O fantástico mundo de Eldarya
7 Capítulo 6- Aquele bonde lá
Notas iniciais
Estávamos dando uma de CSI naquela merda. Não havia pegada nem rastro de outra coisa além
de mim e o moleque. Eu suspirei, me lembrando do que o mozão me disse antes de partirmos.
— "Sei nem se vou conseguir voltar, imagine se vou estar inteira."_ olhei para o ruivo, que parecia perdido._ E agora? Como voltar?
— Não faço ideia. Eu... Não... NÃO! NÃO! NÃO!
— Eita, entrou em colapso.
— NÃO! AH, NÃO!!!
— Gritar feito mulherzinha não vai resolver, então aquieta o cu!
— Você não entendeu. Meu kit de orientação! Perdido!
— "Eita porra, é verdade. Deixamos no barco."
— Investi todas as minhas economias nele... Caramba! Eu estou... Arruinado! Arruinado! É sua culpa, eu deixei você cuidando dele!
— Minha o caralho! Você tava junto, não tira o seu da reta!
O ruivo se agachou e começou a se lamentar, fazendo rabiscos na areia.
— "Mas que decadência..." Ei, levanta. Temos que achar um jeito de ir embora.
— Humpf... Sim, eu não deveria perder tempo com algo tão...
— Fútil.
— Isso mesmo._ se levantou, sorrindo.
— Então, quando a Guarda sente nossa falta para mandar resgate?
— Você acha mesmo que eles vão mandar ajuda?
— Ué, fomos abandonados?
— Você precisa parar de viver no mundo dos Panalulus. A vida não é feita de algodão doce.
— Sério? Não fazia ideia. ¬¬ _ ele olhou para cima e suspirou.
— Acredite ou não, estamos largados.
— Ok... E o que vamos fazer? Já que estamos presos, precisamos de um abrigo.
— Acsa... Pare! Eu já entendi. Vamos ter que nos virar para voltarmos, mas não sei como faremos isso. Que confusão... Isso nunca aconteceu comigo antes.
— Bom, veja pelo lado bom. Pelo menos, vai poder explorar à vontade.
— Sim, tem razão. Devemos ver pelo lado bom. Deveríamos voltar para o vilarejo kappa e informar o vovô. Talvez ele possa ajudar.
— Tá bom, eu vou com você.
— Hum... Ele não vai te deixar entrar no vilarejo. É melhor ficar por aqui...
— Aff, que tédio... -.-
O ruivo partiu e eu fiquei parada feito uma trouxa. Esse episódio tava uma porra, viu? Então, decidi olhar o lugar e ver se achava algo interessante. Enquanto caminhava pelos cantos da ilha, encontrei um pedaço de corda próximo onde deixamos o barco e uma pegada um pouco maior do que a minha. Com o tédio fedendo ao meu redor, fiquei impaciente e decidi ir atrás do moleque. E então, eu o encontro falando com o senhor kappa. Estava mais implorando, para ser sincera.
— Não, fala sério, você não pode nos ajudar? Não tem ninguém nesse vilarejo que tenha visto alguma coisa?
— Eu creio que nós não podemos ser úteis.
— Por favor, vovô.
— "Moleque burro." Mestre, desculpe por interromper a conversa de vocês. Mas estamos realmente desesperados com a..._ e o ruivo me olhou como se quisesse me matar._ "Agora pronto." ¬¬
— Acsa... Eu disse pra você ficar na praia...
— Posso fazer nada se você demorou uma vida aqui conversando como se fossem íntimos.
— Vamos sair do vilarejo._ disse o kappa, friamente. Em seguida saímos e ele prosseguiu._ Eu não sei mais o que fazer para ajudar vocês, crianças._ e então, foi embora.
— Ué, só isso?
— Você poderia ter me escutado!_ se pronunciou o ruivo.
— Como é que é?
— Eu te disse para ficar na praia... Ou pelo menos fora do vilarejo. Disse isso porque havia um motivo. Por sua culpa ele não quis dizer nada sobre o desaparecimento do nosso barco!
— A culpa é minha de novo? Quem ficava chamando ele de "vovô" toda hora?
— Qual o problema? Ele é velho e é carinhoso chamar ele de "vovô".
— Você virou tartaruga desde quando? ¬¬
— Tudo bem vai, não temos nenhum homem morto aqui... Ou melhor, tartaruga morta ha ha!
— "Uau, que piadista..."_ sorri sem graça, revirando os olhos em seguida._ Enfim, ele não parece estar mentindo.
— Mas eu não acho, tá? O meu faro não me engana. Eu sinto que tem alguma coisa estranha no
ar...
— Tá tá, vai seguindo o fedor então. Enfim, eu achei uns coisos no meio da ilha enquanto estava no tédio.
— Me mostra!
— Primeiro, esse lixo de corda. Lembro que a gente usou isso pra prender o barco._ ele a pegou e analisou.
— Foi cortado com uma lâmina muito fina... Realmente isso não é trabalho de um kappa. Agora já sabemos também que não foi a correnteza que levou o nosso barco. De toda forma, é muito curioso. Você fez bem em investigar, Acsa. Bravo!
— Ah, para. Assim eu fico sem jeito..._ fingi emoção.
— O que mais você achou?_ me perguntou sorrindo.
— Tem uma pegada na areia.
— De qual criatura?
— Parece um pé normal.
— Um pé? Isso é muito vasto como descrição.
— Um pé é um pé, caralho. Quer que eu adivinhe se tava usando salto 15?
— Ok, me mostre onde você viu isso.
E voltamos todo o caminho em busca de um pé, quando finalmente...
— Ué, cadê o pé? '-'
— E então, onde está a tal pegada?
— Acho que o mar apagou... Filho da puta.
— Aff... Você lembra como ela era?
— Era um pouco maior que o meu, alguns centímetros. Se tinha chulé, não devia ser tão forte a ponto de impregnar na areia.
— Algo desse tipo?_ ele colocou o pé ao lado do meu e era pouca diferença de tamanho.
— Ops._ cocei a cabeça, assobiando.
— Eu passei por aqui quando estávamos procurando o barco... Deve ser a pegada do meu pé.
— "Me sinto muito burra agora."
— Não tem problema... Era uma boa ideia, de toda forma. Mas pode ser que eu esteja enganado. É uma pena que ela não esteja mais aqui. Só assim poderíamos comparar.
— Então o meu único orgulho está nesse lixo de corda.
— Já é alguma coisa.
— Realmente, orgulho não tem tamanho. Então, o que fazemos?
— Boa pergunta... A verdade é que eu estou tão perdido quanto você. Se eu pudesse pelo menos enviar o Schwarz até a Miiko.
— Star Wars?
— Sim, é o meu mascote.
— Você tem um mascote chamado Star Wars?
— É Schwarz. ¬¬
— E cadê ele?
— Eu o enviei para uma missão de reconhecimento. Ele voltou só uma vez durante a nossa viagem, mas você estava dormindo.
— Tendi... E quando volta?
— Ééé... Não sei.
— Espera aí. Você manda o mascote pra uma missão sem saber quando volta? Nem eu sou tão irresponsável assim com o Senpai.
— Não. Além disso, ele sempre se atrasa.
— Tal dono, tal mascote. Nem vou comentar do meu Senpai.
— É uma pena que eu não possa pedir ao seu mascote para ir até o Q.G.
— Não faria diferença, ele se perderia no caminho. "Inútil." ¬¬
— Eu não acho que ele seja suficientemente maduro para ter um bom senso de orientação.
— Exatamente. "Inútil."
— Nós temos que esperar o Schwarz, o que pode levar uma hora como dois dias...
— Um mês, um ano... Uma vida... E o abrigo? Os kappas não são do programa Minha Casa Minha Vida.
— Não podemos contar com eles, com certeza.
— E então, vamos dormir nas selvas?
— Eu estou acostumado a dormir no chão durante minhas missões. Então não vejo muita utilidade em perder meu tempo construindo uma coisa que vai servir apenas para uma noite.
