O garoto da Casa ao lado
12 Beco Diagonal
Nas férias, eu, meu pai e minha mãe fomos para Irlanda.
A história de lá, as comunidades bruxas e a cultura eram incríveis. Tirei várias fotos e escrevi várias cartas endereçadas às minhas amigas, contando toda a minha experiência.
Uma bela manhã, no hotel, uma coruja deixou para mim uma carta que eu reconheci como sendo de Hogwarts. Só podia ser uma coisa.
— Deve ser o resultado dos N.O.M.s — falei para meus pais.
— Abre logo, filha.
Nervosa, removi o lacre de cera da carta e tirei as folhas de dentro do envelope. A sala estava um silêncio, enquanto eu passava os olhos pelas minhas notas.
— Eu fui aprovada em tudo! — exclamei, comemorando.
Meus pais me deram um abraço, orgulhosos.
— Me deixe ver suas notas — meu pai pediu.
Entreguei as folhas para ele.
Tirando dois E (Excede Expectativas) em História da Magia e Herbologia, eu tinha tirado O em tudo (Ótimo, a nota mais alta que um aluno de Hogwarts pode conseguir).
— Por Merlin! Que orgulho da nossa filha, Paul — minha mãe disse ao meu pai.
— Ainda bem que ela saiu inteligente igual você, Adaline. Nos meus N.O.M.s eu só obtive dois Os — meu pai comentou.
— E você mãe?
— Ah, você sabe. Sem querer me gabar, mas eu arrasei nos meus N.O.M.s.
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Ao voltar para Londres, meus pais concordaram em me deixar ir à casa de Jane.
— Que bom ver você, Chloe! — Jane disse quando abriu a porta de casa para me receber.
— Que saudades — falei abraçando-a.
— Entre, só não repare a bagunça. Ontem Henry esteve aqui e ajudou meu irmão a deixar essa bagunça na casa — ela disse revirando os olhos e resmungou algo como "Garotos".
A casa de Jane continuava do mesmo jeito que eu lembrava.
— Ah, oi Ted — eu disse vendo o irmão de Jane passar por ali.
— Oi Chloe.
— Preparado para seu segundo ano? — perguntei.
— Sim, mal vejo a hora de voltar — ele respondeu contente e subiu correndo as escadas.
— Vamos para o quintal, Hannah já está lá — Jane disse, seguindo para fora de casa.
No quintal da casa dela, tinha um jardim com várias flores bem cuidadas e uma pequena horta com temperos. Também tinha uma piscina.
— Espero que você tenha trazido biquíni.
— Mas é claro — falei.
Minutos depois eu entrei na água, nadando até Hannah.
— Que saudades de você — ela disse me abraçando — Como foram as férias na Irlanda?
— Maravilhosas — comentei — E a de vocês?
Nós ficamos conversando sobre as nossas férias e relembrando momentos em Hogwarts.
— Sabe, meus pais conheceram Travis — Hannah falou — Eles o adoraram. Eu estava super nervosa, vai que meu pai implicava com ele e lançava um feitiço no menino ou sei lá. Foi um alívio quando eu percebi que eles se deram bem.
Nós rimos.
— Eu vou encontrar com ele no Beco Diagonal para comprar as coisas para o sexto ano. Vocês bem que podiam ir no mesmo dia para a gente se encontrar e fazer alguma coisa.
— Que dia vocês vão?
— Dia 26.
— Vou falar com meus pais então — Jane falou.
— Eu tenho que ver também, mas acho que podemos combinar sim — comentei.
Então Hannah se lembrou de uma coisa e nos assustou com o "AH!" que ela soltou do nada.
— Não acredito que eu quase esqueci de contar para vocês!
— O que foi, Hannah?
— Eu estava conversando com Alicia Brown nessas férias. A ex do Arthur, vocês lembram? Os dois continuaram amigos depois do término, apesar de tudo.
A simples menção daquele nome fez eu me lembrar a quem ele pertencia. Havia tantas coisas para fazer nas férias que eu havia me esquecido dele. Era como se eu nunca tivesse convivido com Arthur nos últimos meses em Hogwarts.
— Enfim, nós duas estávamos conversando e ela me disse que Arthur foi perguntar o que ela achava de você, Chloe! Daí ela falou que achava você legal e perguntou o porquê daquilo. Ele deu de ombros e falou que acha você muito bonita e simpática, encerrando o assunto por aí.
Eu senti minha cara esquentar. Isso era verdade?
— Ele gostava de verdade de você! Não acredito que você perdeu essa oportunidade, Chloe — Jane disse.
