Notas iniciais
Eu tinha essa história na cabeça há muito tempo. Sim, eu já fazia isso há muito tempo, contar histórias na minha cabeça e pronto. Eu não conhecia o mundo das fanfics, e o descobri há pouco mais de um mês. Amo as histórias que leio e isso me encorajou a transcrever a minha também. Espero que gostem.

– Você tem mesmo que ir lá? Nós vamos acabar nos atrasando! – fez um biquinho manhoso.

– Baby, eu não vou demorar, prometo. Preciso apenas assinar um documento para que a compra que estamos realizando seja concluída. Caso contrário, não realizaremos a transação no prazo. Esse contrato precisa ser enviado ainda hoje. – Respondeu, guiando a própria bicicleta pela calçada.

Era uma manhã agradável de sábado. O céu estava completamente sem nuvens e decidiram pedalar e respirar um pouco de ar puro.

– Como não vai demorar? Decidimos vir de bicicleta. Você vai pedalar até o escritório, depois vai passar na academia pra me buscar. Então ainda teremos que pedalar até em casa e tomar banho para depois irmos pra casa da minha mãe. Quando chegarmos lá o almoço já vai ter acabado. E eu nem mencionei que ainda vamos parar naquele bistrô pra tomar café antes de tudo isso. – Retrucou para o marido.

– Só que você esqueceu que ontem eu voltei do escritório com você e o meu carro ficou lá. Então eu passo pra te buscar na academia e vamos direto pra casa da sua mãe. Você sempre tem roupas lá. Embora eu não entenda o motivo, hoje vai ser de grande utilidade. Posso usar uma roupa sua também.

O fato era que Carlos não aceitava muito bem que Tonny sempre mantivesse roupas na casa da mãe ainda. Para ele simplesmente não fazia o menor sentido.

Viviam sob o mesmo teto há 8 anos. Fora os 5 anos de namoro. Já eram 13 anos juntos. Conheciam muito bem um ao outro, mas havia coisas que Carlos nunca entenderia, como isso, por exemplo. Mas pelo menos dessa vez seria útil. Não seria nada legal ficar de roupa de malhar durante o almoço na casa da sogra. Nem tanto pelas roupas, afinal de contas não há nada demais em vestir short tactel e camiseta enquanto almoça com a família. Mas ficar suado não era legal.

– Ah, verdade! Tinha esquecido. Você sempre pensa em tudo mesmo, hein?! Deve ser por isso que virou o queridinho das revistas de negócios. Um dos homens mais promissores do mundo business e o partido mais cobiçado da cidade. – Tonny ri das próprias palavras, mas Carlos não acha graça.

– Não sei disso, não. Nunca vi essa fama de cobiçado na prática. O que eu sei é que sou obrigado a cuidar de você bem de perto, caso contrário, é capaz de terem a audácia de te beijar na minha frente. – Carlos rebateu.

– Isso é porque você está sempre tão preocupado com quem está olhando pra mim, que é incapaz de perceber quem está olhando pra você. – Ri mais uma vez.

Isso era verdade. Carlos era uma homem muito bonito e extremamente charmoso. Talvez a sua descendência latina te desse o ar tão sensual que tinha. A pele morena, os olhos e os cabelos negros como a noite, num corte curto que formava um leve topete. Aquela barba muito bem feita e aparada só aumentava sua beleza. Às vezes ele a transformava num cavanhaque. Era alto e forte, tinha um corpo delineado por anos de atividades físicas que adorava praticar. Aos 32 anos, tão belo, bem sucedido, vice-presidente de uma multinacional, era o sonho de qualquer mulher ou homem.

Tonny também não era lá de se jogar fora. Pelo contrário, era um rapaz bonito. Ao contrário da sensualidade do marido, ele tinha um jeito mais angelical e calmo. Tinha pele mais clara e os cabelos castanhos claros curtos, mas num tamanho o suficiente para o marido entrelaçar os dedos quando faziam amor, sabia que Carlos adorava. Acompanhar o marido na academia havia lhe dado um corpo bem traçado, ainda que fosse menos corpulento que Carlos, mesmo tendo praticamente a mesma altura. Talvez fosse menor 2 ou 3 centímetros. O rosto aparentava bem menos do que 30 anos que tinha. Aquele rostinho lindo escondia um homem forte e decidido.

