O experimento da Gula
1 Capítulo único
Notas iniciais
Espero que gostem e o capítulo está pré-revisado.
“As palavras do capitão naquela noite nunca mais saíram da minha cabeça, agora eu compreendo que mesmo a noite eu devo me tornar forte, eu devo proteger a mulher que amo.” — Escanor
Dois dias depois reino de Liones:
Após a missão em Edimburgo, os pecados retornaram para Liones, deveriam reportar ao rei Bartra, o primeiro a notar a ausência de um dos integrantes fora Slade, o braço direito do rei estava acostumado com a formação sétupla.
— Onde está Lorde Escanor?— A voz de Slader se fez presente.
— Ah ele tirou uma folga. — Meliodas coçou a cabeça e deu seu sorriso costumeiro.
— Mais assim, sem se reportar? Francamente... — Simon reclamou, como sempre o membro mais novo da Holly Kights gostava de se meter em assuntos do alto escalão.
— Ora cale-se Simon, perdão pelo infortúnio vossa alteza. — Jilian reclamou enquanto o rei sorriu.
— Não se preocupem, confio em vosso julgamento e por hora não temos mais nenhum problema porque não tiram o dia para descansar. — O rei sugeriu e Ban fora o primeiro a se retirar, seguida por todos os outros exceto por Merlin que ao ouvir as palavras do rei escalou os dedos sumindo em pleno ar.
⊱◈◈◈⊰
A noite em Bérnia era linda, a praça de baile agraciada com luzes pré-montadas e as estrelas que reluziam no céu, a música Bretã ecoava pelos quatro lados da praça e enquanto os homens tocavam os instrumentos em meio às mulheres que dançavam livremente a tão amada cerveja de maçã era distribuída aos montes muitos lioneses não sabiam, mas a cidade comemorava o vigésimo quinto aniversário e ao sul da praça em uma casa demasiada grande o pecado do orgulho residia em tristeza e leveza. Escanor havia tomado um banho quente e encontrava-se deitado a mesa segurando o pequeno bloco de notas a ponteira do *lápis estava gasta de tantas palavras descartadas, tudo porque o orgulho não conseguira encarar seu grande temor e a função de seus desejos de perto.
— A quem eu quero enganar, Lady Merlin nunca olhará para um homem como eu. — Sussurrou ao amassar e arremessar o papel para longe, o pequeno papel contorcido rolou até a parte direita escura do quarto e dedos finos alcançaram a folha e desdobram com cuidado:
“Minha doce gula,
Difícil, olhar nos teus olhos, e não desejá-los, por infinitos minutos fitando-me...
Difícil, admirar a geografia perfeita de tua boca...
E não a desejá-la colada na minha...
Pelos infinitos minutos descritos acima...”
— Um poema e tanto não deveria ser desperdiçado dessa forma. — A voz feminina causou-lhe calafrios, os fios loiros levemente bagunçados exaltaram toda a preocupação dele, afinal a quanto tempo ela estaria ali? Será que ouvira todos os seis devaneios?
— La-la-lady Merlin, que surpresa boa.— Se amaldiçoou por não ter controle sobre as palavras, se houvesse uma palavra para definir seu medo seria patético. Percebera que não havia dito nada sobre o poema.
— Eu vim trazer uma poção e preciso que tome-a agora a noite — Merlin estalou os dedos e fez com que um tubo levitasse no ar, a coloração rosada do líquido possuía um cheiro frutífero.
— Sabe que faço tudo por você Lady Merlin. — Sem pestanejar o pecado do orgulho ingeriu a poção e discretamente Merlin sorriu, afinal adorava usar os pecados como cobaia sem percebessem, na verdade se divertia com cada uma de suas criações. Os olhos violetas por infinitos minutos procuraram de algo fora do comum.
— Como você se sente? — Perguntou.
— Um pouco tonto, mas eu não dormir muito bem.— Desviou o olhar constrangido.
— Bom então descanse eu vou revisar algumas poções e tomar um banho também.— A maga habilmente desapareceu deixando Escanor confuso com a situação, porém seu corpo apresentava um cansaço fora do comum e sem demora adormeceu.
