O fim é só o começo
11 Capítulo 11 - 1 Esclarecimentos...
Notas iniciais
Soltei um suspiro baixo. Assim que sai do elevador fui em direção a mesa redonda e me sentei. Ignorei totalmente os olhares em minha direção. Tirei uma lagarta da mesa e olhei para atrás.
—Vocês vão ficar em pé ai encarando minhas costas ou vão se sentar? -Falei retirando outra lagarta da mesa.
Aos poucos os garotos foram se sentando. Não disseram nada só se sentaram. E para me torturar mais um pouco, Nathãn se sentou a minha direita e o Yan, depois de atropelar Celt, sentou à minha esquerda. Os ignorei e quando todos já estavam em seus acentos esperei que começassem a falar, mas a espera e o silêncio se prolongou por mais de três minutos.
—Ok! Então tá né? É isso. -Disse me levantando.- Ótimo papo, mas tenho coisas a fazer hoje então...
—Espera! -Yan e Celt deram um pulo da cadeira.- É que não sabemos por onde começar. -Celt se explicou com cautela.
—Certo. É, eu sei, deve ser difícil contar uma história... -Disse séria e concordei com ele enquanto me sentava de novo.- Afinal quase todos começam suas histórias pelo final ou pela metade... -E então a ironia tomou conta de mim.- Mas hoje que tal fazer diferente da maioria e me contar do início?
Senti a atmosfera ficando um pouco tensa. Mas continuei.
—Apesar de que deve ser difícil saber quando foi que começou né? Que tal começar com o dia que o seu colega aqui... -Apontei para o Yan sem olhar para ele.- Chegou com um animal de rua depois que vocês se separaram.
E então pareceu que quase todos prenderam a respiração. Somente o Nathãn parecia "normal" como sempre. E mais dois longos minutos em silêncio se estenderam.
—Respirem ou vão morrer. -Soltei um suspiro.- Thiago seu rosto está ficando roxo, tem algo entalado ai? Onde está aquele vigor todo que você tem para sempre falar o que lhe vem a mente?
Os garotos voltaram a respirar mas ainda estavam tensos.
—Sabe... -E então o Yan abriu a boca.- Isso não começou naquele dia, começou quando "nós ficamos juntos". -Yan disse ressaltando isso enquanto olhava para o Nathãn.- Você se lembra quando tivemos que parar porque escutamos um barulho? Então, bem, era a Rayanne. Ela tirou umas fotos nossas.
Continuei calada. Esperei ele continuar.
—Então depois que nos encontramos na porta da escola aquele dia, entramos e fomos para nossas salas, recebi a mensagem dela com as fotos falando que ela ia publicar e iria até o diretor fazer uma denúncia, porque era contra os regulamentos da escola. E se a escola não te expulsasse ela iria chamar os advogados do pai dela para processar a escola e afins... Mas, se eu voltasse com ela, ela não iria fazer nada disso. Então tive que tomar uma decisão.
Yan olhou para mim como se esperasse algo como admiração ou pelo menos um semblante de surpresa mas, tudo que ele viu foi uma cara de poker. Ele parecia bem decepcionado.
—Então é só isso? -Perguntei e ele fez uma cara de injustiçado.- Não me entenda mal. -Falei depois de um tempo.- Não que eu não entenda, se alguém ameaçasse alguém que gosto e fosse com alguma coisa que eu não pudesse fazer nada talvez-
—Não é que não pudéssemos fazer nada, é só que eu tinha que ganhar tempo. -Ele falou antes que eu terminasse me interrompendo. Ele olhou para o Bey.- O Bey, ele estava tentando invadir o celular dela para poder apagar as fotos, mas hoje ela publicou as fotos na rede social da escola e mandou para todos os contatos dela antes que Bey terminasse de invadir entã-
—Terminando o que eu estava dizendo... -Eu o cortei da mesma forma que ele fez.- Talvez eu tomasse a mesma decisão que você dependendo das circunstâncias mas, nesse caso, você deveria ter perguntado minha opinião primeiro.
—Mas eu... -Yan abriu a boca para se justificar, mas não deixei que terminasse.
—Yan. -O chamei. Assim que ele olhou para mim eu continuei.- Naquele dia nós nos sentamos e conversamos. Você se lembra de alguma coisa que falamos?
—Sim eu me lembro. -Ele respondeu rápido.
—Então se lembra de todos os cursos, faculdades e coisas que eu aprendi, e sei fazer? -Perguntei enquanto retirava meu celular.
—Não sei se conseguiria citar todos, mas sim lembro. -Dava para ver que ele não entendia.
—Bey, se você estava tentando hackear o celular da Rayanne, você deve saber me falar todas as áreas que o curso intensivo de tecnologia abrange, não é?
—Você quer dizer que... -Bey me olhou com surpresa já entendendo onde eu queria chegar.
—É isso ai. -Disse enquanto mexia no celular.- Eu realmente não entendo porque não me falaram antes, não é como se aquela vac... Bem, não é como se ela, a Ray, fosse onipresente e onisciente como um Deus, então não é que não pudessem contar para mim o que ela fez, vocês só não quiseram me contar. -Disse tudo sem tirar os olhos do celular.- Nossa, até que as fotos ficaram boas em, e não só as que ela tirou daquele dia, todas as fotos que ela tira ficam ótimas, acho que se a empresa do pai dela cair ela poderia trabalhar como fotografa de casamentos das celebridades, ela ia ganhar uma boa nota.