Mas parecia que Carlos simplesmente era incapaz de perceber a influência que tinha e o olhar que causava nas pessoas. Estava sempre ocupado demais em procurar e observar quem estava a cobiçar o marido que nunca reparava a cobiça que causava.

– Finalmente chegamos, estou morrendo de fome. Pensei que esse bistrô não ia chegar nunca! Parece que ficou até mais distante. – Reclamou Tonny enquanto sentava em uma das mesas externas, fazendo o marido rir com amor e puxa-lo para um beijo.

– Ai que peninha desse esfomeado, meu Deus! – Provocou o outro com uma voz infantil.

O garçom se aproximou e fizeram o pedido. Carlos quis croissant e suco de laranja. Tonny pediu sanduiche de peito de peru e queijo e búfala, croissant e suco de tangerina.

– Você diz isso porque não está com a fome que estou. Tomou iogurte antes de sair de casa.

– Mas eu falei pra você não sair em jejum! Você que não quis me ouvir.

– Mas só tinha aquele iogurte. Você sabe que não gosto. Aliás, isso me lembra que precisamos ir ao mercado e fazer compras. A geladeira e a dispensa estão quase vazias. E graças a Deus não é por falta de dinheiro. Não tem desculpa.

Carlos até responderia que isso era culpa da falta de tempo de ambos por causa da rotina de trabalho, mas observou o marido olhar na sua direção, mas não era para ele, para algo ou alguém que estava atrás e sorrir. “Pra quem ele está sorrindo?”, pensou. Não teve tempo de virar pra trás, já que o objeto do olhar logo apareceu no seu campo de visão.

– Anthony!

– Josh! Quanto tempo!

O sorriso que se formava no rosto de Carlos para a futura resposta se transformou em uma carranca, quando viu o homem de cabelos claros cacheado se aproximar e o marido levantar para abraça-lo.

– Verdade! Você sumiu, cara!

– Eu não sumi. Você que sumiu!

– Tenho que concordar, eu sumi – Riu. – Eu estava viajando. Morei fora um tempo, mas voltei faz alguns meses. Bom te encontrar, cara! Você está diferente. Mais... bonito. – O comentário fez Tonny ficar um tanto encabulado e lembrar que tinha alguém mais ali. E com certeza não tinha gostado do que ouviu.

– Ah, obrigada. Você também. – Disse meio sem jeito. Mas logo se recompôs – Então, esse é o meu marido, Carlos. – Falou apontando na direção do homem – Carlos, esse Josh, um ex-colega da faculdade. – A mão fez o caminho inverso.

– Prazer. – Ao olhar para rosto do moreno o reconheceu. – Você é Carlos Gutierrez, não é?! -Estendeu a mão para o homem a sua frente.

– O próprio. – Deu um riso forçado, na verdade mostrou os dentes, pode-se assim dizer. Deixou o outro esperando alguns segundos até estender a sua também para aperta-la.

– Um dos homens mais cobiçados do país?! Mandou bem, Tonny! – Disse baixo se aproximando do ouvido dele.

Carlos apertou os punhos em cima da mesa, pronto pra levantar, mas o garçom chegou com o pedido do casal.

A reação do marido não passou despercebida por Tonny que, sem graça pela atitude inesperada do amigo, tratou de se afastar – Exagero seu! – Respondeu sem graça e sentou.

– Bom, não quero mais atrapalhar vocês. Foi um prazer reencontrá-lo, Tonny. Vamos combinar um happy hour qualquer dia desses. Quem sabe marcar um reencontro da turma toda.

– Claro, claro. Seria ótimo. – Respondeu com um sorriso cortês.

– Tchau.

Tonny já conhecia aquela expressão de Carlos. “O sábado tinha começado tão bem e agradável, mas pelo visto não vai continuar assim, saco!”, pensou.

– Você vai me dizer quem é esse cara ou preciso perguntar? – Disse num tom grosseiro, já perguntando.

