Notas iniciais
Eeeei olá ~ Sim, consegui fazer mais um capítulo. Ufa. Eu estou prestes a voltar de férias e com certeza vou demorar muito pra postar novos capítulos, mas espero que continuem acompanhando porque sempre que puder vou atualizar. Quero agradecer todo mundo que continua lendo esse capricho meu. Até loguinho ♥

O cheira cu me olhou com uma cara estranha. Não que a cara dele fosse normal, mas tava pior.

— Acsa...

— Em carne e osso. Desembucha.

— Preciso falar com você sobre o relatório e tal.

— Aquele lá que deu B.O.?

— Esse mesmo.

— Deu outro B.O.?

— Não, eu só... queria me desculpar.

— Glória. Você foi bem idiota mesmo.

— E eu queria agradecer sobre o relatório que você escreveu.

— Ué, mas você... Chrome, seu danadinho._ eu sorri.

— Eu li._ deu de ombros.

— Ah, tá bom. Perdoado. Agora, se me dá licença, preciso ir tomar umas e ficar bem loca._ voltei a andar.


Eu caminhei até o lugar do rango, mas quando cheguei lá não tinha ninguém. Quer dizer, até tinha mas era tudo desconhecido feio. Olhei em volta, começando a me irritar.

— Ok, esses otários me deixaram de fora pra fazer uma festinha particular.


Andei o QG todinho porque isso não ia ficar assim, eu ia interromper o bebedeira com um escândalo se fosse preciso. Quando voltei pro lugar onde casais se pegam, o puto azul acena de uma das mesas.

— Você está atrasada.

— Vocês estavam brincando de esconde-esconde ou tem algum portal dimensional por aqui?

— Tá louca? Estamos aqui há uma hora te esperando.

— Nós estávamos aqui, não nos viu?_ o moreno perguntou.

— Ah eu vi sim, mas gosto de correr uma maratona pelo QG sempre que posso._ me sentei, bufando._ Eu quero a bebida mais forte que tiverem.

— Calma lá. Você já é de maior?_ protestou o platinado.

— Ah vai tomar no cu.

— Eu também quero beber. Você acha que aguenta?_ o elfo me olhou, desafiando.

— Mais do que você, com certeza._ sorri, aceitando.


Eu e o avatar maldito fomos pedir as bebidas mais fortes e voltamos para a mesa com duas bandejas. A maioria era para nós dois, o resto que se virasse. Nos encaramos com as bebidas nas mãos.

— No três. Um... dois..._ e o desgraçado azul virou o copo.

— Puto vadio!_ virei logo depois.


Só sei que a gente bebeu pra caralho e as bebidas não paravam de vir, foi bem louco.

— Você é um orelhudo viciado em mel!_ apontei pra ele, vendo três Ezarels.

— Pelo menos eu sei me cuidar sozinho._ protestou, corado de tanto beber.

— Ninguém pediu tua ajuda!_ tentei dar um soco nele, mas acertei o mozão._ Perdão, amor da minha vida!

— Nossa, alguém segura a Acsa porque ela é perigosa demais bêbada._ o moreno disse, massageando a bochecha. Foi um belo soco de direita.

— Acsa, se acalme._ o platinado tentou me segurar, mas eu chutei suas partes baixas.

— Todo mundo no chão, menos o puto azul! Eu vou matar ele agora!


No final, eu tava estrangulando o Naruto aposentado. Os três trouxas tiveram que me tirar de cima do cozinheiro e me escoltaram até o meu quarto. Eu passei meus braços pelo pescoço do Nevra antes de me deixarem na cama.

— Eu quero que você durma comigo.

— Quem sabe em outra ocasião?_ ele sorri e me dá um beijo na testa.

— Essa aí fica doidinha quando bebe.

— Fica quieto, Ez.


Eu dormi assim que fecharam a porta. No dia seguinte, eu acordei como se o Big Bang tivesse acontecido dentro da minha cabeça. Sim, eu estava de ressaca. Já era meio-dia, então resolvi fazer qualquer coisa pelo QG pra conseguir me distrair. No corredor, acabei encontrando a criatura que tava nas explorações.

— A coisa que marcou a árvore. Foi mal, esqueci seu nome.

— Cryllis. Qual é o seu nome?

— Esta bela dama se chama Acsa. O que tu tá fazendo aqui?

— Vou ficar aqui, já que não tem mais hamadríade pra queimar.

— Hamadríade boa é hamadríade queimada. Falou então._ continuei andando pelos corredores e então eu encontrei o mozão.

