O garoto da Casa ao lado
3 Surpresa no corredor
Antes de tudo, preciso resumir meus últimos 3 anos em Hogwarts.
No meu segundo ano na escola, nada de mais aconteceu. Tudo foi perfeitamente normal. Já no meu terceiro ano uma coisa engraçada aconteceu (na época foi assustador).
Eu, Jane e Hannah estávamos no gramado da escola, em um dos intervalos de aula. Eu ouvi alguém falando "Ei, você da Corvinal, de cabelo castanho preso num rabo". Eu sabia que era eu, mas decidi ignorar. Lá pela terceira vez que eles praticamente berraram, minhas amigas viraram para ver quem era.
Era um grupo de 4 meninos do segundo ano.
— É com você, Chloe — Jane falou.
— Não é não — disse e continuei andando, só que mais rápido.
Minhas amigas pararam e foram conversar com eles. Infelizmente eu fui obrigada a parar também.
— Meu amigo achou sua amiga bonita — um dos garotos disse.
As duas deram risadinhas.
— Gente, vamos andando! — eu implorei.
— Peraí — Hannah disse — Quem de vocês?
Eles empurraram um menino alto e loiro pra frente. Confesso que de feio ele não tinha nada.
Ouvi Jane dar uma tossida falsa para mim.
Ignorei todos eles e saí andando furiosa, sem olhar para trás.
Elas continuaram falando com os garotos, até que saíram de lá e me alcançaram.
— Fica com ele! — Jane disse.
— Oi?!
— É, ele é tão lindinho — Hannah concordou.
— Ele é feio — falei — Vamos sair daqui.
Eu não queria namoradinho nenhum, não na época. A única coisa que eu soube fazer depois disso foi correr toda vez que encontrava com ele pela escola. Literalmente correr. Eu me escondia em tudo o que era canto. Talvez eu tenha perdido a oportunidade, mas não me arrependo. Hoje ele namora uma garota da Lufa-Lufa e os dois são um casal lindo.
No meu quarto ano, virei amiga de um garoto da minha casa — Henry Bones. Ele era muito engraçado. Eu e Jane passávamos horas rindo com ele na sala comunal e, apesar dele ser da Corvinal e ser extremamente inteligente, ele tinha muita preguiça de fazer as tarefas e sempre estava pedindo pra gente deixar ele copiar as nossas respostas. Ele também era batedor do nosso time no quadribol.
Nas férias antes do meu quinto ano, recebi uma carta de Hogwarts. Eu havia me tornado monitora da casa! Meus pais ficaram muito orgulhosos de mim. Na mesma hora mandei uma carta à Jane e Hannah, perguntando se elas também tinham sido nomeadas monitoras. Infelizmente, nenhuma das duas foi.
A pior parte disso é que eu iria no vagão dos monitores, no trem, sem a companhia das minhas amigas. O garoto calado da cabine no trem do meu primeiro ano na escola, Arthur Harris, também tinha sido nomeado monitor, junto com a namorada dele, Alicia Brown. O outro recém nomeado monitor da Corvinal era um menino com quem eu não falava muito.
Quando os dois novos monitores da Sonserina entraram no vagão, eu quase caí para trás. Um deles era Pietro Spinnet. Ele era maravilhoso! Além de simpático, era lindo e um dos mais inteligentes da Sonserina. Já fazia um ano que eu, secretamente, ficava admirando sua beleza.
— Oi — ele cumprimentou.
— Ahnn... Oi — falei tentando não parecer uma idiota, mas já parecendo.
Depois que várias informações foram passadas à nós pelos monitores-chefes, eu fui procurar Jane e Hannah.
Uns alunos do segundo ano que viram meu distintivo de monitora tentaram fingir que não estavam fazendo bagunça conforme eu passei. Cabines após essa, encontrei minhas amigas, junto com Henry e mais um menino.
— Vocês não acreditam quem é monitor! — falei baixinho para as duas.
— Quem?
— Pietro, da Sonserina.
— Meu deus — Hannah disse — É sua chance, amiga!