– É apenas um colega que estudou comigo na faculdade. Eu te disse isso quando te apresentei a ele, lembra? – Respondeu tranquilamente sem se intimidar.

– Colega da faculdade?! Mesmo?! Eu te conheço desde os 17 anos de idade, quando você entrou naquela maldita faculdade, ia te buscar quase todos os dias, conheci todos os seus colegas de classe e nunca vi esse cara na vida! – Retrucou aumentando o tom de voz gradativamente enquanto falava até quase gritar.

– Você quer parar de gritar, ou está pretendendo fazer um escândalo aqui?! — Rebateu.

– Você ainda não respondeu a minha pergunta!

– Eu já disse pra você! Como você mesmo acabou de dizer, você conheceu os meus colegas de classe. Josh era aluno de jornalismo, não de publicidade, ele pegava matéria com a gente. Satisfeito?! – Inclinou o rosto encarando o outro. – Ou você precisa de uma investigação formal para acreditar no que eu te digo?

– Hum! E eu posso saber o que foi aquilo ele falando no seu ouvido?! – Tonny bufou antes de responder e balançou a cabeça em negação.

– Ele estava me parabenizando por ser casado com o homem mais cobiçado do país, segundo ele. – Ri fraco. – Agora eu posso voltar a comer ou você está empenhado em me fazer perder a fome?

Carlos riu incrédulo. Respirou fundo e fechou os olhos tentando se acalmar.

Sim, Carlos era um poço de ciúme. Disso todo mundo sabia. Pelo menos os amigos e a família. Mas todo mundo sabia também que Tonny era o amor da vida do executivo. Tudo na sua vida girava em torno do publicitário e em fazê-lo feliz. A palavra de Tonny era lei para Carlos. Não era como se ele desconfiasse do marido. Sabia que tinha a fidelidade do outro que nunca lhe deu motivos para desconfiança. Mas o medo que tinha de alguém se aproximar do publicitário e fazê-lo se apaixonar a ponto de terminar a relação que tinham era irracional. Não duvida da palavra do marido, confiava nele cegamente. Não confiava em quem se aproximava, sentia que não podia baixar a guarda ou iria perdê-lo a qualquer momento pro primeiro que jogasse charme e o fizesse se apaixonar. Afinal, foi assim com ele, não foi?! Não precisou de muita coisa pra fazer Tonny se apaixonar por ele. Pelo menos era assim que pensava, então era melhor não correr o risco. Faria qualquer coisa para manter ao seu lado aquele homem que era tão essencial quanto o ar que respirava.

Sabia que Tonny não tinha comido nada e não queria fazê-lo perder a fome. Prezava pela saúde dele, então achou melhor não falar mais nada.

O café da manhã no bistrô continuou em silêncio. Carlos se sentia um pouco culpado pelo clima que se instalara. “Mas o quê que esse cara tinha que aparecer, se achar no direito de falar no ouvido do Tonny e ainda chamar meu homem pra sair. Foi muita petulância dele”, pensou. Acreditava que não era de todo sua culpa. “Afinal foi ele que provocou, não foi?”.

Depois de pagar a conta, pedalaram ainda em silêncio até a porta da academia onde ambos malhavam. Tonny começou a prender a própria bicicleta enquanto Carlos o observava em pé com a bicicleta entre as pernas.

– Não vou demorar. Te pego aqui daqui a uma hora e meia, tá bom? – Quebrou o silêncio com uma voz calma como quem tentasse se desculpar.

– Ok. – Respondeu e deu as costas.

– Tonny. Amor. – Chamou e o companheiro virou-se para ele. Esticou a mão, mas Tonny deu apenas um passo em sua direção sem toca-lo. Se esticou até conseguir pegar no pulso do marido delicadamente e o puxou até estar a um pé de distância.

– Me perdoa. Eu sinto muito. – Disse Carlos num tom doce. – Eu não queria estragar nosso sábado, juro. Mas ele me provocou... – Ia continuar, mas o olhar incrédulo quase duro de Tonny o fez parar e respirou fundo.

– Eu sei que ele não estava fazendo propositalmente, mas eu não pude evitar. Ver ele daquele jeito tão perto de você... Eu... Eu não consegui aguentar. Me perdoa.