No andar inferior da casa Merlin manipulava diversas feitiços de proteção, quando terminou tomou um bom banho e retornou para o quarto onde Escanor permanecia em descanso, a maga vislumbrou o homem, seus músculos estavam definidos e agora o corpo ocupava boa parte da cama, com a delicadeza de uma brisa ela tocou o peitoral maciço e sorriu com malícia.
“Quem diria que isso funcionaria, agora só preciso testá-lo” — Merlin sentou na cama e chamou por seu nome, depois de algumas chamadas o Leão do pecado do orgulho acordou, Escanor franziu o cenho ao sentar-se na cama e vislumbrá-la, seus olhos brilharam, algo comum já que Merlin detinha a beleza em suas mãos, mas naquela noite algo estava estranho a maga utilizava um vestido azul marinho de comprimento mediano os saltos ressaltavam as coxas torneadas e o corte reto do vestido salientava os seios. Se tinha algo em que Escanor reparava era na maga, qualquer alteração por menor que fosse.
— Lady Merlin sei que tem seus motivos, mas porque está tão bem vestida? — O rubor em seu rosto denunciava a vergonha.
— Como assim bem vestida? Eu estou assim sempre, ou você está tentando me dizer que tenho me vestido mal todo esse tempo? — O coração do orgulho batia com tanta força que a qualquer momento explodiria.
— Lady.. Eu não quis ofendê-la. Apenas... — O dedo indicador dela pousou sobre os lábios finos e a mesma se aproximou o suficiente para deixá-lo hipnotizado.
— Aceitarei seu elogio. Sabe Escanor, até mesmo eu tenho curiosidade na vida humana, são uma ótima fonte de experimento. — Sorriu.
— Talvez você só precise apreciar mais e verás que são mais do que isso, evidente que não tão surpreendentes como eu. — Estranhou toda a empáfia durante a noite.
— Bom se são assim tão divertidos vamos descobrir agora, vista-se e se quiser me acompanhar ao festival eu ficarei grata. — Merlin sabia das limitações do homem, porém fazia parte de seu experimento e vontade testar os limites do Leão. — E então você vem?
— Hum? Claro-claro, só me dê um momento.— A maga estalou os dedos e desapareceu em pleno ar, já Escanor ao olhar para as próprias mãos se deu conta de que aquela transformação correspondia as 9hs da manhã, concluiu que aquilo só poderia ser obra dela, a mulher de seus sonhos.
...
O festival estava cada vez mais movimentado, haviam competições por todos os lados e Merlin permanecia sentada em uma das cadeiras ignorando com a destra qualquer homem que se pusesse a cantá-la, Escanor por outro lado tinha que conter a raiva e lidar com a rejeição, estava tão absorto em pensamentos que não percebeu quando uma moça de estatura alta e longos cachos negros se aproximou, seu vestido era bem mais recatado do que o da maga e seus em olhos aparentavam o oceano.
— O senhor está parado aqui a tanto tempo, será que gostaria de dançar? — O sorriso doce trazia a esperança de um sim, o leão do orgulho olhou discretamente para o lado e sorriu.
— Agradeço o seu convite, mas não estou interessado. — A garota sem jeito olhou para o lado e notou a mulher majestosa com uma caneca de cerveja em mãos, a delicadeza com que levava o copo aos lábios era hipnotizante.
— Oh! Me desculpem, eu não percebi que estava acompanhado e a propósito, sua esposa é linda. — Comentou.
— Interessante, mas não somos... — Novamente fora interrompido.
— O que acha de darmos uma volta Escanor? —Merlin não ousou desviar o olhar da pista a frente, observava os humanos tendo em mente o quão ridículas eram suas vidas. O leão do orgulho assentiu e assim seguiram pelos foliões e apesar do imponente orgulho algo matutava em sua mente: Lady Merlin estava estranha, jamais se dispor ia para algo tão trivial e tais pensamentos não passaram despercebidos pela maga que a alisava cada expressão em seu rosto com discrição.
