O filho do Camus

4 Conhecendo meu "sobrinho"


Notas iniciais
Mais um capítulo! Tenha uma boa leitura

Cap| 4

Conhecendo o meu “sobrinho”

— Eu não te disse? Você que não quis acreditar. — Camus vira-se de costas e começa o que para Léo parece ser uma longa, longa subida.

— Isso só pode ser brincadeira. — Léo comenta para si mesmo e segue Camus com os olhos vasculhando cada pedaço daquele lugar.

Léo estava completamente fascinado, dizer que o santuário era belo era um eufemismo, ele era esplêndido. O jovem não conseguia conter a surpresa e admiração pelo local, esqueceu-se brevemente até os sentimentos conflituosos em relação a Camus. Pararam a frente de uma das construções que seguiam no decorrer da enorme escadaria, Camus parou ali na entrada por breves segundos apenas para informar que passavam pela casa de Áries. Léo de fato pôde ver o símbolo do signo ariano entalhado acima da entrada.

Enquanto observava cada detalhe do enorme salão da primeira casa não percebeu quando alguém apareceu, notou apenas quando ouviu uma voz calma e traquila.

— Seja bem vindo Camus. — Léo curioso voltou sua atenção para o até então desconhecido. Saiu detrás de Camus encarando-o, rapidamente seu olhar foi atraído para as incomuns pintas sobre os olhos no local onde deveria ter sobrancelhas. Mú notando o garoto voltou-se para Camus intrigado.

— E quem seria este Camus? Um novo discípulo?

— Não. Na verdade ele…

— Não é educado falar de alguém na terceira pessoa quando a mesma esta presente. — Léo interrompeu Camus e teve a atenção de Mú capturada para si e um olhar gélido de Camus.

— Muito menos tratar com desrespeito alguém mais velho. Tenho certeza que sua mãe lhe ensinou isso. — A bronca pegou em cheio no orgulho do garoto, se tinha algo que sua mãe presava era a boa educação. Léo emudeceu e a contra gosto pediu desculpas em tom baixo, sua face avermelhada pela vergonha.

— Ora Camus não seja tão duro. Eu também errei. Peço perdão por ter lhe tratado com descaso mesmo que essa não tenha sido a minha intenção. — O modo como Mú falava intrigava bastante o garoto, afinal mesmo tendo um tom de voz controlado nada se assemelhava ao tom gélido de Camus, era até agradável de se ouvir. Gostou de imediato do cavaleiro.



— Eu me chamo Mú, cavaleiro de Áries. E você?

— Sou Leonhard Martins. Mas pode me chamar de Léo, meus amigos costumam me chamar assim. Apenas os amigos. — Frisou bem essa última parte lançando um breve olhar a Camus para logo depois sorrir para Mú de uma forma amistosa, Camus diria até angelical. Essa era a primeira vez que via esse sorriso no rosto do filho.

— Muito bem, Léo. — O ariano sorriu. — Vou deixá-los passar logo, pois presumo que estejam cansados da viagem, pelo menos um de vocês vai estar depois de subir essas escadas. — Riu brevemente quando Léo arqueou as sobrancelhas e encarou Camus quase que em súplica.

— Vamos subir todas elas? — Mú quase teve pena do desespero do garoto.

— Sim. Todas. E se eu fosse você começaria logo. — Ao dizer isso virou-se para Mu.

— Até logo Mú, e perdoe-me pelo inconveniente. Leonhard ainda precisa aprender como controlar a língua. — Ao dizer isso lançou um olhar ao garoto que teria gelado até os ossos de qualquer outro, mas Léo apenas desviou o olhar e sorriu para Mú acenando, o que foi retribuído, e indo em direção à saida da primeira casa. Estava muito mais apreensivo com o fato de que teria de subir todas aquelas escadas do que com os pensamentos de Camus.

— Devo dizer que o garoto tem coragem, nem ao menos tremeu ao receber o seu olhar. — Mú brincou.

— Estou começando a perceber como ele pode ser teimoso. Enfim, preciso ir. Até mais Mú.

— Camus? — O ariano o chamou quando se afastava.