— Você parece indisposta. Dormiu bem?

— Dormiria melhor se você estivesse comigo. Eu to de ressaca._ digo, massageando as têmporas.

— Você lembra que me deu um soco ontem né?

— Foi um belo soco. Mas eu sinto muito, você sabe que era pro elfo maldito né?

— É né. Bebe leite da próxima vez.

— Eu nem vou falar o que eu quero porque o horário não permite, Nevra.


Então eu voltei a caminhar, massageando meus olhos fechados. Quando de repente, brotou.

— Acsa, bom dia. Você dormiu bem?

— Eu tô um lixo. Quer dizer, não tanto quanto você.

— ... você não bebe muito né?

— Não mesmo.

— Lembra que me bateu ontem?

— Lembro, mas não me desculpo._ voltei a andar, deixando o platinado pra trás.


Eu tava andando sem rumo, quando encontrei quem faltava encontrar. Aquele que tentei matar na noite anterior.

— E aí menininha, noite difícil?_ o maldito sorria com satisfação.

— Você me odeia. ¬¬

— Eu não, que isso.

— Odeia sim, certeza. Mas o sentimento é mútuo. Então, eu vou te matar agora. Já tamo na enfermaria mesmo._ eu parti pra cima dele.


O filho da puta utilizou de artimanhas que me afetaram. Eu tava de ressaca, então ele fez o quê? Começou a arranhar pratos, provavelmente roubados da despensa.

— O que você disse? Eu não te ouvi muito bem.

— Seu maldito..._ tampei meus ouvidos enquanto andava até ele.


Mas o desgraçado ficou andando de um lado para o outro com o prato na mão. Eu decidi sofrer com a dor de cabeça e esticar meus braços, alcancei o prato e prensei o elfo na parede, com o prato no pescoço dele.

— Uau, que arma afiada e perigosa.

— Claro que não posso cortar sua cabeça, mas posso fazer isso depois que te enforcar._ sorri._ Suas últimas palavras?

— Hm, acho que nenhuma._ ele tocou o meu nariz e, com a minha surpresa, conseguiu fugir._ Tenho uma missão chegando, então tenho que ir. Fique longe das bebidas._ sorriu, indo embora.

— Mas... mas hã?_ percebi que o prato ainda tava na minha mão._ Putz, agora vou ter que devolver o prato.


Depois de devolver o prato pra despensa, voltei a caminhar. E os dias passaram, meus amigos. E passaram lentamente. Não consegui encontrar ninguém pra encher o saco, o muro ou o meu mozão. Eu admito, estava chato sem eles. Era tedioso. Eu passei então a fazer rondas pelo QG inteirinho. E em uma delas, eu encontrei o pivete escandaloso.

— Não me diz que você perdeu seu mascote de novo, por favor.

— Não. Eu estou com medo do urso...

— Urso? Tá falando do Cry... ah, esqueci de novo. O troço lá cheio de pelo.

— Isso, ele mesmo.

— Ah, ele vai pra floresta pelo que eu tô sabendo.

— QUÊ?!

— Shiu, nem começa. É bom que pelo menos você não se perde mais, já que tem medo dele.

— EU O DETESTO!!

— Ih, alá. Vai fazer escândalo de novo._ dei de ombros, voltando à minha ronda.


No meio dela, ouvi que o platinado e o moreno tinham ido pra uma missão. Então, eu estava à toa. Não queria passar meus dias sem fazer nada, então decidi buscar uma missão também. Adivinha pra onde eu fui? Adivinha?

— Acsa, a que devo a honra?_ perguntou o unicórnio.

— Hm, que cavalheiro. Enfim, preciso de uma missão. Eu to sentindo que to mofando.

— ... tá tão ruim assim?

— Pra você ver.

— Bem, com o toque de recolher não sobraram muitas coisas pra fazer. Na verdade sobrou uma, mas não sei se posso dá-la a você...

— Pode, pode dar sim. Que que eu tenho que fazer?

— Ah..._ ele rabiscou em um papel e colocou em um envelope._ Vá até a Miiko, ela vai te explicar._ eu olhei para o envelope e depois pra cara dele.

— Você não vai querer que eu trabalhe de pombo correio não né? Ah quer saber? Tenho nada pra fazer mesmo._ saí da biblioteca e fui direto para a sala do cristal.


A himedere estava olhando para o nada, então entrei de supetão.

— Com licença sem licença, porque já entrei.

— O que foi, Acsa?