— Aí que se engana, meu amigo. Não sabemos quanto tempo ficaremos aqui. u.u Me empreste sua força.
— Veremos... Se você me ajudar a procurar um pouco de comida, eu aceito.
— Feito._ sorrio, logo apertando sua mão.
E então, eu comecei minha busca incessante por qualquer tipo de comida enquanto o filhote de lobo tentava implorar ajuda aos kappas. Durante minha incrível jornada, encontrei o que parecia ser um broto de bambu e, infelizmente, cogumelos. Sim, eu ainda estou traumatizada.
— E aí? Conseguiu falar com os carinhas lá?_ perguntei ao moleque.
— Ainda não, estão muito ocupados. E por isso, sou obrigado a esperar uma audiência. Tenho certeza que me fazem esperar por nada.
— Crônicas de um cão solitário._ suspirei._ Eles devem dar uma coisinha, nem que seja um grão de folha. O mestre kappa nos ofereceu algo antes de tentarmos partir pro barco inexistente, lembra?
— Ah, é verdade. Estava com pressa então não percebi.
— Nenhum tipo de oferta que envolva comida me escapa. u.u Enfim, achei algumas coisas que talvez possam nos ajudar a sobreviver.
— Deixa eu ver._ lhe mostrei o broto e os cogumelos._ Raízes de bambu e... Uns cogumelos laccairites._ diz, fazendo careta.
— Fala que dá pra comer.
— Dá, mas o gosto é horrível. É enjoativo... Melequento... Nojento..._ joguei as coisas no chão e comecei a caminhar.
— Procura você agora, porra.
— Podemos ficar com o broto de bambu. Lembra onde encontrou eles?
— Sim.
De repente, parecia estar acontecendo uma treta no meio do vilarejo. Ouvimos um alvoroço total, devia estar a maior baixaria.
— Ah, acho que o conselho terminou. Eu vou lá. Ah, sabia que existem cachoeira atrás do vilarejo? Você não pode entrar, mas acho que se fizer o contorno pode visitá-las.
— Eu não. Se não posso entrar não tem graça.
— Eu vou te esperar lá. Parece um ótimo lugar para acampar.
— Ah, então beleza. "Queria poder ver a treta do vilarejo, mas vou ter que me aguentar."
Com um objetivo em mente, caminhei pelas trevas do vilarejo para encontrar a cachoeira iluminada. Era um lugar bonito, dava pro gasto. E então, eu esperei. E esperei. E esperei.
— CADÊ AQUELE DOG DESGRAÇADO?!_ suspirei._ Aff, tô morrendo._ olhei para a cachoeira. A água estava tão convidativa._ Acho que um pouquinho não faz falta, né?
Mas vagalumes apareceram e me interromperam. Eram parecidos com os que me receberam quando cheguei nesse mundo de kitsunes e elfos malditos, então instintivamente procurei por um círculo de cogumelos. Óbvio que foi em vão, fiz papel de otária. E continuei esperando o dog de bosta.
— PUTA VIDA, ASSIM NÃO DÁ!_ me levantei indignada._ Fui.
Caminhei pela floresta das trevas procurando por materiais abençoados pelos Deuses. Ok, essa foi horrível. Enfim, estava procurando trecos pra fazer nosso abrigo. Havia encontrado folhas e uns pedaços de madeira, mas como estava no corpo da personagem e ela era aparentemente fraca e impotente, tive de optar por fazer duas viagens inúteis. Perdi 3 minutos de vida nessa brincadeira.
— Me pergunto o que o mozão está fazendo._ suspirei, largando as coisas no chão e me jogando na grama.
De repente, tudo ficou escuro.
— Que isso, porra? Morri?_ olhei ao redor, tentando enxergar algo. Logo, uma voz começou a falar de fundo._ Caralho, parece trabalho de escola mal feito. ¬¬
E a voz falava basicamente que eu ia poder xeretar a vida de alguém enquanto estava presa na floresta das trevas e que isso podia mudar a opinião do meu mozão sobre mim.
— Virou Reality Show agora?_ no meio do nada, surgiram três nomes. Eu me foquei em um, sorrindo com satisfação._ Vamos ver o que essa puta fala de mim. Escolho a Geléia.
— Não existe essa opção.
— PORRA, É A ÚNICA PUTA QUE TEM GUELRAS!
E assim, eu tomei controle de seus olhos. Só seus olhos mesmo, porque o mais interessante eu não podia fazer. Pelo menos eu poderia encarar a bunda do mozão sem problemas.
— "Hum... A Miiko me convocou para ir até a sala do cristal... Por que será?"_ a piranha pensava.
— Vai descobrir muito ficando aí, vagabunda. ¬¬
— "Eu espero que não seja por conta do desaparecimento do mel... Ela não pode ficar sabendo disso."
— Que decepção. Agora rouba até comida.
Ela foi até a Sala do Cristal, onde encontrou a kitsune.
— Ah, você chegou! Só estávamos esperando você...
— "Olha só, eu não estou sozinha."
— Você se preocupa com isso, meu anjo? Você chegou atrasada!_ falei internamente. Infelizmente, meus maravilhosos comentários não alcançam ninguém.
— Ahhaha, me desculpe! Espero que vocês não tenham esperado muito!
— Não se preocupe..._ se pronunciou a enfermeira Ewelein.
— "Oh... A Ykhar me parece ainda estar nervosa, sapateando o chão desse jeito. Pfff..."
— Mano, que vagabunda! Alguém dá um tiro nela, por favor!_ cruzei os braços, indignada com o comentário sobre a coelha.
— Por que você convocou essa reunião?
— Pra por você pra fora! Fala isso, Miiko. Fala!_ falei, de saco cheio.
— O Chrome ainda não enviou o relatório... Até o final dessa manhã, nós deveríamos ter estabelecido comunicação e até agora eu não tenho nenhuma notícia dele.
— Mas o sol já está se pondo..._ disse a coelha, assustada.
— Sim, é verdade!_ disse a piranha, afirmando o que já era óbvio.
— Que perspicácia, meninas!_ disse Ewelein, soltando um veneno que eu não conhecia.
— Calma aí, essa é sua verdadeira face?_ indaguei, surpresa._ A gente vai se dar muito bem, garota!_ sorri.
— Acho que agora estamos conhecendo-a melhor..._ disse Ykhar.
— Eita porra, treta na Sala do Cristal! Cadê minha pipoca?_ sentei onde estava.
— Meninas!_ e a kitsune cortou o barato._ Concentração! Eu não quero repetir a mesma coisa cinquenta vezes. Obrigada.
— Me desculpe...
— Já faz quanto tempo que você não tem notícias do Chrome?_ perguntou a coelha.
— Dois dias... Ele deveria me dar notícias a cada quarenta e oito horas.
— Ele deve estar perdido!
— Isso mesmo, A Geléia! É a sua hora de se mostrar útil e dizer o quanto estamos fodidos nessa ilha!
— Eu não sei, mas não podemos esquecer que havia aquela humana... Como ela se chama mesmo?
— Acsa. ¬¬ _ respondi por impulso.
— Acsa._ respondeu a himedere.
— Você sabe que ela é uma faeliana.
— Sim, o Ezarel me disse. Mas eu acho que ainda não conhecemos o seu tipo de mestiçagem, não é?_ indagou a enfermeira.
— E que porra importa se sou descendente de mágicos? Eu tô morrendo, caralho!
— Não, e apesar das minhas várias pesquisas eu não tenho nenhuma pista!
— Vão dar uma de Xeroque Homes agora que eu tô quase falecida, suas retardadas? ¬¬
— Vai dar certo, Ykhar. Você é muito inteligente e com certeza vai encontrar alguma coisa._ disse a puta, em uma tentativa de motivação.
— Hum hum..._ interrompeu a raposa.
— Obrigada por trazer ordem ao recinto, himedere-sama._ agradeci.
— Eu gostaria que vocês se comprometessem com as buscas...
— Buscas? Que tipo de buscas?
