O garoto da Casa ao lado
5 Furnunculus
O inverno chegou em Dezembro a Hogwarts, trazendo neve e deixando os terrenos da escola todo esbranquiçado. Argo Filch estava louco atrás dos alunos que faziam guerra de bola de neve no pátio, principalmente depois que uma dessas bolas acertou sua cabeça. Embora tenha sido Pirraça quem a jogou, ele jurava que tinha sido um dos alunos.
Para minha própria surpresa, eu havia superado Pietro melhor do que eu esperava. Falando nisso, ele nem está mais com aquela menina da Sonserina. O rolo deles deve ter durado no máximo um mês.
Hannah finalmente tinha contado à Jane que gostava platonicamente do goleiro da Grifinória, Travis Baker.
— Você podia entrar no time da Casa — Jane dizia à Hannah — Ele pode te notar se você acertar um balaço na cabeça dele. Ou então você pode ser uma jogadora incrível, assim ele vai morrer de orgulho de você!
— Pelo amor de Deus, Jane. Pare com isso — Hannah falava.
Porém, de vez em quando, nas aulas que a gente compartilhava com a Grifinória, Henry pedia educadamente que Travis entregasse qualquer coisa para Hannah, como um livro, por exemplo, ou então um ingrediente de poção. Nessas horas Hannah sempre tinha vontade de sumir.
— Um dia eu ainda vou lançar um Petrificus Totalus em vocês, para ver se vocês param de fazer ele ficar me entregando coisas. Ele não é um elfo doméstico, muito menos um escravo — ela falava.
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Ainda faltavam duas semanas para o feriado de Natal. Desci para o Salão Principal com Jane e Henry como sempre fazia. Hannah já estava sentada na mesa da Grifinória, conversando alegremente com umas meninas da sua Casa.
Mal tinha acabado de me servir de bacon e ovos quando as corujas entraram com as cartas e encomendas. Para mim foi deixado o Profeta Diário, como sempre, e também uma carta de casa.
Querida Chloe,
Apareceu um imprevisto e eu e seu pai queremos pedir para que você assine a lista de Natal de Hogwarts e passe o feriado aí.
Na época de Natal haverá uma importante reunião do mundo bruxo na Noruega. Como seu pai é funcionário do Ministério, foi mandado à reunião. Eu irei com ele, mas como funcionária do Profeta Diário. Nós não iremos conseguir retornar para casa antes do Natal, por isso pedimos para que você fique aí.
Espero que entenda, meu amor. Enviaremos os presentes do mesmo jeito, não se preocupe.
Desculpe por isso. Queríamos muito passar o Natal com você!
Amamos você. Beijos, mamãe e papai.
P.S: Na Páscoa você vem para casa!
— Que ótimo — resmunguei.
— Que foi, Chloe? — Jane perguntou.
— Vou ter que passar o Natal aqui sozinha!
Ela mordeu um pedaço de bolo e acenou com a cabeça perguntando "por que?".
— Meus pais vão estar na Noruega. Parece que tem uma reunião bruxa lá. Meu pai foi mandado para lá e minha mãe vai como repórter.
— Eu bem que ficaria com você, mas preciso passar os feriados em casa — Jane respondeu revirando os olhos — Se você quiser, posso ver com a minha família para você passar o feriado conosco.
— Zero chances de eu ficar, desculpe Chloe — Henry disse.
Eu suspiro. Talvez passar o Natal sozinha em Hogwarts seja uma experiência interessante.
Depois do café da manhã fui para aula de Defesa Contra as Artes das Trevas. O professor passou um trabalho complicadíssimo para fazer. O prof Binns de História da Magia também não colaborou, passou 1 metro e meio de redação para ser entregue depois do Natal.
— Pelo menos você vai ter tempo para fazer tudo isso — Jane disse enquanto eu ia para aula de Runas Antigas e ela seguia para outra — Te vejo no almoço, Chloe.
— Até.
Enquanto subia as escadas encontrei Hannah descendo com vários apetrechos de Herbologia.
— Oi Chloe — ela disse.
— Oi, Hannah — cumprimentei — Ei, tem alguma chance de você passar o Natal aqui?
— Hmm — ela pensou — Não sei. Tenho que ver com minha família. Por quê?
— Vou ter que passar o Natal aqui esse ano.
— Sério? Bom, vou ver com meus pais sobre o que vamos fazer esse ano, então. Depois do almoço a gente conversa. Preciso ir para Herbologia.
— Okay — eu disse — Boa aula.
— Boa aula — ela respondeu e desceu as escadas em direção às estufas.
Depois do almoço, eu, Jane e Hannah fomos até o corujal da escola enviar uma carta para os pais de Hannah, perguntando se ela podia permanecer em Hogwarts durante o feriado.
— Espero que eles deixem — ela disse.
— Eu também — concordei.
No outro dia, no café da manhã, Hannah veio correndo da mesa da Grifinória até a da Corvinal.
— Chloe! — ela disse animada — Eles deixaram!
— SÉRIO?? Ai meu Deus! — respondi feliz.
Jane deu um espaço para o lado e Hannah sentou na mesa da Corvinal conosco. Alguns alunos ficaram encarando, mas ignoramos.
— Vou terminar de comer aqui — ela disse se servindo de suco de abóbora — Toma.
Ela me estendeu a carta que seus pais haviam mandado.
— Isso é demais — falei depois que li a carta.
— Só não se divirtam muito sem mim — Jane disse.
Hannah a abraçou e esfregou o cabelo dela.
— Pode deixar, Srta. Smith.
Eu estava voltando da Torre da Corvinal, onde tinha ido buscar meu livro de Transfiguração, quando ouvi uns sussurros no corredor do quarto andar.
— Aquela piranha vai se ver comigo. Ninguém mandou ela ir mexer com o meu namorado — uma voz disse.
— Ela deve passar a qualquer momento — outra voz falou.
— Acaba com ela, Sam — uma terceira voz sussurrou.
Eu me aproximei um pouco mais para entender o que estava acontecendo quando a primeira das vozes falou:
— Furnunculus!
Saí de onde estava e fui ver o que estava acontecendo. Empunhei minha varinha e vi quatro garotas da Sonserina: Samantha Campbell, Jessica Walker e Amanda Byers. A quarta estava agachada no chão de costas para mim.
Samantha virou com a varinha apontada para mim e gritou:
— Densau...
Antes que ela me acertasse com um feitiço eu berrei:
— Expelliarmus!
A varinha dela voou direto para minha mão e ela caiu para trás. Antes que as amigas pudessem fazer alguma coisa, eu convoquei a varinha delas também.
— Sua va... — Samantha começou a xingar.
— O que está acontecendo aqui? — O professor Flitwick disse aparecendo no local.
— Elas lançaram um feitiço naquela garota, professor — expliquei — E ela iria me acertar também, se eu não tivesse sido rápida.
Nessa altura vários alunos já estavam ali perto para ver o que havia acontecido. Pirraça estava lá rindo da menina atingida pelo Furnunculus. "Como está horrível" ele dizia rindo.
— Chloe, leve a aluna até a enfermaria — professor Flitwick disse a mim — E vocês três me acompanhem até a sala da diretora.
— Você vai se ver comigo, Wood — Samantha falou.
Eu fui até a outra menina da Sonserina e a ajudei a ir até a enfermaria. Depois que a Madame Pomfrey estava com ela, voltei para sala de aula, onde por bilhete tive que explicar tudo o que havia acabado de acontecer para Jane e Henry.
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