— Keroshana me pediu pra te entregar isso aqui ó.

— Do que se trata?

— Abre a porra do envelope._ eu ergo o envelope, como se fosse um item milenar.

— Ah, me dá isso aqui._ ela suspirou, finalmente abrindo. Logo depois, ela riu.

— É uma piadinha interna?_ arqueei a sobrancelha, cruzando os braços.

— Não, mas não sei se você vai aceitar fazer isso aqui.

— Fala logo o que é, que frescura.

— Bom, precisamos retirar as cinzas da hamadríade._ nem eu aguentei e ri.

— O quê? Vocês vão guardar num potinho para recordação? Não entendi.

— Não podemos deixar a floresta naquele estado.

— Ah, tá bom né. Eu tô de saco cheio de não fazer nada mesmo.

— Pode pedir pra quem quiser que te acompanhe, entregue essa carta na porta que vão te deixar passar. Todos os itens de limpeza estão no porão.

— Uhhuu, faxineira._ levantei os braços, fingindo empolgação._ Ok, vamos ver quem vai querer se torturar comigo.


Primeiramente, fui até o porão para pegar tudo o que eu precisava. A parte mais difícil era achar um trouxa, porque o top 3 tava fora já. Elegi o cheira cu para a quarta posição. Enfim, eu consegui encontrar ele na enfermaria.

— Ei Acsa, o que tá fazendo?

— Procurando alguém pra me acompanhar em uma missão. Quer vir?

— O que precisa fazer?

— Recolher os restos da vagabunda drogada lá da floresta.

— Nossa, que droga de missão. Ok, eu vou com você.

— Vamo bora então.


Então, passamos pelos guardas facilmente com a carta de permissão da kitsune. Um dos guardas se afastou de nós quando leu a carta. Era um cagão. Depois disso, seguimos para a floresta. Perto da árvore, encontramos a coisa.

— Osh, tá andando com o Leiftan é? Brotando pelos cantos.

— Ah, é você._ o ruivo se manifestou.

— Tu conhece ele?

— Sim, tentou me assustar um dia desses pra eu entrar no meu quarto.

— O toque de recolher ainda está de pé. Deveria estar nos seus aposentos dentro do horário._ alertou o troço peludo.

— Aham, tá bom.

— Nossa, ele cagou pra você.


Nós continuamos nosso caminho até chegarmos a árvore. Tava mó trapo viu?

— Vocês acabaram mesmo com esse lugar.

— Na verdade, quem tacou fogo na árvore foi o avatar maldito. Essas manchas de sangue aí são da vagaba que eu matei.

— Hm... Então, como vamos fazer?

— Só taca tudo no saco mesmo.

— Tudo bem.


Nós começamos a limpar tudo e eu tenho a leve impressão de escutar uma voz enquanto tento arrancar o cotoco do tronco. Eu decidi ignorar porque não tava afim de resolver problema de ninguém. Depois que arranquei o tronco, o ruivo jogou uma poção que fez crescer grama de novo, como se nada tivesse acontecido ali.

— Uma bela faxina hein?

— Eu to cansado de ouvir, vem logo antes que eu vá buscar você.

— Ah, então eu não tô loca.

— Ai, não precisa disso. Sou eu, Chrome. Relaxa._ disse outra bicolor saindo do meio dos arbustos.

— K-K-Ka... Karenn._ e o cheira cu ficou vermelho.

— "Karenn né?"_ sorri provocativamente para o ruivo.

— Tudo bem?_ ela perguntou.

— Tudo bem, e com você? Você... O que tá fazendo aqui?

— Eu não aguento mais esse toque de recolher, então saí junto com vocês. Por favor, não me entrega.

— Tudo bem, eu te entendo. Volta com a gente, vamos dizer que faz parte da escolta.

— Valeu!_ ela sorriu.

— Então casalzinho, podemos ir?_ cruzei os braços.

— Quem é você?

— Acsa.

— Ah, você é a humana né?

— Aparentemente, sim.

— Já ouvi falar bastante de você mas nunca consegui te conhecer. Prazer! Vamos ir conversando no caminho.

— Hm, tá._ dei de ombros.


E como uma fã vendo seu ídolo pela primeira vez, ela me fez todo o tipo de pergunta. Como eu tinha chegado em Eldarya e tudo mais. Até o cheira cu ficou curioso. A sortuda contou que estava na Guarda do meu mozão.

— É verdade que você tentou matar o Ezarel?

— Ainda tô tentando._ ela ri.

— Você é bem divertida.

— Se você diz...