— Eu nem gostava dele dessa forma! Que oportunidade eu tinha para perder? — falei.
— Duvido que você não gostava nem um pouquinho dele. Eu via como vocês dois se olhavam. Até Travis conversava comigo sobre vocês dois — Hannah soltou.
— Sobre o que, exatamente? — perguntei.
— Sobre como Harris gostava de você. De verdade. Mas você não dava nem bola para o coitado.
— Ah, agora ele é o coitado? Vamos parar de falar sobre esse assunto, por favor — falei irritada.
— Tudo bem, mas quem sabe nem tudo esteja perdido ainda. Pode ser que o sexto ano seja o ano de vocês.
>>>
No dia 26, como combinado, nós nos encontramos no Beco Diagonal.
Hannah já estava lá com Travis, esperando na sorveteria Florean Fortescue enquanto tomavam um sundae de chocolate. Jane foi a quarta a chegar, seguida de Henry.
— Onde nós vamos primeiro?
— Todo mundo já pegou dinheiro para as compras?
— Não, precisamos ir ao Gringotes primeiro.
Nós 5 fomos para o banco bruxo, onde Henry desceu com um duende pegar dinheiro no cofre de sua família. Depois que ele voltou, nós começamos a dar o nosso passeio pelo Beco Diagonal.
A primeira parada foi na Farmácia, comprar ingredientes de Poções. Henry e Travis foram na Artigos de Qualidade para Quadribol, enquanto eu, Hannah e Jane fomos na Animais Mágicos, comprar suprimentos para a coruja de Hannah, Margot.
Ao passar na frente da Empório das Corujas, eu vi uma gaiola com uma corujinha solitária, com grandes olhos amarelos e uma penugem marrom e branco. Ela parecia tão tristinha que cortou meu coração.
— Gente, olha aquela coruja — falei — Ela tá tão sozinha.
— Awn, que fofinha — Hannah disse.
— Vamos ver mais de perto?
Nós voltamos e paramos na frente da gaiola. A corujinha pareceu se alegrar com a nossa visita. Decidi entrar na loja. Era isso, eu precisava levar aquela coruja comigo.
— Quanto está aquela coruja? — perguntei e apontei para a gaiola com a corujinha.
— Ah, sim — a atendente disse — Aquela é uma coruja-serra-afiada. Muito dócil. Ela está 3 galeões, querida.
Eu fiz as contas. Eu tinha dinheiro suficiente para levar a coruja e ainda comprar todas as coisas que precisava. Depois dos meus N.O.M.s meus pais com certeza não iriam brigar comigo. Conclui que merecia me dar a coruja. E que mal poderia ter? Eu estava precisando de uma coruja para chamar de minha.
— Aqui — disse entregando o dinheiro à mulher.
— Vai querer mais alguma coisa?
— Não — falei.
Ela guardou o dinheiro e foi buscar a coruja.
— Aqui está, querida. Ótima compra.
Hannah e Jane me esperaram do lado de fora da loja.
— Não acredito que você comprou!
— Comprei.
— Qual vai ser o nome?
— Não sei ainda.
— Ela é tão fofa! Espero que seja amiga da Margot.
Os garotos encontraram com a gente de novo (e se surpreenderam ao me ver carregando uma gaiola) e fomos juntos em direção à Madame Malkin — Roupas para Todas as Ocasiões.
— Eu não preciso de uniformes novos — Jane disse — Vou esperar aqui fora com a sua coruja, Chloe.
Entreguei a gaiola para ela e entrei com Hannah, Travis e Henry na loja.
— Hogwarts? — ela perguntou.
Todos nós confirmamos.
— Qual casa? — ela perguntou para nós.
— Corvinal — eu disse ao mesmo tempo de Henry.
— Grifinória — Travis e Hannah falaram.
Em uns 15 minutos nós tínhamos uniformes novos. Jane estava conversando empolgada com minha coruja no lado de fora da loja.
Após uma ida à Instrumentos de Escrita Escribbulus, a última parada foi a Floreios e Borrões. Nós precisávamos de novos livros para as matérias que continuaríamos a fazer. Eu iria continuar com todas, mas Henry, por exemplo, iria abandonar Estudo dos Trouxas.
Quando terminamos todas as compras, o sol estava começando a se pôr.
— Preciso encontrar minha mãe — Jane disse se despedindo — Ela deve estar com meu irmão comprando as coisas dele. Até Hogwarts.
— Nos vemos no trem.
— Dê um nome à essa coruja, Chloe! — ela disse indo embora.
— Pode deixar.
Essa é a coruja.
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