O garoto que eu quero

Minha irmã sempre teve muitos namorados, cada semana ela estava com um diferente. Eu não entendia o que ela tinha que era só olhar para os meninos e eles já se apaixonavam por ela. Comigo já era diferente... Ah, aliás, pra quem não sabe o meu nome é Leticia, agora voltando ao assunto...

Ela estava com um namorado novo, fazia uns dois dias que eles tinham se conhecido no porto. Ele estava tocando uma gaita e cá entre nos ele era muito gato... Mas enfim quando nos passamos perto dele os dois deram uma troca de olhares muito forte e ele veio conversar com ela:

— Oi moça, qual seu nome?

— Oi, me chamo Cindy e você? –disse a minha irmã.

— Meu nome é Otavio, você mora aonde?

Cindy virou e apontou.

— Sabe aquelas ruas feiosas depois da Estação Central?

Ele fez que sim.

— Bom é lá que nos moramos.

Só Cindy fazia aquelas ruas horrorosas parecerem o melhor lugar do mundo – e com aquelas palavras ela e Otavio tinham começado.

Uma das melhores coisas no Otávio era que ele realmente reconhecia a minha existência. Ele me olhava com um olhar diferente dos outros, sabe, os outros costumavam me olhar como se eu fosse um obstáculo no caminho, mais ele não.

A verdade é que a Cindy nunca os amou de verdade, nunca se importou com eles, ela só queria saber da fama que iria ganhar namorando eles.

Nem é preciso dizer que Cindy e eu não somos muito parecidas em matéria de homem.

Mesmo assim eu sempre gostei do Otávio, o jeito que ele se expressava com suas ideias malucas e legais, e o seu olhar deslumbrante com aqueles olhos verde-mar.

Eu não tinha amigos, então para aproveitar as horas vagas eu gostava de andar pela cidade e passar algumas horas sentada em frente a casa do Caio -um garoto que minha irmã havia dado um fora, com a esperança de que eu pudesse vê-lo. Mais isso raramente acontecia.

Eu não sabia que o Otavio e a minha irmã ficavam me seguindo, então no outro dia eles vieram conversar comigo.

— Letícia porque você fica sentada na em frente da casa daquele menino?-perguntou Otávio.

Eu fiquei muito sem graça e então respondi:

— É que eu gosto de passar as minhas horas vagas lá com a esperança de algum dia ele venha falar comigo.

— Você não precisa disso — disse Otávio. — você é linda, um dia você vai conseguir achar alguém!

Eu estava tão sem graça que nem tinha parado para pensar e perceber que Otávio e Cindy estavam terminando. Só percebi isso quando eu fui despedir dele e ele me disse:

— Qualquer dia a gente se esbarra...

Isso pra mim foi um choque pois eu já sabia que mais cedo ou mais tarde isso iria acontecer, mas eu não queria que a minha irmã fizesse isso com ele, pois ele era muito gente boa.

No dia seguinte eu fui de novo ficar sentada em frente à casa do menino, e lá estava eu solitária pensando na vida. Quando de repende eu escuto uma voz me chamando, pensei estar delirando, mas quando eu percebi era ele o Otávio.

— O que uma linda como você faz sentada aí sozinha, hein? – disse Otávio.

Eu gaguejando respondi:

— Pensando na vida!

-Então pare de pensar no que iria acontecer e vamos aproveitar o momento – disse Otávio sorridente. – Sabe você é diferente das outras, em você eu vejo muito mais coisas, você tem um coração muito lindo...

Eu não sabia o que falar, parecia que as palavras tinham voado da minha boca, então eu fechei os olhos e foi assim que nós nos beijamos pela primeira vez.

Desde esse dia a minha vida mudou completamente e eu descobri que o garoto que eu queria havia acabado de entrar na minha vida.

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