Não demoramos pra voltar pro QG, os guardas nos olharam meio desconfiados mas eles são burros então deixaram a gente passar sem problema. A Karenn se despediu e eu me preparei para entregar os restos mortais da vadia para a outra vadia. O ruivo ficou olhando a bicolor ir embora.

— Tem um pouco de baba escorrendo aqui ó.

— Ah, nada a ver!

— Uhum, tá bom. Enfim, vou entregar isso pra kitsune e fazer o relatório.

— O que você acha de eu fazer a entrega e você escrever o relatório?

— Você deixa o serviço mais merda pra mim né?

— Não sou bom com relatórios.

— Desculpinha de preguiçoso._ eu joguei o saco na cara dele._ Leva essa merda, vou pra biblioteca._ saio andando antes que ele fale qualquer bosta.


Fui andando lentamente até a biblioteca porque estava ansiosa demais pra fazer meu relatório. Quando abri a porta, encontrei a coelha andando de um lado pro outro.

— Ah, Acsa!

— Eu mesma. Vim fazer um relatório de missão.

— Hm, que missão você fez?

— Recolhi as cinzas de uma vagabunda.

— Fala da hamadríade?

— Ela mesma, as outras seguem vivas.

— Não acredito que te passaram essa missão.

— Por quê? Eu matei, acho que não custa nada limpar também.

— Mas você pode ficar sobrecarregada.

— Ykhar, eu to de boa. Relaxa.


Ela suspirou, me entregou o formulário e me deu um aperto no ombro. Acho que ela tava tentando ser legal, pra eu saber que não tava sozinha e tal. Mas, como eu disse, eu tava de boa. Comecei a escrever o relatório e não demorei pra terminar, indo até a coelha pra entregar. Ela leu pra ter certeza que eu não tinha esquecido nada.

— Você esqueceu de uma coisa importante.

— Eita, o quê?

— Karenn. Os guardas me falaram que ela foi com vocês.

— Putz, é mesmo._ dei um tapa na minha testa._ "Caralho, que vacilo."

— Pode deixar, eu vou colocar ela aqui.

— Valeu! Então eu posso ir?

— Pode.

— Finalmente terminou essa porra!_ saí correndo da biblioteca.

— Espera, Acsa!

— Ah, que foi?_ voltei em passos lentos, bufando.

— Não tem nenhum registo de saída da Karenn.

— Ué, e eu vou saber?

— Eu sei, só estava pensando... você esquece de colocar ela no relatório, os guardas só registram a entrada e não a saída... bem estranho.

— Então, se você vai ficar filosofando aí, eu posso ir?

— Pode. A não ser que tenha algo pra me dizer.

— Não tenho nada, mas você pode falar com a pessoa em questão e resolver com ela._ dei de ombros.

— Hm, entendi._ ela sorri.


Eu decidi caminhar pelo QG e no caminho encontrei o cheira cu, aparentemente entediado.

— E aí, o que tá fazendo?

— Porra nenhuma. E você?

— O mesmo.


Uau, uma puta duma conversa. Acenamos um pro outro e seguimos caminhos diferentes. Eu fui para a sala das múltiplas portas e encontrei quem? Quem? A puta com guelras.

— Oh Acsa, quanto tempo! Posso te dar um abraço?

— Não, fica longe de mim.

— Você não me daria outro soco, né?

— Com todo o prazer, daria dois._ cruzei os braços._ O que você quer?

— Ah, você fez a missão de recolher as cinzas da hamadríade né? Com a Karenn?

— Uhum, fiz sim. O que tem a bicolor?

— Ela é minha amiga! Enfim, eu achei isso meio insensível da parte deles. Você tá bem?

— Hunf, como se você se preocupasse._ revirei os olhos.

— Eu me preocupo sim! Bom, a Miiko e o Leif geralmente são legais, não forçam as missões pra ninguém. Eu mesma não quis ir na missão contra a hamadríade.

— Eles te chamaram?

— Chamaram sim.

— Que merda eles tem na cabeça, senhor Oráculo?

— Ah... bem, eu vou indo. Tenho uma missão na loja do Purreru.

— Que o Oráculo os proteja de você.


A Geléia vai embora, meio sem graça. Foda-se ela. Continuei caminhando sem rumo quando encontrei o loiro meio moreno.

— Oi. Algo novo pra contar?

— Só o quanto minha raiva cresce por você a cada minuto que te vejo.

— ...

— Se me dá licença._ continuei caminhando.


