Notas iniciais
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O tempo começou a se arrastar, um mês e meio se passou e os jogos começaram a se aproximar.

Durante esse tempo, me comuniquei mais com meus amigos porém, nada estranho aconteceu, com exceção as provas, que, pelo nmenos para mim, foram um pouco desesperadoras, portanto que durante o teste de matemática, fiquei com o pensamento “Qual é a resposta da terceira questão?” o tempo todo, na esperança que Amanda lêsse minha mente e me respondesse de forma mental, mas só escutei sua voz dizendo “Colar é feio.” e nada mais (mas acho que ela própria não segue suas regras).

Finalmente, era início dos jogos de inverno.

Eu não estava com medo e, sim, eu estava nervosa.

O diretor tinha deixado os alunos livres, alguns para treinar e outros para ajudar. Ele também liberou as piscinas, pois a primeira prova acontecia num lago.

Amanda e Gabriel me ajudavam no treinamento na piscina e, por incrível que pareça, nós conseguimos uma só para nós.

O Gabriel me dava dicas de como nadar melhor e a Amanda marcava no cronômetro o meu tempo nadando, mergulhando e o tempo de ficar embaixo d’água.

Faltavam 30 minutos para que a prova começasse, e Gabriel foi chamado para ir na sala do diretor. Então só treinei meu folego.

—Christiane, Eduarda, Isabele, Kate, Maria Eduarda, Clear Bads, Henry, Mario, Felipe, Alan, Carlos e Lucas, por favor se apresentem na frente do lago Nipene.

Ouviu-se a voz do diretor 10 minutos antes da prova. Eu já estava com meu maiô azul-marinho e minha toca prateada cobrindo meu cabelo.

—N-nade, apenas nade. Pegue bastante folego e não se afogue, quero você viva depois dessa prova.

Gaguejou Amanda.

—Tudo bem, eu sei nadar.

Tentei apaziguar a situação, pois a expressão de seu rosto era de desespero. Ela forçou um sorriso de disse:

—Não morra, tá? Ainda não tenho o poder de falar com os mortos.

Ela tentou fazer uma piadinha, mesmo com os olhos marejados.

Nós nos abraçamos e ela começou a chorar.

Eu também fiquei abalada com aquele acontecimento, pois não sabia que ela era tão sentimental.

Eu queria que Gabriel também estivesse ali, se despedindo de mim, mas só Amanda já estava bom.

Quando eu fui para frente do lago Nipene, vi 6 garotos e 5 garotas (fora eu).

Todos já estavam lá, os participantes e o público também.

O local da prova era como um grande deque _na verdade, sete deques _, uma para cada participante e para o resto dos alunos, que ficavam atrás dos participantes e, o último e mais distante estavam os professores e o diretor , junto com a superevisora, a qual parecia que seus olhos diziam “Escutem aqui seus fracassados, sou eu que mando nessa bagaça!”, também compartilhando o deque com um salva vidas.

Antes do diretor falar com sua voz grave, dei uma olhada rápida no publico para ver se meus amigos estavam lá. Mas eu só vi a Amanda, o que me deu um pouco de raiva, até por que, Gabriel já poderia ter voltado.

—Primeira regra: vocês deverão achar o objetivo certo.

“Segunda regra: para que ganhe pontos, é preciso tirar do lago o objetivo.

Agora, ao som do disparo, podem mergulhar.”

Disse o diretor.

Depois disso, minha pulsação acelerou, respirei fundo e, de repente, puuuum, puxei muito ar e mergulhei.

Quando mergulhei mais ou menos 2 metros, ouvi a mesma voz do meu pesadelo:

—Você não vai conseguir.

Olhei para o lado, mas não vi nada.

Depois que a voz disse isso, meus braços começaram a se mover freneticamente contra a minha vontade.

Eu fiquei me afogando e, se eu estivesse no comando do meu corpo, não estaria nesta situação.

Quando consegui controlar meus braços, percebi que tinha perdido muito ar.

Continuei nadando, e vi bolhas, muitas bolhas à minha frente. Quando me aproximei mais ainda, vi o que estava produzindo as bolhas.

Ele estava amarrado com uma corda que o prendia em uma rocha. Meu amigo, Gabriel.

Quando o vi fiquei surpresa, mas ele não tirava os olhos e as mãos da corda que tanto desejava desdar o nó.

Fui nadando em direção a ele e, eu pensei que ele fosse meu objetivo. Preso em seu rosto, havia uma mascara ligada a um cilindro de oxigênio, mas a mangueira que os ligava estava frouxa e, evidentemente, muito ar saía. Então observei que ele, na verdade, alternava suas mãos da corda para a mangueira, mas a segunda parecia estar emperrada.

Quando fiz um movimento brusco com as minhas pernas, ele olhou para mim com um olhar de desesperança.