— Algum problema Escanor? — Perguntou tocando lhe o antebraço.
— Na-não Lady Merlin. — Comentou, o rubor em seu rosto evidenciava o descostume, mesmo com tantos músculos se renderia a um simples toque da mulher que quem saber obtinha seu coração e suas vontades.
— Ótimo então vamos dançar. — O sorriso sínico o confundiu e mesmo assim seguiu com o combinado, dançou entre os outros enquanto Merlin aparentava se divertir. — Vamos beber mais, Bernia possui uma cerveja deliciosa. — Cruzou as pernas no vestido incomum que chamava atenção por demais e até mesmo o poderoso orgulho do Leão teve de segurar o sangramento nasal, a diversão durou tempo o suficiente para que Merlin se entediasse, ela então observou os humanos que competiam por nada os olhos âmbar brilharam imaginado como seria divertido ter algo para fazer durante esse pequeno experimento. Sem diz uma palavra se levantou e caminhou até a pequena roda de homens envoltos pela multidão. — Tem espaço para mais uma? — Sua voz chamou a atenção, como uma melodia e desconcentrou aqueles que agora se perdiam em tal beleza.
— O que uma gracinha como você iria fazer aqui. — Ela riu demonstrando a superioridade que possuía sem dizer uma palavra e os olhos felinos espreitaram com graça aquele elogio ridículo.
— Bom, está claro que vou participar dessa brincadeira. — Sentou-se no banco próximo a mesa, Escanor deu fortes passos até parar ao lado dela.
— Merlin está tudo bem? — A voz levemente rude despertou a atenção dos demais.
— Estou ótima e quando começamos com as bebidas? — Sugeriu, não restando para os adversários colocarem os copos cheios ao redor dela.
— Estamos apostando moedas de prata, será que você pode arcar com isso. — Um deles Ironizou, Merlin viu o semblante de Escanor se alterar mas preferiu ignorar, estendeu os dedos finos sobre a mesa e entre eles duas peças de ouro.
— Façamos o seguinte quem conseguir me vencer terá a honra de levar as peças de ouro para casa. — Os olhos dos demais brilhavam com aquela pequena hipótese, menos Escanor que continuou emerso nos lábios tingidos de Vermelho. — E então o que me dizem? — A euforia por verem aquele ouro foi substituída pela competência da maga, o pequeno grupo tomou um copo atrás do outro enquanto Merlin apenas os iludia, aos olhos de todos ela estava a virar a décima segunda caneca, quando na verdade ainda estava na primeira.
“A ilusão é algo poderoso e os humanos continuam fascinantes e facilmente fascinados, pelo menos isso me diverte.” — Ironizou para si mesma, as rodadas pareciam sem fim e por volta da trigésima quinta caneca, apenas ela estava de pé.
— Vocês não merecem isso. — Pegou as peças de ouro e se levantou, Escanor assustado pela quantidade de álcool ingerido pela mesma se ofereceu para ajudá-la e teve o pedido negado, ambos caminharam pela festa sem trocar uma palavra até que Escanor tomou decidiu quebrar o silêncio.
— Você está estranha Lady Merlin, não costuma socializar com os humanos dessa forma. — Concluiu.
— De fato, mas até mesmo eu tenho curiosidade sobre certos temas humanos de vez enquanto. — Mentiu friamente, as perguntas do leão do orgulho cessaram e agora ambos encaravam a porta pesada de madeira.
— Lady Merlin porque me colocou nesta aparência? — A voz cabisbaixa despertou a curiosidade da maga, que concluiu que o efeito estava por um fio. Merlin abriu a porta e assim que entram ela abriu a mão esquerda fazendo com que todas as luzes se acendessem recostou o corpo na cômoda ao lado esquerdo da parede e apreciou o efeito da poção que ia e vinha.
— Simples, seu corpo se recupera dos danos mais rápido e antes que me pergunte novamente porque estou aqui com você, vim apreciar sua companhia e me certificar de sua melhora. — A cada mentira o coração do leão derretia cada vez mais.