Tonny respirou fundo e fechou os olhos. Balançou a cabeça positivamente. – Tudo bem. – Foi tudo que respondeu. Conhecia o próprio marido, estava com ele há mais de uma década e sabia que era um pedido sincero.

Carlos puxou o publicitário para um abraço forte e logo o beijou. Um beijo doce e urgente. Necessitado, como se pedisse perdão. Tonny não recusou o beijo. Aquela boca era uma das coisas que mais amava no mundo. Conheceu Carlos ainda muito jovem, por isso ele tinha sido seu primeiro e único homem. Mas tinha beijado uns 5 ou 6 caras em algumas festas que foi quando era adolescente e tinha certeza que nenhum beijo foi tão bom quanto o daquele homem que amava. Na verdade aquela boca foi uma das coisas que mais amou desde que bateu os olhos nele pela primeira vez.

– Eu te amo muito. – Disse Carlos quando interrompeu o beijo, colando suas testas, roçando o nariz no nariz do marido e por fim roçando a barba no maxilar dele. Um carinho que sabia que Tonny adorava e o fazia se derreter sempre.

– Eu também te amo muito. – Respondeu recebendo o carinho com um leve sorriso nos lábios. Colocou as mãos no rosto do executivo uma de cada lado e olhou nos olhos dele – Você sabe disso.

Carlos apenas balançou a cabeça positivamente como resposta e selou os lábios por alguns segundos.

– Te espero. Até daqui a pouco.

– Não demoro. Até já. – Respondeu montando na bicicleta.

Quando voltou para a academia para buscar o parceiro acreditava que o encontraria no lobby impaciente, já que demorou 20 minutos a mais do que tinham combinado. Mas Tonny não estava lá. Olhou para além da recepção e não o viu em nenhum dos aparelhos que ficavam mais a vista. Então decidiu entrar, afinal de contas o local era grande.

– Bom dia, Andréa. – Cumprimentou a recepcionista. Malhava ali há 4 anos, conhecia todos.

– Oi Carlos! Bom dia! – Respondeu a moça.

– Você viu se o Tonny saiu? Eu fiquei de vir busca-lo e não o vejo daqui.

– Ele deve estar aí dentro. Vi a hora que ele chegou, mas não o vi sair. Quer que eu peça pra alguém avisar que você esta esperando ele?

– Não, obrigada. Eu mesmo vou procura-lo. Você pode liberar o meu acesso? Deixei meu cartão de acesso no carro.

– Claro! Sem problema.

Quando soltou o peso que praticava a série de exercícios no chão e se reergueu, Tonny sentiu duas mãos invadirem a sua camisa e deslizarem pelo seu abdômen.

– Acho que já está bom por hoje, na verdade acho que nem precisa malhar mais. Tá perfeito assim. – A voz rouca e sensual no ouvido o fez arrepiar, após o susto inicial. Tentou se livrar das mãos ousadas.

– Carlos! Pare com isso! Estamos no meio da academia! – Àquela hora não havia muita gente. Mas mesmo que tivesse ele faria o mesmo. Carlos adorava demonstrações de afeto em público. Não só porque gostava de deixar claro o quanto amava o marido e não tinha vergonha disso, mas também porque queria sempre marcar território. Tonny sabia disso muito bem.

– E daí? Você é meu marido e eu não resisto a você. Quem pode me culpar? – Mordeu o a orelha o outro e soltou o abraço. Tonny se virou para olhar o rosto do outro e deu um selinho carinhoso.

– Vamos embora ou chegaremos atrasados. Não quero chegar tarde.

– Eu sei. Só me atrasei 20 minutos, ok?! Vamos antes que sua mãe arranque o meu pescoço.

Quando caminhavam para a saída um homem apareceu com uma garrafa na mão.

– Você é o Tonny, não é? Esqueceu seu squeeze lá dentro na cadeira extensora. – Ergueu a mão com o objeto. Mas Tonny não teve chance de responder, já que Carlos se colocou na frente dele, ficando no meio dos dois e tomando a garrafa do rapaz.

