Já fazem vinte dias.

Vinte dias e onze horas, para ser exato.

Aconteceu em um dos raros momentos em que posso parar e relaxar antes de uma batalha, ataque ou atentado, seja terrestre ou alienígena.

Estava em bar não muito longe de minha “casa”, se é que hoje posso chama-la assim. O lugar estava cheio, havia alguns bêbados aqui, alguns casais namorando ali, e mais algumas pessoas como eu, que estavam ali apenas para tentar esvaziar a cabeça de algum modo.

Estava exausto, mais mentalmente do que fisicamente. Foi quando alguém mudou o canal da televisão que ficava acima da cabeça do barman. Estava passando um filme com comerciais que intercalavam entre anuncio de produtos e notícias de última hora. Então senti aquela sensação.

Uma sensação familiar e ao mesmo tempo estranha. Olhei em volta para ver se era só eu, mas nada. Ninguém se mostrou diferente diante do que havia acontecido. Olhava para todos os lados, e ninguém além de mim sentia sua falta.

Quando voltei a mim, fazendo um leve exercício matinal abdominal e sentido o frio entrar pela janela e impregnando o apartamento. Desde então sinto essa sensação de vazio que não me deixa dormir, que não me deixa comer e me desconcentra até mesmo nos momentos mais cruciais, como em alguns treinamentos e até mesmo batalhas.

O aparelho de comunicação, o único que a S.H.I.E.L.D ainda me permite ter, me avisa que estou recebendo uma mensagem de uns dos meus colegas. Natasha notou que não estava o mesmo, e tentou me ajudar, do seu jeito. Porém, não consegui me abrir nem com ela. Então, como pode ajudar alguém sem saber o que ela esta passando?

Ignorei sua chamada.

Decidi que deveria sair daquele ambiente e ir para um lugar mais arejado e mais iluminado, como um parque, por exemplo.

Sentado em um dos bancos via as pessoas fazendo suas caminhadas, sozinhas, com um parceiro ou guiando um cachorro. Todos, de algum modo, pareciam satisfeitas com sigo mesmo. Qual foi a ultima vez que me senti assim?

Mas era triste ver todo esse contentamento vindo de pessoas cuja a vida é tão curta que seja quase insignificante. Eu sei, pois vivi em dois tempos, nem mesmo na guerra e nem mesmo em tempo de paz, as coisas nunca mudam.

Mas a maior guerra acontecia na minha cabeça. Como pude deixa-la escapar? Como pude não ter reparado nas pistas quando elas estavam bem na minha frente?

A sensação de ter que fazer alguma coisa e não saber nem por onde começar me perturbava e acabava até mesmo com as coisas que um dia me faziam feliz.

Mas então, uma memória me veio. Uma que a muito tempo não lembrava e que nem sabia que a inda tinha. Bastou isso pra tudo ficar claro.

Conseguia ver perfeitamente, conseguia finalmente entender! Ela estava ali, só esperando que eu a encontrasse.

Agora tudo fazia sentido. Era como se de repente eu voltasse a enxergar cores. Era doce como mel e nem se quer pude conter algumas lágrias. Aquele soldado, o homem de outro tempo,quem um dia derrotou vilões, aliens e até mesmo heróis estava ali, frágil e se entregando a felicidade.

"Como senti sua falta", pensei comigo mesmo. Aqui que me afligiu por semanas agora me dava a mais pura felicidade.

Agora eu sabia e podia dizer com confiança:

Era uma referencia ao Mágico de Oz.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!