— Tenha paciência, nem todos tem a sorte de possuir uma dádiva dessas. Ainda mais sendo quem somos. — Ao ouvir o conselho do amigo, Camus sai sem dizer nenhuma palavra. Mú já tinha conhecimento do assunto e ao ver a semelhança do garoto com o aquariano só pode confirmar. Não disse de imediato que estava a par do assunto, pois conhecia Camus a tempo o suficiente para saber que ele não gostava de ter a sua vida privada espalhada por ai. O que era um problema uma vez que provavelmente todos os dourados já sabiam, graças a Milo e sua boca grande. Como ele descobriu era um mistério.

O guardião da primeira casa sorriu. A aparição daquele garoto seria bom para Camus, já havia percebido no momento em que o garoto lhe interrompera que Camus teria um longo caminho à percorrer.

Alguns bons e longos minutos depois para desespero de Léo, passaram pela casa de Touro, a verdade era que todos estavam em treinamento encontrar Mu fora apenas uma coincidência. Camus já estava impaciente com a demora para subir, queria logo chegar a casa de aquário, mas Léo não cooperava, o garoto até tentou mas não conseguia acompanhar o ritmo do cavaleiro, mesmo que seu orgulho o obrigasse a não demonstrar que estava cansado.

— Nesse ritmo não vamos chegar hoje a casa de Aquário. — Camus comentou ao olhar para trás onde Léo se esforçava para subir os degraus, pode ver como o garoto ofegava com o esforço. Léo por outro lado estava a ponto de desistir e ficar por ali mesmo, e ainda estavam na segunda casa! Céus! Aquilo era uma tortura! Enquanto pensava consigo mal notou a aproximação de Camus e levou um breve susto ao ter seu braço seguro pelo mais velho.

— O que você…

— Vou apenas adiantar as coisas. Você é muito lento. — Sem dar a devida atenção ao semblante confuso do garoto, Camus a contra gosto do garoto e do seu próprio, o pegou no colo e tão rápido quanto tirou o garoto do chão o colocou novamente agora sobre o piso do salão da casa de Aquário. Usou a velocidade avançada de cavaleiro para chegar mais rápido.

Léo aturdido pensou em soltar algumas palavras nada bonitas, mas calou-se ao observar que agora estava na casa de Aquário.

Ainda de boca aberta virou-se para Camus, os olhos verdes arregalados em surpresa.

— Como você… Como fez isso? — Olhou da entrada da casa constatando que de fato estavam na décima primeira casa.

— Apenas usei uma das habilidades de cavaleiro, com o tempo você irá se acostumar. — Camus deu de ombros como se o fato de alcançar uma velocidade sobre humana fosse algo trivial, o que de fato era, para ele no estado de cavaleiro.

— Venha, vou te mostrar o seu quarto. — Não querendo prolongar aquele deslumbramento do garoto e também tentando acelerar as coisas visto que teria ainda que falar com o Grande Mestre, Camus segue até o outro cômodo da casa levando Léo até os quartos. O garoto não parava de encarar a decoração sóbria da casa, cada objeto em seu devido lugar milimetricamente calculado, tudo muito limpo e bem organizado. Quase não se tinha ítens pessoais pela casa, parecia uma decoração padrão como se ninguém morasse ali. Pensou Léo consigo até que parou em frente a uma porta.

— Este é o seu quarto. — Camus abriu a porta.

— Fique aqui, preciso resolver um assunto. — Seco e direto Camus deixou Léo ali parado no corredor em frente da porta aberta.

— C- Camus… — Léo hesitou ao chamá-lo, quaria dizer “pai”, mas achou que não deveria. Quando Camus se virou o encarando com um ar de impaciência Léo calou-se.

— É… Não é nada. — A verdade queria perguntar onde ele iria, queria perguntar muitas coisas, principalmente queria que ele ficasse ali consigo e lhe explicasse sobre tudo aquilo, que lhe desse atenção. Mas perdeu a coragem sob o olhar indiferente do outro. Viu Camus sair e voltou a fitar aquele quarto vazio assim como aquela casa. Adentrou o quarto fechando a porta e escorando-se nela, abraçou o próprio corpo observando seu novo lar, cheio de dúvidas e inseguranças. Aquele não era o recomeço que pensou ter com seu pai.

×

Já na décima terceira casa Camus afirma para Shion que Léo é realmente seu filho e detalha sobre o que aconteceu na delegacia. Após meia hora Camus sai da décima terceira casa e mal pisa na casa dele dando de cara com um escorpiano barulhento e bastante animado para o seu gosto.