Eu andei por tudo quanto era lado: eu fui até a Sala do Cristal e encontrei a puta das chamas, fui até a sala de alquimia e encontrei o Keroshana, fui até a enfermaria e encontrei a enfermeira dos cogumelos que me examinou e me ORDENOU que contasse qualquer problema pra ela. Será que Eldarya tinha psicólogos? O que ligava todos eles é que me perguntaram se eu estava bem depois da minha faxina na floresta. Sério, estava ficando de saco cheio de todo mundo achar que eu era fraca. A noite chegou e a kitsune anunciou que o toque de recolher tinha sido encerrado, o batidão da madrugada tava liberado. Todo mundo estava comemorando, mas ainda estava meio vazio lá. Os três patetas ainda estavam em missão e por mais que eu odiasse admitir, era bem chato lá sem eles. Eu estava voltando pro meu quarto quando ouvi uma voz me chamando.

— O quê? Outra hamadríade?_ me virei surpresa.

— Sou só eu.

— Ah, Karenn.

— Amanhã eu vou fazer um lanche com uma amiga, você quer ir?

— Hm, comida? Quero. "Mesmo que tenha que ser com a Geléia."

— Ótimo, eu venho te buscar então. Boa noite!

— Noite._ bocejei, entrando no meu quarto.


Eu dormi bem rápido, praticamente desmaiei. O dia tinha sido uma porcaria, tipo o Ezarel. Ah, eu tava com saudade do povo. Amanheceu rápido demais e eu acordei babando, com o barulho de alguém batendo na minha porta.

— Eu já vou, porra! Já vou..._ abri a porta, me deparando com o mozão._ O quê...

— Oi! Eu queria te ver._ ele nem esperou e já entrou no meu quarto.

— Tu tá apaixonado é?

— Só estive pensando em todas as coisas que você fez desde que chegou aqui. Um verdadeiro caos.

— É, eu sou bem chocante mesmo.

— Fico pensando se você vai evoluir algum dia.

— Se você vai ficar me criticando, ô bonitinho, peço que você saia do meu quarto._ eu o empurrei pra fora e fechei a porta.

— Você é uma pessoa horrível!_ ele gritou.

— É, eu também te amo!_ gritei de volta.


E do nada, eu acordei. Dessa vez eu acordei de verdade, sentindo a baba de verdade bem do lado direito da minha bochecha. Ainda era madrugada. Eu me virei para o outro lado da cama, sequei minha bochecha com uma das malditas folhas e voltei a dormir. Logo amanheceu de verdade e eu decidi me levantar pra me arrumar e tomar um bom café. Depois, eu fiquei esperando a bicolor no meu quarto, pra gente não acabar se desencontrando. No meio da tarde, ela bateu na minha porta com a Geléia ao lado.

— Então, bora comer? Tô com mó fome já._ digo, fechando a porta.


Nós caminhamos até a Grande Porta, que finalmente estava livre pra todo mundo entrar e sair. Nós ficamos conversando lá na frente, decidindo pra onde ir.

— A gente podia ir pra praia.

— NÃO!_ a puta dos mares gritou e eu a olhei surpresa.

— Ué, mas não é a sua área?

— Eu não quero ir pra lá._ ela virou a cara.

— E você, Acsa? Pra onde quer ir?

— Hm, tanto faz na verdade. Eu só tô com fome mesmo.

— Então, vamos pra praia!_ a bicolor levanta os braços em comemoração.

— QUÊ?! Karenn, você não ouviu nada do que eu disse?

— Ah, vamo logo e para de reclamar._ digo, seguindo a Karenn.


Eu ouço um suspiro de derrota vindo da vadia, que logo começa a nos seguir. Já do lado de fora do QG, nós começamos a conversar sobre o quê? Garotos.

— Eu acho que você e o Chrome ainda vão ficar juntos._ a bicolor sorri.

— O quê? Tá sonhando, Karenn?

— Pois é, até porque ela aqui claramente quer ficar com o Nevra._ eu ouço a puta parar de repente e me viro pra encontrar ela vermelha.

— N-não, não é...

— Isso não é segredo._ digo. A bicolor ri de forma discreta, me olhando logo depois.

— E você, Acsa? Tem alguém que te interessa?

— Ah, com certeza. Eu ainda vou pegar ele.

— Hm, quem é?

— Não vou revelar isso tão fácil assim pra você._ pisquei, voltando a caminhar.


Eu ando rápido até a praia, com a bicolor bem na minha cola perguntando quem era. Sendo sincera, eu estava começando a perder minha paciência.

