua frente a um metro de distância.
– Não! Eu já disse que não vou entrar! Você está alcoolizado! – gritou de volta.
Carlos pegou no braço do marido com violência, deu a volta no carro com ele, abriu a porta do carona e o empurrou pra dentro do veículo:
– Não se atreva a sair! Se você descer desse carro, vai ser pior pra você! – Carlos gritou a ameaça apontando o dedo na cara do marido, sem se importar com os olhares dos curiosos, em seguida bateu a porta com força; e deu a volta para assumir a direção.
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