– Muito obrigada. Você é muito gentil, não?! – Sorriu cínico. Tonny revirou os olhos para postura do marido. E saiu de trás dele.

– Obrigada. – Respondeu e tratou de sair puxando o executivo pela mão e ainda conseguiu ouvir o “de nada”, como resposta.

O publicitário achou melhor não comentar nada. Não queria repetir o clima do café da manhã. “Só quero passar meu fim de semana em paz”, foi tudo que pensou.

Não demoraram a chegar na casa de Elisa, a mãe de Tonny. Era viúva há muitos anos. Perdeu o marido quando os três filhos eram crianças ainda e os criou praticamente sozinha, já que não quis se casar novamente.

Talvez isso tenha aproximado ela de Glória, mãe de Carlos. Ela também sabia como era ser mãe solteira, embora o executivo fosse seu único filho. O marido a abandonou quando Carlos ainda era pequeno. Teve outros relacionamentos, mas ninguém bom suficiente para levar pra casa e apresentar ao filho, ninguém que Carlos pudesse chamar de pai.

Assim, desde que seus filhos começaram a aprofundar a relação, Elisa e Glória se tornaram grandes amigas. Uma estava frequentemente na casa da outra. E foram justamente as duas que abriram a porta para o casal.

– Meus amores, que saudade! – Disse Elisa abraçando seu genro a sua frente.

–Você vê Elisa, é assim que eles fazem com a gente. A gente cria, dá todo amor do mundo e eles somem e não estão nem aí pra gente. – Falou a outra abraçando Tonny.

– Mãe! Não diga isso! Não é bem assim... Sabe como é a nossa rotina de trabalho. Mal temos tempo para coisas de casa. Não temos tempo nem de ir ao mercado para abastecer a dispensa! – Respondeu a chantagem da mãe enquanto trocava de lugar com o marido para que pudessem abraçar suas respectivas mães.

– O Carlos tem razão. Mas prometemos que vamos nos esforçar para vê-las mais vezes.

A casa de Elisa não tinha luxos. Ficava em um bairro popular, numa rua arborizada. A decoração era simples, nada muito rebuscado; mas com muitos pequenos objetos. Coisas que ia comprando quando saía pra ir a uma feirinha de domingo. Ao lado da casa havia uma área descoberta, semelhante a uma varanda, onde aconteciam os almoços que gostava de inventar para ter uma desculpa para ver os filhos e os genros, quando a saudade apertava demais.

– Todos já chegaram? – Indagou Carlos.

– Não. Apenas Jessie e Júlio chegaram. Tom e Mazo avisaram que se atrasariam porque tiveram que trocar a roupa da Nana que se sujou, mas já estão chegando e Ethan disse que vai demorar um pouquinho mais, que tem uma surpresa pra nós. Disse que você ia gostar muito, Tonny. – Respondeu Elisa e disse a última frase olhando para o filho.

– Eu? O que será?

– Não faço a mínima ideia. Ficou fazendo mistério, não quis contar.

“Com certeza é alguma coisa pra me irritar”, pensou Carlos.

A verdade é que Carlos e o cunhado Ethan não se davam muito bem. O motivo? Disputa de atenção. Ethan sempre foi apegado ao irmão caçula. Saía com ele para todas as farras. Tinham uma grande amizade. Foi uma das primeiras pessoas pra quem Tonny contou que era gay, aos 13 anos de idade. Para Ethan não fazia diferença. Apreciava a companhia do irmão e sempre se divertia muito com ele. Dançavam, bebiam, paqueravam...