— Me parece que alguém viu o mascote do Chrome por aí. Tentem perguntar para todo mundo. Talvez alguém o tenha visto, ou saiba onde ele se encontra...
— Com certeza nós podemos enviar uma mensagem para o Chrome falando das nossas preocupações, não?_ sugeriu brilhantemente a Ewelein.
— Isso, aí a gente continua se fodendo na ilha! Brilhante ideia! Tô duvidando da esperteza dessa garota.
— Sim._ a kitsune concordou.
— Peraí, como é que é?
— Sem problemas, nós vamos cuidar disso!_ afirmou a piranha, sorrindo.
— Vocês vão nos deixar morrer e mandar só um "Sentimos muito"?!
— Obrigada! E eu tentarei contactar a tribo dos kappas.
— Ah, ufa. Já tava perdendo as esperanças em vocês._ suspirei aliviada.
Então quando a reunião finalmente acabou, todas foram correndo fazer o que lhes foi pedido. E eu, comecei a seguir a piranha, mesmo sem querer. Foi um tédio. -.- Enfim, encontramos Ykhar do lado de fora. Ela estava falando sozinha, como uma doida. Geléia decidiu então continuar seu caminho sem olhar para trás, sem arrependimentos. Desculpa, não resisti. Vamos continuar. A melhor parte vem agora, onde encontramos...
— "Ai caramba... Ele está novamente conversando com uma moça bonita..."
— Quem essa baranga pensa que é?! Se afasta! E você também, mozão! Faz alguma coisa, Geléia estragada!_ reclamei sozinha.
— "Ele ainda não perdeu esse hábito, apesar do fora da Acsa."
— Foi um esquema! Meu, ele não entendeu mesmo?
— Alajéa... O que você está fazendo por aqui?_ aquela voz penetrou nossos pensamentos.
— Bem... estou em busca de informações para a Miiko._ a piranha sorri sem graça.
— Aaaaaah, já vi que você ganhou mais responsabilidades. Muito bem!
— Hahaha... "Caramba, já estou vermelha..."
— Pode parar! Que climinha é esse que estou sentindo? Tem cheiro de safadeza!_ reclamei.
— E-eu... Você viu o mascote do Chrome, por acaso?
— Não, por que você está me perguntando isso?
— Nós nunca mais tivemos notícias deles, desde que eles partiram.
— Ele ainda está perdido.
— A Miiko acha que sim... Mas nós gostaríamos de enviar uma mensagem para ele através do seu mascote, se ele aparecer.
— É uma boa ideia. Eu estou super cansado!_ me joguei para trás, surpresa com o que ele falou.
— Traz o caixão, Geléia._ disse.
— Ah, é... É verdade que você viajou para cumprir uma missão. Como foi? Você conseguiu achar o que procurava?_ indagou a sereia.
— Foi cansativo, mas valeu a pena. A Miiko ficou mais do que contente com o meu achado.
— Caramba!
— E agora eu tenho que escrever o tal relatório... Eu odeio essa papelada.
— Você quer ajuda?
— Ei! Foco, piranha! Primeiro, ele é meu. Segundo, eu tô morrendo, porra!_ falei sozinha, indignada, enquanto estava sentada de braços cruzados.
— Você? Me ajudar?_ ele sorriu meio irônico.
— Hum... Sim.
— Essa até eu senti._ olhei para baixo, com a mão na testa.
— Não, obrigado... A Ykhar já se disponibilizou para me dar uma mão.
Enquanto A Geléia ia embora, um pouco abatida, eu suplicava pela ajuda do meu mozão. Óbvio que eu dei aquela olhadinha na bunda dele sem nenhuma culpa antes de ir, ninguém podia me ver mesmo. Aproveitei bem a visão.
— Espero que a gente encontre alguém que faça diferença dessa vez.
— "Hum..."
— Mas que bela merda._ suspirei, encontrando o platinado a nossa frente.
— Com licença, você viu o Floppy?
— Ah, não vi não, me desculpe._ respondeu a puta.
— "Floppy? Que porra é essa?"
— Caramba... Bom, eu vou continuar a procurá-la então.
— Espera Valkyon, eu gosta... "Tarde demais, ele se foi..."
— Caralho, mas você é burra viu? Ah, foda-se. Ele é inútil também. Espero que tenhamos mais sorte no próximo.
— Ohh! Ezarel, é você!_ gritou a piranhona.
— Puta que pariu._ suspirei, batendo a mão na testa.
— O que você ainda quer comigo, hein?
— Caralho!_ olhei, surpresa.
— "Ainda? Mas eu nunca pedi nada antes..."
— Bom... A Miiko não tem notícias do Chrome e da Acsa...
— Esquece esse daí, Geléia. Vou morrer se depender dele. ¬¬
— É impressionante..._ respondeu o azulado, sem nenhuma empolgação.
— Você viu? Ela me pediu para encontrar informações. Ela me deu uma verdadeira missão!
— Legal... Mas como eu posso te ajudar?
— MORRENDO, SEU FILHO DA PUTA!!!_ tossi, me recompondo._ Desculpa, me empolguei.
— Me desculpe, é que eu estou tão feliz!!! A Miiko é realmente um amor!
— Eu não acho, mas beleza._ me deitei no chão, coçando minha cabeça.
— Não é o que você dizia hoje de manhã.
— É que ela me acusou injustamente pela história do mel! Eu só perdi um pouquinho e...
— PUTA, VAGABUNDA, MENTIROSA, FALSAAA!_ tossi, me recompondo._ Desculpa, pela segunda vez.
— Olha Alajéa, eu não quero me meter nas suas histórias. Elas não me interessam.
— TAPA NA CARAAA!_ aplaudi.
— Mas você é o meu chefe de guarda! Você deveria me defender, não?
— Eu sou o seu responsável, é verdade. É a mim que você deve explicações, caso você faça uma besteira enquanto membro da Guarda Absinto. Agora, esse assunto faz parte da Guarda de Eel, ou seja, ele está fora das minhas responsabilidades.
— "Pff... Esse daí está sempre se esquivando!"
— Tá é certo, que se foda. Se vira, piranha!
— Assuma as suas responsabilidades, Alajéa, eu não tenho tempo para cuidar de você._ o azulado foi embora.
— É assim que vocês tentam me salvar, seus cuzões?!_ reclamei.
Rodamos o Q.G. inteiro, até a outra desistir.
— "Confesso que não sei mais onde procurar."
— E então Alajéa, por que você está fazendo essa cara engraçada?_ indagou o unicórnio.
— Oi?
— É retardada essa aí, Keroshana.
— Não sei... Você não me parece estar muito bem...
— Ah não, eu só estava perdida em meus pensamentos.
— Viu? É retardada._ conclui.
— Como sempre! Hahaha.
— Sim, pode acreditar!
— A Miiko não tinha te passado uma missão?
— Isso! Me salva, Keroshana!
— Sim! Ela te contou?
— Exatamente. Eu fico contente que você tenha recebido finalmente uma responsabilidade.
— Obrigadaaaaaa.
— E você, o que está fazendo? Nada?
— Não, eu estou ajudando a Miiko a estabelecer contato com os kappas. Eu tive que ir buscar duas ou três coisinhas..._ respondeu, meio indignado.
— E eu imagino que você não tenha cruzado com o Schwarz._ o unicórnio respondeu gesticulando com a cabeça._ Bom... bom trabalho, então!
— Pra você também._ ele foi embora.
— Vamos tentar né, Keroshana? Porque tá difícil aqui, mano. ¬¬
— Você está procurando o mascote do Chrome?_ brotou o loiro meio moreno, Leiftan.
— Sim, como você sabe?
— A Miiko me contou... Mas eu não o encontrei, se isso te interessa.
— Vaza, seu inútil! Vamo boa, Geléia.
— CARAMBA!_ gritou a biscate.
— É CARALHO, PORRA!_ respondi.
— Eu gostaria tanto de conseguir dar conta dessa tarefa...