—Mas agora ela já postou não adianta apaga-las do celular dela. -Celt falou sem muito animo.
—Bem ela só complicou mais o serviço, mas então é só invadir todos aqueles que receberam as fotos. -Disse enquanto colocava o meu celular em cima da mesa.
Yan e Nathãn chegaram perto de mim para ver o que acontecia na tela do meu celular, e quando perceberam o que realmente estava acontecendo pegaram os seus celulares bem rápido. Os outros não entenderam mas também pegaram os seus celulares. E então viram as fotos no grupo e nos celulares deles se apagando.
—Primeiro é só usar um programa de rastreamento. Toda imagem e todo arquivo tem seus próprios dados, é como se fosse uma digital, então o programa de rastreio invade todos os contatos e redes sociais onde tem os mesmos dados da foto e depois vai deletando e destruindo o arquivo ou imagem. Também invade os dados salvos em nuvens e deixa instalado um sistema de destruição para se caso o mesmo arquivo seja inserido no sistema novamente.
—Ah! E não se assustem com o celular de vocês... -Os avisei.- Só ira ser apagado aquilo que eu selecionei antes, não bisbilhotei nada. -Soltei um bocejo e olhei para o Yan.- Tome cuidado com os que você imprimiu. Então, era só isso que tinha à me dizer? E percebe que se tivesse me contado antes não teríamos passado por tudo aquilo?
—Eu... -Yan estava um pouco envergonhado com o fato de que eu descobri que ele imprimiu algumas fotos.- Vou tomar cuidado, e bem, acho que eu meio que errei em não te falar, mas na hora não pensei muito no que fazer, é só que não queria te envolver e te colocar em problemas.
Nathãn se levantou da cadeira e foi em direção ao elevador.
—Nathãn espera um pouco. -Pedi para ele não chamar o elevador ainda, afinal eu também já estava querendo ir embora.- Bem já que isso é tudo e já está tudo resolvido, eu também vou indo. Mas antes...
Peguei o celular e o desmontei todo. Passei uma peça para cada membro da mesa.
—Destruam essas peças no micro-ondas ou da forma que preferirem, só estou pedindo isso porque se eu estragar outro aparelho doméstico de casa meus pais irão me deserdar e irei virar uma órfã sem lar.
—Ai então eu te resgato e te trago para minha casa, minha mãe vai gostar de você. -Bey disse de uma maneira fofa e ignorando os olhares de raiva em sua direção.
Peguei um papel e uma caneta na estante de livros. Escrevi o nome de algumas peças. E como brinde para mim, escrevi algumas coisas que eu precisava bastante agora.
—Como vocês não me disseram antes o que a Ray estava fazendo, eu tive que invadir diretamente um monte de aplicativos e celulares de pessoas influentes, fora as redes sociais que tem um sistema forte contra invasão e por esse motivo estou destruindo meu celular, para que não cheguem à mim por ele e sei que isso aconteceria em breve... E simplificando tudo, a culpa é de vocês, e agora vão me comprar novas peças para que eu possa montar meu celular novamente.
Entreguei um papel para cada membro incluindo o Nathãn em pé perto do elevador.
—Se puderem ser rápidos com isso eu agradeceria. As peças não tem necessidade de pressa mas, bem, as outras coisas tem.
—Uma espreguiçadeira? Das que são mais planas e macias possível? Porque? -Thiago perguntou, enquanto lia o papel que passei para o Yan.
—Ótima pergunta Thiago. -O elogiei por sua curiosidade.- Sabe Thiago, aqui na escola tinha um lugar onde gostava de ir depois de me alimentar para relaxar e me afastar de todas as pessoas indesejáveis... -Dei uma pausa enquanto fazia uma expressão de saudade.
—Ok! Considere comprada, não precisa terminar. -Yan falou enquanto segurava suas têmporas com os dedos.
—Parar? E não saciar a curiosidade do Thiago? Jamais! -Falei como se ele tivesse me ofendido.- Ele merece ter respostas às suas perguntas.
—A bem, sabe, não estou mais tão curioso assim... -Thiago agora suava frio, e não era para menos, o Yan estava com uma cara e um olhar que com certeza poderia matar alguém de coração fraco.
—Que pena para você Thiago... Continuando... Eu realmente amava aquele lugar afinal eu sempre, desde meus doze anos, ia para lá descansar a mente e o corpo. -Fiz a expressão de um buda, uma pessoa que alcançou o esclarecimento espiritual.- E então, à alguns dias atrás, vi uma cena terrível e indelével, uma cena realmente nauseante, e então a partir dai nunca mais irei por meus pés lá. -Então mostrei um rosto cheio de raiva e nojo.- Por fim um ser de luz me mostrou um lugar calmo e lindo, porem não tem nenhuma forma de poder descansar, você sabe, uma forma de dormir. Então preciso disso para finalmente tirar um cochilo. Esclareci sua duvida Thiago?
—S-sim... -O Thiago estava evitando olhar para o Yan.
—Bem, agora está tudo esclarecido, então irei me retirar...
Me virei em direção ao elevador e ia chegando perto do Nathãn.
—Sayuri espera... -Mas Yan me chamou.- Precisamos conversar um pouco.
Eu tinha um pouco de noção sobre o que ele queria conversar e o que ele queria me dizer, mas tinha muito o que pensar e muito o que absorver, mas ao mesmo queria ver o que ele tinha a dizer. Fiquei ali parada sem saber se lhe dava uma oportunidade de conversar comigo ou continuava a ir embora.
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