Mas quando Tonny conheceu Carlos e o relacionamento ficou mais sério as coisas começaram a mudar. A frequência que saiam diminuiu, já que o caçula deveria ter um tempo para dar atenção ao namorado. O mais velho adorava a solteirice e a vida de farra, não tinha intenção nenhuma de namorar. Fato que Carlos percebeu fácil, quando tentou apresentar algumas amigas a Ethan. Acreditava que ele deixaria Tonny em paz se tivesse uma namorada para se ocupar. Carlos achava que Ethan queria fazer o irmão ter o mesmo estilo de vida dele, então começou a se preocupar ainda mais com as saídas dos dois. No começo, se convidava e saía junto com os irmãos. Mas Ethan não gostava nada daquilo. Achava que o irmão não era o mesmo na presença de Carlos, se divertia menos e começou a implicar com a presença do namorado do outro. Assim, a frequência diminuiu ainda mais, e as poucas vezes que Tonny saía sozinho com o irmão, era uma briga daquelas! E Tonny sempre ia chorar no colo de Ethan. O mais velho sabia qual era o jogo de Carlos: queria fazer o namorado deixar de sair com irmão deixando-o mal através das discussões. Mas Ethan não deixaria que isso acontecesse, mesmo que tivesse que ouvir o choro de Tonny no dia seguinte. Depois que o caçula saiu de casa para morar com Carlos, a guerra de braço de Ethan com o cunhado ficou mais difícil. Se conseguiu sair pra uma noite de farra com Tonny duas ou três vezes depois da mudança, foi muito. Sim, via o irmão, mas sempre em encontros diurnos, um almoço, um cinema, uma espetáculo em cartaz, um passeio no parque ou no clube, no máximo jantar. Mas perder a noite numa farra, nunca mais.

– Mãe, precisamos de um banho antes do almoço. Vamos pro meu antigo quarto, quando sairmos, falamos com Jessie e Júlio. Estamos suados.

– Tudo bem, filho. Vocês sabem o caminho. O almoço está quase pronto. Não demorem!

O casal subiu para o quarto enquanto as mães voltaram pra cozinha para finalizar o almoço. Nesse momento Jessie adentra o cômodo, seguida do marido Júlio.

– Mãe, quem era na porta?

– Carlos e seu irmão. Chegaram suados, acho que estavam na academia ou algo assim. Foram tomar banho. Quando descerem eles falam com vocês.

– Ah! Tudo bem. – Sorriu a jovem.

O quarto de Tonny ainda tinha os móveis que deixou quando se mudou. Uma cama meio casal, uma cômoda, um guarda-roupa e algumas prateleiras com porta retratos e objetos de antigas coleções de infância. A única coisa que havia se livrado era os pôsteres das bandas que era fã na época.

Carlos passou pela porta por último, trancou e agarrou o marido por trás, assim Tonny pôde sentir que a ereção do executivo que começava a despontar. Ergueu as mãos pra trás puxando os fios da nuca do moreno.

– Ah, amor! Para com isso. – Gemeu manhoso, enquanto sentia a boca do moreno no pescoço, uma mão deslizar pelo abdômen por baixo da camisa e a outra invadindo o seu short e tocando seu pênis por cima da cueca. Sentia que estava pegando fogo com tantas carícias.

– Parar com o que? Ainda nem comecei... – Disse sensual com a boca encostada no ouvido do outro que se arrepiou inteiro. Subiu as duas mãos pelo peitoral do mais novo levando a camisa junto a ser tirada. Então sentiu o celular vibrar no bolso. Estava pronto pra ignorar, mas o toque específico, como se fosse um telefone antigo, indicava que era trabalho. Revirou os olhos de frustração e soltou o outro a contragosto. Bufou antes de atender.

– Gutierrez – atendeu sem humor e até um tanto ríspido.

Tonny já tinha entendido tudo desde o primeiro toque do telefone. Aproveitou a distração do marido e imaginando que aquilo ia demorar seguiu para o pequeno banheiro que havia em junção com seu quarto.

Estava relaxando e viajando eu seus pensamentos enquanto a água corria pelo seu corpo que só percebeu a presença do outro quando estava novamente colado nas suas costas, dessa vez como veio ao mundo e com uma senhora ereção, que esfregava no meio de suas nádegas.

– Onde foi que paramos mesmo? – perguntou o mais velho provocando o pescoço do marido.

– Ooohhh! – Gemeu – Não acho... que isso... seja uma boa ideia... – Não conseguia pensar direto com o marido levando-o à loucura daquele jeito.

