O herdeiro do mago: A conquista por Bogdan.
1 O momento esperado
Notas iniciais
Como de costume o dia nas áreas do Sul amanhecera nublado com leves raios de sol, suficientes para retrair o clima mórbido que a noite trouxera. Pelo amplo campo de trigo da região estavam ali Matteo, seus irmãos mais velhos Adaline e Caspar, e o seu amigo Rodrick. O campo era cercado pela floresta, todos perseguiam uma raposa antes que ela adentrasse entre as densas árvores. Adaline atirava suas facas na esperança de acertar o animal que correra de forma sagaz, Matteo e Rodrick corriam apenas por diversão. Vendo que aquela tentativa frustrada de acertar a raposa não iria levar a nada, Caspar parou com sua corrida, pegou o seu arco e flecha, olhou para o animal que já estava quase escapando, ergueu o arco para as nuvens, suspirou e por fim deu o tiro. A flecha acertou precisamente a cabeça da raposa, fazendo-a capotar de forma brusca. Adaline cessou sua corrida, e com o cansaço estampado na cara, ela deu uns oito, olhou para trás e indagou ao seu irmão:
- Por que você não fez isso antes? -Caspar caminhou em direção à raposa que estava caída, retirou a flecha que estava cravada nela e respondeu:
- não quis tirar sua esperança irmã; Ei Rodrick e Matteo apanhem a raposa. – Disse Caspar.
Rodrick retirou um tecido velho de sua bolsa e começou a enrolar o animal, enquanto Matteo se preparava para carregá-la em seu ombro. Enquanto caminhavam para retornar à vila, os dois conversavam e resmungavam.
- Não importa quantas vezes fazemos isso, pois sempre será nojento. – Disse Rodrick.
- Ah cale a boca! O sangue ta pingando em meu ombro, não no seu. Se eu pudesse eu reviveria esse animal aqui agora. – Lamentou Matteo.
- Mas você pode. – Sussurrou Rodrick.
- Sim, mas não o jantar. – Ironizou Matteo.
A caminha de volta era longa, Caspar e Adaline andavam na frente com suas espadas em mão, para caso houvesse um ataque inesperado de lobos que rondavam aquela parte. Boatos diziam que não eram somente lobos, e sim licantropos imensos sedentos por carne humana; Porém muitos não acreditavam, pois afirmavam que as trevas haviam sido levadas dali juntamente com a derrota da rainha Tiana.
Por ser final de tarde a preocupação de Caspar só aumentara, ele não era tão ignorante quanto os demais. Certa noite há 9 anos atrás, quando ele tinha apenas 13 anos, Caspar escutou um uivo tão estridente ao ponto de seus ouvidos começarem a chiar, logo após escutou passos no teto de sua casa. Tal acontecimento é lembrado por ele até hoje. Vendo que as estrelas já estavam quase notáveis no céu, todos aceleraram o passo e minutos depois chegaram ao portão de madeira que protegia que o vilarejo. Assim que entraram Rodrick se dirigiu à sua casa enquanto os três irmãos foram pra a deles. Antes mesmo de abrirem a porta, Duartina abriu-a antes e os questionou em um ar de melancolia:
- Meus filhos!!! Por que demoraram tanto? – O tom de sua voz mudou de alívio para raiva:
- Por que demoraram tanto hein? – Perguntou Duartina puxando os três pela orelha enquanto colocava-os pra dentro.
- Trouxemos uma raposa para o jantar mãe, pra comemorarmos o aniversário do Matteo amanhã. – Explicou Adaline.
- Pois que da próxima vez vocês vão pescar, é mais perto daqui e mais seguro; Rodrick, sua noiva veio aqui te procurando, vá à casa dela; E você Matteo, deixe esse pobre animal na bancada dos fundos e vá se banhar, Adaline ajude-o. – Alertou Duartina.
A senhora Duartina era uma mulher brava e corajosa por criar três filhos sozinha, seu marido a largou quando descobriu que estava esperando o Matteo, Ela se abalou com a situação, porém, teve uma gravidez saudável e tranqüila. Rodrick e Adaline não eram seus filhos legítimos; Ainda quando estava grávida, os dois bateram em sua porta em busca de abrigo e alimento, pois os soldados no Lorde Daccius (o rei do leste) haviam matado seus pais e amigos em conflito. Generosa como sempre foi, Duartina se viu na obrigação de adotá-los, desde então eles não tocam mais nesse assunto.
Horas depois, todos estavam sentados em volta da mesa prontos para a refeição e enquanto saboreavam a refeição, Duartina disse:
— Amanhã como todos sabem é o décimo sétimo aniversário do Matteo, e como de costume esse dom que está dentro de ti irá aumentar meu filho, peço-lhe sabedoria e não o use em meio desse povo cético. – Discursou Duartina.
Após o jantar, todos estavam em suas camas, Matteo estava inquieto, sonhara com algo; Sonhara que estava correndo pelo campo enquanto um exército marchava em sua direção, ele corria sem olhar pra trás, corria, corria, mas não chegara a lugar algum, até que esbarrou em um senhor de cabelo grisalho e barba com uma vestimenta nobre e clara, ele segurou Matteo pelo os braços e disse:
— Você chegou à idade certa, meu herdeiro. – Matteo se soltou a começou a recuar para trás, até que esbarrou em alguém novamente, dessa vez foi em alguém idêntico a ele, porém com vestimentas escuras e os olhos totalmente negros; Assustado, Matteo começou a correr em outra direção, a cada passo que ele dava o céu Ia escurecendo e tudo ao seu redor ficava destruído, chegando ao ponto de não ter mais nenhum lugar pra correr, a criatura que era idêntica a ele o segurou e disse:
— O único obstáculo em seu caminho, é você mesmo. – Matteo acordou ofegante e assustado, sua mãe e seu irmão estavam chamando-o e pedindo calma, só então que ele notou que não estava mais em sua cama, e sim levitando próximo ao teto.
Sem entender como aquilo estava ocorrendo, Matteo caiu bruscamente de volta, de uma forma fazendo-o perder a consciência. Enquanto seus irmãos avançaram pra cima dele pra tentar socorrê-lo, Duartina estava em pé paralisada, com uma expressão de choque, então naquele momento ela resmungou baixou consigo mesma:
— Está na hora.
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