— Pois é, a vida não é justa. Veja eu, por exemplo, fodida numa ilha de tartarugas.
— Eu não acho que o resultado seja importante nesse caso. Mas eu aprecio o fato e você querer estar mais atenta a esse tipo de coisa. Você merece reconhecimento.
— O-obrigada...
— Cuidado, Leiftan! Você pode ser atacado a qualquer momento! Ah, mas aí o mozão pode ficar em paz... Vai fundo, Geléia!
— Você deveria perguntar aos purrekos se eles não tem alguma informação sobre o mascote. O Purreru deve ter alguma resposta._ sugeriu o loiro.
— Sim, você tem razão... É isso que eu vou fazer!
De repente, eu voltei para o meu corpo de novo. Estava onde deveria estar, na ilha traumatizante. Nesse momento, lembrei que estava pensando no mozão antes de encarnar no corpo de uma vadia.
— "Será que eu volto inteira?"_ balancei a cabeça para afastar os pensamentos e comecei a montar minha nova casinha._ Vou fazer tipo casa da Barbie, vai ser meu castelo. Chrome que se vire.
— Acsa?_ a voz do moleque cachorro se faz presente.
— Agora que eu acabei você aparece? Já era.
— Foi super difícil conversar com todos os sábios. Mas agora deixa pra lá. Foi você quem fez isso?
— Não, foi o pirralho fedido do episódio passado. ¬¬ É, fui eu sim.
— Está ótimo! Eu vou acender o fogo e nós vamos cozinhar a comida.
— Se prepara que eu tô morrendo de fome.
— Vamos comer pepinos!
— Ah, melhor que nada né?_ dei de ombros.
— Sim, eles nos deram uma partezinha para nos ajudar.
— Lógico, quem vai querer cadáveres na ilha? Enfim, vamos comer logo.
— É verdade, mas nós não vamos ficar semanas por aqui... Pelo menos eu espero que não.
— Compartilhamos da mesma esperança.
Comemos mas foi como se não tivéssemos comido, ainda me sentia vazia por mais que enfiasse pepinos na boca. Não leve para o outro sentido, mente suja. Enfim, dormimos de barrigas vazias. No dia seguinte, o moleque me disse que o mestre nos convidou para ir o vilarejo. Já sabia que ia causar, porque nunca me viram e eles tem coisa com semi-humanos. Chegando lá, joguei meu cabelo para o lado enquanto via alguns fugindo e outros me olhando com frieza.
— Olha só, eles me adoram..._ sorri.
— Eu peço desculpas pelo nosso povo, mas...
— Tudo bem. Eu não ligo, meio que gosto._ sorri._ Enfim, por que nos fazer vir até aqui?_ o restante dos kappas foram embora, me encontrando sozinha com o mestre e o moleque._ "Uau."_ logo sinto algo pular nos meus braços.
— Hiiiiiiiii!
— Fedô!_ o abracei._ Fedido como sempre._ logo depois, o coloquei no chão._ Então, qual o motivo da minha vinda aqui?
— Ele._ olhei para o mestre e o fedô.
— Bom, realmente. Eu vim aqui por causa dele, mas não é isso que eu quis dizer._ olhei para o fedô novamente._ Será que perceberam que eu não sou uma pessoa má? Quer dizer, mais ou menos._ o ruivo me olhou quase rindo._ Tá querendo dizer alguma coisa?_ cruzei os braços.
— Ah nada... Nada mesmo. Eu juro.
— Por que o olhar irônico então?
— É que eu estou te julgando.
— Oi?
— "Ohhh, se ele gosta tanto assim de mim, eu tenho que ser gentiiiil."_ disse, imitando a voz de uma princesinha.
— Nossa mano, vai tomar no cu. ¬¬
— "E eu adoro flores e borboletas!"
— Vai se foder!
— "Ooh, me perdoe!"
— Você fica melhor assim do que como vira-lata.
— Ei!_ o ruivo reclama, enquanto eu rio.
— Hum..._ o mestre nos interrompeu._ Eu entendo, eu e a minha anaê éramos do mesmo jeito.
— Você quis dizer aneue, né? '-'
— Não, é a minha esposa.
— Eita porra, sabia dessa não. Vou até anotar.
— HEIN?! Nós não somos..._ minha ficha caiu assim que o ruivo se explicou.
— Peraí, era isso que você tava querendo dizer? Eu já tenho dono, senhor. u.u Enfim, por que nos chamou aqui?
— Os outros membros do conselho e eu fizemos várias perguntas ao pequeno sobre o seu sequestro.
— "Por que não o chama de fedô? Esse é o nome dele."
— Ah é? E o que vocês descobriram?_ perguntou o ruivo.
— Ele não se lembra do lugar onde ele e os outros kappas ficaram trancados...
— Mas ele viu o rosto do safado?_ indaguei.
— Ele não viu o seu rosto, mas foi uma mulher.
— Ah, então é uma vadia vagabunda.
— E como ele pode saber, se ele não viu a tal pessoa?
— O seu cheiro. Ele nos disse que era muito similar ao seu, Acsa.
— Só um momento que eu vou arrancar o nariz de um certo fedô._ me preparei para ir, mas o ruivo me impediu.
— Sei que não foi você, fique tranquila. O "fedô" mesmo nos afirmou que não era o seu cheiro, mas que era um cheiro parecido com o seu.
— "Isso, agora tá certo."
— Você pode nos dizer no que os cheiros se pareciam? Humano? Faeliano? Faery?
— Impossível determinar. O pequeno é muito jovem para distinguir esse tipo de detalhe.
— Tudo bem... Entendi. Obrigado pela informação. Mas não é isso que vai nos ajudar a ir embora daqui.
— Olha, eu tenho que concordar. Mas, dizendo de forma mais gentil, por favor nos helpa.
— Pois saiba que você está errado, jovem lobo._ retrucou o mestre.
— Opa, como assim?_ perguntei, curiosa.
— Eu ainda não terminei de dar todas as informações. Eu vou ter que fazer uma viagem para uma ilha que fica a um dia à nado da região de vocês. Se vocês quiserem, eu posso levá-los até lá e a partir daí vocês deverão encontrar uma maneira de fazer o trajeto entre a ilha e a casa de vocês...
— Peraí que eu vou encarnar a Geléia de novo pra resolver essa porra._ me deitei no chão.
— Você não pode nos deixar diretamente em casa?
— Seria um prazer, mas eu não estou autorizado a ultrapassar esse território.
— Traduzindo, ele não está a fim. '-' Calma que eu já vou conseguir contato com a vadia dos mares.
Então, como meu contato estava demorando muito, decidimos discutir uma forma de voltarmos por nós mesmos. Mas nossos cérebros juntos não ultrapassavam o Q.I. de 10.
— Bom... acho que a solução é conseguir ir nadando até lá.
— Hunf, só se a gente tiver uma calda igual a da piranha._ revirei os olhos. Ambos me olharam sérios depois disso._ Foi uma piada. Não precisam rir mas não me olhem assim. ¬¬
— Excelente ideia!_ o ruivo me elogiou.
— Peraí, é sério?
— Realmente, grande parte dos ingredientes necessários para a preparação de um filtro de syrenomagia podem ser encontrados aqui._ o mestre colocou uma mão sobre o meu ombro e outra sobre o do ruivo._ Vocês encontraram uma ótima solução, crianças. Boa sorte._ e se foi.
— Mas olha que palhaço._ cruzei os braços, indignada. Logo, o moleque também se vai._ Ah, mas vocês são muito lindos, viu?!_ corri atrás dele.
— Você não vai começar a fazer a sua poção?_ indagou, percebendo o quanto eu o perseguia.
— Oi, tudo bem? Eu vim da Terra, não conheço as poções de vocês. ¬¬
— Não é complicado. Você precisa de raízes de hera branchiflórica, bolhas peroladas e finalmente... Um elemento vital de uma criatura da água.
— Fedô! Vem fazer xixi, chegou a sua hora!
— Bem, agora pode se virar sozinha.
