O fim de todos nós
1 Prólogo
Prólogo
Não sei como conseguia dormir com tudo aquilo acontecendo... ‘’tudo’’ começou naquela noite de janeiro de 1995. Estava deitado em minha cama lendo um livro, quando um grito toma conta de meus ouvidos, um grito agudo e fino. De uma mulher que parecia estar sendo torturada, primeiro pensei que poderia ser um grito escandaloso de uma mulher recebendo flores de seu namorado, até ouvir algo que fez meu corpo gelar:
-Socorro-gritava a voz estridente de uma mulher-alguém me ajude!
Ela passou correndo por minha rua. Reconheci o rosto dela, era a mulher da casa 52 do meu condomínio. Seria um ladrão? Mas sempre achei que fosse impossível um ladrão entrar no condomínio com tanta segurança. Desci as escada correndo, fui até o portão, meus pais estavam fechando-o
-Não saia daqui!-disse meu pai- não me desobedeça
Eu não disse nada, apenas o encarei. Mas eu tinha que sair, precisava saber oque estava acontecendo, meus pais nunca me diriam se descobrissem. Mas achei melhor ficar em casa, observando as coisas de cada janela dali, oque seria um pouco difícil então decidi me deitar novamente e continuar a minha leitura.
Depois de um tempo meus pais voltaram, desci rapidamente ao encontro dele
-E aí?-digo empolgado- oque aconteceu lá fora?
-Não é da sua conta-disse meu pai trancando a porta desesperadamente-feche tudo, portas e janelas, vamos sair da cidade
-Agora eu posso saber porque?-digo
-Não!-gritou minha mãe
Estava curioso demais, esperei meus pais estarem longe da porta. Corri até ela, destranquei-a e fui até o meio da rua
-CARLOS!-gritou meu pai
Quando vi o que vi...eu gelei, vi algo que achei que nunca iria ver na vida. Era um zumbi mordendo o braço de uma pessoa jogada no chão gritando, isso estava a uns 20 metros de mim. Meu pai me pegou pelo braço e me levou de volta pra casa
-ESTÁ FICANDO LOUCO?-exclamou ele-VOCÊ PODERIA TER SIDO MORDIDO
-Eu não teria saído se vocês tivessem me contado oque estava acontecendo-digo com medo-de qualquer jeito desculpa, fiquei curioso.
-Só peço que você nos obedeça-diz minha mãe me abraçando
-Okay-falo profundamente
Não dormi naquela noite, não mesmo. De manhã cedo meu pai me fez arrumar a mochila, nela botei roupas, comida e facas de cozinha, se isso é um apocalipse zumbi e eu não tenho arma, tenho que arranjar um jeito de sobreviver.
-Carlos-chamou meu pai quando estava colocando a faca no meu bolso-vem cá
Fui calmamente até ele
-Preciso te dar isso-fala ele me entregando um revólver
-Mas...meu deus-digo impressionado-isso é incrível
-Sabe usar?
-Se for que nem nos vídeo-games sim-respondo
-Mas use com sabedoria-diz ele estendendo a sua mão e mostrando cinco caixas de balas contendo 10 balas em cada-faça cada tiro valer a pena
-Obrigado-falo abraçando-o
Uma hora depois saímos de lá. Minha mãe me deixou com as chaves de casa, que coloquei no bolso, todo mundo já havia deixado o condomínio ontem a noite mesmo, estavam todos muito assustados. Mas meu pai foi esperto em deixar o tumultuo passar, porque basicamente...todos morreram. O portão do condomínio não estava abrindo pelo controle do porteiro, então meu pai abriu usando a força mesmo. Perto de lá havia uma pequena mercearia, onde eu peguei um pouco de suprimentos. Usei até o último espaço da minha mochila, comida pra dar e vender.
Meu pais foram na frente, eu fui atrás comendo uma barra de cereal. Meu pai havia se armado com uma espingarda e uma pistola. Minha mãe, apenas UMA faca de cozinha.
O pior veio depois, zumbis vieram rapidamente a nossa frente. Nós começamos a recuar e meu pai atirar nos zumbis enquanto corria
-CARLOS!-gritou minha mãe
Eu olhei pra trás, os zumbis já estavam encostando neles
-Nós te amamos filho
-Fique vivo-disse meu pai e jogou a espingarda e a pistola para mim
-NÃO VOU DEIXAR VOCÊS AQUI!-grito correndo em direção a eles
-VAI PRA CASA-grita minha mãe-SOBREVIVA
-ISSO NÃO É O FIM!
-Claro que não-disse meu pai calmamente
Meus pais desistiram de correr...
E aquelas coisas começaram a morder as pessoas mais importantes da minha vida. Continuei a correr, lágrimas não valiam mais nada, não trariam meus pais de volta, NÃO TRARIA NADA DE VOLTA, o mundo estava perdido.
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