— O que você quer?

— Como o que eu quero? Quero saber como é o seu filho oras! Cara eu ainda custo a acreditar nisso! — Milo animado segue Camus até a sala o aquariano suspirou desanimado, não conseguiria tirar Milo da sua cola tão cedo. Caminhou até a cozinha com Milo ainda conversando, pegou um copo e encheu de água ignorando o outro que ainda falava, tentando manter a calma percebeu que Milo o encarava esperando. Suspirou se rendendo e deixando o copo sobre a pia olhou para Milo.

— Certo o que você ainda quer aqui?

— Credo Camus! Como você é insensível! Quem vê pensa que não somos amigos. — Camus pensou em perguntar da onde ele tirou aquilo sobre amigos, mas resolveu deixar quieto. Milo às vezes fazia um drama desnecessário e ele não estava com paciência para aquilo.

— E onde ele está?

— Ele quem?

— Comi quem Camus? O seu filho!

— Ah. Deixei ele no quarto sobrando quando cheguei e fui falar com o Mestre.

— E?

— E o que Milo? Por Atena! O que deu em você e suas perguntas hoje? — Camus já estava por um fio com as indagações vagas do escorpiano, se tinha alguém que conseguia “torrar” a paciência de Camus esse era Milo.

— Camus. — Milo segurou os ombros dele o encarando como quem tem algo muito sério a dizer.

— Meu amigo. Você não pode pegar o garoto, dizer que é seu pai, trazê-lo para um lugar desconhecido e jogá-lo em um quarto qualquer sem falar nada ou dar atenção ao moleque. — Milo falava como quem ensina algo a uma criança e Camus não gostou desse tom.

— Certo Milo, e o que eu diria hum? Não tem muito o que falar. Eu sou o pai ele e ele vai morar aqui. Pronto. Fim da história. E me solta. — Ao dizer isso Camus observa Milo balançar a cabeça em negativa e depois rir.

— Cara você tá muito ferrado! — Milo aponta para ele.

— O garoto deve estar cheio de dúvidas e ainda assim você não tem nada pra falar? Até eu sei disso Camus.

— Porque você tem bastante experiência com esse assunto não. — Camus não gostando do modo como Milo fala com ele, se mantém sério e cruza os braços. Sério que Milo estava tentando ensiná-lo como criar uma criança? Logo ele que já teve dois discípulos? Só podia ser brincadeira. E aquele ar de sermão? Estava levando uma bronca de Milo? Justo o mais irresponsável entre eles. Há! Ele que não se atravesse a tentar isso.

— Se você está tão preocupado com o menino, vá vê-lo você mesmo.

— Pois é isso que eu vou fazer. — Milo vai saindo da cozinha, mas para na porta se virando para Camus.

— Pai desnaturado! — Acusa em tom de brincadeira e ri sob o olhar reprovador de Camus.

×

Léo estava sentado sobre a cama daquele quarto estranho, as pernas dobradas a frente do corpo e envolvidas por seus braços, a cabeça apoiada nos joelhos. Fitava a parede branca com seus pensamentos e inúmeras dúvidas rondando a sua mente. Queria saber como ficaria dali para frente, como seria sua convivência com seu pai. Ele queria acreditar que a reação seca de Camus era devido a surpresa de ter um filho em sua vida de modo tão inesperado, Léo sabia que o começo poderia ser difícil só não imaginava que seria tão difícil. Já estava a um bom tempo ali e nada de Camus aparecer. Será que se lembrava que tinha o deixado ali?

Toda a sua vida ansiava por encontrar o seu pai e de tudo o que imaginou a única coisa que batia com suas expectativas era a aparência de Camus, de resto não sabia como se sentir em relação a tudo. Estava em um lugar completamente estranho e ao que parecia Camus não se importava com ele. Será que Camus não gostava dele? Talvez tivesse raiva por ele ter aparecido em sua vida? E se Camus não o amasse? E se não quisesse ser seu pai, apenas o trouxe por pena? E se ele não pudesse chamá-lo de pai? Eram tantas perguntas.

Retirando de dentro da camisa um pingente de estrela que estava pendurado em seu pescoço o fitou com um olhar triste.

