O frio
1 O frio
Gatos se desenham na parede,
Samsa assiste o espetáculo de fantoches sombrios, recostado em sua carapaça,
São pregas de saias ou folhas de outono a farfalhar?
Os gatos se tornam jaguares e os caixeiros-viajantes tornam-se insetos, escravos da justiça,
Enquanto que suas palavras se metamorfoseiam em borboletas guturais;
O frio delineia o corpo dos jaguares,
E as sombras tomam a forma de pinheiros.
Neva em teu quarto coveiro,
Mas quem vais salvar?
A ti mesmo, sua cópia patética de Samsa,
Ou a tua amante de vidro, que reflete toda a compaixão que precisas?
Não pode salvar ninguém,
Nem mesmo ao Frio, o coveiro fantasma,
Por que ele te matou sem avisar,
E agora pela segunda vez congelas,
E junto com ti, juras a violinista que seu último dueto será somente para tu;
Mente, pois jamais morre aquele cuja sanidade se esvaiu
E tu ficará sozinho, sozinho,sozinho.
Mas não te preocupes, já que tu simplesmente não és sem ela.
Então vá sem preocupação,
Brinque no inverno,
Beije na primavera,
Dance e insinue no verão
E caia na lascívia no outono,
Não te esqueças porém da mentira do Sr. Frio,
Já que acreditas nas mentiras que te contam e sente o seu toque espectral;
Então vá!
Mate sem parar, sem parar.
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