Eu fiz um gesto com o polegar que estava tudo bem.

Quando fui desamarrar a perna de Gabriel, percebi que sua perna estava sangrando. Sabia que ele iria precisar de mim para se apoiar e voltar para a superfície.

Equanto tentava desatar a laçada, notei que era um nó impossível de se desfazer e, a cada tentativa, ele ficava mais fraco.

Depois de certo tempo tentando desfaze-lo, caiu a minha ficha que não ia dar certo e fui tentar encontrar uma pedra para cortar a corda.

Já estava desesperada pois Gabriel estava quase desmaiando.

Arrastava minha mão o mais rápido qua conseguia na água, embora não encontrava essa maldita pedra.

Eu estava começando a ver pontinhos pretos na água e a perder a consciência pela falta de oxigênio, então me virei para ele e fiz um sinal para ele esperar.

Ele ficou desesperado e começou a balançar a cabeça negativamente. Eu não queria subir enquanto ele estivesse lá embaixo, mas eu não poderia ajudá-lo essa maneira.

Cheguei a superfície e a luz forte me cegou. Peguei um pouco de fôlego e desci novamente.

Gabriel estava com os olho fechados e, de sua boca, saiam poucas bolhas. Fiquei eufórica imediatamente e continuei a procura da pedra, deslizei minha mão pelo chão pedregoso e ela se cortou. Finalmene, encontrei a tão esperada rocha.

Cortei a corda em mais ou menos cinco segundos, o meu recorde, afinal, eu estava torcendo para que seu oxigênio seja o suficiente para lhe manter acordado.

Enquanto nadava com Gabriel para cima, ouvi a mesma voz de antes:

—Você acha que vai sair ilesa?

Assim que ela fez a tal pergunta, minhas pernas ficaram pesadas, não estava conseguindo nadar.

Nesse desespero submerso, eu gritei socorro, mesmo sabendo que seria inútil, mas como fui burra! Perdi a maior parte do pouco oxigênio que tinha minha visão estava começando a embaçar. Depois disso, fiquei tão nervosa que, de qualquer jeito, eu iria nadar.

Quando eu consegui nadar, Gabriel pareceu ficar mais pesado e a me puxar para baixo, mas era meu dever como sua melhor amiga, levá-lo até o topo, são e salvo.

Fomos nadando até a superfície quando olhei para Gabriel, imóvel, sem forças, desmaiado, mas continuava nadando e carregando-o.

Agora, com certeza, sabia que Gabriel era meu objetivo.

Quando chegamos perto da margem do lago, Amanda se levantou e começou a pular.

Quando saímos da água, Gabriel não conseguia se mexer, mas se eu estivesse no lugar dele, acho que também estaria assim, senão pior. Depois de ver o céu, vi que o sol já estava quase se pôndo.

Amanda foi direto ao nosso encontro correndo, com um sorriso estampado, mas, quando ela viu que a perna dele estava sangrando e ele estava desmaiado, seu sorriso se desfez. Botei ele no chão e pecebi que, enquanto nadávamos de volta, ele havia se afogado (nem me pergunte como).

—O que diabos aconteceu com Gabriel?

—Por favor, alguém chame o salva-vidas! _ Comecei a implorar e, infelizmente, uma multidão curiosa se aglomerou a nossa volta.

—Ele não vai ajudar. _ Amanda disse certa de si. Mas ela falou a verdade, ele estava muito longe para poder ajudar.

—Alguém sabe respiração boca-a-boca? Por favor, alguém!

Amanda ficou quieta por um segundo, olhando para um ponto fixo, até que disse:

—Eu sei. _Arregalei meus olhos, surpresa, e argumentei:

—Então faça!

Amanda repirou fundo, olhou para cima e fez os procedimentos corretos do exercício.

Admito, a cena da minha melhor amiga fazendo boca-a-boca no meu melhor amigo foi BEM estranha.

Depois de um tempinho, ele abriu os olhos e começou a cuspir a água que havia ingerido.

—Gabriel, eu acabei de salvar sua vida!, você realmente precisa cuspir água na minha boca? _Amanda começou a choramingar e a reclamar de sua situação e, mesmo que ela nunca admitiria, foi bem divertido e comecei a rir (para não me chamar de uma péssima amiga, outras pessoas fizeram o mesmo). Gabriel já estava acordado, mas ainda fraco e sem conseguir se levantar.

—Amanda, pode me ajudar a levar o Gabe para seu dormitório?

Ela parou de se queixar e colocou seu braço debaixo do de Gabriel e fomos cortando caminho pela quadra de esportes que era coberta.