— Eu o achei mãe, mas… Acho que ele não gosta de mim. — Sussurrou sozinho e apertou o pingente abraçando mais forte suas pernas, afundou a cabeça entre seus braços visivelmente chateado. Foi quando ouviu batidas na porta. Ansioso por pensar ser Camus escondeu novamente o pingente sob a camisa.

— Pode entrar. — Léo fala esticando as pernas sobre a cama e tenta afastar aquele ar melancólico que tinha se apossado dele.

— Hey! Tudo bem garoto! — Milo coloca a cabeça para dentro do quarto com um enorme sorriso no rosto, logo abrindo mais a porta para passar o resto do corpo. Mal conteve a surpresa ao ver que o garoto realmente era muito semelhante a Camus. Pode perceber ao chegar algo na expressão do garoto ao vê-lo parecia decepção? Ah! Camus não sabia mesmo como cuidar de um filho, o garoto parecia ansioso e de certo não era pela presença de Milo que esperava.

— Então você é o filho daquele rabugento. Não nega a genética! — Milo mostra seu sorriso mais animado ao garoto tentando passar uma boa impressão. Após alguns segundos em total silêncio Milo vai pouco à pouco desfazendo seu sorriso e seu rosto toma uma expressão emburrada.

— Hey! Você não vai dizer nada? — Pergunta ao garoto que apenas o encarava com uma expressão de dúvida.

— Hã… Eu deveria dizer algo? — Léo pergunta arqueando uma sobrancelha confuso, ainda estava tentando entender o que aquele estranho sorridente queria.

— Ah! Tão idêntico aquele chato! — Milo exclama com a resposta que recebeu.

— OK, OK, que tal me dizer o seu nome?

— Qual é o seu?

— Certo, eu sou o Milo, super amigo do seu pai, mas pode me chamar de tio Milo eu não me importo. — Ele aponta para si mesmo sem perder o ânimo.

— E agora qual o seu nome?

— Leonhard.

— E…?

— E o que?

— Por Atena! De novo isso não! Você não pode ser igual a ele eu não aguento! — Milo aponta para Léo em um drama que o garoto se esforçou para não rir. Ele até que era engraçado.

— Beleza garoto é o seguinte, se você quer fazer amigos pare de ser parado como o Camus. — Milo se senta na cama totalmente à vontade.

— Eu… Pareço com ele? — Léo perguntou meio hesitante e Milo assentiu sem hesitar.

— Totalmente, agora a pouco eu tive uma conversa com o Camus e ele me deu a mesma resposta seca que você. Ah! Seus antissociais sem senso de humor.

— Ele está aqui? Eu pensei… Que ele tivesse saído… — Léo comentou a última parte baixa, mais para si do que qualquer coisa. Camus já havia voltado e nem veio vê-lo, será que tinha realmente esquecido dele? Bobagem! Ele provavelmente não quer falar comigo. Léo de repente se sentiu desanimado e Milo percebeu isso, sacudindo o garoto pelos ombros inevitavelmente conseguiu a atenção dele para si, embora meio irritada.

— É ele vem e volta sem dar satisfação a ninguém aquele chato, sempre faz isso comigo, esquece isso agora. Hey! Eu não vim aqui para falar sozinho. Que tal me falar como era o lugar onde você morava? Tinha muitas garotas bonitas hum? Se bem que você não devia olhar para elas já que é uma criança. — Milo finge o analisar de cima à baixo.

— Eu não sou criança! — Léo reage e Milo aproveita a brecha.

— Como não? Olha o seu tamanho, parece um anão de jardim! — Milo gargalha.

— Cala a boca seu imbecil! — Léo grita totalmente irritado caindo na provocação do escorpiano.

— Ora tenha mais respeito com alguém mais velho pirralho! — Milo volta a provocar e recebe um travesseiro na cara jogado por Léo e logo ambos estão discutindo como duas crianças. Camus que havia resolvido falar com Léo após pensar na conversa que teve com Milo não pode notar a surpresa ao ver Léo naquela situação com o escorpiano, não anunciou sua presença observando como Léo parecia mais a vontade desde que chegou. Milo realmente tinha jeito com crianças, mesmo que isso significasse apanhar de um pré adolescente a “travesseiradas”.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.