Eu ri.
— Até parece.
>>>
Na Cerimônia de Seleção um nome conhecido foi mandado para Corvinal: Ted Smith, irmão mais novo de Jane. Logo após o jantar, eu tive que levar os novos alunos até os dormitórios. Depois disso, junto com os outros monitores, a gente fez uma ronda pelo castelo, procurando alunos fora da cama.
Quando eu voltei para o dormitório, Jane já estava dormindo.
No dia seguinte, minha primeira aula era de Defesa Contra Artes das Trevas.
— Como vocês sabem, no final do ano letivo vocês têm os N.O.M's. É preciso que vocês estejam preparados, se quiserem ter boas notas e continuarem estudando para se tornarem grandes bruxos — o prof Patel disse.
— Se já estou nervosa agora, — reclamou Jane — imagina no dia das provas.
— Pelo menos vocês são inteligentes — disse Henry.
— Você também é — respondi — Só é um folgado.
— Ah, verdade — ele disse sério.
Depois da aula, Jane seguiu para Estudo de Trouxas, enquanto eu fui para Runas Antigas. Nenhum dos meus amigos mais próximos fazia Runas, então eu sentava ao lado de Linda Foster, aluna da Corvinal, também do quinto ano.
— Ainda é dia 2 de Setembro e os professores já estão falando de N.O.M's. Já conseguiram me deixar nervosa — ela reclamou.
— Você vai se sair bem, Linda. Já sabe o que quer fazer quando se formar? — perguntei.
— Quero trabalhar na regulamentação e controle das criaturas mágicas. E você?
Pensei um pouco.
— Ainda não tenho certeza.
Nesse momento o professor entrou na sala e tivemos que parar de conversar.
>>>
Os meses pareceram passar rápido demais. Todo dia tinha atividades de monitor, quilômetros de tarefas, estudo e mais estudo, vários livros para ler... Pela primeira vez na vida, Hogwarts estava sugando minha energia.
— Vai no jogo hoje? — Hannah perguntou.
— Grifinória contra quem?
— Lufa-Lufa.
Eu pensei um pouco. Lá fora fazia um frio congelante e o céu estava muito nublado.
— Não sei não, Hannah.
— Vamos, Chloe — ela disse — Me faça companhia!
— Ok.
Quando deu 18:00 horas nós fomos em direção ao campo. Sentei junto com uns amigos da Grifinória da Hannah, que me deram uma bandeira do time deles.
— Ah, vai começar!
O locutor do jogo começou a falar.
O time da Lufa-Lufa entrou em campo, seguido pelos 7 jogadores da Grifinória. Quem ganhasse o jogo de hoje iria jogar com a minha casa em duas semanas. Até agora a Sonserina estava na frente no placar, seguido da Corvinal, Grifinória e Lufa-Lufa, respectivamente.
— E Harris faz mais um gol para Grifinória — o locutor dizia — 60 à 40 para Grifinória!
Quando o placar chegou à 110 à 80 para a Lufa-Lufa, o apanhador da Grifinória pegou o pomo de ouro, dando à eles a vitória. A torcida deles gritava muito no meu ouvido. Me despedi da Hannah e voltei ao castelo, para terminar minhas atividades. Não queria ficar avulsa no meio da comemoração da Grifinória.
No caminho para a Sala Comunal da Corvinal ouvi uns barulinhos estranhos. Peguei minha varinha e fui atrás do autor desses barulhos.
— MEU DEUS — gritei, chocada com a cena.
Num corredor deserto, estava Jane descabelada e Henry com um chupão no pescoço, se beijando muito — quase se engolindo. Os dois se assustaram com meu grito.
— Ahn.. olá Chloe! — Jane disse, se arrumando — Que susto você nos deu.
— Eu estou traumatizada com vocês dois — disse indo em direção à Torre da Corvinal.
— Já acabou o jogo? — Henry gritou enquanto eu ia embora.
Pude ouvir os dois dando risadinhas.
— Sim! — berrei de volta — E depois eu quero uma explicação sobre isso!
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