— Você não vai se livrar de mim tão fácil! Conta!

— Ah, quer saber é?

— Quero sim.

— Bom, não é segredo pra ninguém mesmo. Eu quero pegar o Nevra._ dei de ombros.

— Q-quê?_ a vadia dos mares me olhou chocada.

— ..._ já a bicolor ficou muda.

— Já que ninguém vai falar nada, vamo comer então? Aqui parece um lugar bom.

— Eu não estou julgando._ a bicolor colocou a toalha na areia e começou a organizar a comida.

— Hm, o que tem aí?

— De tudo._ ela disse, sorrindo.


Começamos a comer e conversar. Preciso dizer que foi um tempo agradável, e o mar não me incomodava mais tanto assim. Até que de repente a Geléia começou a contar uma história da vida dela.

— Eu fui pegar pão com mel e o Ezarel estava na cozinha.

— Ele pegou o pão.

— Não, ele só o encarou e foi embora. Eu achei que ele tinha passado cuspe ou alguma coisa, então fui até ele. Ele me disse que estava com dor de barriga e não era pra me iludir achando que deixou o pão pra mim.

— Hm, então o azulzinho pode ser bondoso as vezes, hein._ eu sorri. As garotas me olharam e começaram a rir.

— Impossível.


Eu dei de ombros e continuei comendo. Um tempo depois, eu voltei a olhar pra água e decidi molhar os pés. Comecei a tirar os sapatos e andei na areia.

— Onde você vai?

— Onde mais? Molhar os pés._ continuei andando.

— Ah, me espera! Eu quero tentar ir com você._ a Geléia me seguiu.

— Tá, só não encosta em mim.


Eu entrei até a água chegar na altura dos meus joelhos e fechei os olhos, ouvindo o barulho do mar. Eu sentia como se estivesse no meu mundo ainda, mas logo ouvi a voz da puta me chamando.

— "Porra, não posso nem lembrar do meu mundo em paz."

— E-eu não sei se consigo...

— Então volta!

— M-mas eu não quero...

— Então continua!

— M-mas...

— Foda-se!_ eu fui até ela, seus olhos estavam foscos._ Ish, morreu na beira do mar. Karenn, socorre aqui!

— Tem sangue na água... sangue na água...

— Vamos ter que tirar ela da água. Agora._ ela me olhou séria. Eu suspirei, ajudando.


Já na areia da praia, o brilho voltou nos olhos da Geléia. Ela nos olhou confusa.

— O que eu fiz?

— Você tá em terra firme! Não tem sangue na água, viu? Tá seguro.

— Eu...

— Ah..._ eu bufei._ Vamo levar ela pra enfermeira dos cogumelos.

— Quem?

— A Ewelein. ¬¬

— Ah tá._ ela sorri.


Juntas, nós vamos até a enfermaria. A Karenn chega desesperada abrindo a porta.

— Ewelein, nós temos uma emergência! Emergência!

— Calma, o que foi?

— Eu tô bem, gente._ afirma a Geléia.

— Bem o caralho, pra quem disse que tinha sangue na água._ cruzei os braços.

— O quê?_ a enfermeira nos olhou surpresa.

— Ela foi pra água com a Acsa e do nada disse que tinha sangue na água.

— Entendi. Vocês podem nos deixar sozinhas, por favor?

— Com todo o prazer._ dei de ombros, saindo da enfermaria.


Na sala das múltiplas portas, a Karenn segurou meu pulso.

— Eu quero agradecer pela ajuda.

— Mas eu não fiz nada, osh.

— Fez sim. Muito obrigada. Eu vou ficar aqui pra quando a Ewelein autorizar a entrada, te aviso quando ela melhorar.

— Ah, tá bom.


Quando comecei a caminhar, a minha vista ficou preta.

— Caralho, de novo tô com problema de vista.


E então, eu ouço a voz da Karenn.

— Você não tem que se culpar por isso.

— Peraí, o quê?_ olhei em volta, confusa.

— Eu sei, mas é mais forte do que eu.

— Eu encarnei a puta dos mares de novo?! Por quê?!_ eu me joguei de costas no chão escuro._ Ah, um filminho grátis não faz mal. Espero que não seja tão ruim quanto geralmente é.

— Nada foi culpa sua. O passado está no passado e você só pode seguir em frente. Então, não fica se culpando por isso.

— Tá bom..._ a Geléia se deu por vencida.

— Bom, eu vou te acompanhar e só vou ver a Acsa bem rapidinho pra dizer que você tá bem.