— Bem amigo você, né?
— Quem sabe preparar poções? Eu! Quem vai preparar a sua poção? Eu! Viu? Já estou ajudando.
— Conversa fiada. ¬¬
Comecei a buscar os ingredientes que o moleque vira-lata havia me passado, quando acabei me encontrando com o fedô.
— Você de novo? -.-
— Hiiiiii!
— Animado como sempre._ tampei os ouvidos enquanto o pivete gritava.
— Acsa._ destampei o meu ouvido assim que o ouvi me chamar.
— O que é, pirralho fedido?_ sorri.
— Hiiiii!
— ERA SÓ ISSO? SAI DAQUI!_ suspiro._ Ainda tenho que achar um monte de troço._ depois desse lamento, retornei a minha busca.
Depois de alguns minutos sem achar nada, encontro um cão abandonado tomando sol no meio da praia. Me coloquei em frente ao sol, o fazendo abrir os olhos.
— Tá achando que isso aqui é Guarujá?
— O quê?
— É isso que ouviu, moço. E a poção pra virar uma vadia com guelras?
— Eu já encontrei tudo._ responde sorrindo.
— Oi? "Eu fui deixada para trás, me sinto abandonada. Isso me lembra os trabalhos em grupo." E o elemento vital?
— Ah, isso? Eu cuido disso essa noite. Antes eu não posso.
— "Que elemento vital ele tá pensando em pegar?" Esse corpo aqui já tem dono, ouviu?
— Do que você tá falando? ¬¬ _ ele me olha confuso.
— Vai aproveitando o seu sono de beleza sob o sol enquanto eu vou procurar o elemento vital.
Perto da cachoeira onde construí meu abrigo, encontrei os vagalumes novamente. Me perguntei se eles não tinham algum ninho lá perto.
— "Poderia até ser, mas não achei nada ontem..."
— É porque eles escondem a visibilidade de suas residências à todos aqueles que podem ser uma ameaça._ o mestre surgiu de repente, respondendo algo que eu não tinha nem dito. Dei um pulo para trás, surpresa.
— "Caralho, ele pode ler mentes?!"
— Não se espante, estava apenas falando com eles sobre a sua visita.
— "Ah tá, normal. Ele fala com seres mágicos mas não consegue ler mentes."
Bom, já tinha tudo na mão. Menos a tal de energia vital. Estava pensando se deveria arrumar isso do mesmo jeito que o Chrome, mas achei melhor não. O Nevra não estava lá, afinal. Então, fui fazer um apelo as criaturas mágicas que o mestre tinha contato. Me agachei perto da água da cachoeira quando ouvi um barulho atrás dos arbustos.
— Se não for o mozão, pode ir vazando._ coloquei os pés na água.
— Acsa._ o pirralho me chamou.
— Porra, você outra vez?
— Poção.
— Isso mesmo, estou vadiando porque não consigo uma simples energia..._ olhei para o fedô, que sorria._ ... vital. VOCÊ!_ me levantei bruscamente, apontando para ele e sorrindo.
Sem nem esperar, o fedorento colheu uma flor em forma de vaso e pegou um pouco de sua água.
— Se você morrer, eu não tenho responsabilidades, entendeu? Chega de tomar no cu._ ele balançou a cabeça e se foi._ É assim que eu gosto._ sorri, pegando todos os ingredientes e partindo em busca do vira-lata sem dono.
— Terminou seu tratamento de beleza? Eu acabei de achar tudo.
— Tenho uma boa notícia: o Schwarz voltou.
— E aí? Fala logo!
— Não mandei o relatório, estava esperando você terminar sua poção.
— Se não tem novidade, então nem começa. Caralho.
Voltamos para a cachoeira para preparar a poção.
— Assim que a poção estiver pronta eu vou chamar o Mestre Kappa. Espero que não seja tarde demais para pegar carona com ele.
— Ele não é doido de fazer isso. Já tô bem puta.
O ruivo sugeriu que eu fosse dormir enquanto ele preparava a poção. Ele não precisava nem pedir, já estava babando enquanto sonhava com o mozão. Ele escreveu algumas coisas para a Miiko e chamou o seu mascote para enviar. Fiquei um pouco surpresa, já que pensava que ele não queria nada com nada da vida, como eu. Mas, até que nos demos bem. Depois disso, cai em coma profundo. Logo depois, com algumas piscadas, enxerguei a Sala das Portas.
— Meu Deus, eu tô aqui mesmo?_ sorri.
— "Bom, é melhor eu ir atrás do Purreru."_ ouvi o pensamento da vadia.
— NÃO!! Por que eu voltei pra cá?_ coloquei as duas mãos na cabeça, sofrendo.
— "Qual que é mesmo?"
— A IMBECIL NÃO SABE NEM QUAL É A PORTA! Puta que pariu..._ coloquei a mão na testa.
— "Olha, tem dois purrekos conversando... Eu vou lá falar com o que está usando um cachecol." Com licença, eu procuro o Purreru, é você?
— Errou feio. -.-
— Eu pareço ser um gato?_ perguntou a criatura que parecia um gato.
— É... Bom... Parece, sim.
— Eu sou uma gata! Uma GATA! Olhe meus longos cílios, minhas curvas delicadas, meu pelo sedoso.
— "... Eu não sei nem o que dizer..."
— Só fica quieta, pelo amor do Oráculo._ concluí.
— Você não sabe nada._ e foi embora, a GATA.
— Pisa mais que ainda tá respirando aqui._ eu disse, deitada.
— "Eu fiquei alguns minutos sem saber o que fazer."
— Que tal se matar?
— C-com licença senhorita Alajéa..._ a voz fofa do Purreru se fez presente._ Disseram-me que me procurava.
— Você é o Purreru?
— Não, é a Miiko quando acaba de acordar! Puta merda, viu..._ bati a mão na testa.
— Sim.
— Sim, eu te procurava! Eu preciso saber se você viu o mascote do Chrome.
— É um chestok?_ perguntou o gato.
— Eu não sei, nunca o vi...
— Porra, aí você fode._ reclamei.
— "Por que eu esqueci de perguntar isso pra Miiko?"
— Porque você é uma imbecil retardada. Aceita, vadia!
— Acho que sim. Sim, é ele, sim! Mas eu não sei onde ele está, eu não o vi..._ disse o Purreru.
— Droga...
— Mas eu acho que escutei o Purral mencionar uma informação quente.
— O Purral?
— Quem é esse povo que só tem nome com p, gente?_ me pronunciei.
— Sim, é um dos membros do nosso grupo, ele está sempre com uma trouxa de roupas...
— Um gato ruivo? De olhos estranhos?
— S-sim...
— Eu sei quem é! Ele é muito fofo!_ a baranga sorriu.
— Claro, todo mundo é fofo pra você._ revirei os olhos.
— Ah ah...
— Eu vou atrás dele. Obrigada, Purereru!
— Errou, sua imbecil!_ reclamei.
— É Purreru.
— Desculpe... Você sabe onde eu posso encontrar o Purral?
— Não, ele acabou de partir.
— Puta que pariu..._ bati a mão na testa.
Enquanto a otária procurava pelo Purral, encontramos alguém que não fazia realmente a mínima diferença naquele momento.
— Eii!!!_ gritou um pirralho já conhecido por seu escândalo.
— Oi Mery, tudo bem?
— Sim, e com você?
— Muito bem, o que você está fazendo aqui, tão longe da sua casa?
— Mamãe disse que eu podia passear com Bebê Danalasm, se eu quisesse.
— Estou vendo... Bom, até mais tarde, então.
— Tchaaaau!!
— Viu? Eu avisei. Essa conversa mudou meu dia._ revirei os olhos.
— "Eu realmente preciso achar este gato."
— Só se deu conta disso agora, sua retardada? ¬¬ _ logo, um bocejo muito sexy me tira do meu humor negro._ Mozão...
— Você conseguiu descansar um pouco?
