Quando Hector acordou, Júlio ainda dormia. Ele foi, como normalmente, ao banheiro. Tomou um banho relaxante. Saiu e então decidiu ir fazer o café. Passou no quarto do Theo que já estava acordado, agitado no berço. Hector o pegou, deu-lhe um banho e desceu até o refeitório com ele nos braços. Colocou-o na pequena cadeirinha com alguns dos seus brinquedos prediletos.

Embora já se passasse das nove, havia muitas pessoas ainda no refeitório. Um casal de idosos sentava-se a mesa à frente, comendo uma porção de frutas. Hellen estava terminando seu belíssimo prato de oetunii, uma massa recheada, que parecia deliciosa. Algumas crianças comiam alguns doces, enquanto outras corriam por todo o local, derrubando alguns dos robôs que, por sorte, tinham um sistema antiquedas à base de magnetismo.

Ele olhou pelo refeitório, sem ideia do que fazer para o desjejum. Sentiu seu estômago reclamar da demora e viu Theo começando a ficar impaciente. Não havia tempo para grandes refeições, Julio logo acordaria. Optou começar pela refeição de Theo, que seria mais rápida. Colocou uma pequena quantidade de leite para ferver e adicionou algumas vitaminas e um pequeno pacote de sabor de baunilha, o predileto dele. Enquanto o pequeno bule aquecia o leite, Hector procurou nos armários pelo pacote de massas. Decidiu fazer um pão recheado, geleia de morango e café.

Posicionou a massa sobre a plataforma de vidro. Colocou algumas verduras e alguns cereais. Enrolou a massa e a colocou no preparador. O bule apitou, avisando que o leite já havia aquecido. Colocou numa mamadeira e foi dando devagar a Theo. Quando terminou de alimentá-lo, o pão já estava pronto e Julio saía do elevador.

Ele se aproximou e beijou Hector suavemente. Theo se agitou na cadeira, implorando que o pai o pegasse. Júlio se dirigiu à pequena mesa e se sentou esperando que Hector trouxesse o que quer que fosse a origem do cheiro maravilhoso que ele sentia. Hector, por conseguinte, se dirigiu ao preparador e retirou o pão. Pegou no refrigerador a geleia e pôs um pouco de café numa xícara à sua frente. Theo assistia a tudo e ficava vibrante com o burburinho que havia no refeitório.

Quando terminaram de comer, foram se arrumar para ir até o Hospital central. Usualmente eles iriam até o pequeno posto no fim da ÁREA-2, que ficava a uma distância de duas ruas.

Mas por Theo ser um bebê, eles necessitavam se dirigir até o hospital, para que os médicos pudessem trocar o chip. Isso acontecia, pois os chips para bebês eram descartáveis. Eles liberavam algumas vitaminas para que ele crescesse sem problemas, mas necessitavam ser tocados a cada mês.

Puseram em Theo um pequeno short azul listrado e uma camisa branca. Eles iriam de bicicleta, mas como o hospital era um pouco distante, preferiram pegar o transportador. Caminharam até o fim da rua e esperaram que ele passasse. Dentro de cinco minutos um passou e eles entraram.

No transportador havia apenas duas senhoras. Eles se sentaram ao lado delas. Elas sorriram para eles e dirigiram sua atenção somente a Theo. Ele sorriu e começou a brincar. Quando chegaram ao hospital, despediram-se das senhoras e se dirigiram à entrada.

O hospital tinha cheiro de flores silvestres. Alguns robôs faziam a limpeza do local. Como o sistema de chips era altamente eficiente, os pacientes lá só faziam consultas especiais, normalmente na infância e na velhice. Na entrada havia um robô de atendimento. Hector colocou o cartão de atendimento de Theo e uma enfermeira caminhou até onde eles estavam.

—Senhores, queiram me acompanhar, por favor. O Dr. George está esperando.

Eles a acompanharam até uma pequena sala, onde algumas pessoas esperavam pelos seus filhos. Quando eles adentraram na sala de atendimento o Dr. George sorria focado no pequeno Theo. A sala era branca, havia uma mesa com pilhas organizadas de papéis e uma luminária prata. Uma cadeira flutuante. Uma estante cheia de livros e outra porta, que dava para a máquina de chips.

Júlio estendeu a mão e cumprimentou o doutor.

—Bem, senhores. Eu irei colocar Theo na máquina coletora. Enquanto isso se sintam livres para caminhar pelo hospital. Não se preocupem. Como bem sabem, só iremos anestesiar o local do chip, retirá-lo, colher as informações e colocar um novo chip.

Eles se dirigiram até a porta de saída, deixando Theo com a enfermeira. Todo o procedimento levaria cerca de dez minutos. Theo provavelmente não choraria. E nem mesmo sentiria dor.

Eles foram até a sala de espera e se sentaram. Enquanto esperavam, as pessoas foram saindo com seus filhos. Quando os dez minutos se passaram, a maioria das pessoas já havia saído. Havia apenas alguns pais que chegaram depois deles.

Theo saiu da sala brincando e sorrindo para a enfermeira. Na base do seu pescoço era possível ver um pequeno brilho vermelho, mas que logo passaria, graças ao adesivo regenerativo.

Eles pegaram Theo e o colocaram no carrinho. Como ainda era cedo, decidiram aproveitar o dia ensolarado e foram até o parque.

Theo adorava o parque. Era amplo. Havia várias árvores onde Hector e Júlio poderiam repousar. Quanto a Theo, eles o colocariam para brincar no pequeno playground para bebês. Antes decidiram tomar um sorvete. Foram até a refrigeradora. Júlio pegou um de baunilha e Hector um de morango, assim Theo poderia ter os dois sabores.

Ao redor do parque várias pessoas brincavam com seus animais. Havia um homem alto brincando com seu cachorro e um garoto trazia nas mãos uma salamandra. Algumas crianças brincavam de correr, esconder-se, jogar bola, arremessar, etc.

Por todo o parque se via movimento. Até mesmo os robôs babás estavam se movendo bastante. Todos aproveitaram para se divertir.

Júlio pôs Theo sob os cuidados dos robôs babás, sentou-se à sombra de uma árvore e relaxou com se marido, aproveitando o fim de sua estadia em terra.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.