— Ah, que consideração. Obrigada._ eu sorri.

— Sério? Ela é legal mas é muito estranha as vezes...

— Fala a real, fala que tu me odeia. Ainda mais que agora eu declarei guerra pelo Nevra.

— Ela não é do nosso mundo, Alajéa. Não podemos julgar.

— ... É, acho que julguei rápido demais.

— Tudo bem, vamos falar com ela.


E então, o apagão some e do nada eu estou deitada na minha cama. A encarnação acabou. Eu me levantei e olhei em volta.

— Caralho, agora eu tenho poderes de ver as merdas?_ dei de ombros e saí do meu quarto pra caminhar.


Mas logo no corredor, encontrei a bicolor.

— Ah, Karenn.

— Vim te dar notícias sobre a Alajéa. A Ewelein disse que ela está bem e está surpresa por não ter tido crises mais graves. Eu vou passar a noite com ela.

— Entendi. Bom, se cuidem.

— Eu estou preocupada com os rapazes também.

— Hã? Como assim?

— Era para eles terem voltado ontem da missão, mas até agora nada. Falei com a Miiko pra saber onde eles estavam mas ela não me disse nada.

— Você quer ajuda?_ eu sorri.

— Como assim?_ ela me olhou, surpresa.

— Eu vou lá falar com a puta das chamas.

— Você faria isso?

— Pra quem juntou um mutirão por um colchão, isso não é nada._ dei de ombros.

— Nossa, muito obrigada! Mesmo!_ ela me agradeceu e saiu andando pelo corredor.


Bom, eu tinha uma missão. Fui para a Sala do Cristal, pisando forte. A Miiko me olhou surpresa com a minha visita repentina.

— Acsa? Algum problema?

— Me diz você. Os três babacas não voltaram até agora._ cruzei os braços.

— O que quer dizer?

— Quero saber se tem alguma coisa errada com a missão deles.

— Isso não é problema seu!

— Ah, como pode falar comigo dessa forma. Oh meu Deus._ coloquei a mão no peito, fingindo me sentir ofendida._ Por favor, kitsune. Sabemos que isso não vai funcionar comigo. Eu sei que era para os trouxas terem voltado ontem.

— Foi a Karenn né?

— Quem sabe?_ dei de ombros._ O fato é que eles ainda não voltaram. E então?

— Acsa, devo te lembrar em que posição você está?

— Você não vai dizer nada né?

— Eu não te devo explicações só porque você está apaixonada pelos três._ a himedere disse e eu ri.

— Ai, tá. Essa foi demais. Se você não quer dizer, não precisa inventar shipp.

— Inventar o quê?

— Ah, vai procurar no dicionário._ levantei a mão, como se estivesse expulsando um cachorro.


Eu saí da sala do Cristal e dei de cara com a bicolor. Ela me olhou com um sorriso no rosto.

— Muito obrigada por tentar. Você foi demais.

— Eu sou demais._ eu sorri, decidindo ir pro meu quarto.


Me joguei de costas na cama cheia de folhas, olhando para o teto enquanto pensava. Será que tinha algum B.O. naquela missão? E se eu pedisse pra ir ajudar? Eu não sou uma pessoa que se voluntaria pra qualquer coisa, vocês sabem que eu não sou boazinha. Mas esse era um caso... digamos especial. Sem que eu percebesse, caí no sono. E eu sonhei com adivinha o quê?

— Vamos, Acsa. Temos que sair dessa floresta._ disse meu mozão.

— Mas que porra...

— Corre!

— O que tá acontecendo nessa merda?

— O que você acha? Viemos matar a hamadríade, claro.

— Matar o morto é impossível.

— Ela não tá morta, infelizmente. Temos que acertar dessa vez.

— Eu catei os restos dessa vadia. Não me deixa louca, Nevra!


De repente, eu acordei. Ah bem, se ela tivesse viva, eu não teria problema nenhum em matar ela de novo. Mas enfim né. Eu bufei e me levantei da cama, saindo do quarto pra tomar um ar fresco. Ah, eu deveria ter saído mais tarde do meu quarto.

— Estou vendo alguém que levantou com o pé esquerdo._ falou o loiro.

— Esse pé vai parar na sua cara se você não sair da minha frente agora.

— Nossa!_ ele me olhou surpreso, saindo do meu caminho para que eu pudesse passar. E assim eu fiz.


Não tava com paciência pra lidar com putinho nenhum não. E por causa disso, eu encontrei outro.