— Na verdade não, eu encontrei o Jamon e ele precisava de uma ajudinha... E não dá para recusar ajuda à aquele cara.
— Ah, é? Por que você diz isso?
— Você se lembra do tamanho dele?
— Sim, mas isso não te impede de dizer não quando você não quer fazer algo.
— Você já enfrentou ele?
— Não, mas eu tenho certeza que o faria!
— Ah tá._ cruzei os braços, descrente.
— É isso._ o moreno disse sorrindo._ E você conseguiu encontrar o mascote do biquinho branco?
— Na verdade não... Eu não sei muito bem onde procurar.
— Bom, eu espero que tenhamos notícias da Acsa, muito em breve.
— Por que você se preocupa tanto com ela?
— Porque ele me ama! Dois beijos pra sua friendzone!_ joguei o cabelo para o lado.
— Por que não?_ ele a olhou sério.
— Eu não sei... Depois de todas as coisas horríveis que ela falou pra você...
— Hmm?
— Ela foi muito malvada, eu não teria gostado nada de ouvir o que ela disse.
— Ah é? Foda-se. ¬¬
— Escutar o quê?
— Ué, que você é um grosseiro que flerta com tudo o que se mexe e que ela estava muito contente por ter te ignorado.
— Ela não disse nada disso!
— Sim, ela disse!
— Treta!! Arranca as guelras dessa vagabunda, mozão!
— Você estava com a gente quando tudo isso aconteceu ou você só está dizendo o que ouviu por aí?
— Me disseram...
— Então trata de se calar, que puta não tem o direito de falar._ sorri.
— Pronto! Você é bem legal, mas agora você deveria calar a sua boca.
— Nevra, eu...
— CARALHOO!!! PRECISO GRAVAR MAS NÃO DÁ, QUE PORRA!!!_ reclamei sorrindo, pela primeira vez.
— Alajéa, eu também gosto de fofoca, mas sem deformações.
— Eu... Eu... "Ele partiu sem dizer mais nada. Eu acho que toquei em um assunto delicado. Não deveria ter feito isso."
— É, você vacilou. Mas tá tudo certo, você só vacila mesmo._ dei de ombros.
— "Eu senti uma presença atrás de mim."
— Caralho, é um estuprador!!_ me virei instintivamente.
— Jamon precisar ajuda. Alajéa ajudar.
— Ah, é só um toucinho. '-'
— Bem que eu gostaria, mas a Miiko me passou uma missão e eu...
— Jamon não fazer perguntas.
— "Porra, ele realmente consegue o que quer."_ pensei.
E assim, fomos arrastadas para a despensa. Logo, ele pegou um machado e começou a caminhar
em nossa direção.
— ESPERA, JAMON! Eu posso ter te chamado de javali com pernas e outros adjetivos, mas não precisa fazer isso! Ah, mas pode ser que eu não morra... Mas também pode ser que eu morra._ dei uma pausa curta._ PIEDADE!!
— JAMON! O que você está fazendo? Por que você está avançando assim para cima de mim?
— MATE A ELA MAS ME POUPE!!_ supliquei.
— JAMON!_ gritou.
A corajosa começou a chorar antes de mim, quando o javali entregou o pedaço de metal nas mãos dela.
— O- O- O que você quer? Eu... eu...
— Agora é a sua chance! Arranque a cabeça dele, Geléia!_ sugeri.
— Você comeu mel. Então você trabalhar para pagar.
— Mas eu não comi...
— Não mentir para Jamon. Jamon saber tudo.
— Uau, o olho que tudo vê._ fingi surpresa.
— "Eu preferi não reclamar e resolvi trabalhar durante mais ou menos uma hora sob o olhar severo do ogro..."
— Se minha vida dependesse dessa vadia, eu tava era morta._ suspirei.
— Posso partir?
— Sim.
Finalmente fomos libertas e continuamos nossa busca. E então, conseguimos encontrar o Purral.
— Você é o Purral?
— Sim, por quê? O que você quer de mim?
— Nossa, tá parecendo o Ezarel mais cedo..._ fiz cara de nojo.
— Me disseram que você sabia de uma coisa!
— Uma coisa? Eu sei de muitas coisas. Eu sou um cão de guarda no que diz respeito a novidades, meu peixinho.
— Olha, isso ofenderia qualquer um, vindo de um gato. '-'
— O gatinho, um todo tímido, me disse que você tinha uma "informação quente".
— Eu tenho muitas "informações quentes" minha querida. É muito vago isso que você me diz.
— Hum... Bom, a Miiko me encarregou a tarefa de recolher informações respeito de dois membros da nossa guarda que desapareceram... E parece que o mascote de um deles está nos arredores...
— Eu vi duas pessoas nos arredores.
— Ah, é?
— Um pequeno todo magrelo e um outro maior, mais gordo... Stan e Oliver, eu acho. Foi assim que eles se apresentaram.
— Não são eles que eu busco.
— Eu sinto muito, mas eu só vi esses dois.
— Não tem problema. "E agora? O que eu vou dizer pra Miiko?"
— Que você é uma inútil! É sério? Então ele nunca viu o mascote desde o começo?_ suspirei, tentando manter a calma.
— Hei! Mas eu ouvi dizer que um mascote passeava perto do QG.
— É disso que eu tô falando!_ apontei para o gato.
— Você sabe como ele era?
— Ele era preto, pequeno. Acho que era o mascote daquele lobinho.
— Você está falando do Chrome?
— Sim, aquele garoto que comprou uma bússola minha outro dia.
— Onde você viu esse mascote?
— Perto da toca.
— Muito obrigada! Eu vou correndo ver se ele ainda está lá.
Chegamos perto da toca, mas não tinha nada lá. Derrotada pela sua incompetência, a safada dos mares decidiu voltar para o QG. Mas, no caminho, ela encontrou bichinhos e começaram a brincar.
— Espera, você não seria o Schwarz?
— Sério, que nome tosco. ¬¬
— Grrrrrrrr!_ o mascote do cãozinho tinha um pedaço de papel com uma mensagem.
— Vem, bolinha, vamos ver a Miiko!
— Grrr...
De repente, alguém me acorda com um grito.
— Hei, acorda! Vamos Acsa! O vovô não vai nos esperar por muito tempo._ era a voz do lobo solitário.
— Ahhh, mas que carai._ me estiquei.
— Eu terminei de preparar a poção ao nascer do sol e ele já está pronto para partir.
— Que cedo... Merda._ me levantei, bocejando.
— Sim, ele adiantou os seus projetos. Segundo ele, a viagem será mais longa conosco e por isso nós precisamos sair mais cedo.
— Ah, manda ele cagar._ respondi, coçando os olhos.
— Olha, eu não quero entender o motivo. Nós temos a poção, nós temos alguns mantimentos e
nós temos a chance de voltar ao quartel general.
— É né, fazer o que? Aquele lugar é a única coisa que posso chamar de casa, por enquanto. Vamo embora que não aguento me sentir menor do que já sou no meio dessas folhas.
— Ok, encontre-nos na praia._ ele disse, sorrindo, logo partindo.
Comecei a arrumar as minhas coisas, não era muito, mas não podia deixar ali. Nesse instante, me perguntava como voltaríamos. Se daria tudo certo e eu voltaria inteira para o mozão. Mas balancei a cabeça, tentando ser positiva pelo menos dessa vez. E então, eu fui ao encontro deles.
— Uau, é uma carapaça de tartaruga gigante!
— Ah é? Eu pensei que fosse uma cenoura gigante!
— Se fosse, não seria a sua né? ¬¬
— Por favor, tomem os seus lugares._ se pronunciou o mestre._ Não se trata de uma carapaça de verdade. Mas sim de uma de nossas obras em homenagem ao nosso povo.
— Cara, isso é muito lindo._ sorri, observando mais uma vez.
— As suas perguntas podem ser lidas no seu rosto, garotinha._ ele disse, sorrindo.
— Sabe, isso me incomoda um pouco... '-'
— Bom, e então Acsa, você vem?_ perguntou o ruivo.