– Pois eu acho que essa foi a melhor ideia que eu tive hoje... E tenho certeza que você concorda comigo, só não quer admitir... – Aquela voz rouca, aqueles toques pelo corpo, aquela boca chupando e beijando o seu pescoço e aquele falo grande, grosso e quente provocando a sua entrada estava deixando Tonny louco, tudo que ele sabia era gemer.

–Ahhhhhh!!!!

– Vou tomar isso como um sim... – disse pressionando a glande contra o anus do outro, mas sem nunca entrar de verdade ao mesmo tempo que estimulava o pênis do companheiro com a outra mão.

– Ahhhh!!!! Amor... não faz isso... pelo amor de Deus... não me tortura...

– E o que você quer? Me diz... – Perguntou fingindo que ia estocar, mas recuou em seguida.

– Nãããooo!!! – O outro gemeu em frustração, toda aquela provocação já considerava maldade.

– Você tem que dizer o que você quer...

– Eu quero você...

– Onde?

– Dentro de mim... me fode... pelo amor de Deus... não aguento mais...

Se tinha uma coisa que Carlos fazia bem na vida, era fazer Tonny perder a cabeça, enlouquecer de tesão. Era bom de cama. Tinha um ‘instrumento’ enorme e sabia bem o que fazer com ele. E tudo isso era apenas de Tonny e de mais ninguém.

Entrou de uma vez com força, mas sem brutalidade, no marido. O gemido de Tonny foi quase um urro. Carlos gemeu junto quando sentiu o ânus do marido apertar seu falo. Para ele era tão gosto ali dentro, era como estar em casa. O melhor lugar do mundo. Tantos anos juntos e jamais enjoaria daquela sensação que julgava maravilhosa.

A mão que puxava os cabelos de Tonny dando livre acesso ao pescoço deslizou até o mamilo esquerdo do rapaz, enquanto a outra continuava a masturba-lo. O publicitário sentia que aquilo era demais e não aguentaria muito mais tempo. Sentindo o marido estocar forte e todos aqueles estímulos ao mesmo tempo, não conseguia aguentar mais...

– Eu vou... Ahhh!! Eu vou... Eu vou gozar... Não para, amor... mais forte... Oohhhhhhhh!!!

Gemeu alto e seu corpo tremeu enquanto seu sêmen melava a mão do marido, que a levou a boca pra sentir o gosto que tanto amava.

– Que coisa mais linda meu anjo gozando... – disse saindo de dentro do outro, virando de frente e beijando sua boca. Deu impulso e Tonny entendeu o que Carlos queria, rodeou a cintura dele com as pernas e sentiu a parede contra as costas quando foi invadido de novo, recebendo novas estocadas.

– Ah, Anthony! Eu te amo tanto... Amo cada centímetro do seu corpo. Você é meu! – a voz denunciava todo o amor e carinho que tinha pelo homem que tinha nos braços.

– Eu sou seu... Todo seu... de mais ninguém...

Ouvir essas palavras era erótico demais para Carlos, era como pressionar um gatilho dentro dele. Sabia que aquilo era verdade. Fora o único homem a tocar e sentir aquele corpo e manteria as coisas assim. Não aguentando mais gozou forte e Tonny sentiu o liquido quente invadindo o seu corpo.

Exausto escorregou até o chão com Tonny ainda em seu colo, ambos tentando controlar a respiração. Depois de mais beijos e carícias conseguiram sair do banho.

Tonny foi até o guarda roupa e vestiu uma camiseta gola “V” azul clara e uma bermuda xadrez com tons de amarelo, verde, rosa e azul claro. Procurou uma roupa para o amado e lhe entregou uma camiseta vermelha e uma bermuda jeans com grandes bolsos dos lados. A camisa ficou um tanto justa demais em Carlos para gosto de Tonny, desenhava cada um dos músculos do marido. Dava até pra dar aula de anatomia no corpo do moreno, mas como era apenas família, não se importou. Só não queria estranhos cobiçando ainda mais que era seu.

Quando o casal terminava de descer a escada, a campainha tocou.

Notas finais
Então, quem será que está tocando a campainha??? Espero que gostem! É minha primeira vez escrevendo uma história e já tenho a coragem, ou cara de pau, de escreve uma lemon... Então, me fale o que acharam! Beijoka!