— Entendo, eu não queria preocupa-la. Seria capaz de recitar um poema apenas para agradecer lhe. — O lado doce dele era inegavelmente atraente e as pernas se cruzaram novamente assim como o arqueado de sobrancelhas costumeiro como se esperasse por aquilo:
Oh minha doce gula, gostaria de me afogar em seus braços enquanto escuto sua melodiosa voz...
Ela sorriu, antes de se aproximar novamente, apesar de todo o orgulho reinando na madrugada Escanor jamais teria coragem de seguir em frente e não esperaria por algo daquele nível vindo dela. Os lábios de Merlin tocaram os dele que simplesmente sentiu-se surpreso.
— Lady... — Os dedos indicador e médio tocaram o lado direito do peito masculino.
— Seu poema revelou os seus desejos Escanor... Vamos pôr em prática. — Ele gostaria de dizer que aquilo não foi intencional, porém Merlin não se importava com mais nada além do que estava ao seu alcance e o leão do orgulho ponderou as próprias chances, não a deixaria escapar. Os beijos foram retribuídos com certa euforia por parte do leão enquanto seu corpo regressava ao normal, ela possuía pressa, já ele pressa alguma e enquanto aproveitava dos lábios do leão estalou os dedos levando-os direto para o quarto por um segundo se separou apenas para empurrá-lo sobre a cama e sorrir, a maga estava apenas começando com seus experimentos...
A manhã reluzia lindamente, o leão novamente transformado pela graça respirava vigorosamente os fios molhados de suor enquanto a gula repousava ao seu lado. Não sabia explicar em palavras o que sentia no momento apenas a certeza de que seus sentimentos finalmente foram correspondidos, observou a tatuagem de javali no pescoço feminino e sentiu vontade de beijá-la, roçou os lábios no local e sentiu um afago sobre os cabelos, os braços fortes a envolveram lentamente e como o leão devorando um javali aproveitaram o resto da manhã.
⊱◈◈◈⊰
A lua já se apresentava no céu quando o casal exausto aproveitava uma boa refeição, Escanor permanecia em outro mundo, em sua mente agora tudo seria diferente ele finalmente possuía aquilo que tanto desejava o coração da gula, mas para ela tudo não passava de um belo e prazeroso experimento, Merlin sorriu ao aproximar-se novamente e sentar-se no colo do leão, com uma taça em mãos tomou um gole do que deveria ser uma cerveja e ofereceu para ele, talvez, apenas talvez se Escanor não estivesse tão desatento perceberia que aquela atitude era incomum, mas sua mente domada pela paixão não captou nada e seus lábios ingeriram o sabor amargo do esquecimento, no fim daquela pena refeição o sono domou lhe de forma inexplicável, a maga saiu de seu colo e deixou que dormisse sobre a mesa os olhos dourados captaram pela última vez cada canto da moradia e não conteve o pequeno sorriso lascivo ao lembrar de todo o ocorrido, os olhos desaguaram no homem desacordado e com cautela acariciou a face adormecida.
— Não serei tão má com você, quando acordar tudo isso não passará de um delicioso sonho. — Sussurrou antes de estalar os dedos e sumir do local levando consigo o leão adormecido.
Na ala do castelo de Liones designada para os pecados, Escanor repousava na cama tranquilamente, Merlin andou pelo corredor tranquilamente até regressar para a sala ao qual seus leais companheiros de batalha estavam. O capitão foi o primeiro a notar tal presença e observou a maga concentrada em um experimento que flutuava ao lado direito.
— E então Merlin como ele está? — A voz de Meliodas fez com que todos prestassem atenção no pecado da gula.
— Hum? A sim... Escanor — Estalou a língua no céu da boca. — A recuperação foi bem rápida, como o esperado. — Comentou sem desviar a concentração.
— Excelente! Então agora vamos descansar — A ira do dragão bradou enquanto seus companheiros sentiam-se confusos e para Merlin seus pensamentos estavam envoltos no experimento, no fim não lhe restavam mais dúvidas, ainda conseguia sentir algo além da gula.
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