— Não, eu vou ficar aqui. Essa atmosfera é melhor que a do QG._ suspirei._ É claro que eu vou, cão solitário.
Nós embarcamos naquele troço maravilhoso e começamos a pensar nas consequências e em toda a merda que essa situação causaria. Foi realmente motivador. Com a demora incrível, comecei a dormir de novo no meio da viagem. Acordei apenas pela manhã, encontrando o ruivo adormecido ao meu lado. Estávamos próximos da ilha em que continuaríamos sozinhos até o QG. Quando tentei me levantar, cai de cara na areia.
— Mas que porra..._ me sentei e comecei a massagear minhas pernas. Em seguida, voltei a andar._ Que cu de viagem, hein?
— Eu não te pedi pra dizer isso..._ o ruivo sorria.
— Olha, com todo o respeito pela gentileza do mestre, isso que acabou de acontecer nem pode ser chamado de viagem.
— É porque você não está acostumada.
— Mestre, no meu mundo eu ficava em pé na condução por mais de 3 horas pra pegar outra e ficar em pé por mais 4. Acho que já estou bem acostumada. Mas, bem, obrigada pela ajuda.
— Não há de quê!
— Bom, não acabamos por aqui, mas precisamos ir andando... Arf... E o Schwarz que não voltou ainda. Senhor Kappa, eu posso te pedir um favor?
— Qual?
— Se você encontrar com o meu mascote, dê a ele nossas coisas e peça a ele para transmitir essa mensagem à Miiko: "Nós chegaremos daqui... umas vinte horas", ok?
— Sem problemas. Eu desejo à vocês uma excelente viagem.
— Valeu, moço._ fiz um joia.
— É hora e entrar na água..._ o ruivo me olhou incomodado.
— Que foi? O filhotinho tem medo de água?_ provoquei.
— Bom... Nós vamos precisar... Enfim, você sabe..._ minha mente começou a processar lentamente.
— Vira pra lá! AGORA!!_ agarrei o moleque e o joguei para o outro canto.
— PRA QUÊ ISSO?!_ o ruivo gritou, do outro lado da ilha.
— FICA AÍ!_ comecei a tirar minhas roupas e me joguei na água de modo que me cobrisse._ Só um tem direito de ver esse corpo. u.u Anda, me passa a poção._ estiquei minha mão enquanto a outra cobria meus seios.
Comecei a beber a poção, ela tinha vários sabores. O mais gostoso era o de açaí, puta merda. Enfim, terminada a degustação, aguardava a minha transformação.
— E aí? Falhou?_ perguntei, me encarando. Poucos minutos depois, começou.
Minhas pernas se juntaram e se tornaram uma calda brilhante, linda e forte. Cara, eu com certeza daria uma surra naquela vagabunda com essa calda do caralho. Se não fosse pela terrível dor no pescoço.
— Mas que porra, tô com torcicolo agora?_ acariciei minha nuca. Logo, minha garganta começou a queimar então afundei minha cabeça na água, sentindo que estava me afogando._ O caralho que vocês vão me matar! Pode parar de brincadeira, seus sádicos!_ então, percebi que falava em baixo d'água._ Oh. '-'
Voltei para as margens da ilha para deixar minhas roupas com o mestre, em seguida procurei pelo ruivo. Ô moleque que dava trabalho. Mergulhei novamente no fundo, e encontrei o bichano já familiarizado com seu inimigo mortal.
— Mas já tá nadando assim?_ indaguei, indo atrás.
— É que eu preferia estar sozinho durante a transformação.
— Ah, entendi. É foda.
— Podemos mudar de assunto?
— Claro, sobre o que quer falar?
— Vamos!_ o ruivo nadou mais rápido.
— Me espera, cuzão!_ fui atrás, nadando na mesma velocidade._ Que filho da puta, mano. Me deixou pra trás nessa caralha.
E então, nadamos por horas. E horas, e horas, e horas... Continue a nadar, continue a nadar... Tá, parei. Pelo menos a água estava gelada, o que me deixava bem a vontade. Nadar com uma calda era mais difícil do que com os pés, mas ainda conseguia chamar a vagabunda para um fight.
— Espera, filho da puta.
— A gente precisa continuar... Antes que o efeito da poção acabe.
— Eu não quero parar de nadar, seu retardado. Eu quero que a gente vá junto.
— Foi a minha primeira vez também, e eu estou me virando... Tirando a parte da mutação, eu não estou achando isso tão difícil assim.
— Tá dizendo o quê? Que eu devia calar a boquinha e me foder sozinha?
— Certamente por eu ser mais feérico que você... E essa não foi a minha primeira experiência estranha!
— Foda-se! Me espera, caralho!
— Vamos, continue!_ o ruivo acelerou
— Se eu morrer, vou te assombrar pra sempre!_ ameacei, tentando segui-lo na mesma velocidade.
Depois de mais algumas horas, comecei a me sentir fraca. Mas ainda podia chamar a piranha pro fight. Enfim, estava perdendo minhas forças.
— Chrome... Estou ficando cansada, mas cansada tipo cansada mesmo..._ respirava ofegante.
— Eu também... Você quer parar para descansar um pouco?
— Vai dar tempo? Eu não vou morrer no meio do mar onde nunca acharão meu corpo?
— A gente não está muito longe e faz mais ou menos dez horas que a gente está nadando sem parar.
— Ei, isso é sério?
— Sim. Nós saímos hoje pela manhã e o sol já está se pondo.
— Mas caralho, eu tô muito boa então! É por isso que eu tô cansada, socorro.
— Ao tomar a aparência de uma sereia você pegou também algumas de suas capacidades. Elas não precisam comer tão frequentemente e logo, você também não!
— Mas a melhor parte da vida é comer! Então, que outras coisas podemos fazer?
— Eh... Na verdade... Eu não sei muita coisa além disso.
— Oh, porra. Então não começa, né?
— Enfim... Acho que nós não conseguiríamos dominar esses poderes assim tão rápido.
— Você não me conhece. Já joguei tantos jogos e dominei tantas técnicas...
Paramos por alguns minutos e jogamos conversa fora no meio do mar, cumprimentamos alguns peixes e observamos algumas flores marinhas. Foi realmente lindo, parecia filme. Voltamos a nadar não muito tempo depois, faltava pouco para chegar ao que eu chamava de "casa".
— Ei! O que você está fazendo? Vamos, anda! Nós não temos tempo para admirar a paisagem!
— Que paisagem, porra? Aqui só tem trevas e escuridão, igual a minha alma!
— Vamos! Se mexa mais!
— Tô tentando, não me apressa! Me espera, caralho!
— Eu estou aqui! Anda rápido. Os efeitos da poção não duram para sempre.
— Nem a minha calda! Sinto que vou ter uma epilepsia no meio do mar!
Não importava o quanto eu nadasse, não conseguia alcançar aquele ruivo apressado. Ele continuava a nadar, veloz. E eu lá atrás, quase morrendo. Nesse clímax tão esperado, voltei a encarnar a vadia dos mares. Ela estava falando com o Keroshana.
— "Deveria perguntar o que está acontecendo." O que está acontecendo com você, Kero?
— Nada, eu só fiquei bravo com alguém... E por isso não estou muito legal.
— Eu achei que você estava ajudando a Miiko à contactar os kappas.
— Sim, nós tentamos, em vão.
— Ah droga...
— Tenho nem forças pra retrucar mais..._ me deitei onde estava, observando o que a vadia via.
— ...
— Não fique triste por isso, ficar bravo com alguém e perder alguma coisa não é nada demais.
— Eu não gosto de ficar bravo com as pessoas.
— Acontece, é assim mesmo.
— Eu sei, mas isso me deixa mal do mesmo jeito.
— "... Eu estou me arrependendo de ter me interessado por ele, ele não para de reclamar!"
— Opa, espera! Essa eu tenho, essa eu tenho que retrucar!_ me levantei com dificuldade._ Parece uma pessoa aqui que reclama toda hora, uma com guelras de vadia. Pelo menos ele não fica dando em cima de ninguém ou sendo falso com os outros._ joguei o cabelo, logo me jogando no chão.