— Hey baby, tudo em cima?_ o ruivo perguntou.

— Em cima vai tá o meu punho quando eu te acertar.

— ... o que aconteceu?

— Não te interessa.

— Você não quer conversar?

— Não deu pra perceber ainda?_ cruzei os braços._ E só pra constar, esse 'Hey baby' foi ridículo._ eu continuei a andar.


Finalmente consegui ir para fora do QG, rodeada só pelas plantas que felizmente não falam. Eu fechei os olhos e inspirei fundo. Logo, alguém tromba em mim e eu quase caio.

— Ah, perdão Acsa!_ era o Keroshana. Vários papéis dele caíram no chão.

— Que porra você tá fazendo?

— E-eu não consegui te ver, eu estava com uma pilha gigantesca na minha frente...

— Então carrega menos papel, seu trouxa!

— D-desculpa..._ o unicórnio baixou a cabeça. Eu suspirei e comecei a ajudá-lo._ V-você não precisa...

— Não recusa minha gentileza ou eu taco isso tudo no laguinho.


Ele calou a boca e começou a catar os papéis junto comigo. Terminamos rápido e ele me agradeceu, ainda de cabeça baixa. Ele saiu correndo e eu fiquei sentada na grama, sentindo o vento balançando meu cabelo. Eu tava parecendo aquelas garotas típicas de anime, mas só estava tentando ter um pouco de paz mesmo. Porque nem dormir eu tava conseguindo. Isso já tava passando dos limites. Eu suspirei e olhei pro céu. É, era bem igual ao meu mundo mesmo. Tinha porra nenhuma. Me joguei de costas na grama e logo me levantei bruscamente, me espreguiçando.

— Ok, vou tentar dormir de novo._ fui correndo para o meu quarto, evitando qualquer otário que aparecesse no caminho.


Mais dois dias se passaram e nada dos três bobocas voltarem. E meus 'pesadelos' não cessavam, só que agora eu tinha que ver o muro e o avatar maldito neles também. Não acho que eu merecia tamanho castigo. No meio de tanto caos interior, eu consegui fazer bastante coisa até. Convenci o Naruto aposentado a adicionar no menu de sobremesas um bolo que eu comia em casa e fiz algumas missões de colheita e manutenção. Vamos deixar a parte dos relatórios de fora, por favor. Eu tava ajudando aqueles bichinhos do mercado que parecem gatos e bom, era uma boa forma de passar o tempo chato que eu estava tendo ultimamente. E também me distraiu pra não pensar nos sonhos estranhos. Eu saí do QG para levar um saco de repolho pro Purral.

— Pronto, terminei.

— Ótimo, linda. Você é realmente um amorzinho.

— Eu sei.

— P-Purral... preciso de sua ajuda. T-tenho uma encomenda de iscas que chegou sem aviso... S-será que posso pegar um dos seus recrutas pra me ajudar?

— Hm... não me sobrou muita gente. Tive que pedir pra Miiko postar um anúncio.

— Licença, eu posso fazer isso se não se importam._ me voluntariei. Sim, eu me voluntariei. Estou surpresa também.

— V-verdade?

— Claro, sem problema._ digo, coçando minha nuca.


Eu segui Purreru pra guardar as iscas nas bancas quando escutei duas putas conversando. Elas estavam longe pra conseguir enxergar o rosto direitinho, mas consegui ouvir o que diziam. Resumindo, um chefe de guarda que atrasou na missão. E pelo jeito que falaram, ele tinha acabado de chegar. Eu sorri, me virando para o Purreru.

— Ei, você ainda precisa da minha ajuda?

— V-você tem algo importante a fazer?

— Sim, bastante.

— Você... p-pode ir. Obrigado pela ajuda.

— Eu que agradeço! Tchau!_ eu saio correndo e esbarro com a Karenn.

— Ei, moça. Se está procurando por ele, ele está nos jardins._ diz, sorrindo.

— Vou te agradecer melhor quando voltar!_ digo acenando sem diminuir meu ritmo da corrida.


Corri até um pouco antes de chegar a Grande Porta e encontrei uma silhueta familiar. Eu gritei, digamos que emocionada.

— Mozão!_ eu corri até ele, que me recebeu de braços abertos. Sim, eu ganhei um abraço._ Eu queria um beijo, mas tudo bem. Melhor que nada.

— Também estou feliz em te ver._ diz, sorrindo.

— É claro que você tá._ cruzei os braços, sorrindo.

Notas finais
Críticas, sugestões e afins? Só comentar ;3