Bruno estava jogando bola na quadra e, como nem eu e nem Amanda podíamos entrar no dormitório masculino (até por que nossas roupas ficavam lá no dormitório), tínhamos que pedir para algum menino ajudar Gabriel, e como Bruno estava ali, pedimos a ele para entrar no dormitório com Gabriel. Bruno aceitou o pedido.

O dormitório estava quente, minhas roupas secas estavam mais ainda e o chuveiro estava muito quente, por isso não tive problemas com frio.

Já estava de noite e a lua iluminava o céu escuro e tenebroso, pois estava parecido com o do meu pesadelo.

Quando eu terminei de me vestir, esperei Gabriel voltar da enfermaria com a perna já enfaixada, no qual não esperei muito. Manda _que é como eu decidi chamá-la _ havia falado para eu ir para a enfermaria também mas, achava que não tinha necessidade.

Amanda saiu do dórmitório e se sentou ao meu lado.

—Espera, você não tinha ido para a enfermaria com Gabe?

—O que? Não, depois do dormitório, o Bruno que ficou “responsável” por ele.

Ri um pouquinho e conversamos como o dia de hoje havia sido louco.

Quando Gabriel voltou, sentou-se no meio de nós duas e falou:

—Cade o Bruno? _Perguntei confusa.

—Ele encontrou os amigos no caminho e ficou lá, mas obrigada por tudo, gente, sério. Me falaram que se não fosse por você, Clear, sem sombra de dúvidas, eu teria morrido.

—Era o mínimo que eu podia fazer, e aposto que você faria a mesma coisa por mim.

Eu disse olhando para ele com um sorriso sem mostrar os dentes. Ele levantou sua mão para que eu batesse nela, então demos um “toca aqui”, como se essa fosse a forma de ele falar “Sim. É verdade que eu faria a mesma coisa por você.”.

—Legal! Eu tive que te beijar e você nem sequer me agradece! _Amanda reclamou, pedinte.

—Ah, e, Amanda, você beija muito bem.

—Já me falaram isso, mas obrigada. E eu acho que o fato de ter sido esse beijo que trouxe de volta ao mundo dos vivos melhorou a nossa “química”.

—Quando irémos nos casar? _Gabriel perguntou, nós rimos um pouquinho e depois ficamos quietos.

Mas, gente!, eu fiquei super perplexa com essa prova. Eu achei que esses jogos eram uma meneira de confraternização, mas como uma escola incentivava e apoiava os alunos a morrerem?

Talvez eles buscassem os alunos se não conseguissem terminar, afinal, tinha um salva-vidas lá. Ele não poderia estar lá apenas como enfeite.

—Ei, vocês sabem qual foi o objetivo da Chritiane, da Isabele e da M.E.?

Eu perguntei.

—Quem é M.E.?

Os dois me questionaram.

—Maria Eduarda.

Respondi.

—Beleza. O objetivo da “M.E.” foi uma pedra com o formato de uma cara, mas ela demorou para achar, por isso havia ficado em terceiro. O objetivo da Christiane era uma tartaruga e o da Isabele foi um medalhão. Ah, e quem ficou em segundo lugar foi um garoto chamado Lucas.

Seguimos pelo menos 10 minutos em silencio, apenas olhando para o céu.

O sinal para dormir tocou e fomos para os dormitórios.

Estava exausta, por isso adormeci rápido. Mesmo com medo de meus pesadelos, o cansaço foi mais forte.

Meu pesadelo foi diferente de todos os outros.

Eu estava em meio à neve, uma rosa vermelha estava bem na minha frente. Quando fui pegá-la, espetei meu dedo em seu espinho.

Uma gota de sangue cai do meu dedo e, a cor vermelha estava mostrando-se viva na neve, como a rosa.

Em menos de dois segundos com a gota de sangue no chão, as pétalas da rosa vermelha começaram a pegar fogo e começaram a cair.

O fogo derreteria a neve transformando-a em água, mas não aconteceu isso. A neve, ao contrário de derreter, pegou fogo. Um circulo de fogo se formou ao meu redor.

Entrando no circulo, minha inimiga do capuz aparece. Ela passa entre as chamas como se não tivesse nada ali:

—Eu disse que você não sairia daqui imune.

Acordei com um sobressalto na cama. Amanda estava do meu lado, sorrindo, mas logo seu sorriso se desfez, passando um rápido fleche de cores:

—Está nevando, como no seu pesadelo, isso é ruim. Também é ruim o fato de mudar de pesadelo com a mesma pessoa.

Corri para a janela para ver a neve, pois era novidade ver a neve pessoalmente, não sei se você sabe mas em San Diego não neva. Pelo menos nunca enquanto eu morei lá.

Ao mesmo tempo fiquei com medo e feliz, pois como disse, eu nunca vira a neve.

Notas finais
Acompanhem a história, pq, no próximo capítulo, a Clear vai invadir uma propriedade e ter algumas surpresas desagradáveis
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.