— Eu não tenho ideia de como eu posso resolver as coisas...
— Olha Kero, todo mundo tem problemas... Problemas muito mais graves que o seu "nós não somos mais amigos". Eu tenho uma missão importante para cumprir.
— VADIA, VAGABUNDA! Se não quer ajudar, não se intromete!_ gritei, deitada.
— Hum... T-Tudo bem.
— FROUXO!_ gritei.
— "Vamos, destino Sala do Cristal para entregar esse mascote para a Miiko!"
E lá estavam Miiko e Jamon. Ewelein e Ykhar também.
— Ah... Vocês estão aqui também...
— Sim, eu não encontrei nenhuma pista. Então eu percebi que não valia a pena continuar fazendo pesquisas infrutíferas._ respondeu a coelha.
— Eu também... Mas eu estou vendo que está longe de ser o seu caso._ disse a enfermeira.
— Sim, eu encontrei o Schwarz!_ respondeu a vadia, toda animada.
— É verdade?_ indagou a kitsune, surpresa.
— Sim, olha só, ele está aqui!
— Schwarz ter papel na cauda. O que ser?
— Acho que é uma mensagem para a Miiko._ respondeu a piranha.
O mascote se aproximou da himedere, que pegou o pedaço de papel.
— Hummm... o pequeno foi entregue... Boa notícia._ conversava sozinha enquanto lia.
— Ele diz se os kappas ficaram contentes?_ perguntou Ykhar.
— Eu acho que sim... Mas não há muitos detalhes. Eu acho que vamos descobrir mais coisas assim que eles chegarem.
— O que mais ele diz?_ perguntou Ewelein.
— Não acredito!!!_ chamas azuis se espalharam em volta da kitsune.
— Eita porra!_ me manifestei.
— O que foi?_ a vadia perguntou assustada.
— Não estou acreditando... Eu dei uma nova chance para ele, e ele me faz isso? Eu vou matar ele... Eu vou estrangular ele!!
— Volta, Chrome! Vamo voltar agora!!_ disse, tentando me levantar.
— Miiko?
— "Ela nos deu o papel." Ele conseguiu...
— Sim..._ afirmou a kitsune, brava para um caralho.
— Mas... Como ele pôde fazer isso?_ a coelha estava surpresa.
— Eu não sei... Ele disse que não tem explicação.
— Acho que ele vai ouvir bastante coisa ao chegar aqui.
— Hum..._ resmungou a raposa, emburrada.
— Fique calma, Miiko. Espere um pouco para saber como e o porquê de tudo isso._ sugeriu Ykhar.
— Humm...
— Tenho certeza que ele não fez isso de propósito._ afirmou a vagabunda.
— Tudo bem._ ela acabou se rendendo.
— O que mais ele diz?
— Eles encontraram uma outra maneira para voltar.
— Qual?!_ perguntou a coelha, parecendo bem curiosa. Eldarya News, anota aí._ Ele não disse...
— Porra, Chrome!_ reclamei.
— E eles chegam em quanto tempo?
— Dois dias, mais ou menos... Schwarz, faz quanto tempo que o Chrome te deu essa mensagem?
— Huuuuuu! Hu! Hu!_ gritou o bicho.
— Um dia?
— Ela entendeu! Como ela entendeu?!_ perguntei, sem entender nada.
— HU!
— Mais? Dois dias?
— Ela só tá chutando! Parece eu nas provas._ suspirei._ Eu vou morrer.
— HU! HU!
— Caramba!!!!!_ a do foguinho se exaltou.
— Isso quer dizer que eles podem chegar a qualquer momento... Alajéa, Ykhar e Ewelein... Eu ainda preciso da ajuda de vocês.
— Pode falar._ disse a puta, pronta pra ajudar.
— Obrigada... Vocês irão organizar as coisas para a chegada do Chrome e da Acsa. Eu acho que precisarei de vocês três.
— Ah, é?
— Eu não sei dizer o porquê...
— É a sua intuição? Está acontecendo a mesma coisa que aconteceu quando ela chegou?
— Sim...
— Ok... E o que devemos fazer?_ perguntou a Geléia.
— Alajéa, avise todos os que essa informação diz respeito.
— Mas esse é o trabalho da Ykhar normalmente, não?
— Não reclama e faz, caralho! Eu vou chegar aí morta!_ reclamei.
— Eu acho que dessa vez é melhor que a Ykhar se ocupe de buscar as rações e você de faz a informação circular.
— Mas, por quê?
— Mata ela, Miiko. Mata logo!_ ordenei, de braços cruzados.
— Mmmm._ o suíno fez a puta circular logo.
Bom, seguindo isso, ela contou pra todo mundo que interessava. Os líderes das Guardas, meu mozão, Keroshana e o loiro meio moreno ninja da aldeia da folha. E toda animada, ela foi para a Sala do Cristal.
— Eu fiz o que me pediu, Miiko.
— Já? Que bom.
— Sim, foi bem rápido na verdade.
— Está certo, disponha do seu tempo. Agora só nos resta esperar a chegada deles...
— Ok!
Assim ela fez, mofando em seu quarto lendo um livro usado. Então Chrome chegou, sem mim. Eu falei, aquele filho da puta... Ele havia avisado a kitsune que veio pela prisão, então o povo se juntou e me esperou lá. E então, eu desencarnei a Geléia nesse momento, tentando me encontrar no meio daquele mar. O efeito da poção estava acabando e eu estava me sentindo morta. Foi nesse momento em que eu estava prestes a afundar, que ele veio até mim e me salvou. Aquele gato do caralho me carregou, respirando próximo ao meu pescoço.
— Eu estou aqui Acsa, você está de volta.
— Eita, mas é agora que eu te beijo._ estava prestes a beijá-lo quando desmaiei.
Quando acordei, estava na enfermaria. Praticamente a Guarda inteira estava ao meu redor, me sentia sufocada.
— Coloque ela na cama. Saiam, meninos!_ ordenou a raposa.
— Mas, por quê?_ perguntou o moreno.
— Ela vai voltar a ser humana. Ela já perdeu as brânquias.
— Entendi. Estou saindo._ ele falou, apressado.
— N-não..._ queria retrucar, mas não consegui.
— E qual o problema?_ foi a vez do avatar maldito perguntar.
— Vocês sabem! Ela... Saiam, vai!
— Eu não vejo problema nisso. É apenas um..._ o platinado foi interrompido por mim.
— SAI, CARALHO! SE O NEVRA NÃO VAI FICAR, NINGUÉM FICA!!_ tossi muito depois de retrucar gritando.
— Não faça muito esforço, você ainda não se recuperou._ aconselhou a raposa.
Eu me surpreendi. Havia muito tempo que não falavam diretamente comigo.
— O mozão... quer dizer, o Nevra não pode ficar?
— Ele já saiu, você vai se voltar ao normal. Descanse um pouco._ a enfermeira se pronunciou.
— Droga..._ reclamei, emburrada._ E o que vocês ainda estão fazendo aqui?!_ me direcionei aos trouxas.
— Meninos, vamos embora..._ o loiro brotou.
— Ué, e essa agora? Desde quando tá aqui?
— Desde que você chegou._ me respondeu, sorrindo.
— "Puta merda! É real! Eles me entendem mesmo..."
— Saiam daqui!_ a kitsune, junto com as garotas, empurrou os trouxas para fora._ Ewelein, aplique uma injeção nela...
— Isso não tem cogumelos no meio, né? Não quero ficar mais doida do que já sou.
— Não, fique tranquila. Eu estava qua...
— ...fazer...iko...
— Porra, eu sabia que tinha cogumelos no meio! Já não entendo mais ninguém!
Logo, passei a não conseguir nem ao menos falar. Minha vista ficou turva e, por fim, desmaiei nessa caralha de novo. Ô porra, viu? ¬¬
Fale com o autor